30/01/2012

Ponto de situação e transferências de Janeiro

Depois da excelente iniciativa do meu amigo Koba que fez um balanço da primeira parte da temporada, com o natural foco na realidade verde e branca, pretendo, nos próximos dias, fazer o mesmo. Não faço hoje porque ainda estou demasiado escandalizado pelos últimos rumores de partidas e chegadas do Estádio da Luz. Assim, aguardarei por notícias mais detalhadas sobre, por exemplo, Amorim, Capdevila e Djaló, para depois fazer a análise da primeira parte da época e a projecção da segunda (utilizando esta janela de transferências como divisória).

O autocarro 3-1 conduzido pelo suspeito do costume e com VP como pica bilhetes...


Já chega! A sério!

Tudo isto é mau de mais para ser verdade. Da escolha do onze inicial à apatia de toda a equipa, de uma arbitragem à Paixão às declarações de VP, nada se aproveita... NADA!!!

Um meio campo com Defour-Moutinho-Souza é demasiado defensivo para uma equipa que sabia à partida que o seu adversário iria jogar em contra-ataque. Quantos jogos mais precisava VP para perceber que Otamendi está a mais no eixo da defesa? Jogar com Varela e James a descair sempre para o meio e sem que Kleber abra 1 metro de espaço para desmarcações torna impossível marcar 1 golo que seja. Neste caso, nem fazer chegar a bola à área dos gilistas, que apenas se preocupavam em defender. Qualquer perda de bola abria a possibilidade de um contra ataque... VP foi meter-se na boca do lobo!

Foi mesmo na primeira vez que a bola entrou numa das áreas que aparece o primeiro golo. Um falhanço da defesa que deixa Claudio cabecear num misto de liberdade e de sorte. Uma palavra de apreço para Helton que, ao ficar a meio do caminho, deu mais beleza a um golo fracote. Belo chapéu...
Sem o Polvo a tapar as subidas em contra ataque, com Hugo Vieira a ultrapassar constantemente Otamendi e sem qualidade no meio campo para levar o jogo para a frente era difícil fazer muito mais. Como é possível Belluschi não ser titular neste jogo? Mesmo com um James que joga melhor quando anda livre pela frente de ataque era perfeitamente possível conciliar os 2 na frente. A equipa subiu claramente de rendimento quando o argentino entrou em campo.

De resto só árbitro.

As queixas:
Penalty sobre Defour aos 23
Fora de jogo no lance que dá penalty para o Gil aos 45
Penalty sobre Kleber aos 48..
Possível fora de jogo no golo de André Cunha... (quero acreditar que o Maicon era invisível)

Faltas e faltinhas, bolas fora marcadas ao contrário e um anti-jogo permanente foram uma realidade ontem no “Cidade de Barcelos”. Enfim, um jogo que ficará para a história pelo resultado e para a memória dos portistas como desilusão. 

No final deste jogo o sentimento é de revolta e não consigo parar de me lembrar de um  celebre Campomaiorense – Porto, em que este árbitro (uma jovem promessa na altura)  fez um servicinho semelhante. Um artista já conhecido e o Porto a por se a jeito.

Quanto ao Gil... Mesma estratégia que no jogo contra o Benfica. Um autocarro, um irrequieto H.Vieira, um sólido Pedro Moreira, e umas defesas de Adriano ... Bonito golo de André Cunha e 11 “duros” jogadores.

Conclusão:
Ver futebol com tantos erros de arbitragem todos para o mesmo lado é de facto irritante mas nunca pode desculpar tamanha incompetência desta estrutura técnica. 

Num jogo “farto” em polémicas eu também vos digo do que estou farto...

Tou farto do Defour
Tou farto das substituições do VP
Tou farto do bigode do Adjunto do Porto
Tou farto de estar farto
Tou farto de dizer que o VP é muito mau...

Mas finalmente existe algo em que concordo com o VP. Apenas o comentário no final do jogo. Prevejo um futuro brilhante para ele a comentar jogos na Sporttv. Foram comentários dignos de qualquer adepto no final daquele jogo mas inaceitáveis para um treinador de topo. Aquele desespero só reforça a falta de qualidade do treinador em campo e destapa a fragilidade das suas capacidades de gestão da sua imagem.  Serenidade e ironia era o que se pedia no final do jogo. Classe 0 de VP...

Bruno Paixão esteve mal, muito mal, mas Vítor Pereira esteve bem pior.

Enfim... Quanto à possibilidade de 57 jogos sem perder. Mas quem ė que se importa ? O que interessa é a luta pelo campeonato e essa tarefa ficou bem mais difícil. Apesar das exibições mais tremidas dos encarnados, não vai ser fácil roubar pontos a uma equipa que se irá motivar com as suas suadas vitórias e deslizes alheios.

Temos 48h para ir buscar um ponta de lança (ao que parece trata-se de Marc Janko do Twente) e 13 jogos para mostrar mais... sendo que não há limite de data para ir buscar treinadores.

Não me apetece continuar a escrever sobre este jogo... ainda vou ficar com a ideia que o Porto não ganha campeonatos por causa dos árbitros e passar a vida a queixar-me. Esse é o perfil de outros clubes, não do Porto.


Um apelo:
Peço ao jovem que faz servicinhos a árbitros de futebol ali na zona do Colombo que me contacte, pode ser que tenha um trabalho ali para o Fórum Montijo ou no Jumbo de Setúbal. 

29/01/2012

Pondo a escrita em dia...


I. O jogo de hoje, para começar

O Sporting venceu hoje pela primeira vez em 2012. Ganhou por 2-0 ao Beira-Mar, com dois golos de cabeça de Onyewu, na sequência de bolas paradas. Sim, isto é mesmo verdade e aconteceu em Alvalade. Leiam amanhã os jornais que certamente irão recuperar a última vez que isto nos tinha acontecido (bastante tempo, por certo).

O Sporting fez um jogo abaixo da crítica, pior que mau, mas ganhou. Insua (que tanto tenho elogiado) fez um jogo a lembrar Grimi, Renato Neto fez um jogo miserável, Matias simplesmente não esteve em jogo, Jeffren continua perro.

Pela positiva, para além de Onyewu que já marcou mais golos em 6 meses do que Anderson Polga em quase 10 anos de Sporting (todas as competições consideradas), e de Ribas que fez um jogo esforçado, foi Capel quem mais se destacou: o único jogador da equipa que manteve do princípio ao fim a atitude que os sócios queriam ver. Trata-se de um jogador que já tinha algum prestígio, que vinha de uma equipa de topo em Espanha, que já foi internacional da melhor selecção do mundo, que tinha (e tem) certamente outros interessados, mas que dá o litro em todos os jogos. As coisas não vão sair sempre bem, obviamente, mas é daqueles que honra a camisola que veste. E bastaria vê-lo, como eu vi, meia hora após o jogo, a distribuir autógrafos e a posar para as fotos com os adeptos em frente ao Holmes Place, para ter a certeza de que se trata de um exemplo de profissionalismo para que todos naquele plantel deviam olhar.

II. Os jogos e o balanço dos outros

Quando vi a equipa com que o Porto ia começar o jogo e quem ia arbitrar o mesmo, disse para quem estava comigo: o Porto hoje não ganha em Barcelos. Com aquela equipa, o Porto dificilmente ganha um só jogo fora de casa esta temporada. Só para falar da defesa, por exemplo, ninguém percebe Maicon e Rolando já provou que não é jogador para ser o patrão da defesa do Porto (recordemos, só nos últimos anos, Aloísio, Jorge Costa, Bruno Alves, entre outros).

