30/03/2012

From Ukraine with love


Antes de mais: não escrevi nada sobre o Sporting-Feirense porque adormeci a meio do jogo e só voltei a acordar quando Wolfgang Stark apitou para o início da segunda-parte do Sporting-Metalist. O efeito provocado pelo pior jogo a que assisti em Alvalade este ano bate o de qualquer anestesiante utilizado em cirurgias. Sugiro que se poupem recursos ao Estado e se passe a utilizar, para o adormecimento de pacientes antes da cirurgia, o visionamento do jogo, especialmente entre o minuto 25 e o minuto 80. Se não resultar, tentem a primeira parte do Sporting-Metalist. Se ainda assim não resultar, ponham os pacientes a ler os meus posts da altura em que o Domingos foi despedido.
Quanto a ontem, é tudo muito simples:
1. O Metalist é bem melhor do que a imprensa e comentadores ressabiados com a eliminação do City quiseram fazer crer, mas parece-me uns furos abaixo daquilo que eu antecipava. Tem dois ou três bons jogadores (Taison, Sosa, Cristaldo), mas uma defesa permeável. Pensei que Torsiglieri se estivesse a afirmar na Ucrânia como um jogador diferente, mas não, é o mesmo e joga exatamente o mesmo que jogava por cá. O que demonstra duas coisas: (i) se calhar não ficávamos assim tanto a ganhar com o argentino relativamente ao Polga (mantenho que Polga tem que sair mas acho que este rapaz não faria muito melhor); (ii) se este Torsiglieri é titular na defesa do Metalist, os suplentes não devem ser grande coisa (e como ambos os centrais que ontem jogaram ficam fora do próximo jogo, provavelmente a defesa, por lá, vai dar uma abébia ou outra que podemos aproveitar).
2. Na primeira parte o Sporting não quis pegar no jogo para evitar os contra-ataques adversários, mas lá terá que controlar o jogo melhor. O Metalist deixou a coisa correr, tal como nós, e a verdade é que esteve melhor. Em casa vai jogar com Devic no lugar de Cristaldo, ou com ambos, estando o primeiro mais fixo. Ou seja, além do flamboyant game praticado a meio-campo, terá uma provável referência na área que lhe permitirá empurrar o Sporting mais para trás. Não podemos permitir. Temos que entrar na 2ª mão com a atitude da 2ª parte de ontem.
3. O Sporting tem que ser muito mais eficaz no último passe. Falhar golos todos falham, mas é incrível a quantidade de lances que são desperdiçados por falta de sincronização no último passe, especialmente em contra-ataque. Ou a bola vai para o espaço e o jogador parou, ou vai para o pé e o jogador correu, ou vai para o flanco direito e João Pereira tira aqueles cruzamentos que até o Quim Berto aliviaria de cabeça, enfim, tem que se treinar muito mais estas situações, designadamente quando em superioridade numérica, e dar aos jogadores mais liberdade para arriscar o remate quando em boa posição (ontem se Carrillo arriscasse de pé esquerdo seria um golão).
4. O evidente penalty marcado contra o Sporting tem o condão de não deixar adormecer os jogadores à sombra de uma vitória que, parecendo fácil, resultou de dois dos três primeiros lances verdadeiramente perigosos que o Sporting criou. Em 3 chances, 2 golos. Não acontece sempre, meus caros. O redes do Metalist fez uma defesa complicada em todo o jogo. Não houve um domínio da partida que justificasse o 2-0 (sendo verdade porém que, após o segundo golo, o Sporting quis efetivamente justificar o resultado e o golo a finalizar tenha tido um travinho a injustiça).
5. Na Ucrânia vamos ganhar novamente. Acreditem no que digo. Vamos ganhar novamente, e até digo que ganhamos novamente por 2-1. Acho que Capel está a precisar de banco, acho mesmo. E acho que seria o jogo ideal para Jeffren. Acredito que este último será o homem do jogo. Não tenho muitas fezadas destas mas quando tenho normalmente acerto. Espero que se mantenha a tradição. Mas vamos sofrer, porque sem sofrer não tem graça nenhuma...
6. A foto da Miss Ucrânia é dedicada a Insua (grande jogo), Carriço (muito bem), Izmailov (parece o da primeira época, fantástico!) e Renato Neto (entrou muito bem no jogo). E também ao Gorbyn, que esteve em Alvalade e voltou a dar sorte (da outra vez que foste, comigo, ganhámos 1-0 ao Rio Ave com um golo no último minuto do Abel).
E venha sei lá quem no campeonato para rodar a equipa e, já agora, continuar na senda das vitórias!

28/03/2012

Caiu para o outro lado

Jogo típico dos quartos de final da Champions, sobretudo quando joga uma equipa inglesa fora de casa. O Chelsea veio para Luz preocupado em não sofrer golos e deixar o relógio correr, enquanto esperava por bola parada ou distracção do Benfica para tentar o golo. Por outro lado, o Benfica, a atravessar uma fase de pouca confiança e longe dos níveis físicos ideais, assumiu mais o ataque mas também procurava principalmente bloquear o adversário e não provocar desequilíbrios defensivos. Sendo assim, jogo chato, sem grande qualidade e com poucas oportunidades de golo.


De uma forma geral, o Benfica não se deve envergonhar do que fez esta noite. Apesar do Chelsea não estar a realizar uma boa época, não deixa de ser a mesma equipa que eliminou um Nápoles muito forte e com grandes jogadores. O jogo foi dividido, as oportunidades também e o Benfica ainda se pode queixar de uma grande penalidade que não foi assinalada (parece que não é só no campeonato que vemos estes lances passar em claro).


Gaitán fez um grandíssimo jogo (como era de esperar) e já pode começar a procurar casa em Inglaterra. Sugiro que o staff do Benfica mantenha o pano da Champions e o hino na entrada dos jogadores no jogo contra o Braga. Assim, o argentino pensará que terá todos os olhos nele e não deixará de correr, defender, fintar, cruzar e assistir como fez neste jogo. Witsel também fez um excelente jogo e a disponibilidade e entrega de Maxi são sempre de assinalar. 


