29/05/2012

Bruna



Não, não vos vou aborrecer com mais um texto sobre a pré-época do Sporting. Nem vou tentar justificar a incompreensível transferência de João Pereira por 60% do valor da, já de si baixa, cláusula de rescisão. Nem sequer vou insistir nos 7 reforços em falta. Nada disso.

Venho aqui com a patriótica missão de retirar a fronha do Anderson Polga da página de entrada do blog. Ou, mais corretamente, venho passá-la um pouco mais para baixo. Assim, deixa de estar em destaque e grande plano, passando a figurar como mais uma das fotos que acompanham os cerca de 150 posts aqui lançados.

Como não pretendo desrespeitar o Anderson Polga (apesar de tudo, vestiu durante 9 anos a camisola do grandioso Sporting Clube de Portugal), deixo-lhe a devida homenagem ao colocar a foto da sua muy respeitável esposa. Certamente mais agradável aos olhos de eventuais visitantes...

De nada.

24/05/2012

Obrigado... mas sem tretas




Está confirmado: Anderson Polga termina o seu percurso no Sporting.

Trata-se de um jogador que chegou em 2003, com grande impacto. Tinha sido campeão do mundo em 2002, ainda jovem. Dizia-se que podia jogar a central ou médio defensivo (creio que em Alvalade nunca terá experimentado a posição no meio-campo). Na altura foi disputado com o Benfica, que atravessava um jejum de 9 anos sem ganhar o campeonato, ao passo que o Sporting tinha sido campeão em 2002. O jogador escolheu o Sporting.

Sem tretas, trata-se de mais um momento "sliding door", entre tantos outros que assolam a vida dos clubes, em particular do Sporting: Polga, internacional A, escolheu o Sporting; Luisão, que apenas tinha sido internacional sub-21 (se não me falha a memória) foi a escolha do Benfica. Começou perro, mas o futuro acabou por demonstrar que a jogada de antecipação correu mal. Como mal tinha corrido antes por tantas vezes (por exemplo, ao contratar Queiroz por antecipação ao Porto que perdera Ivic) e como mal correu depois também em diversas ocasiões (por exemplo, ao contratar Ricardo deixando "cair" Quim para o Benfica).

Hoje vão proliferar os posts de agradecimento. Quanto a mim, é claro que não deixo de notar a dedicação de Polga. E é claro que Polga não tem culpa das sucessivas ofertas de renovação e dos sucessivos votos de confiança dos mais diversos treinadores. Digo mais: compreendo todas essas direções e equipas técnicas porque quem viu Polga jogar entre Setembro e Novembro deste ano diria que estávamos perante um central de grande classe (eu próprio, se bem se lembram, comecei a duvidar do que achava relativamente a ele).

Sem tretas, reconheçamos que se trata de um jogador que não tinha pedalada para um clube tão instável como o Sporting. Nem vou falar de argumentos técnicos, falo do nível de concentração que, ainda que desaparecendo apenas por breves minutos, tantos e tantos golos e lances de perigo deu aos adversários. Perdi a conta às bolas perdidas (sendo o último jogador), aos alívios falhados (ainda no Domingo...), aos passes para a linha final, aos golos desperdiçados.

Sem tretas, diga-se que para central sempre teve um rendimento abaixo do expectável. Diz-se por aí que marcou 4 vezes pelo Sporting, sempre em competições europeias (eu só me lembro de 3 golos). Em compensação, marcou 4 auto-golos (1 deles épico, no 1-7 de Munique). Isto não é normal num central, não me lixem!

Sem tretas, reconheça-se que tapou (não por culpa dele, obviamente) a possibilidade de se contratarem centrais de outro calibre, uma vez que ganhava um ordenado milionário, o que aliás fazia dele um jogador demasiado caro para o que valia.

Por isso, sem tretas, ao Anderson Polga quero dizer: obrigado pela tua dedicação e empenho mas, pelo menos a mim, não deixas boas memórias.

23/05/2012

Escrever direito por linhas tortas


Viana, afinal, vai ter a mais do que merecida presença no Europeu.

Sem desejar mal a ninguém, faria mais sentido no lugar de Ruben Micael. Mas foi Carlos Martins quem se lesionou...

Martins não merecia isto. Depois do ano que passou a nível pessoal, merecia estar no Euro. Mas, enfim, Martins terá que ver as coisas pelo lado positivo: considerando o que de bom lhe podia ter acontecido neste final de época, a mais importante das recompensas foi conseguida. E essa vale mais do que qualquer presença ou sequer vitória no Euro.

Quanto a Paulo Bento, que tanto venho criticando, louve-se o facto de não ter inventado na substituição. Dir-me-ão que não tinha alternativa. Pois eu acho que até tinha: inventar um Ruben Amorim ou um Paulo Machado. Percebeu que começava a perder apoios nos comentadores, paineleiros e jornalistas e fez a escolha lógica e que até era a que todos queriam. Espero, sinceramente, que o tenha feito também por convicção e que sejam dadas a Viana oportunidades idênticas às dos outros.

22/05/2012

Os melhores, os piores e os assim-assim


Este vai ser longo, rapaziada... Qual Boavista dos anos 90, sugiro o consumo de várias colas e bicas para aguentar o post até ao fim.

