16/04/2012

Mais uma para o ranking

Por muito que Jorge Jesus tentasse valorizar esta competição e afirmar que a Taça da Liga era um objectivo importante da época, a verdade é que, na cabeça e coração dos adeptos, este não entrava sequer no top 3 das prioridades. O Benfica estava na final e, como adversário, não tinha nenhum dos habituais ocupantes dos lugares cimeiros da classificação. Sendo assim, dava a sensação que o Benfica tinha muito a perder e muito pouco a ganhar. Uns momentos antes do jogo, comentava em brincadeira com amigos que uma derrota ainda poderia ser vantajosa na medida em que poderia ser o factor que tornaria insustentável a continuidade de Jesus. Só que, racionalmente, sabia que a perda do troféu poderia levar a equipa para um abismo, colocando em causa um 2º lugar que dá acesso directo à Champions e, emocionalmente, só conseguia imaginar o Maxi a levantar o troféu, nem que fosse por um golo de Emerson num remate à Roberto Carlos (conseguem imaginar a flash interview se isto acontecesse?!).




Foi um jogo interessante, contra um Gil Vicente que joga bom futebol e em que o Benfica assumiu as despesas do jogo. Apesar do Benfica ter sido um justo vencedor, não foi assim tão dominador e criou poucas ocasiões de golo (marcou um golo a partir de uma perda de bola do adversário e outro a partir de um lançamento lateral). Para quem tantas desilusões tem apanhado, queria uma vitória categórica e sem margem para dúvidas. Não foi o que aconteceu e para piorar, o Gil Vicente ainda empatou aos 78 min, lançando a dúvida sobre o desfecho da final. Valeu Saviola para garantir que Benfica fosse escrito pela 4ª vez nesta Taça da Liga.




Este jogo serviu para evidenciar alguns dos erros que vimos frequentemente durante esta época e que terão contribuído para uma quase certa entrega do campeonato aos rivais do Norte:
- o Benfica é muito mais competitivo em 4-3-3 do que em 4-4-2. Tivesse optado por esta táctica em Alvalade, Guimarães e Olhão e certamente não estaríamos na posição em que estamos hoje;
- Capdevila é, de longe, melhor jogador que Emerson. A defender poderá não se notar tanto mas a atacar e a ajudar o homem que joga do lado esquerdo do meio-campo, é inquestionável. O otário do comentador da SIC ainda fez questão de assinalar que Capdevila não esteve em evidência neste jogo. Não me importo que o espanhol não se destaque por jogadas fabulosas se pelo menos garantir que não se destaca por imitar as azelhices do seu colega de posição;
- Matic é bom jogador mas tem que jogar mais minutos e não apenas quando Javi está lesionado, castigado ou a fazer de central. Fez mais um bom jogo e mostrou que poderia ter sido bastante útil em Alvalade;
- Witsel a jogar com mais dois colegas no meio-campo mostra toda a sua qualidade. Diria que Jesus bloqueia o seu talento e apenas beneficia da sua qualidade táctica sempre que joga com dois avançados. Fico com grande curiosidade em perceber o que poderia valer este belga a jogar a 10 e sem grandes preocupações defensivas.



Foi curiosa a colocação de Rodrigo no lado direito. Com o pulmão de Maxi que possibilita várias subidas no terreno, o sub-20 espanhol conseguia flectir várias vezes para o meio. Fez um bom golo e esteve bem na partida. Esperemos que volte à forma que estava antes da lesão contra o Zenit. Por outro lado, Nelson Oliveira teima em não fazer as coisas bem. Apresenta muitos erros ao nível das decisões que toma com e sem a bola nos pés e fico na dúvida se não teria "crescido" mais com outra época emprestado do que a jogar aos poucos no Benfica. Bruno César também me deixa muitas dúvidas e ainda estou longe de estar convencido com o brasileiro. Não me esqueço do golo em Paços de Ferreira, contra o Braga e do cruzamento deste jogo para Rodrigo mas considero que produz muito pouco para a equipa. Até corre muito e é esforçado a defender mas acho que Nolito ajuda mais a equipa a trocar a bola, faz mais assistências e até marca mais golos (só que não deve ter sido Jesus o responsável pela sua contratação).


A notícia de um jornal desportivo que fazia referência ao facto da taça ter viajado para Lisboa na bagageira do autocarro, diz muito do que esta taça significa. Ajuda na contabilização dos títulos nacionais conquistados em comparação com o Porto, mas é uma contabilidade ridícula. Teriam que fazer uma ponderação por competição para fazer o mínimo sentido (arriscaria algo como 10 pontos para o campeonato, 5 para a Taça de Portugal, 3 para a Taça da Liga e 2 para a Supertaça). O facto de terem existido assobios e protestos na saída de Coimbra e na chegada à Luz, embora pouco apropriados, ilustram bem o que vai na alma dos adeptos: é muito pouco para um plantel com tanta qualidade. É triste olhar para o que se passou na temporada anterior e perceber que o ponto de maior emoção terá sido um golo de Fábio Coentrão contra o Marítimo e que esta época será provavelmente o de Bruno César contra o Braga.

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