Emerson foi a vergonha que já nos habituou. Acho inclusivamente, que haverá regras que não permitem que jogadores desta qualidade tenham a possibilidade de marcar presença num jogo das meias-finais da Champions. Quando este joga perto de Jardel (mais um cabeceamento para golo que não concretizou!), a probabilidade de se repetir algo como no golo do Chelsea, não é pequena. 


Jesus... Sei lá o que vai na cabeça daquele gajo... Tirar Aimar quando o homem nem pode jogar contra o Braga (nem Sporting)? Colocar Rodrigo no lugar do argentino? Desviar Witsel do meio para colocar Matic no seu lugar? Ok, a saída de Bruno César percebo, mas foi a única coisa! Percebo também que não há alternativas a Aimar mas isso é um problema criado por quem decidiu emprestar Carlos Martins, Amorim e David Simão. Se vencer o campeonato, obviamente que tem mais do que justificada a continuação na próxima época mas, se não o conseguir, espero bem que acompanhe o Roberto Carlos francês pela porta de saída do clube.


Ramires foi enorme e deixou ainda mais saudades dos tempos em que era omnipresente no meio-campo do Benfica.


A eliminatória está agora muito mais complicada mas pode ser que, desta forma, treinador e jogadores percebam que os próximos dois jogos é que serão os jogos que definirão esta temporada. Neste jogo deu para perceber que, se não for a equipa a fazer por merecer, o Inferno da Luz não voltará a emergir. Os desaires recentes e o jogo vergonhoso em Olhão estão demasiado presentes nas cabeças dos adeptos e condicionam um apoio mais fervoroso.

27/03/2012

Uma questão de prioridades

Na véspera de assistir a um jogo do Benfica nos quartos de final da Champions, quase que gostaria de não ter repetido aquele reflexo de Pavlov de, assim que chegam as referências multibanco para os jogos das competições europeias, efectuar logo o pagamento. É claro que é sempre mais forte do que eu. Simplesmente não tenho essa capacidade. Quanto mais, quando está em causa uma sempre empolgante eliminatória na mais importante prova de clubes do planeta. No entanto, se o meu gesto tivesse o impacto pretendido, até deixaria de marcar presença no Estádio da Luz mesmo com o bilhete comprado. E assinalaria esta minha ausência com a promessa de que, contra o Braga, lá estarei para apoiar com todo o meu fervor a equipa de Luisão contra o actual líder. Seria a minha forma de mostrar que, ao contrário do que acontece com o treinador, ao contrário do que acontece com alguns jogadores e ao contrário do que passará pela cabeça de alguns dirigentes do Benfica, o que realmente me interessa é ganhar este campeonato. Seria a minha forma de mostrar que me destroça mais um empate fora contra o Olhanense do que um derrota em casa contra o Chelsea. Seria a minha forma de mostrar a minha indignação contra a incrível ausência de garra e vontade de vencer enquanto jogámos com 11 no Algarve. Como tenho a noção da insignificância de uma minha ausência e como prefiro voltar a ocupar a minha cadeira e esquecer tudo o resto a partir do momento em que toque o hino da competição, lá estarei como sempre, utilizando este post para ilustrar o meu protesto.




Amanhã, alguns jogadores vão dar certamente o litro e fazer tudo para registar uma grande exibição. É o que espero depois de ter lido que Luís Filipe Vieira assinalou que o Benfica vai ter que fazer 50 milhões em jogadores no final da época (como ainda não o vi a dizer isto mesmo, tenho ainda alguma esperança que seja uma invenção jornalística que estranhamente se difundiu por vários meios de comunicação). Efectivamente, gostava de saber qual o manual de negociação que aconselha, a quem quer vender, de o expressar a todo o mundo e a dizer que, não só tem que vender, mas que precisa de vender muito. Tudo a ver com o outro que diz que não precisa de vender (quando, depois das queixas dos belgas, facilmente se percebe que de facto precisava) e obriga mesmo a bater as cláusulas de rescisão. Deve ser o mesmo manual que manda colocar jogadores emprestados em clubes que lutam pelos mesmos objectivos...


Espero também não ficar ainda mais desiludido com os restantes adeptos benfiquistas (não estou a incluir aqueles 30 ou 35 mil que nunca falham). Se depois de encherem a Luz amanhã, não tiverem a capacidade de fazer o mesmo contra o Braga, talvez não mereçam mesmo ter direito a uma festa no final com direito a uma corrida aos bilhetes que dê duas voltas ao Estádio da Luz.










PS: Espero que amanhã estes mesmos adeptos não caiam no ridículo de apupar o Drogba com os já conhecidos Kun, Kun, Kun ou Hulk, Hulk, Hulk. Acredito sinceramente que os tremores foram provocados pela iminência de sair o Barcelona ou de o poder apanhar nas meias-finais (quando saiu o Benfica, faltavam apenas 3 bolas com Chelsea, Milan e Barcelona...). 

24/03/2012

Assim não...

Até há bem pouco tempo atrás, até nutria um carinho especial por Olhão uma vez que era desta pequena cidade algarvia que, durante vários anos enquanto criança, partia o barco que me levava para umas grandes férias na Ilha da Armona. Hoje em dia, nem quero ouvir falar nesta terra de pescadores por força dos desaires que o clube local tem provocado no meu Benfica. Porra, três épocas na liga principal e ainda não conheceu a derrota frente ao Benfica?! Estamos a falar de alguma super equipa? Não, é apenas o Olhanense. Quem viu o jogo poderá já estar a adivinhar a escolha do título deste post. No entanto, há mais do que um motivo para dizer... assim não...


Relvado assim não! O que é que se passou no Algarve?! Esteve a nevar em Olhão e eu não estive atento às notícias (só me fazia lembrar o campo do Zenit)? Faltou água no município e não deu para regar a relva? São as bancadas que são tão altas que não deixam o ar circular? Depois da merda de campo em Guimarães mais um esta noite. Houve momentos em que dei por mim a dizer para o Gaitán passar ao Madjer e ao Alan, tal era a forma como levantava a bola e fazia passes para evitar que esta tivesse que rolar (ou saltitar) naquela espécie de relvado. Os responsáveis do rectângulo verde algarvio devem cuidar pior da relva do que o Paco Bandeira trata as mulheres! Completamente impossível jogar algo parecido com futebol naquelas condições e devia até existir regulamentos que evitassem que Witsel, Nolito ou Aimar tivessem sequer que pisar aquele desastre.


