29/02/2012

Uma pausa nos temas futebolísticos (ou nem por isso)





Quem acompanha o futebola3 com regularidade, perceberá com maior ou menor dificuldade os motivos de colocar neste post as fotos que encabeçam o mesmo. Comecemos, então, pelo princípio:
A primeira menina é relativamente fácil de adivinhar: trata-se da Miss Polónia, pois claro, de seu nome Rosalia Mancewickz. O Sporting, na passada quinta-feira, e com maiores dificuldades do que as esperadas, eliminou o Legia Warszawa da Liga Europa. Depois do afortunado 2-2 da primeira mão, um jogo fraco e cauteloso de parte a parte conduziu a um aborrecidísimo espectáculo (?) de futebol (??) em Alvalade. Valeu a incerteza no apuramento, que durou até ao minuto oitenta e tal, altura em que um livre meio achouriçado de Matias Fernandez acabou com as dúvidas. Duas notas a este propósito:
(1) Matias como alternativa a Elias é um disparate, Sá Pinto, para além de incumprir com os Dez Mandamentos, não usa a receita que lhe dei para jogar melhor futebol (Elias e Schaars + Matias, na Europa seria Rinaudo/André Santos/Carriço e Schaars + Matias)... a tudo acresce que começam a sair notícias de "propostas irrecusáveis" pelo chileno, pelo que antecipo disparate (saída por tuta e meia) em Junho - espero estar tão enganado nisto como estava na minha antevisão do que seria a classificação em Março;
(2) selvajarias e neonazis à parte, os adeptos do Legia que foram a Alvalade demonstraram ao público português o que são verdadeiros adeptos e o que é uma verdadeira claque...
A segunda menina seria mais difícil de adivinhar. Trata-se da Miss Russia, Natalia Gantimurova, uma homenagem a um jogador que poderia ter tido uma carreira bastante boa não fosse o azar com lesões: Marat Izmailov. Trata-se do jogador que mais eficácia tem nos remates de fora da área nos últimos 10 ou 15 anos de Sporting (antes dele só me recordo de Delfim, talvez...) e acaba de dar 3 pontos com um desses remates. Já ouvi dizer que Izmailov é uma espécie de Mantorras: joelho espatifado, só joga no Sporting porque não passaria nos testes médicos de qualquer outro clube, não vai sair dali até ao final da carreira. Por mim, não me importo nada. Ainda que só jogue 12 ou 13 jogos por época, e desde que o ordenado reflicta isso mesmo, é dos jogadores que indiscutivelmente tem qualidade para estar ali. Quanto ao jogo com o Rio Ave, duas breves palavras: não vi.
E a razão de não ter visto prende-se com a foto da última menina, Betta Lipcsei. Alguns poderão precipitar-se com a última frase e pensar que não vi o jogo por estar com a Betta; já os cromos da bola, em vez de apreciarem a Miss Hungria, estarão neste momento a tentar associar o nome da moça a um trinco que actuou no Porto na década de 90. Mas estão todos errados: não estava com a Betta, mas sim com a minha mulher, que é incomparavelmente mais bonita; e não coloquei a foto da Betta por ser familiar do Lipcsei (até pode ser, mas não investiguei o tema a fundo). A colocação da foto é, apenas, o meu singelo tributo a uma das mais fantásticas cidades do mundo, Budapeste, onde tive o prazer de passar este último fim-de-semana. Em Budapeste, não interessa o Sporting, ou o campeonato, ou a selecção. Também não interessa o Ferencvaros ou o Videoton (de Paulo Sousa e Caneira, por sinal). Interessam as colinas de Buda, a ponte Szechenyi, a Avenida Andrassy, a Praça Vorosmarty, o Danúbio e, claro, o Parlamento. Deixo-vos uma foto do último. Não tão bonito como a Betta, mas ainda assim merecedor das maiores atenções.
E venha o Setúbal para continuarmos a senda de vitórias!

26/02/2012

Vantagem desperdiçada

Optei por escrever este post já pela madrugada dentro pois se o fizesse logo a seguir ao jogo, a grande maioria das palavras ficariam certamente associadas ao baixo calão. Este impulso especialmente difícil de conter nos jogos em que muito está em jogo e em que as coisas não correm bem, são a razão pela qual tenho que estar mais atento ao calendário dos jogos fora e evitar ao máximo que coincidam com jantares em casa dos sogros... O Benfica tinha 5 pontos de vantagem para segurar, a duas jornadas do jogo mais importante da temporada de modo a enfrentar o rival com maior tranquilidade e confiança. Bastaram dois jogos para desperdiçar esta importante vantagem e, juntamente com a derrota na Rússia, abalar significativamente a confiança que se instalou no início de 2012.


O jogo não se afigurava fácil uma vez já se esperava uma Académica especialmente motivada para evitar que o Benfica saísse de Coimbra com os 3 pontos. Para aumentar a dificuldade, para além da ausência de Luisão, com a ficha de jogo percebemos que afinal Javi ainda não estava a 100% e que Rodrigo estava indisponível. Do mal o menos, Jesus não iria repetir o erro de jogar apenas com dois homens no meio-campo. Não sei se esta opção foi mais motivada pela indisponibilidade de Rodrigo ou pelo que foi óbvio para todos no jogo de Guimarães, mas pelo menos Witsel estava lá para acompanhar Matic e Aimar.


O Benfica dominou totalmente a primeira parte face a uma Académica que apenas se preocupava em bloquear os caminhos para a baliza de Peiser e que não causou o mínimo incómodo a Artur. No entanto as ocasiões foram muito escassas e apenas Aimar e Witsel com remates já na pequena área estiveram perto do golo. 


Para a segunda parte Jesus logo decidiu alterar o esquema táctico retirando Matic e lançando Nelson Oliveira no jogo. Logo nos primeiros minutos da segunda parte, os primeiros lances de grande perigo envolvendo o avançado português, pareciam estar a dar aprovação às mexidas efectuadas. Por outro lado, a Académica começou também a aparecer mais perto da baliza de Artur, com bastante espaço livre mas sem ser muito perigosa. O Benfica continuou a tentar chegar à vitória até ao final, teve 6 ou 7 ocasiões de golo mas a eficácia preferiu imitar o Presidente da República e também decidiu não comparecer. Sendo assim, um nulo no final e a elevada probabilidade de ter outra vez a companhia do Porto na liderança do campeonato.




Notas:
- Espero bem que Jesus mantenha a aposta em 3 homens no meio-campo até ao final do campeonato, preferencialmente Javi, Witsel e Aimar. Nos jogos em casa e contra adversários mais fracos (Beira-Mar e Leiria) se quiser jogar com o 4-4-2, dou de barato;
- Apesar do Benfica ter sido bastante mais perigoso na segunda parte não concordo com a alteração. Considero que o mesmo teria acontecido se Jesus se limitasse a tirar o cone que tinha na frente e o substituísse por Nelson Oliveira. A Académica não iria aguentar mais 45 minutos a correr atrás da bola e acredito que o Benfica acabaria por chegar ao golo. Para além disso, não obrigaria a um desgaste tão grande de Aimar e assim a ter que substituí-lo;
- Com a saída de Aimar e o desvio de Bruno César para o meio acabou-se o futebol encarnado. O chuta-chuta esteve péssimo como médio centro e custou-me ver que, até ao final, a única solução era bombear bolas da defesa para o ataque. Facilitou bastante a vida à Académica;
- Marcar cantos para um desvio ao primeiro poste são uma estupidez e muito raramente resultam. Os cantos curtos têm exactamente a mesma probabilidade de sucesso. Porque não acabar com as invenções e limitar-se a cruzamentos tensos para aproveitar a estatura de vários jogadores do plantel?
- Com Emerson, para além do seu futebol ser tão triste quanto a sua expressão, qualquer médio esquerdo sentirá sempre muitas dificuldades pois tem muitas vezes a pressão de dois adversários por força do brasileiro raramente causar desequilíbrios; 
 - Colocar jogadores novos como Djaló quando as coisas estão complicadas é quase sempre para queimar. Aproveitava também para investir num teste em túnel de vento pois parece que é o penteado do ex-Sporting que está a afectar a sua aerodinâmica e por consequência a velocidade;
- Nelson Oliveira precisa de confiança e não de um treinador que no final do jogo justifique o empate com a 3 ocasiões que desperdiçou (vá lá que não disse que tinha falhado mas que merecia ter marcado); 

25/02/2012

Mais do que ganhar

O Benfica está obrigado a ganhar em Coimbra para continuar a liderar isoladamente o campeonato e, desta forma, não chegar ao clássico com a moral (ainda mais) em baixo. Para que a diferença de confiança entre Benfica e Porto não fosse, por esta altura, ainda maior, o City lá tratou de encurtar a distância. No entanto, apesar da goleada, o impacto não foi assim tão grande já que os azuis não fizeram um jogo assim tão mau em Inglaterra, não contaram com o gajo que evita escrever Benfica no Twitter, e os golos só atingiram proporções maiores depois da expulsão de Rolando.
É óbvio que já me dava por satisfeito por uma vitória em Coimbra mas era importante que, já com Javi e com um meio campo a sério, o Benfica fizesse mais do que simplesmente ganhar mas conseguisse igualmente uma boa exibição. Seria a melhor forma de começar já a construir vantagem para o clássico, injectando moral e confiança nos jogadores, entusiasmando os adeptos e fazendo duvidar o adversário da capacidade em fazer um bom resultado na Luz. É necessário apagar qualquer vestígio da ideia convenientemente lançada pelo otário da Sport Tv de que o Benfica estava agora numa posição delicada. Tem que prevalecer a ideia precisamente contrária: temos dois pontos de vantagem e ainda vamos beneficiar do facto de jogar em casa!
Eu sei que a última época foi bastante traumática, mas é o Vítor Pereira que se vai sentar no banco e volta a não haver Danilo para o lado direito. Ok, ok, também não temos defesa esquerdo mas, se tudo correr bem e não chegarem lesionados das selecções, as nossas debilidades ficam por aqui! Por isso, ganhem com brilho à equipa de um dos treinadores candidato ao banco das Antas da próxima época e coloquem na cabeça de todos que, com o regresso do patrão do meio-campo, o Benfica das grandes exibições está de volta e pronto para o clássico!

23/02/2012

Post n.º 100

O Futebol a 3 chegou hoje ao centésimo post! 