Podia esperar mais uns dias. Ou dividir o post em vários. Mas não consigo. Nem vou deixar o post de ontem respirar, vai outro já hoje com a minha apreciação pessoal dos jogadores do Sporting, um por um. O Carlos Freitas está ansioso para construir o plantel da próxima temporada e eu bem sei que está a consultar o futebola3 minuto a minuto para saber o que penso de tudo isto.

Queria, aliás, começar com uma mensagem pessoal para o Carlos Freitas:

Carlos, felizmente para ti, não me vou por a fazer aqueles exercícios espalhados pela blogosfera em que vendemos o Pereirinha e o Rodriguez por 30 milhões cada um, ficando com 60 milhões para contratações. Nem te vou dizer para ires buscar o Drogba e o Bosingwa em fim de contrato porque suspeito que nenhum deles aceite vir para Alvalade ganhar 100.000 Euros/mês. Vou, simplesmente, dizer-te o que, na minha opinião, foi a época de cada jogador e a minha apreciação do potencial de cada um, deixando para ti as escolhas relativamente aos elementos a dispensar e contratar. Desta vez, conviria que me lesses mesmo com atenção, uma vez que na pré-época passada me fartei de alertar para a falta de centrais, para a falta de um trinco e para as escassas e insuficientes opções para avançados, tu não ligaste nenhuma e depois viu-se que eu tinha razão. Desta vez, Carlos, juro que se não me deres ouvidos faço mesmo o post "Eu bem dizia". Presta lá atenção, sff.

Vamos a isto, então:

Rui Patrício - o melhor jogador da época, na minha opinião, pelo que merece algumas linhas. Teve finalmente uma época de afirmação, quer no Sporting, quer na seleção. Deu pontos e cometeu muito poucos erros (frangos só me lembro de um, na Madeira). Transmitiu segurança naquilo que é mais importante num GR: saídas aos cruzamentos. Mas não só: fartou-se de defender lances de 1x1 (ainda no Domingo defendeu outro), melhorou bastante o jogo com os pés e tem uma eficácia próxima dos 50% na defesa de penalties, o que é notável. Provavelmente será transferido. Se assim for, gostaria de o ver sair por um montante considerável e para um grande clube.

Boeck - impecável sempre que chamado a substituir Patrício (a manter);

Tiago - jogou 2 minutos e terminou a carreira;

João Pereira - vou elaborar um pouco mais para dizer algo que me está preso na garganta desde que chegou ao Sporting: esta época, além de ter acentuado as suas limitações defensivas, demonstrou uma vez mais que é um jogador sem caráter. Nunca gostei de jogadores assim. Sempre disse que teria vergonha de manter no plantel durante mais de 10 anos um jogador como Paulinho Santos. Prefiro ficar a seco 10 anos a ganhar com cotoveladas e pisões, ainda para mais premeditados e nas costas dos árbitros. Que vá rapidamente, mesmo que não pelos 7 milhões da cláusula. Estou convicto que temos melhor, mais barato e menos problemático.

Arias - agradável surpresa, jogou muito bem sempre que teve oportunidades (a manter);

Xandão - claramente o melhor central do plantel, precisa de parceiro à altura (a manter);

Onyewu - época razoável, alguns golos, alguns erros, assim-assim, mas boa opção apesar de tudo (a manter);

Polga - época à imagem das anteriores, com os habituais 99% de concentração e 1% de desastre... apesar de bons jogos, não serve porque corre o risco de comprometer em qualquer momento. Termina contrato, deixem-no ir;

Rodriguez - época desastrada, muito devido às lesões. Sem lesões, seria uma opção razoável. Sempre lesionado, que o transfiram ou emprestem;

Carriço - época fraca do central, bons jogos do trinco. Parece que há interessados. Custa-me estarmos insistentemente a deixar sair o capitão de equipa (Barbosa, Beto, Custódio, Minorca, Polga), mas não representa uma mais-valia que justifique forçar a permanência do jogador;

Insua - o melhor lateral esquerdo a jogar em Portugal, com o bónus de diversos golos importantes, nomeadamente nas competições europeias (a manter);

Evaldo - época fraquinha, mas é difícil ter suplentes do mesmo nível dos titulares, além disso não arranja problemas por ficar no banco. Teriam que ser avaliadas as capacidades de Turan, mas se o jovem francês não estiver ainda preparado, Evaldo poderia ficar (a manter);

Rinaudo - enquanto pôde, foi dos melhores no meio-campo (a manter caso tenha condições físicas para tal);

Schaars - época regular, bom jogador, nada de genial, mas é uma opção consistente para o meio-campo (a manter);

Elias - semelhante a Schaars, mas com manifestas diferenças na expetativa sobre ele e no valor da contratação. Todos esperamos muito mais na próxima época (a manter);

André Martins - época de revelação, bons pormenores e alguns bons jogos (a manter);

André Santos - época negativa, tudo lhe correu mal, apesar dos bons golos contra Nordsjaelland e Legia. Fala-se de interessados como o Lyon e outros (não acredito, mas tudo bem). Se for verdade e houver propostas, deixem sair;

Matias Fernandez - fez este ano a época que deveria ter feito há 3 anos. Para o ano será melhor, seguramente. É o melhor jogador do plantel, não o podemos deixar sair (a manter);