Quanto a Paixão, é um árbitro que em 13 ou 14 anos de I Liga, nunca recebeu uma só queixa do Benfica, apesar da reconhecida incompetência e falta de carácter. Não que o Benfica tenha culpa disso ou que isso seja decisivo para o Benfica ser campeão, mas quando juntamos a equipa B do Porto ao homem que o país conheceu pelo Campomaiorense-Porto de 99/2000 (mal ele sabia que na realidade nos estava a beneficiar a nós, essa agradeço-ta, Bruno!), dá pelo menos empate comprometedor. Hoje deu derrota (e nem sei se Paixão teve interferência nisso ou não, porque não vi o jogo).

Mas os portistas que não se preocupem: Pinto da Costa para a semana faz três telefonemas (ou comunicações em blackberry messenger, consta que são as mais seguras) e não há mais Paixão no próximo ano e meio; e ao Benfica vai calhar já no próximo jogo fora um daqueles jeitosos que precisa de conselhos sobre o matrimónio do pai durante a madrugada. Nesse aspecto, e com a incompreensível excepção de Paixão, o Porto ainda vai conseguindo controlar os danos.

Assim, fica o futebol para os separar. E aí, caro Zatopek, convenham que o Gorbyn está bem melhor. O Benfica joga bem 90% dos jogos, os que não joga ganha à mesma ou no máximo empata. O Porto joga pouco 90% dos jogos e ganha-os em esforço, muitas vezes graças à qualidade de Hulk ou James. Não estando o primeiro e estando o segundo desinspirado, as coisas correm pior. Não vejo este Benfica perder muitos pontos este campeonato (antecipo já que se passar em Alvalade é campeão em Março e acaba o campeonato sem derrotas) e vejo o Porto a perder mais pontos, ao ponto de ainda acreditar que, com o Braga metido ao barulho também, possa ser possível pisar os calos ao 2º lugar. Chegar lá vai ser difícil, mas se o Sporting recuperar a auto-estima e a organização, pode fazer uma série razoável de vitórias na 2ª volta e assustar Vítor Pereira.

III. Os nossos balanços (da 1ª volta e de Janeiro)

A primeira volta vista por um sportinguista divide-se em 3 fases: antes de 31.08; entre 31.08 e 31.12; Janeiro de 2012.

Antes de 31.08, havia dois candidatos ao título, o Benfica e o Porto. O Sporting estava a construir uma equipa, o Braga a adaptar-se a novos tempos, sem Domingos. Domingos começou hesitante e a tentar ganhar o balneário, mantendo os jogadores mais antigos na equipa. Face à falta de coragem do treinador para mexer radicalmente na equipa, a direcção tomou os temas Postiga e Djaló em mãos e empandeirou-os para outras bandas, assim forçando o treinador a colocar Wolfsvinkel e Capel a titulares. Ainda assim, em 3 jornadas foram 7 pontos para o galheiro e com eles foram também as (já diminutas) ilusões de atacar o título. Surgiram as primeiras dúvidas quanto à personalidade de Domingos e à sua capacidade para dominar o balneário do clube mais complicado da Europa para um treinador trabalhar (aceito que me desmintam se encontrarem outro clube da dimensão do Sporting que nos últimos 5 anos tenha tido apenas 1 Taça e 1 SuperTaça para festejar, 3 direcções, 4 treinadores, 5 directores desportivos, um deles a agredir ao soco o melhor jogador, por sinal despachado no ano seguinte a preço de saldo para ser titular e melhor marcador do campeão brasileiro, tudo isto para que se pudessem pagar salários até ao final do ano).

Entre 31.08 e 31.12, os sportinguistas acharam que iam ter Sporting e o país achou que o Sporting afinal era candidato a sério. Domingos estabilizou uma equipa, deu-lhe consistência, os resultados começaram a aparecer e de repente o Sporting estava ali bem perto dos adversários. A 1 ponto chegou o Sporting a estar, depois de ter perdido 7! Jogava bem, ganhava, apurava-se na Liga Europa com relativa facilidade, devolvia o prestígio a Elias, Capel e Onyewu, lançava para a ribalta Rinaudo e Schaars e começava a preparar o futuro com Insua, Carrillo e Wolfsvinkel (tendo ainda timidamente ameaçado lançar André Martins e Rubio).

A lesão de Rinaudo foi um revés, ao ponto de muitos separarem o Sporting 2011/2012 em apenas duas fases, pré-lesão de Rinaudo e pós-lesão de Rinaudo, mas eu não concordo. O pós-lesão foi pior, é um facto, mas o Sporting continuou a ganhar e, mesmo quando perdeu, não comprometeu nada (Vaslui e Lazio) ou esteve acima das expectativas em termos exibicionais (Benfica). Nos restantes jogos, ganhou com maior ou menor dificuldade, arrumou o tema do 1º lugar do grupo na Liga Europa, eliminou o complicadíssimo Marítimo da Taça de Portugal e apenas cedeu um empate, em Coimbra. Em circunstâncias normais, se o período até 31.08 não tivesse sido tão mau, esse empate não seria mais do que um tropeção, que todos os grandes dão (veja-se o Porto hoje ou o Benfica em Barcelos). Ou seja, o problema decisivo não foi a lesão de Rinaudo. Curiosamente, as coisas começam a desmembrar-se, a meu ver, com os reforços de Janeiro, como explicarei abaixo.

Quanto à última fase, veio colocar os pontos nos "ii" quanto aos candidatos e levantar muitas dúvidas quanto ao Sporting. Benfica melhor, como já disse, com várias soluções, com futebol ofensivo (também a sofrer golos a mais, diga-se...), com consistência, sem escorregadelas parvas. Porto logo a seguir, com vitórias, é verdade, mas com um futebol tremido, pouco confiante (reflexo da falta de confiança dos jogadores no treinador, a meu ver) e algumas lacunas no plantel (lateral direito e ponta de lança as mais evidentes) que não puderam ser corrigidas porque o dinheiro não abunda (nem sequer para pagar Danilo, Defour e Mangala...). Depois Braga e Sporting. Braga muito bem, bom futebol, boa equipa, bom treinador, mas sem muitas soluções. Basta que Viana e Alan não estejam e tudo muda de figura. O campeonato é longo e o Braga pode não ter pedalada para a corrida ao 2º ou mesmo ao 3º. E quanto ao Sporting?

Do ponto de vista puramente futebolístico, o Sporting deixou de jogar futebol, de defender e atacar com um nível mínimo exigido a um grande e ficou afastado do título. Tem, ainda, excelentes hipóteses de ganhar a Taça. E se se reerguer para o nível de Setembro a Dezembro, pode pisar os calos ao Porto no segundo lugar (está a 8 pontos), basta pensar que o Porto tem que ir a Braga e à Luz... Mas, realisticamente, o Sporting tem que concentrar-se em assegurar o 3º lugar.

Mais importante do que saber o que podemos fazer, é ponderar sobre o que causou uma queda tão vertiginosa. E eu creio que o responsável é Domingos. O treinador, que me convenceu com a estabilidade que deu à equipa e com o acerto das opções de Setembro a Dezembro, tem que recuperar a liderança do balneário, que terá ficado prejudicada com este terrível mês de Janeiro.

Recuperemos os factos. Domingos começa o ano a receber 3 reforços: Renato Neto, Ribas e Xandão. Quanto ao primeiro, foi titular no primeiro jogo sem que (até hoje) se perceba porquê (o argumento centimétrico não pode ser suficiente); o segundo foi titular no 2º jogo e titular novamente contra o Moreirense, para em Olhão ser relegado para o banco com o argumento de que não tinha ritmo; o terceiro, felizmente, admitiu que não tinha condições para jogar já e tem ficado de fora.