Um agradecimento especial a todos os que nos acompanham e que ajudam a divulgar este blog. O crescimento que temos registado é o melhor estímulo para tentarmos acrescentar mais uns zeros a este número!



O Grande Cisma do Ocidente



O último Grande Cisma do Ocidente teve lugar no século XIV. Segundo consta, os Cardeais não acharam piada ao facto de o Papa eleito tratar a Igreja Católica como o Eng.º Rui Alves trata o Nacional da Madeira, pelo que escolheram outro Papa (o Antipapa), que colocaram em Avignon (onde, por sinal, o Papa anterior ao antepassado do Eng.º Rui Alves tinha também sido colocado a "convite" do Rei de França).
Agora, o Ocidente tem um novo cisma. Aliás, não é só o Ocidente... trata-se de uma divisão que pode ter consequências gravíssimas com repercussões universais. Aliás, nem sei se não deveríamos chamar a este o Cisma de Ocidente, Oriente, Norte e Sul, dadas as proporções do debate em questão.
E o debate é o seguinte: Elias (por sinal, nome do mais relevante profeta mencionado no Livro dos Reis, factor que pode contribuir, também, para dar ao debate repercussões bíblicas) é um grande jogador de futebol ou simplesmente um bom jogador brasileiro como tantas dezenas que por aí andam, que apenas vai à selecção porque, por mero acaso, se cruzou com o actual seleccionador brasileiro num momento em que estava em grande forma?
O mundo divide-se, meus caros amigos...
Para uns, Eliás é um jogador genial. Um super-craque que afasta da titularidade da selecção do Brasil nomes como Elano e Ramires. Um "volantji" que galga quilómetros, recupera inúmeras bolas, não falha um passe e ainda aparece à frente quando solicitado. Em suma, um Ferrari, que por acaso do destino foi parar às mãos de um Pedro Lamy, desculpem, Domingos Paciência.
Para outros, Elias é um jogador mediano. Naturalmente que "mediano" quando comparado com outros jogadores do seu nível. Não será mediano na Liga Portuguesa, evidentemente, onde está indiscutivelmente entre os 10 melhores meio-campistas da competição. Mas não mais do que um bom jogador. Um jogador muito disponível, é certo, que corre o jogo todo, é verdade, que está sempre posicionado no caminho da bola, pois claro, mas que raramente faz um passe de ruptura, raramente "pensa" para a frente, poucas vezes aparece a desequilibrar no ataque e com muita tentação para despejar bolas para a bancada.
Estas duas correntes mantêm um conflito em todos os mais relevantes teatros de guerra, desde o estádio à blogosfera, passando pelas almoçaradas e jantaradas e, claro, não esquecendo as inevitáveis roulottes. Medem-se forças, contam-se espingardas, inventariam-se arsenais (isto existe? o verbo "inventariar", no sentido de fazer o inventário, existe?), lançam-se argumentos e ameaças, fazem-se apostas. Os defensores do craque insultam com o olhar os conhecimentos futebolísticios dos detractores, os detractores fulminam com um riso de desprezo os defensores do craque. Os detractores pedem exemplos de classe e apontam o jogo da Luz como exemplo da vulgaridade, os defensores escudam-se no papel de menoridade dado em campo ao craque.
Eu, sem me querer envolver muito para evitar ter demasiado protagonismo nesta guerra, digo que Elias, desde que chegou, ainda não me convenceu. Nem para um lado, nem para o outro. Ainda não consegui perceber se estamos perante um grande jogador numa equipa mediana e mal treinada, se perante um bom jogador que vai à selecção do Brasil porque tem a confiança do seleccionador.
Mas sei de uma coisa: Elias, até agora, não fez um só grande jogo ao serviço do Sporting. Defensivamente tem estado bem, ofensivamente tem estado mal. Será que se trata de um médio defensivo e não um interior? Ou será que estamos perante um box-to-box? Quem me pode responder a esta questão? Aceito quaisquer palpites, não incluindo patacoadas do Freitas Lobo - depois disto dificilmente me convence do que quer que seja...
Por ora, e enquanto não fico esclarecido, aqui vai o meu bitaite: a precisar de ganhar jogos e não tendo Rinaudo, eu no lugar de Sá Pinto apostaria, no campeonato (porque na UEFA Elias não pode actuar) numa táctica algo amalucada semelhante à que sugeri para o jogo da Luz. Ao invés de um trinco posicional, eu usaria dois médios-centro com funções box-to-box (Schaars e Elias), alternando as subidas de um e outro no apoio ao ataque e com Matias solto na frente dos dois. No fundo, dois médios recuados, em que nenhum dos dois é o típico trinco, mas ambos têm "escola" de médio defensivo (Schaars afirma que jogava nessa posição na Holanda). Com ordens para se posicionarem lado a lado sem bola e, estando a mesma recuperada, com a obrigação partilhada de embalar a equipa para a frente. No fundo uma montanha russa com looping ao invés do carrocel do Jardim da Celeste que pusemos em prática no último jogo.
Não duvido que levemos no focinho algumas vezes, nomeadamente contra aqueles matreiros que põem 3 trincos em campo (usualmente oriundos de sítios fodidos como Freamunde, Gondifelos ou Folgosa onde quem partir menos de 2 pernas por semana é sovado pelo velho mais desdentado do Café Central) mais dois galgos daqueles clássicos do futebol português (quem não se lembra de um Rebelo, de um Fua, de um Vítor Vieira, de um N'Tsunda e de tantos, tantos outros a que os jornalistas da RTP Porto se referiam como as "gazuas" que tinham aberto a defesa contrária) e um zuca chamado Merdílson, vindo do Asa de Arapiraca e que corre os 100 metros em menos de 10 segundos (à imagem de um Wanderlei, de um Demétrios, de um Dino!).
Mas, caro Sá, até que me (e te!) respondam à pergunta que fiz sobre Elias, peço-te que arrisques, pá! Até lá que a paz se mantenha entre as duas facções em disputa.
E venha o Legia para continuarmos a senda de vitórias!
PS: Ao lembrar-me de Rebelo, Fua, Vítor Vieira e N'Tsunda lembrei-me deste maravilhoso blog, que é do melhor e mais divertido que temos na blogosfera lusitana. Não percam.

21/02/2012

Missão falhada em Guimarães

Jorge Jesus provoca-me um misto de sentimentos contraditórios que faz com que não consiga estabelecer definitivamente na minha cabeça se o considero ou não como o treinador que o Benfica precisa. Por um lado, tem a capacidade de colocar a equipa a jogar um futebol vistoso e de grande qualidade, conseguindo ainda valorizar significativamente muitos dos jogadores que tem no plantel mas, por outro lado, define tácticas e jogadores pouco adequados para alguns adversários, lê muitas vezes de forma errada o que se está a passar em campo e sofre de uma teimosia que não lhe permite aprender com os erros. Nesta balança que ainda não consegui perceber para que lado pende, este jogo foi claramente para juntar ao prato da avaliação negativa. 


Até compreendo que o Benfica jogue com dois avançados quando joga em casa contra equipas que defendem muito perto da sua baliza, mas para jogos fora e sobretudo contra equipas mais competitivas, definitivamente que não! Ainda para mais, depois de uma jornada europeia de grande desgaste, jogando contra um Guimarães que tem vindo a recuperar várias posições na tabela classificativa e, mais relevante ainda, não contando com o contributo de Javi Garcia. Para jogar com Cardozo e Rodrigo, no mínimo teria que colocar Witsel no lugar de Aimar, embora a minha preferência passasse por Matic, Witsel e Aimar no meio, com Rodrigo na frente.


Apesar de ter assumido o domínio do jogo na primeira parte, o Benfica apenas teve uma ocasião de golo por Nolito num canto estudado e um remate perigoso por Gaitán, sendo que Nilson nem teve oportunidade de fazer as grandes defesas que gosta de repetir contra o Benfica. O futebol do Benfica foi demasiado lento e previsível e Aimar esteve demasiado sozinho no meio-campo. Para agravar este cenário, o Vitória ainda conseguiu chegar ao golo através de uma bola parada quando pouco ou nada tinha feito para o justificar.


Para a segunda parte Jorge Jesus não quis deixar ninguém no balneário mas ajustou o plano recuando Aimar e Rodrigo no terreno. As alterações tiveram alguns efeitos positivos, mas não tantos quanto os necessários. Apenas me recordo de uma clara ocasião de golo através de Nolito.


Algumas notas a reter:
- neste jogo o Benfica não conseguiu aproveitar as inúmeras bolas paradas que teve (incluindo 12 cantos) e ainda sofreu um golo numa bola parada;
- Matic voltou a ter uma actuação abaixo do que era necessário e ainda deixou Toscano rematar para o golo;
- tenho que fazer um esforço enorme para recordar os lances em que Cardozo participou. Passou completamente ao lado do jogo;
- ficámos a saber que Emerson faz passes certeiros de longa distância. Infelizmente são todos atrasos na direcção de Artur. O envolvimento em jogadas de ataque é mais do que sofrível;
- as substituições de Bruno César e Nelson Oliveira a 5 min do fim foram óptimas para quebrar o ritmo.





No final, primeiro jogo da época em que o Benfica não marcou qualquer golo, primeira derrota no campeonato e vantagem sobre o Porto encurtada para apenas dois pontos. Considerava importante chegar ao jogo com o Porto com um discurso de antevisão da partida inovadora para os lados da Luz "Aconteça o que acontecer, após os 90 minutos continuaremos em primeiro", mas tal já muito dificilmente será possível. Ainda para mais, receio que se crie a ideia de que o Porto, com os reforços de Janeiro, esteja agora muito mais forte ao mesmo tempo que a moral e confiança do Benfica e seus adeptos fica seriamente afectada. Talvez a equipa do sheik consiga colocar a moral de Benfica e Porto em níveis semelhantes...


Esta é daquelas vezes em que não queria mesmo ter razão mas os meus receios acabaram por se confirmar. O tal ciclo decisivo de jogos não começou nada bem com meia derrota na Rússia e uma por inteiro em Guimarães. Para manter o cenário com que me dava por satisfeito precisamos de vencer os próximos 3 jogos enquanto que os serviços mínimos passam agora por manter o primeiro lugar sem companhia.

