05/04/2012

De cabeça erguida

Estamos fora da Champions mas podemos estar orgulhosos da prestação da equipa na melhor competição de clubes do planeta. Especialmente pelo primeiro lugar conseguido na fase de grupos, com excelentes resultados fora de portas, e por uma boa vitória nos quartos de final mesmo tendo que jogar num cenário mais apropriado para os Jogos Olímpicos de Inverno. Fica, no entanto, a sensação que poderíamos ter ultrapassado esta eliminatória e atingido as meias-finais, pelo que este deve ser dos poucos pontos em que concordo com Jorge Jesus: de facto, também não fiquei convencido. Se da primeira mão, não me sai da cabeça aquele penalty incrivelmente não assinalado, nesta segunda mão pareceu-me que, se tivéssemos tido mais cabeça na forma de abordar o jogo, a reviravolta poderia mesmo ter acontecido.


Em relação ao jogo, não vou entrar em grandes detalhes. O Benfica não teve receio de assumir o jogo em Londres, jogou de peito aberto, sem complexos e com bom futebol, e isso, por si só, já foi bastante positivo. Não se percebia qualquer superioridade por parte do Chelsea e assim, o objectivo de marcar apenas um golo para empatar a eliminatória, não parecia demasiado optimista. Se 4 centrais lesionados e uma dupla inventada já não tornavam o enquadramento muito favorável, uma grande penalidade desnecessária de Javi deixou tudo muito mais complicado e um segundo amarelo imbecil de Maxi (numa jogada de ataque do Benfica!) transformou a passagem às meias finais numa miragem. Só que também houve um grande coração e vontade por parte dos jogadores do Benfica, que nunca deixaram de acreditar, e que juntamente com alguma displicência do Chelsea, bolas a rasar o poste e Ramires a não querer fazer uma traição, fizeram-me acreditar que ainda havia possibilidade de ter que ir buscar Witsel e companhia ao Aeroporto. O empate que Javi deu, premiaria todo o esforço encarnado mas o gajo do penteado esquisito acabou por devolver a vitória à equipa dos petro-rublos.  




Pontos que gostaria de assinalar:


3.000/4.000 benfiquistas: tinha que começar por aqui. Fantástico o apoio destes adeptos que marcaram presença em Stanford Bridge. Estes foram o espelho dos verdadeiros adeptos do Benfica. Nada a ver com aqueles que só gostam de vir para a festa, que fazem filas intermináveis para comprar bilhete quando é o jogo do título, que assobiam os próprios jogadores do Benfica das poucas vezes que vão ao Estádio, que não marcam presença quando está em causa o Porto ser campeão em nossa casa ou que saem das bancadas 5 minutos antes dos 90 por causa da confusão. Foi um orgulho ouvir aquelas gargantas durante todo o jogo e sobretudo quando estávamos em desvantagem no marcador e no número de jogadores.  


Arbitragens: das conversas que já tive com alguns amigos, sei que vou um pouco contra a opinião generalizada, mas vai na mesma e convido quem discorda a comentar este post. Da primeira mão, há aquele penalty escandaloso, numa mão de Terry, que considero ter sido um elemento fundamental destes quartos de final. No entanto, nesta segunda mão, sinceramente que não percebo a razão de todas as críticas à arbitragem. O Javi arriscou dentro da área o que normalmente faz no meio campo e um pouco mais do que já tinha feito contra o Braga. Se contra o Braga, o Benfica ainda é o Benfica e um penalty forçado é mais difícil de marcar, na Champions só se fosse contra o Chelsea é que seria mais difícil de marcar. Assim, não é um penalty evidente mas acho que é penalty. A partir do momento de que está marcado, sem dúvida que os jogadores devem mostrar a sua insatisfação, mas não podem ultrapassar os limites e levar amarelos por isso. O segundo amarelo a Maxi é óbvio e não há nada a dizer. Na renovação de Aimar deviam ter colocado uma cáusula em que perderia 20% do ordenado por cada amarelo que recebesse por protestos. Já não tenho paciência para o ver de braços no ar a falar com os árbitros e na maior parte das vezes sem razão. No entanto, não deixo de reconhecer que a dualidade de critérios consegue empurrar facilmente uma equipa, que as faltas e amarelos para o Benfica pareciam mais fáceis de apitar e de saltar do bolso, mas acho que, esta noite, não foi tanto por aqui que se perdeu o jogo.


Matic: grande, grande jogo. Se conseguir manter o nível desta noite, poderá ser um jogador fundamental para a recta final da temporada.


Javi/Emerson: se por vezes se desculpa a defesa porque a dupla de centrais não está habituada a jogar junta, o que dizer de dois jogadores que não são centrais de raiz e que fazem um grande jogo? Emerson até se deu ao luxo de algumas fintas! Estiveram muito melhor do que era suposto e esperado.


Substituições: para quem, depois do penalty e da expulsão, ainda acreditava que era possível, foram as substituições correctas. Retirou os elementos mais lentos e degastados da frente e colocou os sprinters que tinha no banco para compensar com velocidade o jogador que tinha a menos. Djaló surpreendeu, Rodrigo entrou muito bem e Nelson... utilizou bem o seu poder físico e velocidade mas porra... quando estava o jogo empatado e tem o Djaló ao lado para encostar para a baliza e decide rematar de trivela... #$"%"#. Com um pouco de sorte, podia de facto ter resultado e hoje teríamos mais uma página europeia para mais tarde recordar. Confesso que se fosse eu no banco, não teria tido esta ilusão. A partir do intervalo só me preocuparia em poupar Witsel, Gaitán e Cardozo para Alvalade.


Livres: vários livres perigosos com tão pouco aproveitamento? Sem Cardozo e Bruno César, faltou um especialista das bolas paradas (no mínimo com mais força que Aimar que parecia estar a fazer o aquecimento do guarda-redes checo).


Presidente: as teorias da conspiração e discursos inflamados no final do jogo, servem exactamente para quê?? Para que no próximo jogo da Champions os árbitros se recordem e tenham mais cuidado?? Meu, só vai acontecer para o ano (se tudo correr como espero) e já ninguém se vai lembrar disso! Tivesses feito o mesmo, nos momentos certos do campeonato (e não depois do jogo com o Porto), e os efeitos seriam certamente mais úteis. Vou entender que o desmentido de Jesus sair caso não ganhe o campeonato, seja apenas o politicamente correcto (e bem) a funcionar.




Capítulo encerrado e repito, com orgulho! A seguir era Barcelona e entraríamos no campo das missões quase impossíveis quando não há pernas para Campeonato e Champions (duvido até que exista para o Campeonato apenas). Por isso, voltemos ao que interessa! Temos que ganhar em Alvalade! Lá estarei para dar o meu apoio e tentar replicar o que fizeram esta noite aqueles milhares de benfiquistas.

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