Táctica assim não! Já o repeti muitas vezes por aqui mas tenho que o dizer mais uma vez: com esta teimosia de Jesus vai ser muito mais difícil vencer este campeonato. Este catedrático já tinha visto o resultado de jogar com dois avançados fora de casa depois de jogos de grande desgaste a meio da semana. Guimarães foi o melhor exemplo. A equipa fica demasiado partida e não é capaz de criar jogadas a partir da defesa. Será que este gajo não percebe que não tem um Ramires para galgar quilómetros, dar consistência ao meio-campo e ainda desequilibrar na frente? Um remate de cabeça perigoso de Jardel é o melhor que se tirar da primeira parte. Muito pouco para quem precisava de resolver o jogo rápido e poupar baterias para o jogo contra o Chelsea.


Árbitros assim não! Fica para último propositadamente. É apenas a terceira razão para mais dois pontos perdidos. O Benfica deveria ter feito muito mais até aos 62 minutos. No entanto, o vermelho a Aimar é escandaloso! O gajo que estava, muito apropriadamente vestido de azul em Olhão, não deve ver muito futebol. Ele expulsou o Aimar por agressão! Aimar até pode, por vezes, levar a disputa de lances ao limite mas acredito que magoar um adversário seja algo que nem lhe passa pela cabeça. No lance vê-se uma disputa normal de bola em que, por pontapearem a bola ao mesmo tempo, o pé de Aimar é projectado para a coxa do adversário. Na repetição é notória a forma como Aimar tenta logo tirar a perna. Em qualquer repetição de um pisar propositado, facilmente se percebem aqueles momentos em que o pé demora um pouco mais no adversário. Nada disso aconteceu aqui. Com meia hora por jogar e com os jogadores do Olhanense a sentirem os músculos a começar a prender por terem passado uma hora a correr atrás da bola, foi um golpe forte no objectivo dos três pontos.




Resumindo, a primeira parte foi demasiado má e quase sem futebol. Apesar de tudo, o Benfica tinha que fazer mais. Na segunda parte, antes da expulsão ainda houve uma boa oportunidade por Javi numa bola parada e, já com 10 jogadores, Cardozo e Saviola ainda tiveram duas excelentes oportunidades (a última então...). O Olhanense, mesmo com mais um jogador, nem tentou vencer o jogo. Deu-me a sensação, pela forma como celebraram o empate no final do jogo, que bastava o empate para o que estava prometido. 


Pior, só mesmo se o Toi ainda marcasse um golo. Não só não ganhámos, como não aproveitamos a pressão que poderíamos colocar no Porto numa fase em que estaria mais fragilizado por força da derrota na Taça da Liga e da luta interna entre uma cebola e uma maçã podre. Ainda para mais, fomos castigados por um esforço adicional de jogar meia-hora com dez jogadores à procura do golo, quando estamos em vésperas de receber o Chelsea que já só está preocupado com a Champions.
    

21/03/2012

"A Paixão" (segundo Bruno, Jacinto e o Gil Vicente)