20/02/2012

Um hábito que se quer de volta

Não é fácil admitir... Preferimos sempre dar aquela imagem de grande confiança, de crença inabalável, de que não nos passa outra coisa pela cabeça que não seja a vitória. Dá até a sensação de que o nível de amor e entrega de um adepto ao clube é muitas vezes avaliado pela certeza com que prevê mais uma conquista. Pois bem, eu assumo que os meus receios são maiores do que os meus níveis de confiança para este ciclo absolutamente decisivo de jogos que teve início contra o Zenit. 


Não tem tanto a ver com a qualidade dos jogadores, decisões do treinador ou mesmo competência dos adversários mas mais com a ausência de uma dinâmica de vitórias. Dinâmica esta que não assenta meramente nos últimos jogos realizados mas que se adquire com a conquista de campeonatos.E não é com um campeonato há dois anos, ou dois campeonatos em cinco anos ou três campeonatos em dezasseis anos que se consegue ganhar o, muitas vezes evocado, estofo de campeão. Não vou entrar em temas como os esquemas da fruta ou os dirigentes que passaram nas últimas duas décadas pelo Benfica que justificam, em larga medida, o insucesso desportivo registado num passado recente. Vou incidir sobre o que permite criar este estofo de campeão que é, de facto, o hábito de conquistar títulos regularmente e até consecutivamente (é necessário recuar até 82-84 para encontrar os últimos títulos consecutivos no campeonato).


É isto que, para mim, está a faltar ao Benfica e que urge resgatar da década de 70. Como era o ambiente e confiança por esta altura, não me resta outra alternativa que não seja a de tentar imaginar induzido pelos vídeos e relatos existentes ou conversas com quem teve a felicidade de presenciar. Quando comecei a ir, pela mão do meu pai religiosamente para a porta 13 do antigo Estádio da Luz (e muitos minutos antes da hora do jogo de modo a ainda apanhar os melhores lugares das desconfortáveis bancadas de pedra) assistir aos jogos do Benfica, já nem sequer fui a tempo de presenciar dois campeonatos ganhos consecutivamente. É assim desta forma que justifico que os meus receios falem mais alto nesta fase do campeonato. As últimas duas décadas foram demasiado penosas e depois de ver tantas vezes tudo a correr mal, não consigo acreditar com grande facilidade que tudo vai correr bem.


Daí que não tenha conseguido conter, quando o Benfica perdia já por 2-1 em São Petersburgo e o Zenit teve um lance de perigo, um "Porra, não me digas que vai começar agora (nesta fase da época) uma derrocada do Benfica !". Nem sequer estava a ser razoável face às condições em que o jogo se realizou e por 2-1 não ser, na altura, um resultado assim tão mau, mas acabam por ser as experiências recentes a toldar a razão. Na última época, depois de uma fase em que foram vitórias atrás de vitórias numa sequência incrível, os pesados desaires com Braga e Porto derrubaram tudo o que de bom se estava a projectar. Mesmo quando tínhamos uma das melhores equipas e o melhor futebol de que me lembro, não tivemos sequer a capacidade de empatar o jogo (que era o suficiente para despoletar a festa de campeão) na casa do principal adversário que jogava apenas com 10. E é aqui que considero que esta dinâmica se estende aos adeptos: é óbvia a diferença de quem enche o estádio para ajudar a evitar que o principal rival festeje na sua casa e de quem não o consegue fazer o mesmo na época seguinte, nem tão pouco para o jogo da 2ª mão da Taça depois de ganhar 2-0 nas Antas (estava nos dois jogos e ainda hoje fico indisposto só de recordar!). Acredito até que a onda vermelha do ano do título só foi tão forte porque, para além do grande futebol, o adversário directo era "apenas" o Braga. Ou seja, não é uma questão de ter melhores ou piores adeptos, apenas quem está mais habituado a que as coisas corram bem, acabam naturalmente por acreditar com maior convicção que assim continue a acontecer. 
Posto isto, resta-me esperar que o Benfica entre no jogo de Guimarães com a motivação e concentração que o jogo exige, sabendo inclusivamente que poderá ter que jogar contra algo mais do que onze jogadores (tipo ter um árbitro que começa por X), e assim regressar a casa com mais 3 importantes pontos. Estivesse mais habituado a ganhar e pediria 3 vitórias nos próximos 3 jogos mas como assim não tem sido, já me dava por satisfeito por manter os 5 pontos de vantagem depois destes 3 jogos. Acredito que se um destes cenários acontecer, estamos em condições de arrancar de forma decidida para o título e para um hábito de ganhar que ficou perdido quando ainda dava pinta jogar de bigode e com calções a imitar mini-saias. Se não acontecer, não deixarei de estar no estádio na esperança que, pelo menos na última jornada, se adicione uma 33ª taça de campeão nacional que apesar dos estragos à saúde, não deixará de ser festejada da melhor forma.





19/02/2012

A história não se repete


A caminho do jogo, não pude deixar de me lembrar que, no ano passado, tivemos um jogo mais ou menos nesta altura precisamente contra o Paços de Ferreira. Nesse jogo, o Paços fez uma grande exibição e ganhou 3-2, mas reconheça-se que aconteceu tudo a Paulo Sérgio: o 1-0 é o primeiro golo da carreira de um central chamado Samuel (de que nunca mais ouvi falar), num remate a 35 metros da baliza que entrou no ângulo; o 2º é um penalty inexistente, na altura convertido não me lembro por quem; e de cada vez que empatávamos o jogo, sofríamos novo golo logo de seguida (o último um golão de Pizzi). É claro que, no jogo jogado, o Paços fez um jogão e mereceu ganhar. Mas com um pouquinho mais de sorte, o Sporting até teria ganho o jogo.

Ontem à noite, quando Michel, por volta dos 10 minutos de jogo, se isolou e ficou completamente sozinho na cara de Patrício, pensei sinceramente que poderíamos ter uma reprise do jogo do ano passado. Mas não foi assim. Michel falhou escandalosamente. E a partir daí o Paços jogou pouco, o Sporting jogou muito pouco, o redes do Paços não fez uma defesa digna desse nome (excepção feita ao penalty de Wolfsvinkel), beneficiámos de um auto-golo que nos deu a vantagem e os 3 pontos e, depois disso, Patrício defendeu tudo o que havia a defender. Mais dois pontos na contabilidade de Patrício. Se bem me lembro, já vamos em 5. E ninguém se atreva a deduzir 1 ponto pela derrota na Madeira: com o banho de bola que levámos, seria um jogo para perder mesmo sem o frango que dá o 1º golo.

Em suma, a história não se repetiu, mas apenas porque as circunstâncias do jogo foram diferentes. Já os erros, esses, foram os mesmos. Esperemos que contra o Legia Ricardo Sá Pinto não cometa o erro que cometeu Paulo Sérgio o ano passado contra o Rangers: esperar para ver o que dá o jogo em virtude de trazermos vantagem da 1ª mão. Espero que Sá Pinto ponha a equipa a ir para cima dos polacos, assegurando um resultado que permita gerir o jogo sem grandes sobressaltos. Já que a época não dá nada até ao dia 20 de Maio, ao menos tenhamos a possibilidade de ver a jiga-joga contra o City. É o mínimo que podemos exigir...

Temo, porém, que assim não seja: a grande desvantagem de estarmos sempre a mudar de treinador é precisamente a de vermos constantemente repetidos os mesmos erros, simplesmente porque, como em tudo na vida, só os nossos próprios erros nos ensinam verdadeiramente o caminho. E custa-me, sinceramente, que desde 2004/2005 o Sporting tenha sempre escolhido treinadores que vêm para Alvalade aprender a treinar. Pode ser que Sá Pinto me surpreenda; mas confesso que, neste momento, e depois do que jogámos ontem, não deixo de considerar a possibilidade de Sá Pinto ainda ter muito para pedalar e aprender, a começar já no jogo contra o Legia. A sorte não vai estar sempre do nosso lado, caro Sá Pinto. Precisamos de ir procurá-la e tudo fazer para a encontrar.

Não termino sem deixar algumas notas positivas e negativas sobre o jogo de ontem:

Pela positiva: Rui Patrício, sempre muito bem; João Pereira e Pereirinha, na 2ª parte, a levar o jogo para o meio-campo do Paços; a última meia-hora de Elias (não sei onde andou na primeira hora); e a entrada aguerrida de André Santos.

Pela negativa: quase tudo o resto. A equipa jogou sempre mal e para trás, tentando trocar a bola de primeira em zonas onde isso nada de positivo trazia. E os jogadores estiveram quase todos desinspirados. Não posso deixar de destacar dois nomes: Polga, um habitué, fez uma grande dobra ao central com menos de 1,90m mais lento do mundo (Carriço), para logo de seguida oferecer um golo que, por mero acaso, não entrou; Rinaudo, que não costuma estar aqui referido, fez um jogo miserável, sempre virado para trás e com o plus de se ter distraído numa recepção de bola porque estava a discutir com... Polga.

Enfim, não vejo grande futuro nisto...

Mas que venha o Legia para continuarmos a senda de vitórias!

PS: Só agora reparei que num comentário ao post sobre o diário de Domingos, o meu amigo Gorbyn me pede para comentar a arbitragem do Nacional-Sporting. Caro Gorbyn, como sabes tendo a não justificar maus resultados com arbitragens; por isso mesmo, faz-me confusão ver os adversários a fazê-lo, ainda para mais nos termos em que o Caixinha o fez, esquecendo que na primeira parte, sem erros de arbitragem, estaria 0-2 e a eliminatória arrumada. Ou seja, uma vez que não relevo quandos os responsáveis do Sporting justificam resultados com arbitragens, certamente compreenderás que ligo pouco ao facto de os adversários, ainda para mais os Caixinhas da vida, justificarem com arbitragens resultados negativos nos jogos contra o Sporting. Um abraço (e parabéns pelos 6 meses do Nolito!)

PS2: Também a propósito do Nacional-Sporting, gostava de dizer que como é óbvio já reparei que nalguns blogs (designadamente benfiquistas) andam a tratar a Taça de Portugal como a Taça Pedro Proença. Sinceramente, e se me permitem os prezados lampiões que o fazem, demonstra um lamentável mau-perder de quem normalmente acusa os outros de serem anti-isto e anti-aquilo; e revela, num momento em que poderiam limitar-se a passear a superioridade que efectivamente têm, um anti-sportinguismo primário e incompreensível perante um adversário que não oferece perigo ou resistência. Eu trato a Taça da Liga por Lucílio Baptista porque a perdemos, numa final que disputámos, e que teríamos ganho não fosse um lance inventado a 10 minutos do fim para salvar a época a um espanholito que, ainda para mais, foi escorraçado no final sem dó nem piedade (se fosse para o manter e vir o JJ para nós, ainda vá; agora assim não tem mesmo graça nenhuma!). Fosse qual fosse o adversário, o meu deboche seria o mesmo. Agora, uma coisa é certa: não sei, nem me interessa, como o Benfica ou o Porto atingiram as finais que o Sporting nem sequer disputou...