Izmailov - excelente no final da época, pena as constantes limitações físicas. Pode sair se fizer um bom Euro e recebermos proposta muito vantajosa;

Pereirinha - mais uma época que nos deixa a todos em dúvida: alguns grandes jogos e outros em que parecia estar a dormir. Como médio, acho que não dá mesmo. Como lateral, irá lutar com Cedric e Arias pela vaga (ainda assim, a manter, pelo menos para a pré-temporada);

Carrillo - apenas quatro palavras: grande craque, futura estrela (a manter);

Jeffren - ou está bichado ou mal preparado fisicamente. Espero que seja a segunda (a manter);

Capel - boa época, jogador importante na equipa (a manter);

Wolfswinkel - boa época, ainda muito a melhorar, não tem culpa de não ter concorrência à altura para o "espevitar" ou substituir quando está desinspirado (a manter);

Bojinov - grande barrete, despachar a alta velocidade;

Rubio - ainda muito verde, percebe-se que tenha sido terceira opção, mas está a crescer (a manter);

Ribas - todos dizem que é barrete, eu acho que teve muito poucas oportunidades (a manter).

***

Contas feitas, temos o seguinte:

GR - só Boeck, precisamos de 2 GR (um para disputar o lugar com Boeck, o outro para 3º GR);

DD - Arias, eventualmente Pereirinha, diz-se que Cedric regressa;

DE - Insua e Evaldo

DC - apenas Xandão e Onyewu, como sempre defendi preciamos de 2 centrais;

MC - Rinaudo, Schaars, Elias, André Martins, fala-se do regresso de Adrien, falta claramennte mais 1 médio defensivo;

MO - Matias, fala-se do regresso de Aguiar, Labyad está contratado;

ED - Carrillo, Jeffren pode fazer o lugar, fala-se do regresso de Wilson Eduardo;

EE - Capel, Jeffren também pode fazer o lugar, tal como, caso regresse, Wilson Eduardo - ainda assim, mantendo Jeffren as limitações físicas, seria bom pensar em mais 1 extremo;

AV - Wolfswinkel, Ribas, Rubio, falta mais 1 avançado.

Em suma, temos 23 jogadores para a próxima temporada, e faltam nada menos do que 7 novos jogadores.

Com a equipa B, pode dar para gerir os casos de Rubio, Arias, do 3º GR e do 4º central, mas ainda assim ficariam 26, o que pode determinar as dispensas de Pereirinha e Ribas. Com esses 24 (mais a equipa B), teríamos um plantel equilibrado.

Saibam Carlos Freitas e Luís Duque preencher as vagas com cabeça e paciência e pode ser que o próximo ano comece direitinho...

21/05/2012

Balanço: negativo!


Agora sim, é tempo de balanço. Ainda um pouco a quente e de forma necessariamente telegráfica.

O jogo de ontem provou, uma vez mais, como pode ser precipitado antecipar balanços. Há algumas semanas consegui resistir à tentação porque havia, ainda, muito por jogar:
- havia um 3º lugar para conquistar - falhámos;
- havia um clássico no Dragão para ganhar - falhámos;
- havia contas para ajustar com o Braga - cumprimos de forma suficiente;
- havia uma Taça para vencer - falhámos redondamente.

De todos estes momentos, o pior foi claramente o jogo de ontem. Sinceramente, os adeptos do Sporting não mereciam tamanha falta de respeito. Eu e tantos outros como eu que andámos aqui a defender de forma veemente estes jogadores (mesmo quando, no meu caso particular, reconheci não acreditar em direção e treinador), não merecíamos isto. Não merecíamos perder mas, acima de tudo, não merecíamos que, em 14 utilizados, só 4 tenham estado presentes com o espírito e atitude certas (Patrício, apesar de tudo João Pereira, Carrillo e Capel). No final, o treinador Sá Pinto, que os paineleiros e cronistas adoravam relativamente a Domingos porque nunca culpava os jogadores, disse tudo: não fomos o Sporting que me orgulhava liderar. Enfim, quando as coisas correm mal, são todos iguais... Foi mau demais.

Sem me querer alongar muito, até para que possa rapidamente passar ao balanço, só encontro explicações de dois tipos:
a) a primeira hipótese é sobranceria - seria gravíssimo considerando a época que decorreu, mas é possível (embora inaceitável) face ao fraco oponente;
b) a segunda hipótese é estarmos, outra vez, perante problemas internos (salários em atraso, por exemplo, ou problemas entre jogadores e equipa técnica em resultado, outro exemplo, de declarações como as proferidas pelo empresário de Xandão).

Neste momento, vou andar para a frente. Mas não vou deixar cair este tema e provavelmente terei que voltar a ele logo que caia em mim e acredite que aconteceu o impensável: perdemos uma final contra a Académica.

Em termos de balanço, a época correu muito mal a nível interno: fora da luta pelo campeonato muito cedo, afastado na fase de grupos da Taça da Liga (sendo que neste caso o preocupante é, apenas, o facto de termos sido afastados usando a equipa principal, ao invés de rodar jogadores), derrota na final da Taça com a Académica (continuo sem acreditar que aconteceu...).