Pontos prévios:
(i) não vi o Gil Vicente - Sporting. Dia do Pai oblige... Apesar do meu pai ser grande sportinguista, reclama-se sempre lá por casa quando um aniversário ou jantar é acompanhado de bola. Uma vez que fiquei eu o responsável pela marcação do jantar e, valha a verdade, o jogo não (me) interessava a a ponta de um corno, optei pelo "À Parte", onde aliás tinha jantado em tempos com o Gorbyn e o Zatopek (numa altura em que o Sporting não temia que pagassem salários em Guimarães que pusessem os gajos a correr em busca do 5º lugar), restaurante sem TV mas onde tivemos uma bela jantarada;
(ii) no momento em que começo a escrever, está lançado o post do Gorbyn sobre o clássico de ontem, para a Taça da Liga. Virá por aí, certamente, o post do Zatopek. Não deixem de ler ambos os posts, certamente terão bastante mais interesse do que este.
De qualquer modo, eis a história que vos queria contar, integralmente (ou quase) baseada em factos reais:
Estávamos no final da década de 80 ou início da década de 90. Rui Veloso lançava o álbum "Mingos & os Samurais" e punha a juventude portuguesa a cantarolar "Não há estrelas no céu" e os teenagers mais competentes a dedicar às suas damas "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)".
Pela minha parte, nunca fui grande fã de Rui Veloso e muito menos deste álbum. Prefiro, de longe, o álbum "Rui Veloso", de 1986, com os clássicos "Porto Covo" e "Porto Sentido" (esta última uma música fantástica dedicada à igualmente fantástica cidade do Porto). E tenho mesmo que confessar a minha secreta irritação pelo "Mingos" (por sinal diminutivo de Domingos), em especial pelas duas músicas acima mencionadas. No caso d'A Paixão, sempre que oiço aquela gaita-de-beiços a gemer, mudo a estação de rádio. Talvez por ter passado demasiadas noites a pensar "mas porque é que os gajos mais velhos do que eu ouvem esta música e em vez de continuarem a discutir bola vão ter com miúdas giras e roliças?" Mas adiante...
Serve este intróito para dizer que depois da minha irritação com a Paixão segundo o Nicolau da Viola, o Rui Veloso e o Carlos Tê, tenho de há alguns anos para cá a minha irritação com a Paixão, segundo o Bruno e o Jacinto. A que agora juntamos a Paixão segundo o Gil Vicente (não o autor do século XV, mas o clube de futebol que lhe honra (?) o nome).
E Paixão segundo o Bruno, repare-se, até poderia ter dado uma bonita história de amor. Quando Bruno, o Paixão, começou a ser famoso, prejudicou de tal forma o FC Porto em Campo Maior que pensámos todos que era o fim do famoso "Sistema". Aquilo, para quem não se lembra, foi uma roubalheira das antigas. Na altura, o beneficiado foi o Sporting, campeão em 99/2000. Eu, pela minha parte, pensei "eh pá, finalmente, temos aqui um árbitro controlado, grande Paixão!".
Os anos passaram, até que chegámos à fase final do campeonato 2003/2004. O super-Porto de Mourinho seguia na liderança, mas incrivelmente o Sporting do macambúzio Fernando Santos não largava os 4/5 pontos de distância. O que incomodava bastante, porque o Porto queria ser campeão europeu (como aliás, e muito merecidamente, foi). E, além disso, era chato ter que jogar aos Sábados e Domingos com o Estrela e o Marítimo e os outros, enfim, dava mais jeito jogar só com o Lyon e o Coruña. Por sinal, o Benfica também andava ali perto do Sporting e o 2º lugar dava acesso à pré da Champions. Enfim, tudo se conjugava para um épico Boavista-Sporting, já no final do campeonato, em que Paixão, o Bruno, conseguiu transformar o 0-1, a 10 minutos do fim, num emocionante 2-1 para os da casa.
Simultaneamente, soubemos depois, outro Paixão, o Jacinto, encomendava frutas e especialidades ligadas ao café, nas vésperas de um Porto-Estrela (na altura últimissimo classificado, veja-se como os meninos não deixavam nada ao sabor do acaso...). E pelas mesmas alturas descobriu-se que o Papa não só tinha tirado um curso de psicoterapia como ainda fazia sessões noturnas para os que precisassem, por exemplo, de conselhos sobre a vida amorosa do pai (o que, todos sabemos, leva qualquer um a sair da cama a meio da noite para procurar imediato conselho). Enfim, uma vez mais, estamos a falar de temas apaixonantes...
Os anos passaram e, se bem se recordam, à 6ª ou 7ª jornada do campeonato atual escrevo isto. Um post em que, com a típica ingenuidade de um homem enfeitiçado pela Paixão, manifesto a minha desconfiança perante o Bruno, embora dando o benefício da dúvida. Ora bem, o Bruno, claramente, não merecia esse benefício da dúvida. Mas eu sou uma pessoa carente e o blog precisava de polémicas e audiências, pelo que resolvi defender o Bruno Paixão. No fundo, para um sportinguista que quer chamar a atenção, nada melhor do que defender o Bruno Paixão: poderia ter optado por aparecer com uma camisola do Benfica com o nome "Simão" nas costas em plena sede da Juve Leo, mas nem chegaria a considerar os nefastos efeitos desta solução para a minha integridade física, uma vez que nem louco e doente vestiria tal pedaço de trapo...
Chega-nos, então, a Paixão do Gil Vicente. Que não vi integralmente, como já disse. Mas nem preciso de ver: foi o Bruno. O Bruno Paixão. Um homem que só acaba rápido os jogos que o Sporting está a ganhar se estiver mesmo muito necessitado de conversar com o urinol. Um homem que tem um singular prazer em arbitrar o Sporting nestas fases em que é fácil bater. O pior árbitro de que me lembro no futebol português desde que definitivamente se enterraram alguns resquícios do Sistema, como Paulo Costa, António Costa e Martins dos Santos. O único homem na história da Humanidade a ter orgasmos múltiplos: foi no dia 9 de Novembro de 2008, num Sporting-Porto para a Taça, em que as duas equipas acabaram o jogo a dizer "não, não, mas eu fui ainda mais roubado do que eles" (reza a lenda que Bruno chegou a fazer um squirt). Um homem que faz da arbitragem uma permanente irritação para adeptos e jogadores. Enfim, um palerma e um inepto...
O Paixão, para os mais ingénuos, parece ter-se apaixonado pelo Gil Vicente (lembrem-se disto). É minha séria convicção que o presidente do Gil Vicente, neste momento, tem essencialmente três objetivos na vida:
- uma operação plástica que lhe permita mudar radicalmente a cara que vê ao espelho todos os dias;
- criar uma Liga com 44 clubes, de forma a que o Gil Vicente não desça mesmo que volte a inscrever o Mateus;
- ter o Bruno Paixão como árbitro em todos os jogos.
Temo que se engane. Temo que vá ter um desgosto amoroso. Temo que, na próxima ocasião, e sendo outro o adversário, Bruno não se mostre tão empenhado no amor. Pois é Fiúza, acho que o Bruno, infelizmente, é mesmo caso para irradiação. Muitos vão ficar de coração despedaçado e eu próprio vou sentir a falta dele se algum dia voltarmos a disputar um campeonato só com o Porto. Mas, sinceramente, vai fazer tanta falta ao futebol português como o Djaló ao plantel do Benfica.
Para terminar, e num registo mais sério, quero dizer o que segue:
- é uma estupidez o que o Sporting fez a Carlos Xistra depois da primeira jornada (nem teve culpa, os lances duvidosos estavam nas mãos do fiscal-de-linha);
- achei muito bem que o Sporting se eximisse de atacar o Pedro Proença na terceira jornada, porque jogámos pessimamente;
- acho que o Sporting fez bem em não exagerar nas queixas da arbitragem de Setúbal;
- acho que o Sporting tem que perder a mania de ser o calimero do futebol português e tem que parar de se queixar permanentemente de tudo;
- em geral, acho uma perfeita palermice justificar resultados com arbitragens - eu não o fiz este ano mesmo quando os adeptos sportinguistas faziam as contas da "liga da verdade";
- ainda assim, e sem sequer saber o que fez o Paixão em Barcelos para além dos lances dos resumos, queria dizer claramente o seguinte: Bruno, junta-te ao Jacinto, bebe uns cafés, come umas frutas e depois finge que vais cagar e, simplesmente, baza. Para ti, não há mais pachorra.
E, sem Paixão mas com futebol, venha o Feirense para retomarmos a senda das vitórias!

Qual será o preço desta vitória?

Começo, não por estimar qual o custo desta vitória no futuro próximo, mas por valorizar esta vitória do Benfica. É merecida e não deixa de ser importante. Importante porque dá moral e confiança para os próximos jogos. Importante porque não deixará de ter um efeito contrário no adversário. Importante porque interrompemos a sequência vergonhosa de 3 derrotas consecutivas com o Porto em casa. Importante (mas não tanto) porque estaremos na final. Importante (mas não tanto) porque temos a possibilidade de disputar mais um troféu.

