21/03/2012

"A Paixão" (segundo Bruno, Jacinto e o Gil Vicente)


Pontos prévios:
(i) não vi o Gil Vicente - Sporting. Dia do Pai oblige... Apesar do meu pai ser grande sportinguista, reclama-se sempre lá por casa quando um aniversário ou jantar é acompanhado de bola. Uma vez que fiquei eu o responsável pela marcação do jantar e, valha a verdade, o jogo não (me) interessava a a ponta de um corno, optei pelo "À Parte", onde aliás tinha jantado em tempos com o Gorbyn e o Zatopek (numa altura em que o Sporting não temia que pagassem salários em Guimarães que pusessem os gajos a correr em busca do 5º lugar), restaurante sem TV mas onde tivemos uma bela jantarada;
(ii) no momento em que começo a escrever, está lançado o post do Gorbyn sobre o clássico de ontem, para a Taça da Liga. Virá por aí, certamente, o post do Zatopek. Não deixem de ler ambos os posts, certamente terão bastante mais interesse do que este.
De qualquer modo, eis a história que vos queria contar, integralmente (ou quase) baseada em factos reais:
Estávamos no final da década de 80 ou início da década de 90. Rui Veloso lançava o álbum "Mingos & os Samurais" e punha a juventude portuguesa a cantarolar "Não há estrelas no céu" e os teenagers mais competentes a dedicar às suas damas "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)".
Pela minha parte, nunca fui grande fã de Rui Veloso e muito menos deste álbum. Prefiro, de longe, o álbum "Rui Veloso", de 1986, com os clássicos "Porto Covo" e "Porto Sentido" (esta última uma música fantástica dedicada à igualmente fantástica cidade do Porto). E tenho mesmo que confessar a minha secreta irritação pelo "Mingos" (por sinal diminutivo de Domingos), em especial pelas duas músicas acima mencionadas. No caso d'A Paixão, sempre que oiço aquela gaita-de-beiços a gemer, mudo a estação de rádio. Talvez por ter passado demasiadas noites a pensar "mas porque é que os gajos mais velhos do que eu ouvem esta música e em vez de continuarem a discutir bola vão ter com miúdas giras e roliças?" Mas adiante...
Serve este intróito para dizer que depois da minha irritação com a Paixão segundo o Nicolau da Viola, o Rui Veloso e o Carlos Tê, tenho de há alguns anos para cá a minha irritação com a Paixão, segundo o Bruno e o Jacinto. A que agora juntamos a Paixão segundo o Gil Vicente (não o autor do século XV, mas o clube de futebol que lhe honra (?) o nome).
E Paixão segundo o Bruno, repare-se, até poderia ter dado uma bonita história de amor. Quando Bruno, o Paixão, começou a ser famoso, prejudicou de tal forma o FC Porto em Campo Maior que pensámos todos que era o fim do famoso "Sistema". Aquilo, para quem não se lembra, foi uma roubalheira das antigas. Na altura, o beneficiado foi o Sporting, campeão em 99/2000. Eu, pela minha parte, pensei "eh pá, finalmente, temos aqui um árbitro controlado, grande Paixão!".
Os anos passaram, até que chegámos à fase final do campeonato 2003/2004. O super-Porto de Mourinho seguia na liderança, mas incrivelmente o Sporting do macambúzio Fernando Santos não largava os 4/5 pontos de distância. O que incomodava bastante, porque o Porto queria ser campeão europeu (como aliás, e muito merecidamente, foi). E, além disso, era chato ter que jogar aos Sábados e Domingos com o Estrela e o Marítimo e os outros, enfim, dava mais jeito jogar só com o Lyon e o Coruña. Por sinal, o Benfica também andava ali perto do Sporting e o 2º lugar dava acesso à pré da Champions. Enfim, tudo se conjugava para um épico Boavista-Sporting, já no final do campeonato, em que Paixão, o Bruno, conseguiu transformar o 0-1, a 10 minutos do fim, num emocionante 2-1 para os da casa.
Simultaneamente, soubemos depois, outro Paixão, o Jacinto, encomendava frutas e especialidades ligadas ao café, nas vésperas de um Porto-Estrela (na altura últimissimo classificado, veja-se como os meninos não deixavam nada ao sabor do acaso...). E pelas mesmas alturas descobriu-se que o Papa não só tinha tirado um curso de psicoterapia como ainda fazia sessões noturnas para os que precisassem, por exemplo, de conselhos sobre a vida amorosa do pai (o que, todos sabemos, leva qualquer um a sair da cama a meio da noite para procurar imediato conselho). Enfim, uma vez mais, estamos a falar de temas apaixonantes...