A campanha europeia foi bastante boa. Não foi fantástica (faltou a final), muito menos perfeita (ganhar a final), mas foi a 5ª melhor campanha de sempre na Europa. A irregularidade europeia destes últimos 30 anos é das coisas que mais me entristece e envergonha enquanto sportinguista e, por isso mesmo, fico satisfeito quando vejo a equipa a bater-se bem contra Lazio, City e Bilbao. O pior que me pode acontecer, se calhar pior ainda do que perder com a Académica na final, é ser eliminado por Grasshoppers, Casino, Rapid, Metz, Viking, Genclerbirligi, Halmstads... Por isso, a nota europeia só pode ser positiva.

Mas claramente não chegou para compensar o restante. Se tívéssemos ganho a competição, seria uma coisa. Outra bem diferente é ficar pelas meias-finais.

Assim, acabaram por ficar evidentes demasiadas debilidades por corrigir, a começar, como sempre disse, na direção e no treinador, mas também na construção do plantel  (algumas delas, curiosamente, aqui identificadas desde Julho...).

Na direção houve demasiados problemas e muito pouca estabilidade: a chantagem de Duque logo no início, a demissão de Barbosa, o despedimento de Domingos, o caso Cardinal. Muito mau, mas muito mau mesmo, para um primeiro ano que se adivinhava de "estado de graça", depois de criada uma dinâmica tão forte com as eleições e a pré-temporada.

Quanto a treinador, Sá Pinto mudou a atitude dos jogadores, é verdade, mas fez um, e apenas um, bom jogo contra equipas, digamos, mais fracas (5-0 ao Vitória de Guimarães). Nos restantes jogos, muito pouco. E as exibições bem conseguidas foram em contra-ataque contra equipas de nível semelhante ou superior (City, Metalist, Bilbao, Benfica). Será que chega? Acho que não chega. Muito menos chega para uma renovação a 700k/época Mas há um argumento a favor de Sá Pinto, e ainda que seja só um, esse argumento é muito forte: estabilidade. Se for este o critério decisivo (nunca o foi até aqui, como se vê nos casos exemplificados relativamente à postura da direção, mas OK...), Sá Pinto fica. E aí faz a pré-temporada, participa na escolha dos reforços e construção do plantel e vamos ver como corre. Desta vez, sem um discurso que deixa nas entrelinhas as responsabilidades do treinador anterior...

Quanto aos jogadores, e do ponto de vista puramente desportivo, temos que ser justos e reconhecer que nem tudo foi mau. Descobriram-se bons jogadores e criou-se uma base razoável para uma boa equipa. Da que se apresentou ontem na final (ver foto), 7 eram reforços e desses 7 considero que 4 foram aquisições muito bem conseguidas: Insua, Carrillo, Capel e Wolfswinkel. Os restantes 3 (Elias, Schaars e Onyewu) são também boas opções, ainda que não necessariamente para a titularidade indiscutível. Faltam claramente 2 centrais e mais alternativas para o meio-campo e ataque, mas há uma base de 15/16 jogadores a quem todos reconhecemos nível para jogar no Sporting, o que não existia há 1 ano.

O próximo post será de balanço individual de cada jogador, uma espécie de exercício masoquista de Football Manager. Por ora, tudo o que posso dizer é o seguinte: e venha (rapidamente!) a próxima época para retomarmos o caminhos das vitórias!

19/05/2012

Champions: Salvar a época numa final?

Hoje a noite Bayern Munique e Chelsea tentam salvar uma época que se revelou dramática para ambos nos seus respectivos campeonatos. O Chelsea nem chegou a prometer e foi preciso a saída de AVB para que os principais jogadores e principais figuras do balneário quisessem voltar a jogar. O Bayern, apesar de ter uma boa equipa, com bons jogadores e um treinador que ganha em todos os países por onde passou (menos no Benfica) não foi capaz de bater um Borussia Dortmund demolidor (não me consigo lembrar de um nome de um jogador deles, muito menos do treinador – sei que têm lá um japonês) que o derrotou no jogo decisivo a poucas jornadas do final e o humilhou na final da Taça da semana passada.

Mas se estão na Final da Champions é por algum motivo...  

Chelsea elimina o Mega Barcelona com um futebol tão defensivo que dava dó. E sono... Mas tenho de valorizar a capacidade de suster um Barça em Camp Nou a jogar com menos 1 e de recuperar para um 2-2 depois de estar a perder por 2 na cidade condal. Destaque para um Ramires em grande, para orgulho e frustração dos adeptos encarnados (nunca mais tiveram um jogador que jogue com qualidade pelo lado direito do ataque); e ainda para Raul Meireles, decisivo no equilíbrio do meio campo blue e Juan Mata que se revelou muito importante no sector mais frágil da equipa: o meio campo ofensivo/ataque.

Os de Chelsea partem claramente como underdogs, não só pelo factor casa favorável aos alemães mas principalmente porque não jogam nada. Ainda para mais co malgumas das principais figuras castigadas (Raul Meireles, John Terry, Ivanovic e Ramires... ) parece ser uma tarefa inglória.

O Bayern derrota um extenuado e Galáctico Real Madrid que, apesar de ter Ronaldo e Ozil em grande não tiveram equipa para eliminar os organizados alemães. Essa é a grande força dos de Munique: a equipa. Correm que se fartam, têm 12 a 13 jogadores a lutar pela titularidade e nomes de peso do futebol mundial como Ribery, Robben, Neuer (não me esqueço do jogo que fez pelo Shalke contra o Porto); Gomez  e Muller. Não são brilhantes, são fiáveis.