As limitações existente nos dois plantéis deixaram pouca margem para uma verdadeira rotatividade por parte dos dois treinadores. Não olhando aos guarda-redes e pensando apenas nos jogadores que têm substitutos de qualidade inferior, do lado do Benfica, apenas Cardozo e Gaitán ficaram de fora do onze e do Porto, apenas James e Janko. Desta vez, foi o Benfica que entrou bastante forte e numa grande jogada ganhou vantagem por Maxi. Logo abrandou e numa jogada de sorte, Lucho empatou. Com o golo sofrido, o Benfica ficou atordoado e numa bola parada sofreu o segundo por Mangala. Só depois dos 30 minutos e com os remates aos ferros de Luisão é que o Benfica acordou e ainda teve mais um por Aimar. Por esta altura, comecei a duvidar menos do bruxo do Porto. O remate de Lucho nem ia à baliza e acabou por bater em Javi para entrar na baliza enquanto que os remates do Benfica teimavam em bater nos ferros. O que vale é que, em mais uma bola parada, o Benfica chegou ao empate com Nolito a empurrar de peito um cruzamento de Javi.


Na segunda parte, notou-se um respeito mútuo e nenhuma equipa quis assumir claramente a procura da vitória. A entrada dos jogadores que referi anteriormente mas com a excepção de Janko, acabaram por ter impacto na partida e mexeram com o jogo. Numa das jogadas, Gaitán isolou Cardozo que fez o 3-2 e sentenciou a partida (tal como previu um grande amigo meu que está sempre pronto para defender o Takuara mesmo quando este se mexe menos que uma cana num dia sem vento). De realçar que a marcação de Mangala foi tão má que o paraguaio até pareceu rapidíssimo!

Maxi, Javi e Witsel foram enormes, sendo que o homem da carapinha volumosa espalha classe em todas as jogadas que intervém e tem um critério de passe e temporização do jogo simplesmente sublimes. Nelson Oliveira tem que ser bastante mais eficiente nas movimentações e soltar melhor a bola, Capdevila voltou a acrescentar muito pouco e de Aimar, só mesmo o livre é que se safou. Questão para o Nolito: se te pagassem muito, mas mesmo muito, achas que conseguirias rematar, pelo menos uma só vez, com o peito do pé e em força?

Apenas concordei com uma das substituições de Jesus: a troca de Nelson Oliveira por Cardozo. Estava à espera que na primeira substituição trocasse Aimar por Gaitán e depois, quando decidiu tirar Aimar, não percebi porque não fez entrar um jogador para o seu lugar... (este Saviola é mais do que deprimente).

Agora e até para ser coerente com o meu post anterior, tenho bastante receio do preço que teremos que pagar nos próximos jogos por esta vitória. Javi e Witsel tiveram um desgaste enorme e não sei em que condições se apresentarão em Olhão e qual será o impacto da fadiga acumulada contra o poderio físico do Chelsea (na falta que o belga faz sobre James já perto do final da partida, foram evidentes as dificuldades físicas que já apresentava). Dizem que as vitórias trazem vitaminas extra pelo que me resta acreditar que a capacidade física e concentração marquem presença já no próximo jogo.

20/03/2012

Há combustível para 3 corridas?

Depois da conferência de imprensa de antevisão do jogo da Taça da Liga, fiquei um pouco menos preocupado com as opções que Jesus assumirá para os próximos jogos. Menos preocupado, é certo, mas mesmo assim mantenho grandes reservas relativamente ao que pode vir daquela cabeça.


Quando tento imaginar qual será a melhor postura a assumir para o jogo contra o Porto, uma luta enorme entre o racional e o emocional emerge na minha cabeça. Como todos os que sofrem pelo Glorioso, adoraria ganhar todos os jogos e as três competições. No entanto, com o mínimo de racionalidade que se exige, percebo que isso é pouco provável e que existe a necessidade de fazer uma correcta gestão dos recursos disponíveis para, considerando as hipóteses de vencer e a importância de cada competição, atingir o melhor resultado possível. 

Assim, olhando para cada competição:
- Taça da Liga: o Benfica tem boas hipóteses de voltar a vencer a competição mas não apresenta vantagens significativas face aos dois principais adversários (Porto e Braga). A conquista apenas desta competição, não chegaria sequer nem para prémio de consolação;
- Champions: com Barça, Real e Bayern a marcar presença na fase final, as hipóteses de vencer o troféu são residuais. A liderança na fase de grupos e a chegada aos quartos de final já superaram as expectativas.
- Campeonato: apesar do favoritismo pender para os azuis, a reduzida diferença pontual e a volatilidade das exibições do principal rival deixam o caminho ainda bem aberto para chegar ao final em primeiro lugar, naquele que é o principal objectivo da época.

Desta forma, considero que Jorge Jesus tem que colocar as fichas todas no campeonato e a Champions é demasiado tentadora para não arriscar uma boa 1ª mão. Já a Taça da Liga, tem que ser mesmo para minimizar o impacto da competição. Por mais que me custe a possibilidade de ver o Porto vencer na Luz pela quarta vez consecutiva, Jorge Jesus deveria evitar colocar em campo os jogadores que acusam mais o desgaste físico (Aimar, Gaitán, Cardozo, Witsel) para colocar o melhor onze possível em Olhão. Se as coisas começassem a correr bem no Algarve, com as substituições poderia então fazer a gestão física do plantel.

Posso então avançar com aquele que seria o meu onze para hoje: Eduardo, Maxi, Jardel, Luisão, Capdevila, Bruno César, Javi, Matic, Aimar, Nolito e Nélson Oliveira. Acho que não devíamos jogar com dois avançados contra o Porto, pelo que, face à inexistência de mais soluções para o meio campo, optaria por Aimar para este jogo e voltar aos dois avançados e Witsel em Olhão. De resto, esperar que o Porto também faça alguma gestão (parece-me que está algo frágil a nível físico) e que os jogadores que marquem presença façam um grande jogo e derrotem o Porto.




18/03/2012

Foi muito bom! Não foi?


Quando na sexta-feira cheguei a casa já sabia o resultado deste Nacional-Porto. Bom resultado! Dever cumprido. Mais um jogo, mais uma vitória. Não se pode vacilar nestes jogos “supostamente” mais fáceis.

Como não vi o jogo tive de recorrer às minhas fontes e todos os comentários foram em direcção de um jogo pior que mau da nossa equipa. Resultado: nem quero ver o jogo!
Se custa ver em directo as fracas e inconstantes exibições dos azuis, ver um jogo destes gravado é masoquismo.