16/02/2012

Sorte de principiante?


A neve abençoou o início de Sá Pinto: quando estávamos mais próximos de fazer o 2-1 do que o Legia e ninguém via como é que os polacos iam sequer sair do seu meio-campo (louve-se a pressão dos avançados e do meio-campo, trabalho que, convenhamos, não foi feito apenas nestes dois dias), o novo treinador do Sporting tira Carrillo, mete André Santos, recua a equipa e, em consequência, passa a mensagem errada para os jogadores, que automaticamente deixaram de jogar e deram a iniciativa ao adversário. A dois minutos do fim, cai-lhe do céu um golão do médio que Domingos raramente utilizava.
Amanhã, as parangonas vão dizer que Sá Pinto resolveu do banco, uma vez que Carriço marcara o primeiro golo, ele que Sá Pinto fizera entrar para o lugar de Schaars (assumo que por lesão). Pois eu acho que para o lugar de Schaars devia ter entrado André Santos; e que no final do jogo, quando estava ainda 1-1, deveria ter entrado Evaldo, adiantando-se Insua para extremo. Não foi assim, mas Sá Pinto teve sorte. Ainda bem.
Três notas positivas a reter: equipa mais agressiva, Matias como "maestro", como sempre (humildemente) defendi e uma nova atitude no banco. Que se mantenha assim.
Três notas negativas: pouco arrojo nas substituições ao intervalo (a perder 0-1); quis defender o 1-1, quando o Sporting é incomparavelmente superior a este Legia e podia facilmente arrumar com a eliminatória na Polónia; e quis parar o jogo demasiado cedo, "matando" o jogo ofensivo da equipa quando ainda faltava muito para o fim do jogo e num relvado em que seria impossível controlar o jogo em posse de bola.
Hoje, Sá Pinto teve a sorte que faltou a Domingos noutras ocasiões. Esperemos que perceba isso e aprenda com os erros cometidos, ao invés de pensar que foram as suas substituições a empatar o jogo.
Entretanto, e para a segunda mão, se jogarmos assim apuramo-nos nas calmas. Conviria, no entanto, começar a dar minutos a Diego Rubio (coisa que Domingos não fez...) uma vez que Wolfsvinkel não sai do marasmo em que entrou desde aquele terrível jogo de Coimbra.
E venha o Paços para continuar a senda de vitórias!

Praga 4 dias/3 noites

 O que tem isto a ver com futebol. Pouco... É apenas um retrato do que foram os meus últimos dias e de como o futebol em Portugal esta mais rápido do que as ligações de internet na Republica Checa.

Domingo. Saio de Portugal a 8 pontos do Benfica e com a incerteza no meu coração. Será o Porto capaz de jogar bem 2 jogos seguidos? Será a exibição um bom tónico para o City? Os reforços mantém o ritmo?
Chego e vejo o resultado de 4-0 que tem tanto de animador como de enganador. Sorri, senti que era o resultado que estávamos as precisar e pensei que tinha feito bem em deixar o jogo a gravar para analisar mais tarde.
Se o jogo da taça da liga era como um jogo de apresentação dos novos jogadores aos sócios e onde tudo correu bem, o jogo com o Leiria era bem diferente. Assumidamente a jogar na defesa do 0-0, a equipa de Cajuda ia se tornando um osso duro de roer a cada minuto que passava. Vítor Pereira optou por colocar Varela no lugar que é de James. Se estava a poupar o jogador não poupou os adeptos de 60 minutos de sofrimento, nem poupou Varela de uma assobiadela ao intervalo. Inventa VP!

Segunda-Feira. Onde é que estavas quando o Domingos foi despedido?
Depois de reuniões o dia todo fui servido com a demissão do Domingos ao jantar. Não acreditei e bebi uma Pilsner. Os clientes estão a gostar da conferência e ambientam-se bem em Praga. Passada uma hora sou informado que o substituto seria Sá Pinto. Sorri e bebi outra Pilsner. Penso que é o álcool que me esta a fazer delirar ou então foi o Godinho (ou quem manda no Scp) que bebeu uns canecos.

Terça-Feira. É mesmo verdade.
Neva lá fora e penso nos adeptos do Benfica que vi no aeroporto a saída para aqui. Sentia se alegria nas suas expressões e uma confiança inabalável. Lembrei-me do que sentia no ano passado e a nostalgia tomou conta de mim.
Nas notícias online não se fala no Porto. Domingos demitido ou demitiu-se? Porto na jogada? Fui a melhor fonte que conheço e li no futebola3 o que o Koba tem a dizer. Conclusão: no Scp está tudo a nora e ninguém está satisfeito.

Está frio. Reuniões, reuniões, reuniões. Estratégia, Estratégia, Estratégia. Um jantar de gala num Palacio em Praga e um desfile da Vitoria Secret no Cloud 9 (bar no último andar do Hilton em Praga) para terminar a noite. Sorri e não pensei mais em futebol até me deitar.
Quarta-Feira. Estou preocupado com a falta de notícias do Porto.
Dou uma vista de olhos no telefone para ver as notícias online e vejo que PC acha um erro a saída de AVB. Mau... falar de treinadores nesta altura? Será que VP ta de saída? Domingos? Então e o Léo Jardim que tinha ido para Braga para ganhar experiência ? AVB? Pedro Emanuel ? Ligo para casa a perguntar se o VP esta bem? Em casa ninguém sabe quem é o VP.
Sorri e sigo com os clientes para a conferência. Os clientes são todos do Benfica e todos educados. É dia de regresso mas com um temporal de neve no centro da Europa nem sei se consigo regressar. Continuo este post no taxi com vontade de falar de bola. O taxista não sabe nada sobre o futebol português sem ser que nos ganharam em 96 com um chapéu do Poborsky ao Baia. Não sorri e não dei gorjeta.

Saldo positivo de Praga. 

1. Benfica a gelar em A. Petersburgo e de lá só espero que gele também o génio do Aimar pelo menos até meados de Março. Arredonda para Abril. É mais seguro pois esse argentino esta impossível de aturar.
(Ps. Estou a escrever este texto antes de aterrar em Lisboa e nem sei o resultado do jogo dos encarnados. Sao 20.20 e espero que tenham ganho. Editado às 0h36. 3-2 é um bom resultado...)
2. Sá Pinto como treinador do Sporting. A última vez que promoveram o treinador dos juniores ganharam umas taças e super taças. Os dirigentes do Scp optaram por não correr riscos para Maio
3. Nao se fala do Porto na imprensa... Isso normalmente é bom. Significa que ou estamos a frente ( o que não é o caso) ou Vitor Pereira tem andado calado. De qualquer das formas é bom.
4. A colecção da Victoria Secret deste ano esta divinal.

Um abraço desde Praga, onde estavam -5 mas na realidade nao se sentia mais do que -2 :)

Dieko (mas escreve-se děkuji)



15/02/2012

Brindes com brinde se paga

Tentar fazer um comentário a este Zenit - Benfica deverá ser mais ou menos a mesma coisa que analisar a performance de carros de grande turismo numa etapa do Dakar. A temperatura, por si só, já seria bastante limitadora do desempenho dos jogadores, mas quando chegamos ao estado de relvado então é que qualquer análise perde quase todo o sentido. Esqueçam lá o discurso de que as condições são iguais para as duas equipas porque essa é uma mensagem que se dirige apenas para o balneário. É um pouco como o que acontece com as grandes selecções que defrontam a Bolívia a grande altitude e que, de repente, parece que não sabem jogar ou que não têm força. Quem está mais habituado a jogar com condições atípicas obviamente que ganha vantagem.




Estava convencido que Jesus iria jogar com apenas Rodrigo na frente mas, talvez por força do péssimo relvado, terá optado por dois avançados pela necessidade de jogar um futebol mais directo. Assim, também deixou um Nolito que privilegia a técnica para optar por um Bruno César com mais capacidade física. O Benfica estava bem no jogo, sem deixar o Zenit dominar e acabou por chegar à vantagem com o primeiro brinde do habitual guarda-redes suplente Zhevnov. O Benfica foi incapaz, apesar da temperatura, de congelar a reacção do Zenit e permitiu que se criasse grande perigo junto à baliza de Artur. Nesta fase, e aqui abdico completamente de tentar analisar este ponto com toda a racionalidade, em muito contribuiu a ausência de Rodrigo por força da falta cometida pelo último de uma série de animais que o canil de defesas centrais das Antas gerou. Vamos esperar que esta lesão não afaste o jogador em melhor forma do momento para este ciclo absolutamente decisivo de jogos que hoje teve início. Assim, o Zenit conseguiu chegar ao empate e o jogo foi assim para o intervalo.


Na segunda parte o Zenit esteve melhor, conseguiu segurar mais a bola e, num lance que parecia perdido, dois grandes pormenores e um cruzamento colocaram a equipa de São Petersburgo em vantagem. A partir daqui foi um jogo à distrital, com muito pontapé para a frente e fé em Deus e sem grandes motivos de interesse. Até que numa subida e cruzamento de Emerson (sim, leram bem, de Emerson) a bola sobrou para Gaitán que falhou incrivelmente o remate mas que ainda teve pior resposta de Zhevnov que permitiu o empate a Cardozo. Quando já se pensava que o Benfica viria com um bom resultado da arca congeladora russa, Maxi decidiu retribuir a hospitalidade do guarda-redes russo com uma oferta encarnada. No final, derrota por três bolas a duas mas tudo em aberto já que basta suplantar na Luz, com um relvado decente e com temperatura acima de zero, o meio golo de vantagem do Zenit.


Embora, pelos motivos que indiquei no início do post, não seja inteiramente justo estar a avaliar a prestação individual, Matic esteve longe do desempenho de Javi (no primeiro golo fiquei com a sensação que falhou a marcação) e do lado esquerdo, só se aproveitou mesmo o lance do golo. Maxi esteve muito bem e só foi pena aquela falha já no final.


Com estádio cheio e um Benfica na linha do que nos habituou nos últimos jogos acredito sinceramente que passaremos à próxima fase desta competição.