Mas ganhar uma Champions é muito mais do que salvar uma época, é ficar na história do futebol! É o concretizar do velho sonho de Abramovich, que Mourinho e seguintes nunca conseguiram, apesar dos mais de 730M€ em contratações gastos desde que tomou conta dos destinos da equipa do bairro de Londres. Para os alemães é ganhar a 5 Champions e colar a Liverpool no 3º lugar do ranking da prova.

Que seja uma boa final!
E pegando na linha de pensamento do Koba no seu Balanço da Época: Que ganhem os menos maus...
PS 1:Em paralelo podemos colocar a final da Taça de Portugal que amanhã se joga no Jamor. Duas equipas que querem salvar uma época. A Académica já pode ter salvo com esta presença mas para o Sporting perder esta final é ficar mais um ano em branco...
Vou estar pelos estudantes. Mas esta final para mim tem tanto interesse como um Desportivo de Chaves – União da Madeira.

PS 2 : o quê??? O árbitro é o Pedro Proença? o Calheiros não estava disponível é? Ou o José Pratas, o melhor árbitro a correr de costas? Pois é... para a maioria dos que estão a ler estas linhas, a escolha deste árbitro é uma vergonha depois do seu último jogo na Luz; para outros é um murro no estômago  ; para mim é completamente indiferente. Pessoalmente não gosto do estilo de Proença mas tenho de admitir que é o melhor árbitro português da actualidade. Um orgulho para os portugueses. Agora... espero que não faça asneiras ou se lesione, pois aposto que o 4º árbitro será o Olegário Benquerença e assim é que 6 Milhões de Tvs se vão desligar. É mau para as audiências...


Onze da época

Para mim, o onze desta época era este:


1- Rui Patrício porque teve, nesta época, a sua afirmação como grande guarda-redes. Praticamente deixou as fragilidades reveladas nas épocas anteriores para trás, fez grandes defesas, assumiu-se como titular na selecção e já está no radar das grandes equipas europeias. Artur e Helton seriam as escolhas para suplentes.

2 - Maxi manteve a habitual alta rotação durante toda a época e, para além de cumprir a sua função, foi muitas vezes o único desequilibrador a atacar junto à linha. Salino pelo que fez antes da lesão e João Pereira seriam as escolhas seguintes.

3 e 4 - Maicon fez bons jogos tanto a defesa direito como a defesa central e foi um defesa mais regular do Porto. Neto foi uma revelação deste campeonato e mostrou-se como um defesa promissor. Garay era uma boa hipótese também assim como Douglão e Xandão pela 2ª volta do campeonato.

5- Insua foi um defesa que se distinguiu pela sua capacidade física, constantes subidas e forte remate. Bruno Teles ou Junior Caiçara seriam alternativas.   

6, 8 e 10 - Hugo Viana foi o patrão do meio campo do super Braga da segunda volta, Moutinho manteve a bitola habitual e também fez uma segunda volta de grande nível e Witsel mostrou uma classe e qualidade impressionantes. Izmailov, Schaars e Fernando seriam os senhores que também poderiam facilmente figurar neste onze.

7 e 11- James esteve em grande quando Hulk estava ausente ou menos eficiente. Golos importantes, grandes assistência e uma qualidade que começa a ser excessiva para este campeonato. Falta-lhe apenas evitar alguns jogos mais apagados quando joga de início. Nolito foi também uma revelação. Início brutal cheio de golos, foi um pouco condicionado pelas opções de Jesus mas os inúmeros golos e as várias assistências não deixaram dúvidas. Capel, Hélder Barbosa, Candeias, Hugo Vieira e Bruno César seriam a segunda linha.

9- Hulk, que como o meu amigo Koba referiu, não fugiu às responsabilidades nos principais jogos e ainda levou muitas vezes a equipa às costas nos restantes jogos. Cardozo, Lima, Wolswinkel e Rodrigo seriam a guarda de honra.

PS: apesar das capacidades demonstradas em decidir jogos com decisões erradas, optei por não colocar qualquer árbitro no onze da época.

Cardozo marcou

Parece que era este o único objectivo do jogo e felizmente cumpriu-se. No caso de se pretender vender o paraguaio, esta era a forma ideal de valorizar o jogador e atingir valores de acordo com a sua importância para a equipa. Não deixa de ser uma hipótese de grande risco pois, por muito que não se goste do estilo, é preciso fazer um grande esforço de memória para encontrar outro avançado encarnado que marcasse tantos golos e que conseguisse acumular dois títulos de melhor marcador. Pessoalmente, não me importava de uma boa venda, de apostar em Rodrigo para jogar sozinho na frente e depois ter Nelson Oliveira e outro avançado a contratar como alternativas. Rodrigo será seguramente um jogador de classe mundial e basta pensar no nível de forma que atingiu até ao jogo com o Zenit para imaginar todo o potencial que tem.