Os anos passaram e, se bem se recordam, à 6ª ou 7ª jornada do campeonato atual escrevo isto. Um post em que, com a típica ingenuidade de um homem enfeitiçado pela Paixão, manifesto a minha desconfiança perante o Bruno, embora dando o benefício da dúvida. Ora bem, o Bruno, claramente, não merecia esse benefício da dúvida. Mas eu sou uma pessoa carente e o blog precisava de polémicas e audiências, pelo que resolvi defender o Bruno Paixão. No fundo, para um sportinguista que quer chamar a atenção, nada melhor do que defender o Bruno Paixão: poderia ter optado por aparecer com uma camisola do Benfica com o nome "Simão" nas costas em plena sede da Juve Leo, mas nem chegaria a considerar os nefastos efeitos desta solução para a minha integridade física, uma vez que nem louco e doente vestiria tal pedaço de trapo...
Chega-nos, então, a Paixão do Gil Vicente. Que não vi integralmente, como já disse. Mas nem preciso de ver: foi o Bruno. O Bruno Paixão. Um homem que só acaba rápido os jogos que o Sporting está a ganhar se estiver mesmo muito necessitado de conversar com o urinol. Um homem que tem um singular prazer em arbitrar o Sporting nestas fases em que é fácil bater. O pior árbitro de que me lembro no futebol português desde que definitivamente se enterraram alguns resquícios do Sistema, como Paulo Costa, António Costa e Martins dos Santos. O único homem na história da Humanidade a ter orgasmos múltiplos: foi no dia 9 de Novembro de 2008, num Sporting-Porto para a Taça, em que as duas equipas acabaram o jogo a dizer "não, não, mas eu fui ainda mais roubado do que eles" (reza a lenda que Bruno chegou a fazer um squirt). Um homem que faz da arbitragem uma permanente irritação para adeptos e jogadores. Enfim, um palerma e um inepto...
O Paixão, para os mais ingénuos, parece ter-se apaixonado pelo Gil Vicente (lembrem-se disto). É minha séria convicção que o presidente do Gil Vicente, neste momento, tem essencialmente três objetivos na vida:
- uma operação plástica que lhe permita mudar radicalmente a cara que vê ao espelho todos os dias;
- criar uma Liga com 44 clubes, de forma a que o Gil Vicente não desça mesmo que volte a inscrever o Mateus;
- ter o Bruno Paixão como árbitro em todos os jogos.
Temo que se engane. Temo que vá ter um desgosto amoroso. Temo que, na próxima ocasião, e sendo outro o adversário, Bruno não se mostre tão empenhado no amor. Pois é Fiúza, acho que o Bruno, infelizmente, é mesmo caso para irradiação. Muitos vão ficar de coração despedaçado e eu próprio vou sentir a falta dele se algum dia voltarmos a disputar um campeonato só com o Porto. Mas, sinceramente, vai fazer tanta falta ao futebol português como o Djaló ao plantel do Benfica.
Para terminar, e num registo mais sério, quero dizer o que segue:
- é uma estupidez o que o Sporting fez a Carlos Xistra depois da primeira jornada (nem teve culpa, os lances duvidosos estavam nas mãos do fiscal-de-linha);
- achei muito bem que o Sporting se eximisse de atacar o Pedro Proença na terceira jornada, porque jogámos pessimamente;
- acho que o Sporting fez bem em não exagerar nas queixas da arbitragem de Setúbal;
- acho que o Sporting tem que perder a mania de ser o calimero do futebol português e tem que parar de se queixar permanentemente de tudo;
- em geral, acho uma perfeita palermice justificar resultados com arbitragens - eu não o fiz este ano mesmo quando os adeptos sportinguistas faziam as contas da "liga da verdade";
- ainda assim, e sem sequer saber o que fez o Paixão em Barcelos para além dos lances dos resumos, queria dizer claramente o seguinte: Bruno, junta-te ao Jacinto, bebe uns cafés, come umas frutas e depois finge que vais cagar e, simplesmente, baza. Para ti, não há mais pachorra.
E, sem Paixão mas com futebol, venha o Feirense para retomarmos a senda das vitórias!

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