14/02/2012

As motivações de um "despedimento" - COM ADITAMENTO

Ponto prévio: critiquei aqui Domingos muitas vezes. Mais no início da época do que recentemente, mas fui sempre deixando uma crítica aqui e ali. Irritava-me a obsessão com João Pereira (viu-se que Arias não é mau jogador), a instabilidade no centro da defesa, a incapacidade para encontrar uma alternativa perante a perda de Rinaudo e, depois, de Carriço, a insistência com Matias fora da sua posição, a falta de oportunidades a Rubio. Todavia, ao contrário de um adepto do Porto que critica Vítor Pereira, as minhas críticas destinavam-se apenas a salientar o que me parecia estar errado e não a pedir a cabeça do treinador. Compreende-se a diferença: no Sporting, estávamos a construir uma equipa; no Porto, está-se a disputar um título com uma equipa feita. No primeiro caso, exige-se paciência; no segundo, exigem-se resultados.

Isto dito, queria analisar os motivos que andam por aí para o "despedimento" (?) de Domingos:

1. Resultados abaixo das expectativas

Este argumento é uma falácia. O Sporting não ganha um título desde a Supertaça relativa à época 2007/2008. A partir de então, acompanhando o progressivo decréscimo de qualidade do seu plantel, foi baixando o seu nível de competitividade, tendo sido afastado ingloriamente cedo de todas as competições em que participou. Este ano decidiu-se construir um plantel do 0 e assumir publicamente que apenas queríamos encurtar distâncias face a Benfica e Porto. E, neste momento, o Sporting está, no campeonato, semelhante ao que se encontrava no ano passado (mas o campeonato ainda não acabou e vem aí o ciclo equivalente ao de Outubro e Novembro que nos permitiu fazer um pleno de vitórias até ao jogo da Luz); e está afastado da Taça da Liga (que, convenhamos, não interessa puto, a não ser para rodar jogadores - esse sim um erro de Domingos, mas que obviamente não justificaria um despedimento). Mas está na Liga Europa com boas possibilidades de melhorar a carreira do ano passado ("basta" eliminar o Legia) e está na final da Taça, que disputará com a Académica (seja qual for a circunstância ou o treinador, o Sporting é super-favorito, até porque desde 78/79, com o Boavista, o Sporting não perde uma final disputada com um clube que não um dos rivais).

Conclusão: os resultados não eram fantásticos, claro que não, mas estamos na Final da Taça e só depois do ciclo "fácil" podemos avaliar se vamos ficar, ou não, mais longe ou mais perto de Benfica e Porto e em condições de disputar, ou não, o 3º lugar.

2. As lesões

Este argumento seria válido se conseguíssemos comprovar que há responsabilidade do treinador ou da sua equipa técnica. Segundo consta, o preparador físico que acompanha Domingos é fraco e será responsável por um sem-número de lesões musculares, o que aliás já acontecia em Braga. Teria, aliás, sido proposto a Domingos correr com o preparador físico e Domingos não terá aceite. Bom... Se nos recordarmos do trajecto de Domingos em Braga, é verdade que houve algumas lesões musculares. Mas também é verdade que na eliminatória que opôs o Braga ao Benfica na Liga Europa, o Braga respirava força e saúde, ao passo que os jogadores do Benfica nem um sprint conseguiam fazer. E o Braga, recorde-se, tinha começado a temporada um mês antes devidos às pré-eliminatórias da Champions (e tinha sofrido exactamente o mesmo desgaste que o Benfica na Champions). Ou seja, eu, que nada percebo disto, diria que os jogadores do Braga estavam muito bem preparados fisicamente, ao ponto de terem feito um final de época com grande frescura física. Parece-me, pois, que só com uma base argumentativa muito mais detalhada poderíamos pegar por aqui. E não vejo ninguém no Sporting com capacidade para avaliar este tema melhor do que o treinador...

Conclusão: não vejo quem, no Sporting, pudesse ter qualificações para aferir da maior ou menor qualidade da preparação física, pelo que este argumento me parece também falacioso.

3. Falta de liderança

Outro argumento complicado de comprovar. Aqui, só posso admitir que tenham sido os capitães de equipa a falar com os responsáveis sobre temas que simplesmente não transpareceram para os jornais. Caso contrário, não vejo qualquer evidência clara de falta de liderança. Houve o caso Bojinov, mas pareceu-me mais um tema de teimosia de um jogador do que de falta de liderança do treinador (ainda este ano se viu Mourinho a perguntar a Karanka "quem disse que o Sergio Ramos marca penalties?" e não foi colocada em causa a liderança de Mourinho). Mais: trata-se de um tema de liderança dentro do campo e não fora dele. E dentro do campo, acho que não podemos pedir a Domingos que invente um capitão de equipa. Aliás, nem a Vítor Pereira o podemos pedir, de tal forma que PC teve que ir buscar Lucho para a função. Não é capitão quem quer ou acha que pode, é quem tem capacidades para tal. Na minha opinião, o Sporting não tem um verdadeiro capitão de equipa desde Oceano (Barbosa era expulso demasiadas vezes, por exemplo). Isso não é culpa de Domingos, é culpa de quem deixou cair todas as referência do clube sem assegurar uma continuidade. E já vem de muito, muito longe...

Conclusão: não vi um só momento em que se demonstrasse que Domingos não liderava o balneário; quanto a liderança dentro de campo, não é a Domingos que se pode imputar a falta dela.

4. Postura do treinador

Aqui gostaria de dividir em dois temas:

a) Postura nos jogos

Eu não gostava da postura de Domingos nos jogos. Variava entre o borrado e o apático. Mas esta imagem deveria ter sido mudada (de preferência com a ajuda de profissionais de imagem) logo no início. Uma postura confiante é essencial, concedo. Mas de duas uma: ou Domingos não a tem de todo e se isso é essencial não deveria ter sido contratado; ou tem-na mas precisa de uma liderança forte que faça essa confiança vir à tona. Em qualquer dos casos, não foi Domingos que falhou. Isto não invalida que eu considere inaceitável que comente para o banco, depois de Ribas falhar uma bola fácil, "este gajo não acerta numa puta duma bola". Para mim, seria um motivo muito válido para uma chamada à pedra. Mas, percebe-se agora, já aconteceu numa fase em que tinha o destino traçado. Pode, eventualmente, ter sido a gota de água. Ok, aceito. Só não vejo como é que o copo já estava cheio.

b) Postura perante a comunicação social

Domingos sempre falou demais. A história com Hugo Viana foi lamentável. A lamechice da ida de Djamal para Braga simplesmente calimérica. Mas nunca ninguém o calou, nunca ninguém o orientou e nunca ninguém lhe corrigiu a rota. Falha claríssima da política de comunicação do clube. A participação naquele fórum onde disse que os jogadores chegaram a conta-gotas e sei lá que mais é inacreditável. Mas num clube onde a comunicação é péssima, não queiram fazer de Domingos o bode expiatório.

Conclusão: a comunicação do Sporting é um desastre. Domingos, mais do que culpado, foi vítima dessa miserável política comunicacional.

5. Contactos com o FCP

A ser verdade o que se diz por aí, é claríssimo motivo para despedimento. Mas demonstra a ingenuidade de quem contratou Domingos. Era evidente que Domingos, se a época corresse mal a Porto e Sporting, era forte hipótese para o FCP no próximo ano. Aliás, aquando da saída de Villas-Boas, sorte (?) foi que Domingos tivesse já sido apresentado, caso contrário neste momento estaria no FCP. Todos o sabíamos. E todos sabemos que enquanto o Sporting não assumir a força que tem (porque a tem, falta só acreditar que a tem!!!) e não der uma volta de 180º na sua postura, na sua comunicação e no seu rendimento, vai ser, nestas situações, um joguete nas mãos de Porto e Benfica, especialmente do primeiro. E nem me invoquem o portismo de Domingos como razão para tal: alguém acredita que Jesus, assumido sportinguista, viria a correr para Alvalade à primeira oportunidade? Claro que não, quer ficar no Benfica e ganhar títulos, não quer vir para Alvalade para ser corrido ao fim de 6 meses...

Conclusão: motivo para despedimento, sim; mas, caramba, quem não sabia já disto desde o primeiro momento? Era uma questão de ter anunciado uma renovação com Domingos por mais 1 ano a seguir ao jogo com o Gil Vicente e por uma cláusula de rescisão de 15 milhões, para mandar uma mensagem clara lá para cima: daqui, não levas nada... Se Domingos não aceitasse, aí sim, conviria ponderar o despedimento.

Em suma, se não houve contactos com dirigentes do Porto, não vislumbro fundamentos visíveis para o despedimento. Pode ser que entretanto saiam mais informações que ajudem a explicar o que se passou. Por ora, fico com muitas dúvidas.

ADITAMENTO

Após terminar e lançar este post, recebi um telefonema. Uma fonte relativamente segura (mas também todos sabemos que estas fontes "relativamente seguras" podem não ter acesso a toda a informação...) garantiu-me que o despedimento de Domingos foi efectivamente causado pelo motivo indicado no ponto 2. Perante a pressão de diversos elementos da "estrutura do futebol" (seja lá isso o que for), Godinho Lopes tentou forçar Domingos a deixar cair o preparador físico (cujo nome nem sei...). Domingos recusou-se e começou aí um braço-de-ferro que acabou no despedimento. A ser verdade, louve-se a atitude de Domingos, que não deixou cair um membro da sua equipa para se salvar. Só lhe fica bem. Mas demonstra também que a vontade que Domingos e responsáveis do Sporting (especialmente estes) tinham na continuação deste percurso não era muita: havendo vontade, seria um problema de simples resolução. Vamos ver os próximos desenvolvimentos...

13/02/2012

AUTOFAGIA

O post que ia fazer hoje teria por título "Emagrecimento, reestruturação e nova estratégia". Tive que mudar o nome do post: o Sporting continua o seu exercício anual de autofagia. Domingos saíu. Ainda não se sabe se pelo próprio pé, se instigado a tal pela direcção. Poucos detalhes no comunicado da SAD.

Para mim, é uma má notícia. Não porque signifique o desastre este ano (estava perdido) mas porque significa mais instabilidade e pelo menos mais dois anos, os dois próximos, sem ganhar nada. A partir de agora, recomeça-se do 0, mais uma vez. Com um treinador (?) que não provou absolutamente nada.

