27/11/2011

Vitória tão difícil quanto importante

Já todos ouvimos dizer que os campeonatos não se ganham nos jogos entre os grandes. Matematicamente, é uma verdade inquestionável. No entanto, no futebol, se tudo se resumisse a estatísticas e números, as casas de apostas não tinham neste desporto uma das principais fontes de receitas e os resultados seriam sempre bastante previsíveis. Mas a verdade é que o futebol envolve muitos outros factores tão ou mais importantes do que a qualidade dos jogadores ou a definição do esquema táctico: confiança, moral, motivação, garra, superação, entre outros, são elementos fundamentais no desfecho de um jogo, pelo que acredito que uma vitória nestes jogos contribui significativamente para maximizar estes factores e, desta forma, embalar a equipa para atingir os seus objectivos. Depois desta semana que tão bons resultados trouxe, caso estivéssemos a ver um Football Manager do Benfica no final desta noite, certamente que quase todos os jogadores estariam com a morale em Superb (Cardozo ficaria fora deste lote...), o que não deixa de se traduzir numa verdadeira vantagem competitiva que deve ser aproveitada.






No derby mais importante do campeonato português, o Benfica levou a melhor e consegue, para além de aumentar para 4 pontos a vantagem sobre o Sporting (se ainda existiam dúvidas se o Sporting era ou não candidato, hoje ficou claro que poderá ser um campeonato disputado a três), colocar ainda mais alguma pressão no Porto-Braga. Foi uma partida que a nível técnico não foi muito interessante nem espectacular, muito por culpa de ter sido um grande jogo a nível táctico. Os dois técnicos preocuparam-se bastante em anular os pontos fortes dos adversários pelo que não foi possível assistir a um jogo aberto com grandes jogadas por parte das duas equipas. Foi facilmente perceptível a preocupação de Domingos em colocar os homens da frente a pressionar os defesas para bloquear a criação de jogadas e os ataques em bloco, levando o Benfica a optar muitas vezes pelo futebol directo para Cardozo. Durante a primeira parte o trio Javi-Witsel-Aimar conseguiu estar em melhor plano que o meio-campo do Sporting embora sem conseguir traduzir esta vantagem em ocasiões de golo. Na verdade, o Benfica apenas conseguiu deixar Patrício em verdadeiros apuros através de bolas paradas (remate fabuloso de Gaitán ao poste e o golo de Javi Garcia num canto) enquanto o Sporting por três ocasiões poderia ter chegado ao golo (remate de cabeça de Wolswinkel, remate de Schaars e jogada de Carrillo).


Na segunda parte o Sporting entrou forte e com vontade de chegar ao empate, conseguindo aproximar-se da baliza de Artur, não só através de bolas paradas como em lances de bola corrida. Elias por duas vezes teve tudo para fazer o empate mas uma super defesa de Artur e a mira desafinada evitaram o pior (nesta última o guarda-redes do Benfica ia borrando a pintura com uma distracção incrível). Cardozo por outro lado, até trabalhou bem a bola após uma falha de Onyqualquercoisa mas foi uma grande oportunidade que não concretizou e em que Patrício esteve em bom plano. Com a expulsão do paraguaio logo aos 63 minutos, acabou-se o futebol do Benfica que se limitou a defender de todas as formas possíveis e esperar que o jogo terminasse (excepção feita ao lance de Rodrigo que, já no final e na cara de Patrício, não conseguiu marcar o segundo). A opção de Domingos em colocar vários homens na área do Benfica acabou por facilitar a marcação e a ocupação dos espaços por um Benfica reduzido a 10 e que tinha realizado um jogo de grande desgaste físico na terça-feira contra o Manchester, pelo que a principal preocupação passava por garantir que nenhum dos cruzamentos chegasse aos avançados do Sporting. No final, mais um jogo de grande sofrimento para o Benfica mas que permitiu chegar novamente ao final com um sentimento de grande satisfação.


Quanto aos destaques individuais, Aimar espalhou classe e deixou Carriço com saudades de jogar a central, Maxi voltou aos níveis que já habituou os adeptos do terceiro anel e Artur voltou a ser determinante. Cardozo, para além de dar ainda mais razões para a titularidade de Rodrigo nos próximos jogos, deveria pagar uma jantarada aos seus colegas pelo esforço extra que foram obrigados a dispensar e uma rodada aos adeptos do Benfica pelos nervosismo que potenciou. Acho que foi um exagero do árbitro e uma tremenda falta de bom senso num jogo destes, mas não se pode facilitar.


As grandes equipas não podem tirar o pé do acelerador quando estão em causa jogos importantíssimos para a conquista de títulos pelo que, já contra o Marítimo, o Benfica deverá procurar manter esta sequência de bons resultados e continuar como o único clube que participa nas competições europeias que não regista qualquer derrota em todas as competições. 