Pelo que tenho lido, o Porto não foi inferior ao Nacional (era o que faltava também) e até teve oportunidades de golo e bolas na trave, mas muitas perdas de bola na Defesa e no Meio Campo (volta Fernando…) reforçam a ideia que esta equipa não está bem. Os pontos de vantagem parece que pesam imenso e fico com a ideia de que fisicamente estamos de rastos. Se juntarmos a isto a falta de opções no meio campo (SIM, já lá não andam Guarin, Souza e Belluschi) resta-nos um final de época de sofrimento físico e psicológico.

Salvou-se (e salvou-nos) o Helton, o sentido de oportunidade de Janko e a capacidade física de Moutinho.

Após o jogo da Luz eram 9 finais. Faltam 7 e já só sobra 1 pontinho. Vai doer!

Enfim, um jogo que não vai ficar na memória.

 
PS: Desta vez o VP não fez a substituição do costume. O Defour entrou de início!

17/03/2012

Passeio à Beira-Mar

O Benfica fazia um dos dois jogos teoricamente mais fáceis da recta final do campeonato. Com a sobrecarga de jogos que terá até ao jogo com o Sporting a 9 de Abril e com o jogo da Taça da Liga com o Porto a meio da semana, era importante vencer sem grande desgaste físico ou psicológico. E o objectivo foi cumprido: o Benfica venceu por três bolas a uma e sem grande esforço, um Beira-Mar que exemplifica, pela qualidade do futebol e pelas assistências que consegue em sua casa, o quão absurda é a proposta de alargamento da liga (já para não falar da forma de o conseguir).


Nelson Oliveira a titular, o regresso de Aimar e Witsel de novo a defender o corredor direito foram as grandes novidades do onze. Se a primeira era merecida, a segunda era expectável e a terceira... só não esperava quem ainda tem dúvidas relativamente à teimosia de Jesus. Contra um adversário que pouco perigo deveria apresentar, a hipótese Miguel Vítor surgia-me como a mais indicada já que André Almeida ainda não parece ter a competitividade necessária para entrar num onze do campeonato e Witsel poderia assim aproveitar este jogo para descansar.


Na primeira parte, evitando sempre entrar em grandes correrias, o Benfica dominou o jogo e fez os mínimos para chegar ao intervalo a vencer por dois golos. O primeiro, numa boa jogada (a passo), com Cardozo a movimentar-se para o sítio certo e a encostar para o fundo da baliza e o segundo num bom passe de Cardozo que Gaitán aproveitou para bater Rui Rego. Já na segunda parte, o Benfica chegou rapidamente ao terceiro golo numa excelente assistência de Nelson Oliveira em que o paraguaio bisou. Se a isto juntarmos a saída de Aimar aos 65 minutos e a tal necessidade de poupar as baterias, facilmente se percebe que o resto do jogo provocou nos adeptos pouco mais do que um grande bocejo. Pelo que foi neste enquadramento que Jardel, que estava a registar uma exibição muito positiva com direito a entrar nos destaques do jogo, facilitou e deu origem a um contra-ataque aveirense que terminou com o respectivo golo de honra. Com a vitória tremida do Porto na Madeira, tudo na mesma em relação à perseguição, pelo que resta esperar pelo jogo do Braga para perceber se o pelotão da frente se mantém compacto.




- Cardozo foi claramente o homem do jogo. Para além de ter estado bastante envolvido e esforçado nas jogadas de ataque, registou dois golos e uma assistência.
Nelson Oliveira aproveitou a oportunidade para mostrar algumas das suas qualidades, sobretudo a sua capacidade física e velocidade. No entanto, tem ainda que corrigir algumas debilidades próprias da sua pouca experiência, especialmente a dificuldade em perceber quando deve segurar a bola, jogar simples ou tentar o drible;
- os substitutos, mesmo com a dificuldade natural de encontrarem a restante equipa mais preocupada em jogar a passo, entraram bastante mal. Não está a ser fácil para Rodrigo retomar a qualidade de jogo que vinha a registar até à lesão frente ao Zenit.


16/03/2012

Só nós sabemos sofrer assim

Antes de mais, queria dizer que ontem se assistiu a um grande jogo de bola em Manchester. Mesmo quem não é do Sporting, ou do clube anti-Sporting, ou do Man City, certamente terá vibrado com um dos jogos mais emocionantes dos últimos anos. Foi daqueles jogos de deixar mãos a tremer e corações a vibrar até aos 90+5. Mas podia muito bem não ter sido assim...

O Sporting fez uma primeira parte absolutamente fantástica. O City levou um banho de bola que, acredito, fez os adeptos recordar os tempos pré-Sheikh. Sheikh que, aliás, ao intervalo enviou um sms para o seu assistente pessoal em que dizia "عربي/عربى " o que basicamente significa "eu disse-te que queria no plantel todos os gajos do planeta que joguem muito à bola, como é que deixaste escapar este 14 do Sporting?". Dito de outra forma, o mago Matias fez um jogão que, por si só, deveria dar-me o direito de dar a este post o título "eu bem dizia", como aliás venho prometendo a propósito de diversos temas. Mas não o vou fazer. Em primeiro lugar, e desde logo, porque não é preciso ser um génio para perceber que Matias é um craque; em segundo lugar, porque quando assumi o meu narcisismo e o terrível defeito de ceder sempre à tentação de dizer que tinha razão pensei que estava a falar para meia dúzia de gatos pingados, nunca imaginando que as visualizações do blog subissem de semana para semana...

Para além de Matias, grandes jogas de Pereirinha, Insua, Izmailov e van Wolfsvinkel, que desde que readquiriu confiança parece outro (ou melhor, parece o de Setembro, Outubro e Novembro). Falta "adquirir" jogo de cabeça em frente da baliza, porque nas bolas pontapeadas por Patrício é impressonante a quantidade de lances que o holandês ganha pelo ar.