Para além da bolsa de apostas para arriscar quem será o primeiro jogador a ser esmurrado por Sá Pinto (que tem um elemento de deboche), começa uma outra (sem qualquer deboche) sobre qual será o próximo Schettino a abandonar o navio. Duque? Freitas? Cristóvão? O próprio Godinho com novas eleições no horizonte? Pois, não sei. Mas sei que em 11 meses está tudo de volta ao caminho da instabilidade onde estávamos em Março de 2011.

Claro que uma conclusão simplista dirá que isto vem dar razão à maioria dos sportinguistas (eu incluído) que votaram numa lufada de ar fresco e noutras soluções para a gestão do clube. Mas eu não alinho por aí. Porque não me interessa ter "razão" em Março de 2011 e vir fazer o post "eu bem dizia..." em Fevereiro de 2012, quando na realidade o que aconteceu é que o Sporting não só não saíu da lama, como a meu ver acabou por desperdiçar uma oportunidade fantástica para se reerguer.

Nas eleições de Março de 2011 deu para perceber que o clube estava vivo, tinha dinâmica e tinha soluções. Houve 5 ideias diferentes para pegar no clube, não foram umas eleições de lista única. Havia soluções e havia alternativas. Isso deu força ao clube, mas essa força está muito perto de ser esgotada. Por isso, não tenho nenhum prazer em dizer "ah e tal eu nunca votei nestes gajos e nunca acreditei neles". Antes pelo contrário: fico f***** porque as coisas, em 11 meses, foram de um caminho de crescimento sustentado, ainda que difícil e pedregoso, para uma ribanceira escorregadia directa ao lodo.

Agora vem Sá Pinto... bom, para Sá Pinto deixo, também, 10 mandamentos. Bastam umas pequenas adaptações e substituir o mandamento da Taça da Liga pelo que poderão ler abaixo no número 9:

1. Não abdicarás de jogar futebol de qualidade.
2. Irás sempre colocar os melhores jogadores, de preferência nas suas posições naturais.
3. Tirarás Polga da equipa (tudo fazendo para que não renove no final do ano).
4. Não colocarás Renato Neto num meio-campo que já conte com Schaars e Elias.
5. Colocarás Matias a titular em 99% dos jogos, mas sempre a médio-ofensivo.
6. Colocarás Carrillo a titular enquanto Jeffren não estiver em forma.
7. Não mais darás oportunidades a Bojinov (este aplica-se só para o ano!).
8. Darás oportunidades a Rubio quando Wolfsvinkel não estiver disponível.
9. Não esmurrarás nenhum jogador do plantel.
10. Ganharás a final da Taça de Portugal.

Mas mais importante do que os mandamentos do treinador, é a reformulação da estratégia. Ia escrever detalhadamente sobre isto, agora já não consigo. Sinceramente, não consigo mesmo. Faço um resumo rápido e depois tento ganhar forças para escrever sobre o que verdadeiramente interessa: dar uma volta de 180º no Sporting, como Pinto da Costa fez há 30 anos no Porto e Vieira fez há 10 no Benfica. Deixo só algumas ideias-chave:
1. Temos demasiados dirigentes a aparecer - Godinho, Duque, Freitas, Cristóvão, Barbosa (lembram-se que íamos competir com Real e Barça?). O próprio Domingos falava demais. Nos rivais, fala uma pessoa, a que manda. Os outros estão lá para trabalhar e estar calados.
2. Temos demasiados papagaios, entre conselheiros leoninos, paineleiros e sei lá que mais. Os paineleiros não podem ser dos órgãos sociais, têm que ser adeptos com capacidade crítica e desprovidos de acefalia. Se o Zé da Esquina critica uma decisão técnica ou uma arbitragem na TVI, é a opinião de um adepto; se fala o Barroso, temos um problema institucional. Será que esta gente precisa tanto da paineleiragem para viver que não percebe os problemas que causa com as postas de pescada que manda?
3. Continuamos a ter demasiada informação irrelevante cá fora e pouca promoção séria no momento certo. A política de comunicação é um desastre. Quem acompanha o ACF, do Leão da Estrela, sabe do que falo.
4. Continuamos a ter amadores armados em profissionais em lugares chave. No património, um ex-PJ; no marketing, era o tipo do ACP; na comunicação, era a menina boazona, agora já nem sei quem é. Podia continuar todo o dia...
5. A auditoria que não encontra responsabilidades no passado. De acordo com ROC, é uma grande notícia. Claro, estiveram lá os amigalhaços que ele sempre apoiou. Mas a mim interessava-me saber quem é que deixou derrapar o orçamento do estádio (que depois ficou a bela obra que se sabe onde precisamos de tapar o fosso, substituir cadeiras, tirar azulejos, etc.) e quem é que perante o acumular do passivo ao invés de parar a derrocada disse "vamos continuar por aqui". Mas isto sou eu, que gosto de perceber bem as coisas.
6. O autismo de não ter chamado quem tinha outras soluções e estava disposto a ajudar o Sporting. Quantas vezes se falou com Futre para encontrar soluções para o plantel, por exemplo? Talvez gerasse um problema complicado de partilha de comissões, será isso?

Ficam as ideias. Talvez um dia, brevemente, tenha forças para as desenvolver. Por ora, vou-me limitar a esperar que Sá Pinto me surpreenda e siga os 10 mandamentos. Caso contrário, vamos mesmo andar perdidos pelo deserto durante muitos anos...

Cilindrar mesmo sem tracção atrás

Se já não era possível contar com o lateral esquerdo para as jogadas de ataque, com o impedimento de Maxi, já sabíamos que provavelmente aconteceria o mesmo no lado direito. É claro que ainda restam (muitas) dúvidas quanto à qualidade das soluções para o lado esquerdo pelo menos aqui não há a necessidade de adaptações, mas não há dúvidas que não há alternativa ao uruguaio. Mesmo com a passagem na Champions, o Benfica não tratou sequer de contratar um defesa direito de raiz que, no mínimo, não comprometesse pelo que agora é obrigado a inventar soluções. Para este jogo era esperada a titularidade de Miguel Vítor, só que Jesus decidiu castigar Witsel pela inovação no penteado e colocou-o a fechar o lado direito. Se, para mim, já é um crime desviar o belga do meio campo, colocá-lo a defesa direito já quase que daria direito a rescisão por justa causa.


O Benfica venceu por quatro bolas a uma num jogo em que registou um enorme caudal ofensivo abrilhantado por momentos de grande beleza (se a bola entra naquela última jogada da primeira parte...). As oportunidades de golo foram mais que muitas (o lance de remate ao poste de Cardozo e a recarga de Rodrigo é o melhor exemplo) pelo que chegou a dar a sensação que o Benfica tinha ido à garagem da Luz repescar o rolo compressor de 2009/2010 e que se preparava para uma goleada das antigas frente a uma equipa que tinha sofrido um desgaste enorme a meio da semana e que contava com várias ausências.




Não vos vou maçar com os detalhes da partida mas assinalar alguns pontos:


- O laboratório da Luz, como demonstrou Garay, continua a produzir golos de bola parada numa vertente do jogo que é cada vez mais decisiva no futebol actual;


Aos 20 minutos Gaitán teve uma arrancada incrível que terminou com o encosto de Cardozo para o 2º golo, numa jogada que vai ser, com toda a certeza, várias vezes repetida nos gabinetes de prospecção de Manchester. Apesar de ser dos jogadores que mais confusão me faz por todo o potencial que, apesar de inquestionável,  teima em o colocar ao serviço da equipa, acredito que ainda vai ser bastante importante no que falta desta época. É aquele tipo de jogador que nos grandes jogos e nos momentos decisivos tem o talento para conseguir fazer a diferença e assim espero que faça;


- Nolito, para além de outras qualidades, é um excelente jogador de equipa que sabe ler perfeitamente as movimentações dos colegas e fazer grandes passes. A cumplicidade com Rodrigo é cada vez mais evidente. As jogadas do terceiro e quarto golo são praticamente iguais neste sentido. Rodrigo em vez de segurar a bola, deixa-a correr para Nolito que depois desmarca o sub-20 espanhol para a devida finalização. Uma cumplicidade a explorar em próximos episódios;




- Jorge Sousa lá tratou de deixar a sua marca ao inventar um penalty na área encarnada e permitir que o Nacional reduzisse a vantagem. Este registo de Jorge Sousa continuou ao longo da partida ao assinalar faltas ao mínimo contacto dos jogadores do Benfica e a deixar passar muitas das infracções dos jogadores do Nacional;


- Rodrigo está revelar-se melhor jogador a cada jogo que faz. Começam a restar poucas dúvidas que, a muito curto prazo, será jogador a mais para este campeonato. Não tivesse falhado a terceira ocasião em que encarou o guarda-redes adversário, realizando assim um hat-trick e lá teríamos o habitual calvário na imprensa. Já estou a imaginar as habituais novelas com notícias sensacionalistas dizendo algo como "Rodrigo já está à procura de casa em Inglaterra";


- A descrição de Garay felizmente também encontra paralelo na qualidade do seu trabalho na defesa. É efectivamente uma grande contratação e já começa também a ser decisivo nas bolas paradas. O nível a que esteve neste jogo foi tão alto quanto a cotação da sua namorada nos rankings das conquistas dos jogadores de futebol;


- Com a lesão de Javi, Matic, que ainda não é um jogador consensual entre os adeptos encarnados, acabou por fazer um bom jogo e assim dar boas indicações quanto à sua capacidade de assumir a titularidade no jogo de grande importância frente ao Zenit; 


- A substituição de Rodrigo e Aimar e a permanência de Cardozo leva-me a pensar que Rodrigo jogará sozinho na frente no próximo jogo. Sendo certo que Jesus opta muitas vezes por jogar com Aimar em simultâneo com dois avançados, em jogos de maior competitividade deverá preferir jogar com o meio-campo mais preenchido com Witsel e Aimar para além do trinco. Assim espero, pois acredito que é a solução que traz mais solidez e que potencia mais as hipóteses de sucesso para esta eliminatória. 


Assim, venha agora o Zenit sabendo que a continuação das vitórias são imprescindíveis, não no próximo jogo, mas apenas nos próximos jogos do campeonato.