Reparem que Domingos, para ganhar o balneário em Agosto, coloca a titulares Carriço, Polga, Evaldo, André Santos, Postiga, Djaló, etc.; mas em Janeiro faz exactamente o inverso, e coloca os que acabam de chegar como se os que cá estavam não fossem competentes. O que sentiu André Santos? O que sentiu Diego Rubio? Em Setembro, perdeu pontos, mas pode ter ganho o balneário; em Janeiro, Domingos pode ter perdido algum do controlo do balneário, sem com isso ter ganho muitos pontos, antes pelo contrário. Desta perda de controlo surge, a meu ver, alguma instabilidade nas equipas titulares e algumas mudanças tácticas incompreensíveis (jogar em casa, num jogo decisivo com o Nacional, com Neto, Schaars e Elias e ir a Braga com Elias, Schaars e Matias demonstra uma incoerência sem qualquer sentido). Se a tudo juntamos (cheira-me...) salários em atraso, está feito um caldinho dos que daria cabo da época a um Bettencourt ou um Costinha. Sendo que neste caso acresce o inacreditável caso Bojinov (mais um problema...), só possível num clube com uma liderança (só técnica?) à deriva. Esperemos que Godinho, Duque e Freitas lidem com a situação de forma diferente daquela a que estávamos habituados.

O que fazer? Já o disse aqui. Parece deboche (vá lá, é um bocadinho) mas se levarmos os "mandamentos" a sério, temos mais probabilidades de ganhar. Repare-se que hoje, com excepção do 1º, nenhum dos mandamentos foi violado. Jogámos mal, mas ganhámos. Concordei com 90% da equipa inicial (não compreendo Renato Neto) e concordei com todas as substituições. Jeffren está a ganhar ritmo. Os lesionados hão-de regressar. Xandão será opção mais tarde ou mais cedo. E com tudo isso retomaremos o caminho da estabilidade.

Continuemos assim, portanto. Mas com paciência, porque as coisas não se fazem de um dia para o outro. Eu aqui aponto os erros de Domingos porque tenho honestidade intelectual, mas gosto de Domingos e acredito em Domingos. Podia ter um ar menos borrado no banco, mas isso é culpa dos pais dele e de quem nunca teve coragem de lho dizer. A verdade é que o Sporting precisa de um treinador que tenha pelo menos 2 anos para trabalhar. Convém que seja alguém que já tenha feito alguma coisa de jeito (e Domingos fê-lo, ainda que sem ganhar nada, como nada tinham ganho Villas-Boas e Jesus), para ter este benefício da dúvida que eu e muitos adeptos damos a Domingos e que (reconheço) talvez não se desse a um Rui Vitória ou um Pedro Martins. Por isso, vamos dar condições ao treinador do Sporting para corrigir os seus erros e com isso construir uma equipa que, já este ano, possa jogar o futebol que demonstrou, a dada altura, ter nas pernas.

E venha o Marítimo para continuar esta (nova!) senda de vitórias!

Voltar a tremer, sem cair

Depois do jogo com o Gil Vicente, mais um jogo em que, por largos minutos, um cenário de perda da magra vantagem que o Benfica leva sobre o Porto esteve na cabeça de muitos benfiquistas. A forma como os jogadores e equipa técnica celebraram após o apito final é a prova do quão difícil foi esta vitória e de como foi necessário sofrer para levar os 3 pontos para Lisboa. 


Em primeiro lugar, algumas considerações em relação ao local do jogo. Talvez seja defeito de profissão, mas que sentido faz para a equipa de Santa Maria da Feira querer jogar pela primeira vez no Estádio Marcolino de Castro logo contra o Benfica? [Correcção: não foi a primeira vez que o Feirense jogou no seu estádio] Ao que parece, ainda foi pedida a mudança do jogo para Aveiro na semana anterior ao jogo mas, por alguma razão que desconheço, os regulamentos não o permitiam e assim não foi autorizado pela Liga de Clubes. Mas os dirigentes do Feirense só se aperceberam que poderia ser financeiramente mais vantajoso continuar a jogar em casa emprestada na semana anterior?! Assim, lá tivemos que jogar num relvado de dimensões reduzidas e de qualidade abaixo do aceitável com todas as desvantagens que estes factos acarretam para quem assume a posse de bola e integra jogadores de maior qualidade técnica. Para mim, com base nas informações que são públicas, esta decisão faz tanto sentido como as palavras do Presidente da República sobre a sua reforma.


Face às condicionantes já referidas, estranhei a equipa inicial do Benfica. Por um lado, a ausência de Nolito quando o espanhol vem realizando boas exibições e a ser decisivo nos golos marcados, não só a assistir mas também a marcar. Face à sua capacidade de driblar em espaços reduzidos seria o mais indicado para este jogo. Por outro lado, a colocação de Aimar no miolo e Witsel na direita: 
- seria expectável que, com um rectângulo de jogo mais reduzido, uma maior capacidade de choque fosse importante, pelo que colocar Aimar neste jogo não me pareceu apropriado;
- Witsel na direita faz algum sentido quando há corredor aberto para Maxi participar nas manobras ofensivas, o que também não se vislumbrava fácil neste campo;
- a compatibilidade de Aimar, Rodrigo e Cardozo quando estes dois jogam como avançados, também me coloca algumas dúvidas já que Javi fica demasiado desprotegido. Parece que a fórmula dos dois avançados resulta melhor com Witsel na frente de Javi;
- é certo que Jesus quis aproveitar a boa forma dos dois avançados, mas talvez um só avançado com o reforço do meio-campo tivesse sido uma fórmula mais competitiva (neste caso, Cardozo de início até para desgastar a defesa adversária e Rodrigo na última meia hora para aproveitar ainda mais a sua velocidade). 




Na primeira parte, o Benfica teve alguns lances para marcar (quase sempre com Rodrigo a fazer o remate final) enquanto o Feirense teve apenas um cabeceamento e um cruzamento que foi bater na trave. Quando na segunda parte se esperava um Benfica decidido a marcar, foi o Feirense que surgiu com mais perigo e pode mesmo queixar-se de um golo mal anulado. Mas logo se fez justiça quando, no minuto seguinte, marcou através de um pontapé de canto. Ficar em desvantagem não é novidade para o Benfica assim como uma ajuda da sorte que já tinha marcado presença no jogo anterior. Um desvio de cabeça de Cardozo levou, o mesmo homem do Feirense, a voltar a marcar mas então na própria baliza. A partir do golo, o Benfica assumiu definitivamente o jogo e foi atrás do segundo golo para o que muito contribuiu a chegada de Nolito e a deslocação de Witsel para o meio. Gaitán falhou um cabeceamento para golo e depois Rodrigo sofreu um penalty (bem assinalado mas sobretudo bem arrancado). Cardozo marcou e, estranhamente, o Benfica deixou de controlar a partida. Ludovic e companhia criaram  dificuldades ao Benfica e tiveram um lance de grande perigo para Artur. A substituição de Cardozo por Matic foi perfeita mas 15 minutos atrasada. Já perto do final o Benfica ainda teve um perigoso contra-ataque por Gaitán e Rodrigo não conseguiu marcar na cara de Paulo Lopes (enorme defesa).


Depois de algumas vitórias seguras, bem conseguidas e com goleadas, o Benfica regista agora duas vitórias suadas e com sorte à mistura. É importante regressar a uma dinâmica de futebol mais convincente e, apesar das várias opções de qualidade que este ano tem à disposição, estabilizar o onze. Destaque para Rodrigo que está a revelar cada vez mais influência na manobra ofensiva da equipa.

24/01/2012

Promessas de fim de Janeiro

Não, não ando sem escrever por mau perder, posso garantir! Ando sem escrever porque ando atafulhado em trabalho. Não vi o jogo com o Moreirense (mas também não escreveria muito sobre ele, os que perdem tempo a ler os meus textos sabem que ligo menos à Taça da Liga do que o Bojinov aos pedidos do Matias Fernandez) e só vi a última meia hora do jogo com o Olhanense (eu não chamaria jogo ao triste espectáculo de tiro ao boneco dessa meia-hora - com Patrício no papel de boneco, já se vê - mas é o nome usado pela comunicação social...). Mas ficam aqui prometidas duas postadas: uma de balanço da primeira volta, outra de balanço do mês horribilis (é triste não saber dizer mês em Latim) que o Sporting atravessou em Janeiro.