Na segunda parte, ao contrário do que se possa pensar, o City não massacrou o Sporting logo de entrada. Mancini tirou Johnson e pôs De Jong, equilibrando o meio-campo com Touré mais adiantado e com Micah Richards a fazer de extremo direito face ao imenso desgaste de Capel. Com 3 (Touré, De Jong, Pizarro) contra 2 (Carriço e Schaars) no meio, Matias foi forçado a recuar e o meio-campo passou a defender mais atrás. Ainda assim, não resultou em grande pressão para o Sporting, que conseguia sair para o ataque e até criou, nessa fase, a jogada de maior perigo por Insua.

A partir da entrada de Dzeko é que a coisa se complicou: sai Pizarro, Aguero fica solto atrás dos avançados, Balotelli e Dzeko em 2x2 na área contra Polga e Xandão (grande segunda parte a limpar tudo o que aparecia pelo ar), Kolarov praticamente a extremo esquerdo, grande pressão na saída da bola. Sá Pinto demorou a reagir e Aguero, numa altura em que Polga marcava implacavelmente um pedaço de relva pelo qual nutre especial carinho, reduziu para 1-2. O Sporting tremeu e precisava de uma mensagem clara do treinador.

É claro que ninguém quer dizer isto hoje, quando se festeja a eliminação do Mansheikher, desculpem, Manchester City. Mas Sá Pinto nesse momento deu cabo da equipa, tal como já o tinha feito em Varsóvia. A substituição de Capel por Jeffren aceita-se. A de Matias por Renato Neto só se compreende à luz do cartão amarelo do chileno... Não tanto pela substituição em si, mas pelas implicações em termos de recuo da equipa e de construção, uma vez que Neto foi ocupar a posição de Schaars mas não tem a capacidade de recuperar e construir com a mesma qualidade. A segunda linha de pressão, que tantas bolas recuperou na primeira parte, tinha em Schaars o elemento que dava critério à recuperação. Com a troca, perdeu-se Schaars, que desapareceu do jogo, e passámos a perder a bola logo após a recuperação. E nem falo do penalty cometido por Neto, porque se trata de um erro que atribuo exclusivamente à inexperiência do jogador.

Enfim, a partir daí foi o sufoco e nem a entrada de Carrillo por Wolfsvinkel deu a volta ao tema, simplesmente porque não havia bolas jogáveis para lá da linha de meio-campo. 2-2, 2-3 (com Carrilo, precisamente, a por Aguero em jogo), cabeceamente de Balotelli ao lado, Jeffren a reter a bola à frente o mais que podia (e pôde bastante, grande Jeffren...) e uma mágica defesa de Patrício no último segundo do jogo a um cabeceamento de Joe Hart (Wolf, não quero ser chato com este tema, mas até o redes do City cabeceia com mais intencionalidade à baliza do que tu, pá!). Acabou, passámos, somos os maiores mas... ninguém me tira esta sensação esquisita de alegria partilhada com a frustração de não termos ganho depois daquela primeira parte.

No meio disto tudo, houve um momento em que mantive a confiança: quando Pereirinha se lesiona no braço e, fazendo lembrar a história do mítico Azevedo, guarda-redes do Sporting nos anos 40, continua em campo, com o braço todo feito num oito, apenas para ser mais um a ajudar a defender. Foi um campeão e merece totalmente a foto neste post, bem como a inspiração para o título. Diz-se que só há vencedores com sofrimento e até deve ser verdade. Nós, quanto a sofrimento, já temos dose de cavalo e acredito verdadeiramente que mais ninguém sabe sofrer tanto como nós. Falta, agora, mudar a frase para que possamos dizer "quem mais sofre é quem mais ganha". Se for assim, saíremos muitas vezes vencedores. Mas, cá para nós, preferia sofrer menos e ganhar mais...

E agora... bom, agora venha o Gil para continuarmos na senda das vitórias!

PS1: Gostei que Sá Pinto, no final, tenha dado a entender que podíamos e devíamos ter ganho o jogo. Compreendo que não tenha sido tão assertivo como eu fui neste post, porque ele tem que moralizar as tropas, mas sinceramente subiu mais um ponto na minha consideração. Como líder, tem-se revelado melhor do que Domingos, não custa reconhecer. A montar a equipa, também tem dado um bigode ao Paciência. No decorrer do jogo, às vezes faz disparates que não se compreendem (e vai ser ele a pagar à minha família a indemnização pelos dias de vida que ontem perdi). Enfim, é o problema que temos quando os treinadores vêm para Alvalade para aprender...

PS2: Saíu o Metalist. É de desconfiar porque estão aqui depois de terem eliminado o Olympiakos, que nunca é fácil. Se menosprezamos estes tipos, é certo e sabido que vamos de vela. Se jogarmos a sério, sinceramente, não acredito que não passemos.

Matigol, um mago


Mas ainda há alguma dúvida?

PS: Deixo para amanhã texto mais desenvolvido sobre esta grande noite, esta noite de sofrimento sportinguista, esta fantástica exibição na 1ª parte. Por ora, pergunto apenas porque é que andámos a perder anos de vida deixando o minorca que agora joga no Porto bater as nossas bolas paradas. Nos últimos 4 jogos europeus, 1 assistência em Varsóvia, 1 golo em Alvalade contra o Legia, 1 meio-golo no livre que origina o calcanhar de Xandão e 1 golão em pleno Ettihad. Posso estar enganado, mas acho que o rapaz não bate mal os livres... E onde andam agora os que diziam que é irregular, inconsistente, que não há lugar para ele no futebol moderno e sei lá que mais?

PS2: Antecipo uma manhã agitada pelo que quero já dizer, antes do sorteio, que não quero nem Bilbao, nem Schalke 04, nem o Metalist (deslocação chata, equipa chata...). Queria o AZ Alkmaar (para avivar boas memórias de outra inesquecível derrota por 3-2) ou o Hannover.

14/03/2012

Tudo em aberto?

Porto, Braga e Benfica. A oito jornadas do fim, estes são os três candidatos à vitória final na principal prova nacional. A grande novidade desta época é que apenas um ponto separa o líder Porto, dos perseguidores Braga e Benfica. Não vou entrar nos factos e controvérsias que deram origem à classificação actual mas somente apontar para o que se perspectiva até ao final do campeonato. Com jogos entre candidatos e com o Sporting envolvido em partidas com os três, difícil não resultar numa ponta final escaldante e bastante emotiva.


