27/03/2012

Uma questão de prioridades

Na véspera de assistir a um jogo do Benfica nos quartos de final da Champions, quase que gostaria de não ter repetido aquele reflexo de Pavlov de, assim que chegam as referências multibanco para os jogos das competições europeias, efectuar logo o pagamento. É claro que é sempre mais forte do que eu. Simplesmente não tenho essa capacidade. Quanto mais, quando está em causa uma sempre empolgante eliminatória na mais importante prova de clubes do planeta. No entanto, se o meu gesto tivesse o impacto pretendido, até deixaria de marcar presença no Estádio da Luz mesmo com o bilhete comprado. E assinalaria esta minha ausência com a promessa de que, contra o Braga, lá estarei para apoiar com todo o meu fervor a equipa de Luisão contra o actual líder. Seria a minha forma de mostrar que, ao contrário do que acontece com o treinador, ao contrário do que acontece com alguns jogadores e ao contrário do que passará pela cabeça de alguns dirigentes do Benfica, o que realmente me interessa é ganhar este campeonato. Seria a minha forma de mostrar que me destroça mais um empate fora contra o Olhanense do que um derrota em casa contra o Chelsea. Seria a minha forma de mostrar a minha indignação contra a incrível ausência de garra e vontade de vencer enquanto jogámos com 11 no Algarve. Como tenho a noção da insignificância de uma minha ausência e como prefiro voltar a ocupar a minha cadeira e esquecer tudo o resto a partir do momento em que toque o hino da competição, lá estarei como sempre, utilizando este post para ilustrar o meu protesto.




Amanhã, alguns jogadores vão dar certamente o litro e fazer tudo para registar uma grande exibição. É o que espero depois de ter lido que Luís Filipe Vieira assinalou que o Benfica vai ter que fazer 50 milhões em jogadores no final da época (como ainda não o vi a dizer isto mesmo, tenho ainda alguma esperança que seja uma invenção jornalística que estranhamente se difundiu por vários meios de comunicação). Efectivamente, gostava de saber qual o manual de negociação que aconselha, a quem quer vender, de o expressar a todo o mundo e a dizer que, não só tem que vender, mas que precisa de vender muito. Tudo a ver com o outro que diz que não precisa de vender (quando, depois das queixas dos belgas, facilmente se percebe que de facto precisava) e obriga mesmo a bater as cláusulas de rescisão. Deve ser o mesmo manual que manda colocar jogadores emprestados em clubes que lutam pelos mesmos objectivos...


Espero também não ficar ainda mais desiludido com os restantes adeptos benfiquistas (não estou a incluir aqueles 30 ou 35 mil que nunca falham). Se depois de encherem a Luz amanhã, não tiverem a capacidade de fazer o mesmo contra o Braga, talvez não mereçam mesmo ter direito a uma festa no final com direito a uma corrida aos bilhetes que dê duas voltas ao Estádio da Luz.










PS: Espero que amanhã estes mesmos adeptos não caiam no ridículo de apupar o Drogba com os já conhecidos Kun, Kun, Kun ou Hulk, Hulk, Hulk. Acredito sinceramente que os tremores foram provocados pela iminência de sair o Barcelona ou de o poder apanhar nas meias-finais (quando saiu o Benfica, faltavam apenas 3 bolas com Chelsea, Milan e Barcelona...). 

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