Queria só deixar duas larachas:
- mais um ponto "de" Patrício, a juntar aos 2 do jogo com o Nacional, vamos ver se estes 3 pontos fazem ou não diferença no final (e Marcelo, segundo parece, já vai em 2 pontitos na Taça da Liga);
- Domingos tem-se esforçado por incumprir os 10 mandamentos que simpaticamente elaborei para ele. Ou não tem lido o futebola3 ou anda de pirraça comigo, suspeito que seja a segunda. Neste momento, estão violados os mandamentos 1, 2, 3, 7 e 9, isto só com dois jogos decorridos sobre a Revelação dos mesmos (espero que os católicos e judeus não levem a mal a maiúscula). De destacar a violação do 7º mandamento, com os resultados que estão à vista de todos. Reza o Antigo Testamento que, após incumprirem os mandamentos, os judeus foram "condenados" a divagar 40 anos pelo deserto. Espero que o nosso jejum seja substancialmente menor...

23/01/2012

Sorte desvia o autocarro

Quando todos esperávamos que as recentes boas exibições conhecessem, esta noite, mais um episódio, um autocarro amarelo veio de Barcelos e tratou de estacionar em pleno Estádio da Luz. Por muito que custe aos adeptos de um futebol aberto com jogadas de ataque nas duas balizas, as equipas mais pequenas exploram as armas que têm e com a táctica que consideram dar mais hipóteses para evitar uma derrota ou, na pior das hipóteses, sofrer uma goleada. Assim, resta às equipas que lutam pelo título encontrarem a melhor forma de contornar uma muralha defensiva de onze jogadores que se preocupa quase exclusivamente em defender e perder tempo já que a opção por esta postura é tão certa como a próxima nomeação para um cargo de um conselho de supervisão ou entidade pública recair em alguém do PSD ou CDS. E o Benfica não fez o que era necessário para furar a teia criada pelos jogadores do Gil Vicente pelo que, apesar da vitória, este jogo teve tudo para correr mal...






Face à equipa mais provável e que vinha jogando, Jesus decidiu dar a titularidade a Gaitán por detrimento de Bruno César com o intuito de apressar o regresso do argentino à boa forma (vamos imaginar que quando marcou o golo no Dragão ou fez as assistências na Champions estava em boa forma...). O Benfica começou lento e assim continuou durante toda a primeira parte:
- Rodrigo não encontrava espaço para as suas arrancadas;
- Nolito com dois jogadores para ultrapassar e sem um defesa a subir nas costas, era muitas vezes obrigado a jogar para trás;
- Gaitán só fez algo de assinalável a defender com um ou outro sprint seguido de roubo de bola, o que já é bastante positivo para um jogador com um nível de entrega bastante duvidoso. No entanto, a desequilibrar, assistir ou a cruzar, esteve bastante mal, ao que não será indiferente o facto de jogar do lado direito;
- Witsel jogou de forma bastante lenta e agarrou-se demasiado à bola, muitas vezes por não ter linha de passe para os homens da frente;
- até Garay decidiu ser trapalhão na defesa indiciando que a inspiração e assertividade não iriam abundar neste domingo.


Sem criar oportunidades e com raros remates à baliza, o Benfica chegou à vantagem de bola parada com um bom cabeceamento de Cardozo a responder a um cruzamento preciso de Nolito (made by laboratório da Luz). Parecia que o mais difícil, e sem fazer o suficiente para o justificar, estava feito e que seria uma questão de esperar por uma maior abertura do Gil Vicente para consolidar a vitória. No entanto, a equipa de Barcelos decidiu que, mesmo sem Laionel, não deixaria de marcar grandes golos contra o Benfica, e lá empatou a partida por um Galo (literalmente) que até se estreou a marcar esta época! 


No início da segunda parte ainda deu a sensação que o Benfica vinha com vontade de acelerar o jogo mas logo se percebeu que as dificuldades se mantinham. E pior, o Gil Vicente é que ainda criou jogadas de bastante perigo, sendo que uma delas só não deu golo porque Artur fez uma defesa extraordinária. Ao contrário do que diz Jesus, não considero que tivesse sido a intensidade de jogo a desgastar o adversário e a permitir que o Benfica chegasse aos golos. Não fosse o feliz ressalto do remate de Rodrigo para golo aos 72 min e tenho quase a certeza que os jogadores do Gil Vicente manteriam a concentração e se superariam para segurar o empate. Mas com o golo de Rodrigo que beneficiou do ressalto no defesa e um terceiro golo quando os ecos dos festejos do segundo ainda se ouviam no estádio (a qualidade de passe de Nolito e a técnica sublime de Aimar aumentaram a vantagem no marcador), o Benfica selou o jogo e retirou qualquer capacidade de reacção ao adversário.


Uma nota final para as substituições. Hoje sentiu-se a falta de um extremo que garantisse rupturas, velocidade e com capacidade para chegar à linha de fundo. Vamos ver se é possível a recuperação física e psicológica de Enzo Pérez que, a confirmar-se os créditos com que chega da Argentina, muita falta faz. A opção de colocar Aimar era evidente, mas encostar Witsel à direita é mais duvidoso. Faz algum sentido se contarmos com a capacidade que Maxi tem em subir no terreno mas o belga nunca será jogador para arrancar em velocidade na linha ou driblar adversários. Com tantos jogadores adversários junto à grande área preferiria optar pela mobilidade e assim retirar também Cardozo e colocar logo Bruno César (o mais parecido com um ala). Retirar depois Javi (para então entrar Bruno César) e colocar Witsel mais recuado no meio, não me parece que tenha sido a melhor opção e que o Benfica tenha ganho maior dinâmica no meio campo.


Não sei se é estrelinha ou apenas sorte, mas a verdade é que este foi daqueles jogos em que se conseguiu a vitória sem se ter produzido o suficiente e em qualidade para o justificar. Uma lição para os jogos que se avizinham.

19/01/2012

Podem vir mais miúdos... de Espanha

Depois da vitória na primeira e mais difícil jornada desta primeira fase da Taça da Liga, Jesus deu, e bem, a possibilidade aos miúdos de acumularem alguns minutos em competições oficiais, assim como a alguns suplentes esporadicamente utilizados. Gaitán teve mais um jogo para continuar a recuperação da forma e Capdevila finalmente uma oportunidade. Bruno César e Javi eram os únicos do onze que contavam com muitos jogos a titular.


Assim, não era de esperar uma grande primeira parte já que a inexperiência e a falta de entrosamento deveriam ser suficientes para quebrar o bom futebol que o Benfica apresentou nos últimos jogos. Assim aconteceu e o jogo aborrecido foi ainda agravado pela inexistência de um construtor de jogo (Javi e Matic na mesma equipa parece meio caminho andado para o insucesso). Saviola pouco fez para além de uma boa jogada individual já perto do intervalo, tendo acumulado vários passes errados e perdas de bola e Gaitán esteve bastante apagado. Não sei se um quer mas não pode, mas o outro sei que pode mas não quer. Aquando da substituição, já depois de ter ensaiado um pontapé de bicicleta fora da grande área (?!), não tive muitas dúvidas que Gaitán queria tanto jogar contra o Sta. Clara como o comandante Schettino continuar no Costa Concordia até sair o último passageiro. 

Em relação aos miúdos, não vi nada de assinalar ou que dê indícios que exista matéria prima de qualidade para entrar num futuro próximo na equipa titular. Continuo a acreditar que o Nelson Oliveira que vi jogar contra o Brasil ainda vai aparecer e espero que o golo desta noite lhe retire alguma pressão e ansiedade e se comece a afirmar nesta equipa. Capdevila esteve bem mas não podemos esquecer que o facto de estar a jogar contra um adversário mais fraco pode criar alguns equívocos de avaliação. No entanto, apareceu mais vezes no ataque do que normalmente Emerson faz. Javi parece que já não sabe o que é jogar mal e é cada vez mais um exemplo para os restantes jogadores tal a intensidade que coloca em todos os jogos independentemente dos adversários. Eduardo esteve também bastante bem na primeira parte a parar algumas jogadas de maior perigo dos açorianos.