Muito se tem ouvido que, numa fase tão avançada da competição, Porto na frente, é Porto campeão. Efectivamente, desde que a competição assumiu os três pontos por vitória, essa é uma afirmação que a história não desmente. No entanto, a história também podia acrescentar que, não só o Porto, mas qualquer equipa que seguia na frente a 8 jornadas do final, acabou também por ser campeã (espero que a tradição comece já nesta edição, a não ser o que era...). Acrescento também que o Porto chega normalmente a esta fase com vários pontos de vantagem, contribuindo em muito para a tal afirmação. Das várias épocas em que se sagrou campeão, só por uma vez tinha uma vantagem tão reduzida (2006/2007).




Olhando para as jornadas que faltam disputar, percebe-se facilmente que nenhum dos clubes tem a vida mais facilitada. Os 3 emblemas têm agendados jogos muito complicados, tanto em casa como fora, para além de também já se ter percebido que as deslocações a equipas teoricamente mais acessíveis não são necessariamente isentas de risco. Resta saber se as recentes boas exibições do Sporting são algo mais do que uma ligeira e curta subida na montanha russa que tem sido a época leonina, pois poderão desempenhar um papel importante na definição da hierarquia final. Assim, deixo aqui alguns factos que merecem destaque:
- o Porto é a única equipa que terá 5 jogos fora de portas nas últimas 8 jornadas do campeonato;
- o Braga é a única equipa que jogará contra os outros dois candidatos;
- o Benfica tem os jogos para os quartos de final da Champions nas vésperas dos seus dois jogos mais complicados: Braga e Sporting;
- o Sporting jogará com os três candidatos nesta fase final do campeonato;
- a Taça da Liga que se perspectivava de importância bastante reduzida, com um Benfica - Porto poderá ser um rude golpe na moral da equipa que for eliminada.


Quem chegará ao final na frente? Aceitam-se apostas mas a Bwin dá 1,95 ao Porto, 2,15 ao Benfica e 6,50 ao Braga e a Betclic 2, 2,25 e 6 respectivamente (Koba, como sou teu amigo não vou escrever o rácio para o Sporting).

12/03/2012

Não, Não, Não e Não! Ok.. um Sim também!


A perguntas simples, respostas simples... É assim que resumo este FC Porto – Académica:

Pergunta: O campeão está de volta?

Resposta: Não... A resposta era fácil a esta pergunta lançada no último post dragão. Este jogo após a vitória sobre o Benfica apenas demostrou que esta equipa não tem “motivação de campeão”. Um Porto motivado pegava nesta Académica e ganhava tranquilamente. Nem os Academistas fizeram muito por ganhar o jogo, nem o Porto fez muito por merecer os 4 pontos de avanço. Apesar das ocasiões de golo criadas e daquela pontinha de falta de sorte já habitual na era VP, foi um jogo triste, aliás uma exibição miserável.

Pergunta: Este meio campo serve?

Resposta: Não. A vinda do Lucho fez aumentar os níveis de eficácia no passe e trouxe para o campo a Mística que faltava ao 11. No entanto, está em baixo de forma (e declínio na carreira) e como já escrevi aqui anteriormente, desaparece demasiadas vezes do jogo.

Mas o problema não reside na vinda do Lucho, pelo contrário, as principais críticas que aponto prendem-se com a gestão do plantel. Desde o Doriva em 1999 que se sabe que um jogador que demonstre insatisfação por não jogar é candidato a sair, mas mandar embora, a meio da época, os 3 Médios que fazem as 3 posições do meio campo portista é no mínimo arriscado. Bem sei que o Guarin é linguarudo, o Souza um bocado calão e o Belluschi gosta de jogar sempre, mas com o AVB havia lugar para todos e todos jogavam felizes e contentes.

Embirro com este Defour desde que vi os dentes dele pela primeira vez e, por muito esforçado que seja, não serve. Este fim de semana diziam-me o seguinte: “Mas olha que o Defour era a estrela do Standard!! Não era o Witsel!” mas a resposta é simples: “O Laurindo é o melhor médio do Atlético e eu não o quero para nada!!!”
Mas na verdade o Defour é o único médio disponível. Com a lesão do Fernando lá vamos ver o  Sub 17 Podstawski novamente na ficha de jogo.

Pergunta: Podemos nos queixar do árbitro?

Resposta: Nãoooooooooooooooooooooooo! Lá agora...
Já há muito que os adeptos do Porto não o podem fazer logo eu vou estar caladinho.
Vi e revi os lances dos penaltys (Mão do Ferreira no corte em carrinho aos 7” – Falta sobre o Hulk aos 56”) e fico com a sensação que ficaram por assinalar. E claro. O fora de jogo ao Hulk aos 45m. Não estou a reclamar, mas se há uma semana disse que preferia ganhar com um golo roubado do que ser prejudicado... este fim de semana fiquei eu com a azia.
Só para apimentar a coisa deixo um video com o titulo sugestivo: FC Porto Roubado...


Pergunta: Mas afinal? Estamos a jogar alguma coisa?

Resposta: Não... e esta é a verdade que doi mais...

Pergunta: Vou voltar a fazer um jantar com amigos e família em dia de jogo do Porto?

Resposta: Claro que sim!!!! Agradeço a presença todos os convivas e é com todo o prazer que os recebo em minha casa, mas meus caros, já chega!!! É sempre a mesma coisa... Para quando um jantar onde, no final do jogo, possa dizer o seguinte: “então agora que estes já “comeram 4 do Hulk”, vamos atacar as sobremesas?” A todos Obrigado!

Nota final:
Não posso deixar de dar os parabéns ao Pedro Emanuel... Empata com o Benfica e aparece no dia seguinte nos camarotes do Porto só para enganar os portistas. Os nossos adversários pensavam:  “Estes bandidos do Porto que na década de 90 emprestavam jogadores para se abrirem todos contra eles, agora emprestam treinadores só para tramar a malta. No dia seguinte a tirar pontos às águias vai buscar o cheque e garantir que daqui a 2 jornadas vai ser tranquilo” .
Nós pensamos: “Grande Pedro Emanuel! Veio festejar com a malta. Dia 10 de Março não vai ter coragem de repetir a gracinha”. Afinal repetiu...