02/04/2012

Ainda é possível

É facilmente aceite por todos que há vários jogos em que, pelo seu elevado nível de dificuldade (teórico), Porto e Braga podem perder pontos (num dos jogos, esta é uma certeza para pelo menos um deles):
- Braga vs Porto; 
- Marítimo vs Porto;
- Porto - Sporting;
- Sporting - Braga;
É também facilmente aceite que o Benfica apenas tem mais um jogo deste nível: o Sporting - Benfica da próxima jornada. 
No entanto, quando o Braga empatou o jogo aos 82 minutos, muitos dos que sofrem pelo emblema da Luz pensaram que acabava ali o sonho de vencer este campeonato. Apesar dos adversários terem um final de calendário mais complicado, a noção de que o Porto não facilitaria em mais dois jogos do que o Benfica e de que o próprio Benfica não teria estrutura psicológica para suportar a desvantagem, gerava então essa ideia de "game over". 


O Benfica entrou bastante bem no jogo, a dominar, autoritário e a assumir que era a equipa que mais queria a vitória. Todavia, não deixava de ser um domínio bastante consentido, já que o Braga apenas se preocupava em não permitir que o Benfica visasse a baliza de Quim. Entretanto, o Braga ia esperando por um erro e apostando em contra-ataques. Sendo assim, na primeira parte o Benfica dominou claramente o jogo, mas raramente criou perigo e Quim mal teve que fazer uma defesa. Por outro lado, o Braga teve uma boa oportunidade no final dos primeiros 45 minutos.


Na segunda parte, o Benfica entrou bem mais forte e obrigou Quim a intervenções consecutivas. O Braga respondeu com um excelente remate de Lima e com uma perdida incrível de Mossoró numa jogada em que a lesão de Miguel Vítor foi essencial. Depois, acabou por errar quem apostou em jogar no erro do adversário. Através de uma grande penalidade a castigar uma falta mais do que ingénua, o Benfica adiantou-se no marcador e todos pensámos que o jogo estava decidido. Face a um jogo com poucas oportunidades e com um Benfica que deixaria de arriscar, não havia como deixar escapar a vantagem a dez minutos do final. Mas a verdade é que o Benfica deixou mesmo. Numa bola parada, o Braga chegou ao empate. A desilusão foi tremenda. Os jogadores ficaram sem reacção e a olhar para a relva. Nas bancadas não era muito diferente e o "Benfica, Benfica" que muitas vezes vem da bancada após um golo sofrido, passando a mensagem à equipa de que ainda acreditamos na recuperação, desta vez foi menos que tímido e espelhava o esforço de algumas gargantas contrariarem o que ia na cabeça.


E depois aconteceu. Aconteceu um daqueles momentos que compensa todas as desilusões acumuladas. Um daqueles momentos que fez o meu irmão saltar da fila inferior para festejarmos da forma que merecia, que me fez virar para trás para dar mais uns abraços sentidos aos meus amigos e companheiros de cativo e que, no meio da euforia, levou um amigo chinês/inglês (dupla nacionalidade) a ver-se perdido no meio de tantos saltos, abraços e berros (após o jogo confessava-me que, apesar de ter cativo em White Hart Lane, nunca tinha presenciado uma explosão daquelas!). O final que não tivemos nos pés de Saviola em Olhão, acabou por aparecer no jogo contra o Braga através do Bruno César. Espero que os milhares de benfiquistas que faltaram à chamada e que não garantiram um Estádio da Luz cheio, se tenham arrependido de não participar em tamanha festa. No final, foram poucos os que saíram de imediato uma vez que era altura de aplaudir o esforço, dar confiança e incentivar para os próximos jogos.




Destaques:
- Artur voltou a falhar numa bola parada em mais um jogo importante. Embora com atenuantes (Maicon em fora de jogo e bom remate de Viana), não fez o suficiente para evitar o golo quando tinha possibilidade de o fazer;
-  Capdevila pode não ser uma mais valia a defender face a Émerson, mas tenho a certeza que o é a atacar. Gaitán recebe bolas mais "jogáveis", a bola não queima, sai dos pés com critério e sabe para onde correr de modo a criar espaços e ajudar quem tem a bola. Acredito que Jesus continuará a ser teimoso mas ficou mais evidente a imbecilidade dessa teimosia;
- Bom jogo de Miguel Vítor que não merecia ser atraiçoado pelos músculos, consequência da falta de ritmo;
- Gaitán voltou a fazer um bom jogo e a demonstrar que é o único jogador capaz de desequilibrar em velocidade. Podia ter feito mais e melhor mas já foi muito positivo e até ajudou a defender. Meio golo do Bruno César pertence-lhe;
- Rodrigo já evidenciou uma subida de forma, faltando agora recuperar a objectividade.




A seguir temos o jogo que, agora, ainda me interessa menos. Gostava de passar, é óbvio, mas não esqueço que as probabilidades estão contra nós neste jogo e ainda mais no caso de passarmos à próxima eliminatória. Assim, um zero a zero sem lesões já não seria muito mau e assim os jogadores e treinador estariam devidamente concentrados nos campeonato. Depois resta esperar que a deslocação ao Metalist (com menos um dia de descanso) desgaste mais o Sporting que o Benfica com a deslocação ao Chelsea e que, como dizia o meu amigo Koba, o Sporting passe para que o Sá Pinto não faça do jogo com o Benfica o jogo da época. Se o fizer, dará mais trabalho mas teremos que o vencer na mesma! 

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