Como não havia forma do golo aparecer, foi necessário correr ao banco e aos jogadores que, nesta fase, estão em grande forma: Witsel, Nolito e Rodrigo. Com um construtor de jogo em campo, um extremo a desequilibrar e a assistir e velocidade na frente, tudo melhorou. As assistências de Nolito foram fundamentais para os dois golos e ainda teve um passe fabuloso, já perto do final, para uma desmarcação de Capdevila. Witsel fez o segundo golo reforçando a ideia que a boa forma está de volta (lembram-se do golo contra o Twente?).

Benfica fez o que lhe competia e agora recebe o Marítimo que também conta com duas vitórias. No entanto, venha o que importa que este fim de semana há mais campeonato!

16/01/2012

O líder segue forte

Termina a primeira volta e o Benfica ocupa o topo da classificação. Se este facto, por si só, não é garantia de títulos até ao final da época, já as recentes exibições não deixam de ser um indicador bastante entusiasmante. Nos últimos 4 jogos, o Benfica conta com 17 golos marcados que demonstram uma dinâmica ofensiva completamente diferente do que vinha a apresentar até então: nas 6 vitórias anteriores venceu sempre pela margem mínima (com alguns empates e a derrota na Taça de Portugal pelo meio) e com algumas exibições bem cinzentas. Acrescento ainda as várias ausências que o Benfica teve para este jogo: Garay, Javi e Aimar (a que podia adicionar um Gaitán que jogou cerca de 25 minutos mas que vem de paragem prolongada por lesão) que não foram suficientes para que o Benfica não fizesse um bom jogo e não continuasse na senda das goleadas.

Finalmente o Estádio da Luz registou uma assistência de assinalar com mais de 56.000 espectadores! Tirando o jogo contra o Sporting em que é normal as bancadas apresentarem poucas cadeiras vazias, o Estádio da Luz ainda não tinha conseguido ultrapassar os 40 mil espectadores esta época, o que não deixa de ser estranho quando o Benfica ocupava o 1º lugar do campeonato, juntamente com o Porto, desde a 3ª jornada. Já há algum tempo que tenho esta sensação de que há cerca de 35.000 benfiquistas que estão sempre lá: seja à sexta ou ao domingo, faça chuva ou faça sol, com a equipa a jogar mal ou a jogar bem, esteja em 1º lugar ou em risco de ver o Porto festejar o título em nossa casa; e depois os outros 100.000 ou 200.000 que estão sempre prontos mas só para a festa, causando impressionantes filas para comprar bilhetes que dão a volta ao estádio. Bom, talvez seja preferível olhar para o copo meio cheio e esquecer também a quantidade de bilhetes oferecidos e limitar-me a realçar a importância de finalmente surgir a onda vermelha que antecipei no último comentário e que é fundamental para ajudar a equipa a atingir o principal objectivo desta época.

E o jogo nem começou da melhor forma! Logo aos 7 minutos, num corte perigoso de Luisão para a entrada da área, Neca encheu o pé e a bola ressaltou ainda em Luisão antes de colocar os sadinos em vantagem. O Benfica não acusou o golpe inicial e tratou de dar sequência ao futebol que vinha praticando nos últimos jogos. Com Witsel a assumir a batuta (que saudades já tinha da qualidade de jogo que o belga mostrou no início da época) e a apresentar uma forma física bem melhor do que a que registou em Outubro/Novembro, Nolito a desequilibrar na esquerda e Maxi na direita, o Benfica criava sucessivamente boas jogadas e perigo junto da baliza do V. Setúbal pelo que logo se percebeu que o golo não ia demorar muito: soberbo passe de Witsel e Nolito a marcar grande golo rematando da forma mais recorrente em Barcelona, dentro da grande área, em jeito e com a parte da dentro do pé. Depois chegou a dupla de avançados para resolver a questão. Cardozo marcou um golo à matador (só quis saber da baliza e rematar para golo e a sorte fez o resto) e Rodrigo mostrou porque é um dos avançados mais promissores do momento: no terceiro golo tem uma arrancada notável ainda no meio-campo encarnado, deixou dois adversário para trás e entregou a Cardozo que bisou na partida (mas que podia também ter devolvido a Rodrigo que já estava posicionado para receber o passe). Rodrigo está a dar a esta equipa o que fazia mais falta para ter sucesso a jogar com dois avançados: capacidade de pressionar rapidamente os defesas adversários quando o Benfica não tem a bola (sendo responsável por várias recuperações ou por obrigar os defesas a despachar a bola) e velocidade e mobilidade quando é necessário atacar.



Na segunda parte o Benfica manteve a boa exibição mas foi um pouco mais lento pois sentia que não havia necessidade de continuar nas rotações mais altas. Só Rodrigo não percebeu o que significava abrandar porque continuou a sprintar como se o Benfica ainda estivesse a perder. Este miúdo tem uma pedalada impressionante pelo que se continuar a evoluir ao nível do passe e das decisões de jogo, é bem possível que o Real Madrid faça mesmo questão de o vir resgatar. Honra seja feita a quem foi tão criticado por envolver um desconhecido jogador da cantera do Real Madrid, valorizado em 5 ou 6 milhões de euros, no negócio de Di Maria.
Gaitán ainda entrou a tempo de exibir o título de rei das assistências na Champions e fez o cruzamento para Matic fechar a contagem. Entre mais algumas oportunidades falhadas do Benfica e uma do Setúbal, a expulsão de Cardozo. No meu entender completamente justa e a repetir um filme já visto. Será que este gajo sofre de amnésia e não se recorda dos amarelos que leva para continuar a reclamar ou fazer-se ao penalty quando já está amarelado?! Se fosse apenas para se desviar do guarda-redes, poderia perfeitamente ter saltado e continuado em pé. Tivesse sido mais eficaz e nem sequer estaríamos a analisar este cartão...

Neste jogo, Bruno César esteve uns degraus abaixo do que fez contra o Leiria e passou um pouco ao lado do jogo e Emerson esteve bastante receoso em subir e incapaz de causar desequilíbrios. Nolito joga bastante bem com a bola no pé e é mais perigoso e produtivo quando flecte para o meio, não se dando com grandes correrias pela linha nem gostando particularmente de se chegar à linha de fundo pelo que seria melhor complementado com um lateral que subisse em velocidade pelas suas costas, característica que Emerson não possui. Artur, talvez por não ter vestido o seu equipamento branco preferido, esteve muito trapalhão e precipitado, com muitas bolas enviadas para fora e numa saída precipitada quase permitiu mais um golo a Neca. Matic, apesar do golo, não conseguiu fazer esquecer Javi Garcia.

Próxima jornada de novo em casa com a necessidade de continuar neste trilho. Próximo jogo da Taça da Liga, pouco importa, pelo que não vale a pena arriscar lesões de jogadores importantes e é preferível e importante dar minutos aos jovens portugueses.

15/01/2012

Os dez mandamentos


Se nos precipitarmos, podemos ser tentados a dizer que o (mau) Sporting está de volta.

Seria esta a conclusão normal da última semana do Sporting: em casa com o Nacional, na primeira mão da final da Taça, uma primeira parte ao nível do pior Paulo Sérgio dificultou bastante o acesso à final do Jamor; hoje com o Braga, todo um jogo ao nível de um Carvalhal acabou por resultar no definitivo adeus ao título.