Não vi o jogo, pelo que um mero resumo alargado não me permite analisar com grande detalhe a partida. No entanto, não gostaria de falhar o post no último jogo da temporada e vai mesmo assim, tarde e a más horas e com algumas notas:


- Jesus sofreu mais por Cardozo do que alguma vez demonstrou por uma derrota ou por um mau jogo do Benfica. Não consigo perceber... Tinha algum prémio extra por garantir que o troféu de melhor marcador viesse para o Benfica?! Toda aquela histeria, saltos e esbracejar fez-me muita confusão quando, nos vários desaires que teve, nada disso se viu. 




- Cardozo esforçou-se e teve um espírito de sacrifício como raramente apresenta. O azar ou Diego pareciam querer roubar-lhe o título de melhor marcador mas nos últimos minutos teve a merecida recompensa num bom golo. Se tivesse jogado assim toda a temporada, não estaria certamente tão tremido com a possibilidade de Lima o superar.;


- Se eu fosse Witsel, com tanto talento nos pés e um critério de passe brutal, ao colocarem-me mais uma vez a defesa direito, só pensaria em fugir o mais possível deste treinador.


- Total desrespeito por Capdevila. Se já não chegava ter sido preterido por Emerson durante a quase totalidade da temporada, agora vê Luís Martins a jogar a titular nos últimos jogos.


Pronto, termina assim mais uma época de desilusão. E desta vez não tenho grande pressa que a próxima se inicie. Pelos primeiros sinais, não se vislumbram grandes alterações pelo que o desfecho dificilmente será diferente.

18/05/2012

Os 23


Paulo Bento anunciou os 23 do Euro num inacreditável clima de unanimismo de que nunca beneficiaram Scolari (porque desafiou o FCP e a comunicação social) e Queiroz (porque simplesmente era parvo).


Ninguém contesta nada, os Freitas Lobos rendem-se à genialidade da convocatória e à capacidade de formar um "grupo de trabalho" ajustado ao "sistema de jogo" e à forma como Bento "organiza os homens do miolo", esquecem-se os incidentes com Carvalho e Bosingwa e bola para a frente.


Pois eu acho que Paulo Bento conseguiu formar o mais medíocre grupo de que há memória na seleção (o meio-campo, então, não tem "rasgo" algum). Por falta de opções, é verdade, mas também de arrojo, originalidade e versatilidade.


Eis os 23 de Paulo Bento, analisados à lupa:


Baliza:
- Rui Patrício - óbvio, titular;
- Eduardo - não me parece mal, apesar de ter sido suplente no Benfica era o anterior titular, segunda opção;
- Beto - inqualificável falta de respeito por Quim, que fez uma ótima temporada num clube de patamar bem superior ao Cluj. Quase ninguém se lembrou disto. Ou melhor, lembraram-se os paineleiros portistas, mas para confrontar a ausência de Quim com a presença de Eduardo...

Defesa:
- João Pereira - face ao conflito com Bosingwa, escolha óbvia e para titular (muito também por falta de outras opções, neste caso isento Paulo Bento de responsabilidades);
- Coentrão - óbvio, titular;
- Pepe - óbvio, titular;
- Alves - face ao conflito com Carvalho, escolha óbvia e para titular;
- Miguel Lopes - incompreensível, se Bento queria levar um jogador que fizesse lateral direito e esquerdo, e não tendo Sílvio, faria mais sentido escolher alguém que já tivesse feito efetivamente as duas posições. Nélson, do Betis, seria a escolha natural. Mais natural ainda seria Bosingwa, como é evidente, mas sendo o conflito inultrapassável, ponderaria Ruben Amorim e Eliseu, abdicando de Varela (que não vai calçar). O que verdadeiramente não percebo é a convocação de um jogador com 0 internacionalizações e que apenas jogou 3 meses (e só porque Salino, um trinco adaptado a lateral, se lesionou), em detrimento de titulares indiscutíveis nos seus clubes ou de jogadores com várias presenças na seleção;
- Ricardo Costa - não me parece mal, afinal jogou bastante no Valencia (que não é um clube qualquer) e tem alguma rotina de adaptação às laterais (espero que só seja preciso em caso de calamidade). Para mim, é a 3ª escolha para central, na falta de Alves ou Pepe jogaria Ricardo Costa;
- Rolando - escolha que ignora a fraca época do central e esquece as fraquíssimas prestações nos jogos da seleção em que foi chamado a titular (recordar Dinamarca). As opções são escassas, é verdade, mas teria sido no 4º central (o jogador com menos probabilidades de sequer pisar o campo) que teria arriscado um pouco mais, em vez de no lateral que tem que ser direito e esquerdo. Aqui sim, seria de levar o tal jogador com 0 internacionalizações. Lembro-me de Neto, do Nacional, ou de Miguel Vítor que poderia dar jeito nas laterais. Ou então fazer o que fazem tantas vezes os ingleses, os alemães e os holandeses: puxar um elemento da equipa de sub-21 só para sentir o ambiente. Recordo Roderick ou Nuno Reis, por exemplo. Rolando é que seguramente não viajaria para a Ucrânia.


