09/04/2012

Uma fezada corrigida


Poucas horas antes do jogo com o Metalist, recebi um e-mail com a seguinte pergunta: "Então, com fezada para logo??". O remetente, grande sportinguista, dirigia-se a mim e a outros dois grandes sportinguistas. Os quatro formamos um mini-fórum, via e-mail, que vai acompanhando em jeito de postas de pescada os temas mais quentes do Sporting.
Deste grupo de quatro, a grande divisão é em torno do Rui Patrício. Dois de nós achamos Rui Patrício um bom guarda-redes que pode vir a ser um grande guarda-redes (eu sou um deles); os outros dois consideram Patrício um guarda-redes normalíssimo, tendo evoluído de frangueiro nos seus tempos de juventude para um redes que não deixa entrar o que é suposto defender mas não faz uma só defesa que faça a diferença. Tentámos já fazer uma aposta relativamente ao futuro próximo do Rui Patrício, mas nunca conseguimos acertar os precisos termos e condições da mesma (no fundo, sendo os 4 juristas, arranjamos sempre um argumento de merda que impede a concretização do acordo para a aposta).
Eu, pela minha parte, não vou embandeirar em arco com o que Patrício fez na 5ª feira. Fez uma ótima exibição, mas como dizia um dos "detratores", faz uma defesa meio esquisita que dá origem ao penalty e no próprio lance do penalty a bola vai mais contra as pernas dele do que o contrário.
No entanto, mais do que a defesa do penalty ou as defesas em lances perigosos ao longo do jogo, aquilo de que mais gosto no Rui Patrício, e de que não me lembro em Alvalade desde o Schmeichel, é saber que temos na baliza um guarda-redes que não se borra. Ele sai bem no 1x1, faz a mancha bem, ocupa bem a baliza, melhorou indiscutivelmente no jogo com os pés mas, mais importante do que tudo, nos cruzamentos é muito seguro: sai quando tem que sair, sem hesitar, e quando a bola está na pequena área, é dele. Saber que, no chuveirinho final, podemos contar com Patrício é essencial neste tipo de jogo. E a reação aos cruzamentos é, para mim, o que verdadeiramente faz a diferença num guarda-redes. Frangos todos dão, mas muitos há que, além dos frangos, dão origem a golos adversários simplesmente porque saem tarde, ou ficam a meio do caminho, ou soltam a bola, ou simplesmente se borram e ficam em cima da linha.
Patrício, é bom lembrar, tem tido as piores defesas no Sporting de que há memória! Nunca teve um lateral direito como Nélson ou César Prates, centrais como Marco Aurélio, Naybet, Valckx ou André Cruz e só no lateral esquerdo teve a sorte de apanhar o melhorzinho que se viu em Alvalade nos últimos 20 anos (e mesmo assim só neste último ano porque antes disso tinha-se deparado com Grimi, Marian Had e Evaldo). No restante, tem levado com rapaziada esforçada, e a quem sempre reconheci o empenho e profissionalismo, como Abel, Tonel, Polga ou Carriço, ou com artistas do tipo João Pereira ou Pedro Silva, bons jogadores de bola mas para quem defender é uma ciência ainda por explorar.
Ainda assim, era ele o assobiado e era ele o culpado. A defesa era miserável, mas ele, Patrício, tinha que defender tudo. Quando não defendia, era crucificado. E o rapaz, um puto de 19 ou 20 anos, sempre resistiu, nunca se queixou ou choramingou e sempre se aguentou a titular, sem por uma só vez deixar de assumir responsabilidades quando as tinha (ao contrário do pesadelo Ricardo, para quem a relva, o sol, a bola e o árbitro eram os verdadeiros culpados da sua falta de jeito).
Hoje, Rui Patrício é reconhecidamente um guarda-redes que dá segurança à equipa. Ainda não é um grande guarda-redes, mas para lá caminha. Por isso mesmo, espero que no pós-Euro uma de duas coisas aconteça: renovação ou venda lucrativa. Renovação porque acho que temos equipa para no próximo ano fazer melhor; venda porque sei que a situação financeira do Sporting é complicada e concedo que se vendam os dois titulares da seleção (o próprio Patrício e João Pereira, este pelo valor da cláusula, 7M€), de forma a evitar uma remodelação substancial do plantel.
Entretanto, ia-me esquecendo do verdadeiramente importante: em resposta ao e-mail referido no primeiro parágrafo, respondi que "Tinha uma grande fezada no Jeffren, achava que íamos ganhar 2-1" e que "Sem Jeffren, acho que empatamos 1-1 e passamos". Corrigi a minha fezada de há uns dias, pois! Devia ter escrito isto aqui no blog, para poder fazer o post com o título "eu bem dizia" que ando a prometer há meses. Como não o fiz, fica para uma próxima oportunidade...
E venha o Benfica para continuar a senda das vitórias!
PS: Não vou ver o derby, vejam bem... Depois explico porquê!

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