Contra o Nacional, Domingos terá dito no início aos jogadores "temos que seguir o exemplo do porto no ano passado". E os jogadores seguiram à risca, de tal forma que ao intervalo estava 0-2, tal como na meia-final do ano passado. Mas ao intervalo Domingos recuperou a mensagem "malta, vocês não perceberam bem, era para seguir o exemplo do porto ganhando a Taça, não é preciso perder 2-0 em casa e ganhar 3-1 fora!". Acabou por não correr mal, tendo em conta o decurso do jogo, mas tenho que dizer o seguinte: Polga, por mais que eu me esforce para lhe dar o benefício da dúvida neste blog, não dá mesmo. Que saia já para o Brasil, sem cerimónias.

De qualquer forma, agora só temos que ganhar ao Nacional, na Choupana. Sei que não ganhamos lá há vários anos, mas isso é um argumento de merda. Este jogo é para ganhar, sem desculpas, sem azares, sem bolas no poste, sem Polguices. Ganhar, e ganhar claramente. Chegar ao Jamor e ganhar à Académica ou à Oliveirense, tentando utilizar a Taça de Portugal como factor de motivação para um grupo de jogadores que, francamente, merece um troféu pelo facto de ter conseguido, durante dois meses, fazer regressar alguma ilusão a Alvalade.

Quanto a hoje, em Braga... o Sporting voltou a entrar muito mal. Corrigiu, mas quando entrava para a segunda parte com ascendente (grande jogada de Matias com bola no poste), sofreu um golo inacreditável. E depois o segundo, claramente ilegal, porque considerando a diferença de velocidade entre João Pereira e Lima, só posso acreditar que este último estivesse de patins. Ainda reagiu, mas convenhamos que era difícil com Bojinov em campo: além de não fazer a ponta de um corno, ainda tira a Matias o melhor livre do jogo para atirar a bola contra a barreira. Começa a faltar a paciência para o único jogador contratado este ano que parece um claríssimo barrete.

Mas não me parece que possamos tirar a conclusão precipitada com que comecei o post. Andámos aqui meses a escrever (eu e muitos outros) que ainda não tínhamos pedalada para Benfica e Porto e depois queremos o quê? Estamos a construir uma equipa e isso além de levar tempo, dá muito trabalho, obriga a errar e corrigir erros, até se encontrar uma fórmula que funcione, com o futebol certo e os jogadores certos.

Desde que Domingos começou (finalmente...) a construir uma equipa nova, após as saídas de Postiga e Djaló, e colocando finalmente os reforços em campo, o Sporting perdeu dois jogos para o campeonato: na Luz e em Braga, ambos pela margem mínima. Sendo que em casa, para o campeonato, ganhou sempre.

O que fazer, Domingos? Muito simples: seguir este rumo e não voltar atrás. Estavas a corrigir os teus erros e tens que manter a rota, porque sempre que corrigiste erros acabaste por ter sucesso. No início, demoraste a corrigir alguns deles e quando corrigiste as coisas correram bem. Mas tiveste alguma sorte, reconheça-se. Agora não tiveste muita sorte, mas não recues!

Sugiro, aliás, que sigas doravante os dez mandamentos que a seguir enuncio e verás que vamos longe. Podemos não ganhar nada este ano, mas lançamos bases sólidas para o próximo.

1. Não abdicarás de jogar futebol de qualidade.
2. Irás sempre colocar os melhores jogadores, de preferência nas suas posições naturais.
3. Não te arrependerás de ter tirado Polga da equipa (tudo fazendo para que saia antes do final do mês de Janeiro).
4. Não colocarás Renato Neto num meio-campo que já conte com Schaars e Elias.
5. Colocarás Matias a titular em 99% dos jogos, mas sempre a médio-ofensivo.
6. Colocarás Carrillo a titular enquanto Jeffren não estiver em forma.
7. Não mais darás oportunidades a Bojinov.
8. Insistirás com Ribas ou darás oportunidades a Rubio enquanto Wolfsvinkel não estiver disponível.
9. Usarás a Taça da Liga para rodar jogadores e não como salvação da época.
10. Não falharás o acesso à final da Taça de Portugal.

11/01/2012

Empatar em Alvalade? Mas havia outra hipótese ?


Futebol a 3 sem comentários portistas é como as antevisões dos jogos do Vitor Pereira: um vazio…

Nada como um jogo do campeão na capital para me fazer voltar aos estádios de futebol e posso mesmo dizer que voltei para casa com um misto de alivio e nostalgia… passo a explicar:

Alivio: Afinal ainda temos equipa para o Sporting e não vamos levar um banho de bola da equipa orientada por um treinador que nunca desceu de divisão. Confesso que ler “A Bola” online causa trauma na mente humana, até do mais fervoroso portista.

Nostalgia: Saudades do treinador que detém o record… Sir Bobby Robson! Principalmente quando comparamos com o amadorismo e o estilo básico do VP. Este Vítor Pereira faz-me lembrar outro grande vulto do “treinadorismo” nacional: Fernando Santos, o único treinador capaz de perder um campeonato com o Jardel a ponta de lança (na fase pré Johnny Walker claro!)

Falar do jogo do Porto de sábado é como falar de um jantar entre amigos em que os 2 insistem em pagar a conta. Marco eu? Marcas tu? Defesa impossível de Patrício? Não senhor! Helton responde com defesa acrobática. “Volskwagen” perde um golo feito? Hulk atira contra a mão do guarda-redes leonino. E se o Álvaro Pereira corta a bola em cima da linha e se o SCP não tem ninguém para cortar, então metemos o Otamendi a frente do remate de James e dá no mesmo. Até o Pedro Proença quis alinhar na festa… Não expulsa o Polga mas também não expulsa nenhum dos azuis.

A semana tinha sido carregada de mensagens negativas para os lados do Norte, muita especulação sobre a capacidade da equipa após 3 semanas sem jogar e a expectativa de uma derrota portista, que significaria a interrupção de um ciclo de 53 jogos sem perder. Na realidade, não se notou a picanha a mais na dieta do Hulk nem o Bolo Rei nas pernas do Moutinho. A equipa entrou mais confiante do que o Sporting (excepção feita a Elias, que entrou com a confiança que poderia arrancar o tornozelo do Rodriguez sem anestesia geral) e com vontade de controlar o jogo.

A surpresa do 11 era mesmo o uruguaio no lugar de James, e pode-se mesmo dizer C. Rodriguez aproveitou a oportunidade com todas as “ganas” que lhe são reconhecidas, fazendo de João Pereira uma marionete. É uma pena que o Porto deixe sair este jogador a custo 0.

De resto um jogo disputado, sem grandes casos, e com as mesmas substituições de sempre no Porto. Jogo disputado não significa bem jogado, os (demasiados) passes errados e falhanços incríveis demonstram que as duas equipas estão ainda longe daquilo que podem demonstrar. O Porto por falta de liderança do treinador, o Sporting pela imaturidade da equipa.

No Porto é impossível não salientar a segurança de Helton sempre que foi chamado a intervir; a “dureza” do Otamendi nos duelos com VW; a classe de Fernando a cobrir todo o meio campo defensivo; a serenidade de Moutinho no Pomar de Alvalade e a força de Hulk (e que tanta pancada leva o pobre homem).
James e Defour, que entraram em cena na segunda parte, não trouxeram nada de novo a equipa e com a excepção das duas excelentes oportunidades para marcar do colombiano, quase que se poderia dizer que passaram ao lado do jogo.

No Sporting o melhor Insua contrasta com o número de bolas perdidas por João Pereira e com a capacidade de Polga em fazer passes longos para a defesa portista. Capel a jogar pior semana após semana e um Elias que não convence... estes 8M€ são quase tão difíceis de justificar quanto os 9M€ portistas por um defesa esquerdo que fica no banco. Carrillo entusiasma e promete muito, mas acusa também alguma imaturidade.

O campeão não venceu e já passa a olhar para os encarnados no primeiro lugar, mas muito sinceramente, com este treinador estamos bem ******* (raspem os asteriscos)

Promete-se um campeonato disputado até ao final.