Meio-campo:
- Miguel Veloso - tudo indica que será o titular a trinco. Quanto à titularidade tenho dúvidas, a convocação parece-me pacífica.
- Minorca do Porto - óbvio, titular;
- Meireles - óbvio, titular;
- Carlos Martins - aceita-se, fez boa época no Granada mesmo em circunstâncias pessoais complicadas. Dificilmente será titular, mas não choca a convocação.
- Custódio - aceito, mas não seria a minha escolha... Sempre defendi Custódio enquanto esteve no Sporting, mesmo perante aqueles que me olhavam com o ar de "se este gajo defende o Custódio é porque não percebe nada de bola". Simplesmente porque Custódio cumpria bem a sua função no losango: marcar em cima, pressionar, defender, recuperar a bola, ganhar pelo ar, assegurar a segunda bola. E ainda marcava uns golitos de cabeça. Nunca foi um génio no passe e continua a não ser, mas não era essa a sua função em 4-4-2 losango. Agora, levar Custódio, um trinco puramente posicional, para jogar no 4-3-3 da seleção nacional, não estou seguro que funcione. No Braga a coisa passa. E não me importaria de o ter no banco do Sporting para varrer nos minutos finais ou jogar em jogos específicos (no fundo, para fazer o que agora faz Carriço, que apesar de não ser um grande central pode fazer a posição e não foi ponderado por ninguém como elemento polivalente que poderia resolver dois problemas de banco numa penada). Mas na seleção, para o "lugar" de Custódio, havia várias alternativas que certamente trariam melhor qualidade de passe: Manuel Fernandes e o já citado Ruben Amorim, por exemplo. Toda a gente achou maravilhosa a convocação, eu tenho muitas dúvidas.
- Ruben Micael - nunca conseguirei entender o que a comunicação social vê neste jogador, de que o FCP, que não costuma gerir mal os seus recursos, se viu livre à primeira oportunidade. Não tem lugar, muito menos quando está em causa a presença de Hugo Viana. "Ah, e tal, não encaixa no sistema". Também Elias, Schaars e Matias não encaixavam juntos e Sá Pinto mudou isso num fósforo. Um novato, atenção, conseguiu o que Paulo Bento nunca fez no Sporting ou na seleção: experimentar um esquema de jogo alternativo ao utilizado pelo antecessor e trabalhá-lo. Bento não tem imaginação, versatilidade, coragem ou arrojo para isso, está claro. E quem paga é a seleção.


Ataque:
- Ronaldo - óbvio, titular;
- Nani - óbvio titular;
- Quaresma - óbvio, 1ª opção no banco;
- Postiga - não o levaria, mas percebo que seria injusto não ir depois de fazer toda a fase de qualificação;
- Nélson Oliveira - óbvio, para mim seria o titular, mas vai ser 3ª opção;
- Hugo Almeida - eu não o levaria, claramente - preferia ter mais uma opção na defesa ou no meio-campo e levar um jogador mais versátil como Liedson (de que ninguém se lembra) ou Nuno Gomes;
- Varela - eu não o levaria seguramente. Ou não levaria 4º extremo (levando Eliseu, já referido) ou arriscaria, dando lugar a um Candeias, ou um Hélder Barbosa, ou um Bruno Gama.

Em suma, ninguém discutiu e parece-me haver muito para discutir. Para que não restem dúvidas a minha lista seria a seguinte:

GR: Patrício, Eduardo, Quim;
D: João Pereira, Nelson, Coentrão, Pepe, Bruno Alves, Ricardo Costa, Neto;
M: Veloso, Meireles, Minorca, Viana, Martins, Manuel Fernandes;
A: Ronaldo, Nani, Quaresma, Candeias, Postiga, Oliveira e Liedson.

09/05/2012

Outras conclusões do clássico


Sporting: faltou algum arrojo, a meu ver... à imagem do jogo da primeira volta, o Porto nunca conseguiu dominar o jogo, mas dava sempre a sensação que estava mais perto de controlar as coisas do que nós. Nunca foram melhores 11x11, mas nós também não fomos. Precisamos dos tais retoques na defesa (substituição de João Pereira, um central de classe) e, quem sabe, um touro com pés naquele meio-campo (onde ainda assim esteve toda a gente muito bem).

Porto: uma vez mais ficou provado que é Hulk e mais dez, mesmo a jogar contra dez e contra nove (contra uma equipa sem um dos centrais ou sem centrais de todo). Espero que o levem daqui para fora rapidamente porque claramente não tem substituto à altura. E por muito bons que sejam James e Iturbe, são miúdos (e ainda vão levar o seu tempo a estabilizar o rendimento ao longo de 30 ou 34 jornadas). Já agora, sei que os adeptos do Porto têm mania que são mais exigentes do que os outros porque ganharam mais nos tempos mais recentes, mas aos que vão ao estádio e assobiam Hulk a cada lance falhado eu não chamaria exigentes, simplesmente chamaria estúpidos.

Arbitragem: não percebo tantas queixas dos sportinguistas, não percebo mesmo... foi um jogo que correu mal, em que de repente ficámos com 9 sem saber muito bem como, mas as expulsões são compreensíveis. Na de Onyewu refere-se que o primeiro lance de amarelo não se justifica, e concordo com isso. Mas quem já tem um amarelo, justo ou injusto, não pode fazer aquela falta que dá origem ao segundo (ainda para mais um jogador com a experiência de Onyewu). Quanto ao lance de Polga, dizem-me que é amarelo face às regras do jogo (a finta é para o lado e ainda há jogadores na linha de baliza). Mas, caramba!, o gajo estava a 2 metros da linha de baliza, se aquilo não for vermelho não sei o que será...