12/02/2012

5 dias do Diário de Domingos


"4ª feira, 8 de Fevereiro, 19h

Já fui avisado pelos directores dos jornais desportivos que tenho que ganhar, estão fartos de fazer notícias sobre a crise do Sporting. As vendas estão a cair, os sportinguistas assim não compram jornais. Já os avisaram no Departamento de Marketing que a coisa está a ficar complicada. Assim, acho que vou mandar o Xandão lá para dentro. O Onyewu não joga e não conto com o Carriço a central. Aliás, não conto com o Carriço em lado nenhum, mas não posso dizer a ninguém. No meio-campo, vou voltar a por o Rinaudo. Lá à frente, se calhar, não vou inventar: ponho o Carrillo à direita e o Capel à esquerda. Aquele cabr** do Koba, do futebola3, fartou-se de elogiar o puto peruano e o resultado está à vista: é considerado uma das 20 maiores promessas a jogar na Europa, a par do Gaitan, do Rodrigo e do James... agora não sei como o vamos segurar no final da época. Maldito futebola3! A única coisa decente que fizeram por mim foram os mandamentos, ando a cumpri-los à risca e a coisa está a melhorar.

4ª feira, 8 de Fevereiro, 21h

Correu bem a primeira parte. O Rinaudo marcou um golão, caído do céu! O que digo agora a estes gajos? Se fosse um grande treinador (infelizmente ainda não o sou), dizia para marcarmos o segundo e acabarmos com isto. Talvez vá pelo caminho de os mandar gerir o jogo calmamente. Se falharmos, a culpa é deles, não conseguem segurar uma bola mais do que 15 segundos consecutivos.

4ª feira, 8 de Fevereiro, 21h30

O Polga conseguiu dar mais uma casa. Sofremos um golo de cabeça de um gajo que mede 1,30m. Se calhar, vou mesmo pedir ao Matias que agarre no jogo e leve a bola para a frente. E vou por o Elias sozinho no meio-campo, deve chegar para uma equipa estoirada a jogar com 10. Entretanto, pela primeira vez na vida, vou experimentar dois avançados, pode ser que dê alguma coisa.

4ª feira, 8 de Fevereiro, 22h

E não é que isto resultou mesmo? Estamos na final da Taça!!! E este golão do João Pereira?! Será que consigo arrancar daqui para um final de época decente? Ou invento já no próximo jogo? Esta minha tentação para inventar é tramada... Apesar do jogo ridículo do Polga (mais um), até o devia manter com o Xandão, os gajos do Marítimo são rápidos. Mas o Onyewu caíu no goto dos adeptos porque marca golos. Estou outra vez perdido!

5ª feira, 9 de Fevereiro, 12h

Porra, este clube afinal é mesmo grande... centenas de gajos a ver o treino num dia de trabalho no Machico! O Presidente PC mandou um sms: diz que estraguei tudo e já não vou para o FCP para o ano! Diz ele que o Sporting é demasiado grande para se poder permitir acabar bem a época e ganhar a Taça, a malta desata a comprar gameboxes para o próximo ano e não nos podemos permitir aumentar as receitas num clube que está nas lonas. Estou perdido e em depressão. Não sei o que fazer...

6ª feira, 10 de Fevereiro, 23h

Estas ponchas ajudaram-me a ultrapassar os maus momentos. Vou inventar nos centrais, não dou descanso nem ao Rinaudo nem ao Wolf que estão estoirados e vieram de lesão, mantenho o Elias naquela posição que não é carne nem é peixe e para cereja em cima do bolo uma grande surpresa: Pereirinha a titular! Se ganharmos, vou a nadar até Lisboa...

Sábado, 11 de Fevereiro, 21h

Levámos um banho de bola, o Patrício frangou, o Xandão e o Onyewu escorregaram lance sim, lance não, o Insua agora parece um clone do Grimi, o Rinaudo não aguentou o segundo jogo de seguida, o Elias não jogou a ponta de um corno, o Matias não teve uma bola jogável, o Wolf não corre, o Carrillo à esquerda não é a mesma coisa, o Pereirinha é o que se sabe e para cúmulo a TV apanhou-me a dizer, sobre o Ribas, "este gajo não acerta numa puta duma bola". Safou-se o Arias, afinal podia ter dado mais oportunidades a este miúdo...

Domingo, 11 de Fevereiro, 2h

Fomos insultados no aeroporto. Se continuamos assim, vou levar no focinho. É melhor por-me fino e voltar a seguir os mandamentos do Koba. Entretanto, dizem-me as minhas fontes que o Gorbyn e o Zatopek do futebola3 estão a desenvolver contactos com um gajo do Braga para que o nome do blog continue a fazer sentido. Espero que se arrependam!"

PS: No meu diário pessoal, eu, Koba, mantenho tudo o que disse até hoje:
1. Manter o caminho, estabilizar a equipa, criar automatismos tácticos (sem deixar de desenvolver esquemas alternativos, os dois pontas resultaram bem com o Nacional quando era preciso apertar com eles), insistir até à exaustão com estes jogadores e com este treinador.
2. Não temos jogadores com mercado? Óptimo! O ano passado não os tínhamos porque eram maus, hoje não os temos porque falta tempo para que joguem tudo o que sabem. Há que ter um pouco de paciência. Há ali bons jogadores: Patrício (pese embora a frangalhada de Sábado), Arias, Xandão, Insua, Rinaudo, Schaars, Matias, Carrillo, Wolf... Temos uma base razoável, precisamos de um treinador que os ponha a jogar a sério.
3. Eu próprio me entusiasmei com Outubro e Novembro, nunca adivinhei este desastre. Mas mantive os pés assentes na terra e é isso que temos que fazer todos. Há que não repetir os erros do passado, aguentar as turbas e os assobios e, com grande sacrifício, bem sei, manter esta equipa, motivar os que cá estão, se possível contratar um central com características diferentes dos que temos (no fundo um Rodriguez que saia melhor a jogar e não esteja sempre no estaleiro), vender João Pereira, deixar Polga acabar o contrato, recuperar Wilson Eduardo, Cedric e eventualmente Salomão.
4. Cenas como as do aeroporto são uma tristeza. Temos que deixar este treinador trabalhar. Já mostrou bons trabalhos em Leiria, em Coimbra e especialmente em Braga. Eu próprio estava desconfiado, preferia Rijkaard ou van Basten, mas sou suspeito face ao meu preconceito relativamente a treinadores portugueses. Ele inventa? Pois inventa, mas se o faz é porque (ainda) não tem total confiança nalguns deles.
5. Acreditar no Sporting não é uma mera questão de fé ou de esperança. É uma questão de racionalidade. Basta pensar quanto tempo clubes como o United, o Dortmund, o Marselha, o próprio Benfica pós-94, demoraram a estabilizar o seu rendimento. Nalguns casos falamos de 10 anos de espera! Isto não se muda de um dia para o outro. No nosso caso só foi pena que o que se fez este ano não tivesse sido feito há mais tempo...

PS2: Quanto às finanças: muito me surpreenderia se os outros, no resultado consolidado, não estivessem igualmente falidos. Mas concordo com o Gorbyn: face ao ciclo negativo em que estamos, é mais difícil ao Sporting do que aos adversários dar a volta à situação financeira complicada em que nos encontramos, ainda mais num ambiente económico que é o que se sabe. Fala-se de perder a maioria na SAD, não me choca minimamente, desde que haja certas protecções estatutárias ou parassociais relativamente ao papel do presidente do clube. Nada que afecte a gestão do futebol (caso contrário ninguém investe, como é óbvio...) mas que mantenha um papel de relevo do clube. Uma espécie de golden share para certas matérias que, repito, não afectem a gestão do futebol. Mas enquanto vem e não vem o investidor milagroso (novamente de acordo com o Gorbyn, nem isso será fácil de encontrar), temos que adoptar certas medidas de emagrecimento de que falarei no meu próximo post.

11/02/2012

A (grande) entrevista

Numa altura em que no plano desportivo o Benfica está bem e se recomenda, os esforços do presidente deveriam estar mais concentrados em estimular a concentração e motivação da equipa que vai na frente com 5 pontos de vantagem e ao mesmo tempo incentivar os adeptos a apoiar cada vez mais a equipa. No entanto, parece-me que foi mais uma oportunidade para aproveitar o bom momento desportivo para preparar as futuras eleições. Entre algumas perguntas ridículas com respostas óbvias e/ou politicamente correctas, destaco algumas partes:



É candidato nas próximas eleições?
LFV indica que a decisão está tomada, que anunciará apenas no final da época e que sabe que ainda tem muito fazer. 
Interpretação: "É óbvio que vou ser candidato."

O que falhou na época passada?
Assumiu que era o principal culpado porque é ele que escolhe as pessoas, mas não deixou de dizer que a estrutura foi alterada.
Interpretação:"Fica-me bem, como líder, dizer que sou eu o culpado, mas alterei algumas pessoas ao nível do futebol. Assim, se os resultados agora estão a ser excelentes e eu continuo a ser o presidente, é óbvio que os maus resultados da época passada aconteceram porque alguém não desempenhou bem as suas responsabilidades".

O mérito do Porto e o apagão?
Reconheceu que o Porto foi a melhor equipa e em relação ao apagão preferiu dizer que o que se passou são coisas já passadas e não vale a pena falar sobre elas.
Interpretação: "Com tantos pontos de vantagem e a vitória na Liga Europa era ridículo dizer que só ganharam porque o Benfica foi prejudicado nas primeiras jornadas. Quanto ao apagão, foi ainda mais vergonhoso do que o final de época que fizemos pelo que não tenho justificações para uma atitude que nada tem a ver com a grandiosidade do Benfica".

Ainda conta com Enzo Pérez?
Houve dois jogadores que cometeram erros e adiantou que deu autorização para o argentino para ir à Argentina ver a sua mãe e que não sabia ainda qual seria o seu futuro.
Interpretação: "Como muitos benfiquistas são fáceis de agradar (muitas vezes bastou entrar o Mantorras ou o Nuno Gomes em campo para as bancadas reagirem com entusiasmo), fizemos uma entrevista com o Enzo na Benfica TV a dizer que estava arrependido para todos pensarem que tínhamos ganho o braço de ferro e, agora, vou fazer a vontade ao jogador que me custou mais de 5 milhões e emprestá-lo, assim como fiz com o outro jogador que também errou."