Umas palavras para o ambiente: os adeptos sportinguistas tomaram o gosto pelas chamas e desta vez brindaram os presentes com um fogo preso verde e branco que quase intoxicou 48.000 pessoas. De um ponto de vista negativo: os acessos ao estádio… que confusão, com centenas de pessoas a amontoarem-se até chegar a porta para a revista policial. Inaceitável para um clube desta dimensão.

Depois de ter saído do estádio não vi 1 minuto do resumo do jogo nem tão pouco ouvi os comentários sobre o mesmo… por isso perdoem me o facciosismo ao considerar que o Porto foi melhor equipa e merecia ganhar. Ao menos cheguei a casa com a alma aconchegada!


Volto daqui a 5 jornadas, ao estilo Vítor Pereira (mas o dos árbitros)

PS: Koba, apesar de estar a escrever este post 4355 minutos depois do jogo acabar, resisti a ler o teu post e perdoo-te se achas que o Moutinho merece ser assobiado.
PS2: Tinha colocado Rodrigo Neto como o autor da falta aos 2 minutos mas devia ter colocado Elias. Aos 2 o meu pedido de desculpas :P

08/01/2012

De pé esquerdo para a liderança isolada

Depois do empate do Porto em Alvalade, o Benfica disputava na Marinha Grande, contra o Leiria, a liderança isolada do campeonato. Uma vitória neste jogo poderia ajudar à formação da já conhecida onda vermelha que, por força de exibições menos conseguidas ou pela companhia do Porto, teima em ganhar forma. Por força da indisponibilidade física de Aimar e Gaitán, Jorge Jesus iniciou o jogo com a defesa habitual, Javi/Witsel no miolo, Nolito e Bruno César nas alas e o ataque entregue a Cardozo e Rodrigo. 


O Leiria entrou com muita vontade neste jogo e logo nos primeiros minutos conseguiu dois cantos e uma grande oportunidade de golo que Maxi tratou de travar já quase sobre a linha. O Benfica entrou então em jogo e, após uma subida no terreno em grande velocidade de (pasmem-se) Émerson, a bola sobrou para Bruno César que quis mostrar o porquê da sua alcunha, encheu o pé e fez um grande golo. Desta vez o Benfica não parou de jogar após o golo e podia depois ter chegado ao segundo por Rodrigo que apareceu isolado na cara de Gottardi. No resto da primeira parte o Benfica continuou a controlar o jogo e teve ainda um remate perigoso de Cardozo após boa jogada da dupla Émerson/Nolito.


Logo no início da segunda parte o Benfica não aproveitou uma falha dos leirienses em que, após um remate perigoso de Rodrigo e já com Gottardi no chão, Cardozo decidiu arriscar um remate com a coxa (inconsequente) numa daquelas suas decisões que normalmente deixa os adeptos incrédulos. No entanto, logo a seguir tratou de mostrar o seu famoso pé esquerdo e fez outro grande golo. O U. Leiria desapareceu do jogo e só dava Benfica. As oportunidades sucederam-se, as jogadas de ataque desenrolaram-se facilmente e voltou-se a vislumbrar aquele Benfica que não descansava após marcar um golo e que praticava um futebol de ataque e vistoso. É certo que o adversário não prima pela competitividade mas não deixa de ser um bom indicador. E foi assim que o Benfica ainda marcou mais dois golos por Rodrigo: o primeiro a finalizar com grande classe um boa jogada e desmarcação e o segundo a finalizar um lance supersónico de ataque. É verdade que a emoção que os golos do Benfica me provocam me pode toldar um pouco esta análise (são sempre devidamente festejados mesmo quando são marcados por um defesa contrário) mas, neste jogo, não tenho muitas dúvidas em afirmar que, quer seja pelo remate final quer seja pelas jogadas que o permitiram, os golos desta noite tiveram "nota artística". O passe de Bruno César para o cruzamento de Maxi no 4º golo é o melhor exemplo que posso dar.




- Neste jogo gostei particularmente da ala esquerda. Nolito não foi uma surpresa e manteve o seu nível de jogo com bastantes dribles, boas decisões, bons passes e aquela vontade de fazer sempre mais, mas já Émerson e o respectivo entrosamento com o espanhol é que acabou por me agradar mais. Sabendo que a posição de lateral esquerdo é aquela que pior está preenchida no onze titular e que muito se fala de, ainda este mês, chegar um reforço para esta posição não deixa de ser interessante ver o ex-Lille a subir de produção. Apareceu muitas vezes na frente e entendeu-se bastante bem com Nolito (algo que raramente aconteceu com Gaitán ou Bruno César noutras ocasiões), o que garantiu que grande parte das jogadas do Benfica, incluindo o 1º e 3º golo, tivessem origem no lado esquerdo. 
- Bruno César esteve em evidência pela participação em 3 golos: marcou o primeiro, assistiu Rodrigo no 3º e fez um passe fantástico para o cruzamento de Maxi no 4º golo. Mesmo sabendo que o brasileiro flecte muitas vezes para o meio nas subidas de Maxi, reforço que gostaria muito de ver este jogador na posição de Aimar sempre que o argentino não possa jogar (seja por lesão ou gestão física). Ainda para mais, daria ao Benfica a capacidade de ter um jogador no meio-campo com boa capacidade de remate de meia-distância já que considero que nem Javi, nem Witsel, nem Aimar se destacam nesta vertente.
- Estamos bem no ataque. Cardozo começou 2012 com o instinto de matador bem aguçado e parece que está num bom momento de forma pois está com maior capacidade de movimentação e não tem sido aquele jogador que evita correr ou pressionar os defesas ou guarda-redes quando têm a bola nos pés. Já Rodrigo tem dado à frente de ataque aquilo que nunca tivemos com Saviola e Cardozo na época passada: capacidade de desmarcação e velocidade. O 3º golo exemplifica a facilidade que este jogador tem em apostar em desmarcações rápidas e de jogar no limite do fora-de-jogo enquanto que o 4º golo ilustra bem a sua velocidade pois o sprint que fez quando percebeu que Maxi ficava em boa condições para cruzar, permitiu-lhe ultrapassar o defesa e limitar-se a encostar para o fundo da baliza.


O Benfica tem agora dois jogos seguidos em casa e só daqui a 5 jogos é que volta a ter um jogo de maior dificuldade com a deslocação a Guimarães pelo que é indispensável manter os níveis de concentração elevados e não facilitar de modo a maximizar os níveis de confiança da equipa e, se possível, consolidar ainda mais esta liderança isolada.

Conclusões do clássico

Não, não vou começar por dizer "eu bem dizia que ainda não tínhamos pernas para Porto e Benfica". Vou começar por dizer que, ao contrário do que eu antecipava, o Sporting, nos dois jogos que fez com os rivais, não mostrou que está um patamar abaixo de ambos (quando, na realidade, até está).

Contra o Benfica, faltou eficácia e discernimento; contra o Porto, faltou um pouco mais de experiência. Mas no jogo jogado foi ela por ela. Sinceramente, concordo mesmo com Domingos: a equipa é ainda imatura e precisa de crescer. Há por aí quem diga que é desculpa, mas não é. Ontem faltou arriscar um pouco mais, pressionar um pouco mais no fim, abdicar de jogar com tanta segurança, e isso só é possível fazer com uma equipa sólida e madura, que o Sporting (ainda) não tem.

Experiência não tem só a ver com idade, mas também com entrosamento, confiança e tranquilidade. Um jogador saber que pode arriscar e criar um desequilíbrio defensivo porque um determinado colega vai imediatamente perceber e compensar é essencial para o rendimento de uma equipa. Ainda não temos isso. Havemos de ter.

Isto não significa que já estejamos ao nível dos rivais salvo no que respeita à experiência. Há também alguma diferença de qualidade que ainda não conseguimos superar. Este Sporting, que se aguentou bem nos jogos com os rivais, ainda não chega para aquilo que todos queremos, porque não tem capacidade para, em certos momentos do jogo, meter a 5ª, acelerar e disparar para a vitória. É verdade que nos aguentámos, mas o que queremos e precisamos é mais do que isso. Ontem ficou nítido que se o Porto forçasse um pouco mais, ganhava; e que no nosso caso o limão estava espremido quase até ao limite. É preciso mais. Mas, neste momento, ainda não podemos exigir mais.