Patrício: voltou a aguentar o que podia, sem responsabilidade nos lances dos golos. Espero bem que renove por muitos e bons anos. Se não renovar, que seja transferido por verba suficientemente compensatória, porque se trata de um GR com grande futuro. E que a subtituição seja devidamente acautelada, porque igual certamente não vamos encontrar.

Pereirinha: grande jogo, faltou só conseguir parar Hulk no lance do primeiro golo evitando sofrer (ingenuamente) a falta que Pedro Proença não percebeu que existiu (e eu também não). Pode ser opção para lateral direito (e apenas nesta posição) no próximo ano, caso se entenda que Cedric e Arias não estão ainda preparados para estas andanças.

Polga: poderia ter-se despedido em grande (recordo que graças ao vermelho terá sido o último jogo para o campeonato pelo Sporting) com um monumental golo a "coroar" uma exibição de luxo, mas nesse lance foi perseguido pelo azar que não o larga e a bola bateu no poste. E depois, no lance do penalty, tem uma entrada inacreditável para um jogador com a sua experiência. Uma vez mais, a costumeira polguice: 80 minutos de luxo, 5 segundos fatais de descontração. Não dá mais, não dá mesmo. Deixa a Bruna e põe-te a milhas.

Carrillo: palavra final para o menino de rua. Enquanto foi possível, fez as suas travessuras, deixando Alex Sandro com a clara noção de que ainda vai ter que pedalar muito para ser um Álvaro Pereira. No dia em que o menino peruano aprender a definir o último passe ou finta, vai ser jogador de nível mundial, já o disse aqui centenas de vezes. Por agora, prefiro que não o faça bem em todos os lances, porque no dia que o fizer será imparável e deixará o Sporting. Não duvidem.

08/05/2012

Assim... nem que pagassem

Apetece-me tanto escrever o post sobre o jogo com o Leiria como provavelmente apeteceu aos jogadores do Benfica jogá-lo. Com uma partida que quase esteve para não acontecer, em que juniores teriam que servir para aumentar o lote de jogadores disponíveis, em que o próprio treinador ameaçou não comparecer, com uma classificação que já condenava o Leiria à descida, os dirigentes do Benfica lá tiveram a brilhante ideia de oferecer a entrada aos sócios e assim ajudar a compor a casa. Estratégia já vista a época passada mas com bilhetes distribuídos pelos patrocinadores. Como sempre, os detentores de cativo como eu, continuamos a agradecer estas ofertas a tudo e a todos enquanto pagamos todos os jogos e mais algum e não deixamos de marcar presença jogo após jogo para (sim, a bandeira que ofereceram esta época continua à espera de ser levantada). Para melhorar o panorama geral, um jogo horrível a ilustrar na perfeição mais um penoso final de época. Na verdade, os benfiquistas já não esperavam outra coisa, como prova a fraca assistência mesmo assim registada. Com jogos destes, nem uma borla é incentivo suficiente. Razão tinha o meu caro vizinho de cadeira quando disse "Já não tenho idade para ver jogos a feijões nem jogos com crianças a serem obrigadas a irem brincar na relva mesmo com frio e chuva."


Se o nível do adversário se adivinhava bastante baixo pelas razões já descritas, Jesus tratou de amenizar as diferenças com a colocação de Luís Martins, Djaló e Saviola, assim como com um Witsel forçado a jogar trinco por não haver mais para esta posição. Era assim uma mensagem clara para o resto da equipa "Pessoal, do outro lado estão mais uns quantos da casa, por isso isto é tipo jogo treino com os titulares misturados com as reservas". Na cara de Capdevila, no banco com Emerson sentado ao seu lado, percebia-se como estava incrédulo com esta rotatividade de defesas esquerdos. Por fim, a estupidez de jogar insistentemente para que Cardozo marcasse golos e assim ficasse melhor posicionado para ganhar o prémio de melhor marcador. Os jogadores do Leiria cedo perceberam isso e assim ficou mais fácil defender, para além de que o paraguaio também falhou mais do que costuma. Seria bem mais eficiente se jogassem normalmente e acredito que até aumentariam a probabilidade de Cardozo conseguir marcar. Entretanto, estas reservas foram consolidando a ideia de que efectivamente não têm qualidade para integrar um plantel do Benfica.






No final, a vitória por um zero, através de um golo que teve que chegar de bola parada. Compreende-se que não fazia sentido provocar uma goleada a uma equipa tão debilitada e que tantos sacrifícios tem feito, mas um pouco de bom futebol, boas jogadas, e mais um dois golos era o mínimo que se exigia. Mas há muito que a cultura de exigência se afastou da Luz. Basta ouvir o treinador que, face a uma exibição tão fraca, se limita a dizer que o objectivo foi atingido. Ou que se deve valorizar o facto do Benfica entrar sempre na Champions com ele ao comando. Só faltou dizer que, com Jesus, o Benfica ganha sempre pelo menos uma competição. Estamos bem tramados. Este gajo nunca vai colocar o lugar à disposição e não vejo como Vieira pode descalçar uma bota tão difícil quanto a cláusula de rescisão que lhe está associada. Vamos ver o que nos reservam os próximos episódios.