12/03/2012

Não tens que agradecer, caro Sá Pinto!

Pois é, fizemos a melhor exibição da temporada para o campeonato nacional, jogando com o meio-campo que eu e muitos outros vínhamos defendendo ser a melhor solução para o Sporting.

Elias - Schaars - Matias. Parece óbvio, mas Domingos sempre teve medo de arriscar este meio campo. Sá Pinto demorou a fazê-lo, mas tem o inegável mérito de o ter feito. Pela minha parte, e como nem sempre consigo trazer à tona a virtude da humildade, tenho que realçar que defendo este meio-campo desde a semana que antecedeu o derby. Sá Pinto, que me lê atentamente, decidiu-se finalmente a colocar em prática (quase todos) os Mandamentos (falta fazer o Polga desaparecer, mas neste momento está complicado em temos de opções), o que resultou numa equipa bem montada e numa grande exibição. Sá, não tens que agradecer: tudo pelo bem do Sporting!

Evidentemente, não fui o único a ver o óbvio. Esta solução estava lá, à vista de todos. Será que, como diz o Rui Monteiro, às vezes descobrir o óbvio torna-se difícil? Talvez. E talvez por isso Sá Pinto tenha levado o seu tempo a decidir-se por esta tática, que em casa nos garantirá vitórias até ao final da temporada, aposto. Excepciono o derby, jogo diferente, de características únicas, com resultado sempre imprevisível, que naturalmente quero ganhar mas que não depende só de táticas e da qualidade das equipas (já vi equipas merdosas do Sporting golear boas equipas do Benfica, já vi equipas merdosas do Benfica ganhar facilmente em Alvalade...).

Feito o exercício narcísico do dia, avancemos para o que verdadeiramente interessa: o Sporting fez, nesta semana, dois grandes jogos. Completamente diferentes e que mostram uma versatilidade que eu próprio duvidava que a equipa tivesse. Digo a equipa, não os jogadores, porque acredito que o Sporting tem um ótimo grupo de jogadores. Mas adiante: foram dois jogos de grande categoria!

No primeiro, de que muito se falou já, os jogadores do Sporting puseram em destaque a sua faceta competitiva, tendo a humildade que faltou ao adversário e a capacidade de perceber, como tantas vezes percebem os Motas, os Paulos Alves e os Ruis Vitórias da vida, que a lutar com armas desiguais, não podemos jogar o jogo pelo jogo. Na primeira parte, faltou só a coragem de sair a jogar; na segunda, com essa coragem em campo (mérito de Sá Pinto, reconheço), conseguimos o que todos julgávamos impossível. Agora, como diria José Torres, deixem-me sonhar!

No segundo, os jogadores do Sporting puseram em campo todo o seu talento à disposição da equipa. Matias, meus amigos, Matias e mais Matias! Um génio, acreditem em mim, que andou a ser desperdiçado por treinadores da treta (exceção feita a Couceiro que sempre apostou nele na posição certa). Sá Pinto pode ter muitos defeitos, mas há um que não tem e nunca teve: não é parvo! E percebeu que este miúdo, se bem aproveitado, pode ser um dos craques da Liga. Só por isso, só por não o ter tirado para jogar Elias, desviando antes este último para a posição em que (pelos vistos) mais rende, merece um crédito que inicialmente confesso que não lhe estava a dar. E ainda juntou grandes exibições de Schaars e Izmailov, o regresso aos golos de Wolfsvinkel e um Jeffren que é, apenas, o mais talentoso dos reforços, caso não esteja bichado (tenho que fazer estas coisas, desculpem lá, faz parte da personagem... ou será da personalidade?).

Doravante, o que fazer? Aquilo que Domingos devia ter feito quando estava a 8 pontos. Continuar a construir a equipa sem abdicar de bom futebol. Não em Manchester, claro. Em Manchester é para tentar o milagre, mesmo que implique jogar feio. A partir daí, é para manter esta tática e este sistema de jogo. E jogar sempre para ganhar. Com os melhores em campo. Quando voltar Rinaudo, logo se verá se sai Schaars, Elias ou é Rinaudo que espera no banco. Quando Jeffren estiver em forma, logo se verá se sai Capel, Izmailov ou é Jeffren que espera no banco. Mas há opções, caramba! Há bons jogadores, há qualidade, há versatilidade. Ainda que se transfiram dois jogadores (provavelmente Patrício e João Pereira no pós-Euro e apenas por necessidades financeiras), outros ficam para assegurar que continuamos a crescer. E para o ano cá estaremos outra vez!

Por agora, venha novamente o City, para continuarmos esta série de vitórias!

PS: Não vi os últimos jogos do Benfica. Mas tenho lido nos jornais e nos blogs que Nélson Oliveira se está a afirmar, finalmente. Depois do Mundial sub-20 não era preciso ser um génio para adivinhar que o miúdo vai ser grande jogador. Aliás, a minha esperança era que o Benfica o dispensasse para poder usar o carregamento de sul-americanos contratados ao magote e que o rapaz acabasse por vir parar a Alvalade daqui a uns anos, depois de sucessivos empréstimos aos clubes que habitualmente albergam estas esperanças. Já se viu que não vai acontecer, o que é pena. Evidentemente, ainda precisa de crescer. E até percebo que jogue Cardozo, a quem a bola vai sempre parar, ainda por cima ao jeito do pé esquerdo, e que ainda tem as vantagens de ser alto, forte no choque e eficaz nas bolas paradas (penalties à parte, claro). E o preciso plus de poder usar os cotovelos à vontade, já me esquecia... Mas se Nélson continuar a jogar assim, e mesmo que não consiga roubar o lugar a Cardozo, tem que ser convocado para o Euro. Se a dinâmica de uma seleção fosse tão simples quanto "usar sempre os melhores", os avançados seriam Nélson Oliveira, Liedson e Hugo Almeida (este apenas numa lógica de ter opções para o caso de ser necessário o belo do chuveirinho). Mas não é assim tão simples. O "grupo" não ficaria contente se um tipo que fez toda a qualificação (Postiga) não fosse chamado. Por isso, Postiga vai. Resta-me, pois, aguardar que no primeiro jogo tenha uma unha encravada (nada de muito grave). E que Hugo Almeida esteja febril (não mais do que 38.5º, não desejo nada de mal ao rapaz). E que o Nelson parta aquilo tudo! E que juntamente com CR7 e Nani leve a seleção à final. E, já agora, que um grande da Europa perca a cabeça e o leve daqui para fora. Caso contrário cheira-me que seremos atormentados por este menino durante muitos e maus anos...

PS2: Edição pós-publicação - que fique claro que, por ora, não retiro uma palavra ao que disse no post produzido após o jogo de Setúbal. Acredito muito nestes jogadores, acredito menos nos restantes intervenientes. Mas há uma coisa que depende quase exclusivamente destes últimos: a construção do plantel e a organização do clube para 2012/2013. Como ainda falta muito para acabar a época, e não defendo, como disse, eleições antecipadas (seria uma estupidez permitir duas épocas a Bettencourt e não permitir a esta equipa, seguramente mais capaz, a oportunidade de começar a nova época, agora que o plantel tem opções válidas em quase todos os sectores), deixo nas mãos do destino o que possam fazer em termos de dispensas e contratações, mas, mais importante ainda, em termos de organização interna (quem manda, quem fala, quem dá entrevistas, quem fica calado, etc.) e também em termos de estratégia de comunicação interna e externa (qual a mensagem, o que fazer aos paineleiros, como atrair mais sócios, etc.). Depois se verá o resultado mas, por agora, mais do que acreditar, é preciso ter paciência.

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