O que se pedia a Duque era que construísse uma equipa, e a verdade é que construiu; e a Domingos pedia-se que pusesse essa equipa a jogar futebol, e a verdade é que pôs. Por ora, não dá para muito mais. Para o ano, certamente não desperdiçaremos 7 pontos nas primeiras 3 jornadas e estaremos na luta com outra convicção e com uma equipa mais entrosada e mais experiente.

Quanto a este ano, as contas são fáceis: temos que ganhar os 16 jogos que faltam; ganhando os 16 jogos, por inerência ganhamos a Benfica (ficamos a 5) e a Porto (ficamos a 3); esperar que Benfica e Porto empatem (ficamos a 3 e 1 respectivamente); e esperar que Benfica perca um joguito e o Porto empate um outro. Se tudo isto acontecer, seremos campeões. Muito, mas mesmo muito complicado...

Quanto ao jogo propriamente dito: não vou estar aqui a fazer a crónica, há muitos locais onde todos a poderão ler. Hoje li por aí que o jogo foi fantástico, intenso e sei lá que mais. Para mim, o jogo foi uma grande treta, muito mal jogado, com passes fáceis (e até golos fáceis) falhados demasiadas vezes.

Do lado do Sporting, limito-me a destacar que Elias deverá ter feito o melhor jogo desde que chegou ao Sporting (e ainda assim revelou falta de critério no passe em diversas situações); que Renato Neto ontem só jogou para o lado e para trás (mas tenho esperança que tal se deva à pressão do jogo e do adversário); que Wolfsvinkel continua numa forma fraquinha e que Ribas chegou na hora H (uma vez que Rubio não conta para Domingos por agora e que Bojinov claramente não é solução); que Onyewu esteve melhor do que o esperado (mas o passe longo é ainda pior do que o de Polga); e que Rui Patrício esteve muito bem a transmitiu grande segurança.

No Porto gostei de Helton (fantásticas defesas perante Polga e Wolfsvinkel), Otamendi (não me lembro de ter perdido um lance, ao contrário do trapalhão Rolando), Fernando, Cristian Rodriguez e, claro, Hulk. Depois havia lá um baixote no meio-campo cujo nome não me recordo mas que não jogou nada de especial. Quanto a Álvaro Pereira, que a imprensa diz que esteve fabuloso numa lógica destinada a convencer Villas-Boas a espetar 30 ou 35 milhões até 31.01, fartou-se de correr, é verdade, mas não aproveitou decentemente um só dos 150 lances pela esquerda em que, com superioridade numérica muitas vezes de 3 para 1 (sendo que o "1" era João Pereira que ontem esteve defensivamente desastroso), conseguia colocar a bola na bancada ou no colega em pior posição. Sinceramente, sei que é um grande jogador, mas neste momento não o trocava por Insua.

Faltou dizer acima que já é difícil ser campeão, mas temos a obrigação de ganhar todos os jogos em casa até ao fim do campeonato e claro ganhar a Taça de Portugal, começando já com uma concludente vitória sobre o Nacional na 4ª feira. Quanto à Taça Lucílio Baptista, deixá-la-ia para o vencedor do costume, aproveitando a competição apenas e só para rodar jogadores como Arias e Rubio, dar ritmo a Xandão e Ribas e fazer regressar Jeffren, Matias, Izamailov e a restante legião de lesionados.

E venha o Nacional para retomar a senda de vitórias!

PS: recordam-se deste post? Na altura, Cajuda tinha dito que o Leiria não envergonhava o futebol português; hoje, depois de levar 4 secos do Benfica, diz que o Leiria fez um bom jogo. Alguém me explica como é que ainda há pachorra para patetas destes?

04/01/2012

Jogo perfeito para recolocar a máquina em andamento

Em minha opinião o Benfica deverá olhar para esta Taça da Liga da mesma forma que Samoa olhou para o dia 30 de Dezembro: perfeitamente dispensável se objectivos maiores estiverem em causa. Assim, aproveite-se estes jogos para dar minutos aos jogadores mais jovens e aos menos utilizados e acreditar que, mesmo assim, os resultados permitirão continuar em prova. Se chegarem os jogos a eliminar e, da forma como está desenhada esta prova, algum grande, na altura se verá se o calendário permite continuar com esta estratégia ou se é possível colocar a maior parte dos titulares. No entanto, para este jogo fez todo o sentido a forma como Jorge Jesus montou a equipa através da colocação em campo de grande parte dos titulares: a pausa (demasiado) alargada de final do ano justificava a necessidade de dar competição aos jogadores que vão jogar no campeonato de modo a queimar os excessos de picanha no Brasil e Argentina e aquecer os motores para a competição que mais interessa. A opção por Eduardo era esperada e Nelson Oliveira só jogou (parece) para cumprir a regra dos dois jogadores formados localmente. Como a regra só exige os primeiros 45 minutos, ficou logo no balneário ao intervalo. É triste mas é esta a sina de um Benfica sem portugueses indiscutíveis. Já jogar com dois avançados e sobretudo com Saviola, é que era perfeitamente dispensável, sobretudo por ser este o jogo mais difícil desta fase da Taça da Liga. Tenho para mim que o Saviola só renovou para facilitar o processo de renovação do amigo Aimar ou facilitar a vinda de mais promessas argentinas que ficam sempre mais fascinados com a possibilidade de jogarem com Saviola e Aimar. 


 O jogo começou bem para o Benfica com uma boa oportunidade de Nolito e depois com o golo de Witsel ainda dentro do primeiro quarto de hora. A partir daqui, de novo um filme a que o Benfica já nos habituou: deixaram de jogar futebol e permitiram que o adversário crescesse e conseguisse várias oportunidades de golo. Só a ineficácia dos vimaranenses e a grande defesa do Eduardo evitaram que o golo do empate chegasse ainda na primeira parte. 


 Depois, é verdade que a segunda parte ainda começou com o golo do empate do V. Guimarães, mas o Benfica com as substituições e a jogar apenas com Cardozo na frente voltou a mandar no jogo e acabou por fazer um bom jogo com várias jogadas de envolvimento ofensivo. Se já era esperado novo golo por parte do Benfica, a expulsão de Pedro Mendes veio reforçar ainda mais esta expectativa. A partir daqui só deu Benfica e Cardozo logo tratou de marcar um grande golo para materializar o domínio na partida. Após o golo, não houve a já referida tendência de voltar a adormecer, pelo que as boas jogadas continuaram e assim, com alguma naturalidade, foi alargada a vantagem com mais um golo de Cardozo e outro de Rodrigo.


O Benfica começou da melhor forma 2012 e esta Taça da Liga com a vitória no jogo mais complicado desta fase. Nolito voltou a fazer um bom jogo, sempre com grande critério no passe e passando sucessivamente pelo seu adversário directo, Witsel pareceu melhor fisicamente e com maior capacidade para ocupar os espaços e transportar a bola, Maxi voltou a carburar e Cardozo voltou a ser matador. Por outro lado, Emerson, mais uma vez, mostrou grandes fragilidades (Capdevila, mesmo de saída, não dava mesmo para jogar nesta Taça da Liga?!), Saviola teve mais um jogo com produção bastante baixa e Nelson Oliveira justifica cada vez mais um empréstimo para ganhar minutos de competição e crescer como jogador. Javi Garcia fez um bom jogo mas precisa de moderar alguns ímpetos sob pena de não terminar o jogo. Embora não me pareça um lance claro para vermelho, não pode facilitar daquela forma.


Venha agora o campeonato para cumprirmos a nossa obrigação, enquanto esperamos por boas notícias de Alvalade!