Os direitos televisivos?
Não escondeu que tem apenas duas possibilidades, uma delas com o parceiro que sempre esteve presente nos maus momentos e, se não chegarem ao número que tem na cabeça, assumirá as transmissões na Benfica TV.
Interpretação: "Tive quase tudo fechado com o Paes do Amaral que me garantiria um encaixe nunca visto, mas o gajo acabou por desistir do projecto e agora deixou-me na mão quando já andávamos a hostilizar a Sport TV e a ter problemas com as repetições de jogos na Benfica TV. Agora ou me safo com a Olivedesportos garantindo pelo menos mais 20% que o Porto ou estamos um bocado tramados e lá teremos que ver o que poderá dar os jogos na Benfica TV."


06/02/2012

Jovens e velozes

Já num post anterior tinha comentado, quando Rodrigo começou a carburar, como era refrescante ver finalmente um avançado rápido na frente. Depois deste jogo para a Taça da Liga, esta ideia fica ainda mais reforçada com a prestação de Nélson Oliveira. O sub-20 português fez o seu melhor jogo desta época e começou a dar alguns sinais de que pode vir a ser, efectivamente, mais do que uma mera promessa. Com apenas 20 anos, é excelente a sua capacidade de choque, a facilidade de desmarcação e a velocidade. Melhorando as decisões que toma em algumas jogadas, que só se consegue com mais minutos nas pernas e jogos a titular, assim como a qualidade de passe, poderá tornar-se num avançado de grande qualidade e até preencher uma das lacunas mais óbvias da selecção principal. Rodrigo, depois de entrar aos 67 minutos, ainda foi a tempo de dar seguimento às boas exibições que tem vindo a realizar, beneficiando também da sua velocidade. Não sei ainda se são complementares ou não, mas esta dupla que não passa a barreira dos 20 anos, deixa os benfiquistas descansados em relações ao futuro próximo da frente de ataque. Infelizmente, duvido muito que Rodrigo fique por cá mais do que ano e meio.






Neste último jogo da Taça da Liga, Jesus voltou a aproveitar a oportunidade para dar a titularidade a alguns jogadores menos utilizados. Num jogo aberto, o Benfica fez uma primeira parte em que apostou sobretudo em transições rápidas e no aproveitamento do espaço existente nas costas da defesa madeirense. Esteve melhor neste período mas a primeira oportunidade foi mesmo do Marítimo. Valeu a boa mancha de Eduardo e alguma hesitação de Sami. O Benfica respondeu imediatamente com duas arrancadas de Nelson Oliveira que Nolito e Saviola não conseguiram finalizar quando parecia que o golo estava garantido. Sendo assim, teve que ser mesmo Nelson Oliveira, após boa assistência de Saviola, a marcar o 1º golo aos 13 min. No resto da primeira parte, nada de importante a destacar e sobretudo, nada que colocasse em perigo a vantagem encarnada.


Na segunda parte, o Benfica voltou a entrar forte com um remate bastante perigoso do suspeito do costume. Depois com a expulsão de Pouga aos 58 minutos (mal expulso já que fez falta por saltar com o braço na cara de Javi, mas não teve intenção de agredir) e a posterior entrada de Rodrigo, poucas dúvidas existiam de que a vantagem seria dilatada. No entanto, Sami ainda falhou escandalosamente o golo do empate. Não sei se foi pelo susto mas a verdade é que o Benfica marcou logo de seguida por Rodrigo, após uma boa jogada com Nelson Oliveira e Gaitán. A partir daqui a história do jogo resumia-se aos ataques consecutivos do Benfica, embora sem grande concentração e com pouca objectividade. Gaitán, em modo Champions, fez mais uma assistência para Rodrigo bisar. Se no seu primeiro golo a velocidade permitiu-lhe estar no sítio certo para encostar, no segundo foi essencial para chegar primeiro à bola e ultrapassar o guarda-redes adversário.


Com esta vitória por 3-0 o Benfica assegurou a passagem à próxima fase onde encontrará o Porto. Tem a vantagem de jogar em casa mas nenhum benfiquista estará muito preocupado com este jogo já que, quase 20 dias antes, o Estádio da Luz será o palco do mesmo jogo mas para a competição que mais interessa. Com um resultado positivo neste jogo, pouco me importa o desfecho da partida para a Taça da Liga.


Destaco em bom plano neste jogo obviamente Nelson Oliveira e Rodrigo, mas também Maxi e Nolito. Em sentido oposto, o jogo muito fraquinho de Jardel, um Saviola que apenas se safou nas assistências e Aimar estranhamente a errar muitos passes. Com impacto neutral mas de assinalar, Capdevila que não esteve mal e que se espera que inicie uma nova vida na equipa, a estreia de Djaló e o egoísmo de Nolito não ofereceu o golo a Cardozo na última jogada do desafio e que roubaria o record de golos em jogos consecutivos a Eusébio. 

04/02/2012

E depois da falência?

Nas últimas décadas, o futebol português habituou-se a gastar bem acima das suas possibilidades. Embora não seja caso único na Europa, no nosso caso, para além da facilidade de crédito existente até há bem pouco tempo, contou ainda, no mínimo de forma vergonhosa, com a benevolência de governos e câmaras municipais através de formas engenhosas de pagamento dos deveres fiscais (totonegócio e afins), alterações aos planos urbanísticos, oferta de terrenos e financiamentos públicos. Apesar de todos nós, adeptos de futebol, termos assistido a todas estas situações de com algum regozijo pela forma como os clubes que apoiamos eram beneficiados, a verdade é que se entrou numa estratégia completamente insustentável e que, de uma forma ou de outra, somos todos nós que temos que acabar por suportar. Só que agora, não há mesmo onde ir inventar mais alguns trocos...


Não vale a pena ser hipócrita, quem acompanha o futebol diariamente sabe bem a pressão existente sobre dirigentes para que contratem os melhores, para conseguirem resultados desportivos imediatos e para continuarem a ter equipas competitivas para disputar as provas europeias. Só que, face a uma nova realidade de transmissões em directo dos principais campeonatos europeus, leis Bosman e reduzidas limitações à contratação de jogadores estrangeiros, simplesmente não é possível acompanhar a capacidade de investimento dos clubes dos principais campeonatos europeus, segurar os melhores jogadores, investir nas promessas emergentes da América do Sul e, ao mesmo tempo, ter as contas equilibradas. Se a isto juntarmos esta nova realidade de inexistência de financiamento bancário, redução do investimento publicitário e dos assinantes de tv cabo e Sport Tv (vejam como o Pais do Amaral desistiu do projecto e deixou o Benfica na mão), aumento do preços dos bilhetes por força da nova taxa de IVA, crescimento do desemprego e diminuição do poder de compra dos portugueses, ainda mais complicado fica o cenário. Assim, não foi surpresa quando Luís Filipe Vieira afirmou que entrávamos num tempo de vagas magras, com necessidade de se realizarem menores investimentos e de se reduzir a massa salarial.






Depois desta introdução, a notícia desta semana com a falência técnica do Sporting. Não foi surpresa para ninguém, assim como também não será se notícias semelhantes surgirem relativamente ao Benfica e Porto. Mas existe uma grande diferença entre o clube de Alvalade e os seus rivais, o caminho para a sustentabilidade parece ser bem mais complicado de percorrer:
- O Porto já várias vezes demonstrou uma extrema facilidade em conseguir grandes negócios e assim registar encaixes financeiros avultados. Não vou fazer considerações sobre o destino do dinheiro ou, na melhor das hipóteses, como é gasto ou se está a seguir uma estratégia correcta no domínio da gestão empresarial. A verdade é que com três ou quatro vendas (Hulk, Moutinho, Álvaro Pereira e James por exemplo), o Porto conseguiria facilmente abater parte significativa do passivo e, ajustando a sua política de contratações, equilibrar as contas;
- O Benfica, embora num patamar inferior ao Porto no que diz respeito à capacidade de transferir os seus jogadores por valores significativos, também tem conseguido nos últimos anos valorizar estes activos. Por outro lado, regista uma base de sócios, assistências no estádio, vendas de merchandising e um poder de associação a marcas que está num nível bem acima dos seus rivais, pelo que também não é assim tão complicado colocar os resultados com sinal positivo;
- Já para o Sporting não consigo vislumbrar facilmente (talvez nem mesmo com grande imaginação) um caminho para a sustentabilidade. O peso do passivo é brutal face às receitas, nas últimas 13 épocas apenas arrecadou 157 milhões de euros (digo apenas porque comparando com os últimos 3 ou 4 anos de vendas do Benfica e Porto facilmente se percebem as diferenças) e não se prevê que a equipa consiga puxar pelas receitas (lutando pelo titulo) no curto prazo.


Desta forma, o cenário de esperar por um D. Sebastião que, num dia de nevoeiro, decida vir para Portugal com os bolsos cheios de petro-dólares e com vontade de jogar FM na vida real, parece ser cada vez mais a única saída. Também não consigo justificar porque um lunático destes quererá investir numa equipa em Portugal ao invés de uma equipa inglesa, espanhola ou italiana, mas como também já houve quem se interessasse pelo PSG, talvez surgisse um que preferisse o nosso sol, golf, gastronomia ou um símbolo com um leão (a partir de alguns milhões de euros já não é estupidez apenas excentricidade). O problema destes lunáticos do futebol é que acabam por deturpar a essência dos campeonatos em que se intrometem. Tudo deixa de estar relacionado com o mérito de uma simultânea boa gestão desportiva e económica dos clubes para uma simples capacidade em jorrar dinheiro para contratações e salários. Entramos assim numa realidade em que dois clubes que participam numa mesma competição, têm por base regras de actuação e obrigações completamente diferentes.


Espero sinceramente que a UEFA implemente de forma inequívoca e sem excepções o Financial Fair Play que evite estas injustas vantagens competitivas, com cláusulas que obrigam a que os clubes tenham um máximo de 45 milhões de euros de prejuízos acumulados nos últimos 3 anos (começando a contabilização nesta época), não considerando como receitas os empréstimos dos seus proprietários e assim obrigando os clubes a apenas gastar o que ganham com o negócio futebol. Juntaria a isto a obrigação de de um maior número de jogadores nacionais e formados localmente (que actualmente já são conceitos bastante diferentes) e a proibição de jogadores estrangeiros nas divisões secundárias. Apesar de ter a noção que estas condições poderiam encontrar resistências a nível legislativo, só assim se voltaria a apostar fortemente na formação e a encontrar um maior equilíbrio de forças nas competições europeias. Para além disto, os salários milionários e as transferências exorbitantes são cada vez mais um insulto para todos os que gostam de futebol e que não gastam assim tão pouco para dar o apoio à sua equipa.