26/11/2011

Um derby mal perdido

Começaria por dizer que, em cada 10 derbies, 1 é daqueles jogos loucos com bastantes golos, 2 ou 3 são dominados pelo equipa que está mais forte, que normalmente os vence (todos os da última época, por exemplo), mas a maioria dos jogos são equilibrados, jogados taco a taco, como o desta noite. Normalmente, estes acabam empatados ou decidem-se no detalhe, nomeadamente na bola parada. Foi o que aconteceu hoje.

O jogo decidiu-se precisamente por um detalhe: o golo do Benfica, marcado num dos diversos cantos de que o Benfica beneficiou, lances onde aliás todos sabemos que o Benfica é muito forte. Quanto ao jogo jogado, creio que "não nos caem os parentes na lama" pela exibição.

Neste ponto, o exibicional, tenho que me penitenciar: tinha dito aqui que o Sporting não tinha pernas para o Benfica, mas teve-as. Teve pernas e teve personalidade, o que é mais importante. Entrou melhor do que o Benfica, não deixando o Benfica trocar a bola no meio-campo, e impedindo que Aimar pegasse no jogo. Jesus, que admiro como treinador, mentiu descaradamente no fim do jogo, quando afirmou que o Sporting não deixou o Benfica jogar em progressão, mas que o Benfica fica como peixe na água no futebol directo. Não é verdade, o Benfica em futebol directo não é a mesma coisa; sem os laterais a apoiar o ataque não é a mesma coisa; sem os raids de Bruno César e Gaitán não é a mesma coisa. Por isso é que o Benfica na primeira parte apenas criou dois lances de golo, ambos em cantos.

Mas a verdade é que marcou, bem perto do intervalo, num lance em que Onyewu culpa Schaars, Polga culpa Patrício e Patrício culpa Onyewu, e eu culpo as limitações defensivas que ainda temos, não só em termos de altura, mas acima de tudo de posicionamento dos jogadores. Não é aceitável continuar a perder jogos em lances básicos de bola parada, em que o jogador que está na área do cabeceador nem saltar consegue, sendo verdadeiramente atropelado pelo oponente, que tem mais 10 cms de altura. É algo que Domingos tem que trabalhar, mas eu insisto que precisamos de outras opções para estes jogos, adaptar Carriço é claramente insuficiente.

No lado do Sporting, recordo-me de dois lances bem perigosos, um de Schaars, com o pé direito, e outro de Carrillo, a terminar a primeira parte (o menino-de-rua, diga-se, entrou para o lugar de Matias à meia hora, por lesão deste... tenho pena, porque era o único que poderia fazer a diferença nas bolas paradas, decisivas neste tipo de jogos, como se viu).

Na segunda parte, Cardozo permitiu grande defesa a Patrício, Elias outra de igual nível a Artur. Depois da expulsão de Cardozo, o Sporting tinha tudo para empatar o jogo, ainda criou oportunidades para o fazer, mas mais por demérito do adversário do que por mérito próprio. Artur, designadamente, esteve muito desastrado esta noite se não contarmos com o lance da defesa ao lance de Elias - recordo-me de um lance de amador ao pretender deixar sair uma bola que Wolfsvinkel ainda apanhou e de duas saídas "à Ricardo" já no fim do jogo. Pode ser que, afinal, o homem ainda dê um franguito ou outro que dê para equilibrar as contas!

Quanto à nossa performance na segunda parte, queria ainda dizer o seguinte: se já aqui reconheci noutros posts que Domingos está a superar as expectativas, e realcei acima a personalidade da exibição, designadamente da entrada em jogo, não posso deixar de lamentar que o treinador não tenha conseguido incutir a necessidade de trocar a bola com paciência (tendo 1 a mais haveríamos de encontrar uma brecha) e tenha passado para dentro de campo uma mensagem errada, com a entrada de Bojinov. Bem sei que as opções são poucas, mas esta substituição foi inútil, porque Bojinov nada fez e porque a mensagem que passa é a do futebol directo. Eu, em casa, interpretei-a assim, calculo que dentro do campo não tenha sido muito diferente.

Repare-se que o Benfica joga com uma defesa com dois elementos permeáveis (Jardel e Emerson) e o primeiro, esse sim, jogou como peixe na água, constantemente a aliviar as bolas pelo ar bombeadas por Onyewu e Polga. Já o segundo, foi o único a passar um mau bocado, porque tinha pela frente o menino-de-rua Carrillo. Jesus, rato velho, mandou baixar Gaitán, deixou de atacar por ali, mas pôs dois em cima de Carrillo que, depois disso, não mais criou dificuldades ao lateral esquerdo do Benfica. Mas, ainda assim, ele e Capel foram os únicos que jogaram toda a segunda parte sem recorrer à charutada.

Ou seja e em suma: acho que o Sporting jogou "de igual para igual" e não fosse continuar a ter uma equipa de minorcas (e miúdos, diga-se de passagem), dificilmente saía derrotado da Luz. Mas perder na Luz, desta forma, não muda nada para o futuro. Por isso, esquecer este jogo e vamos em frente.

E venha o próximo (nem sei quem é) para retomar a senda de vitórias!

PS: Uma nota final para Elias. Sei que tenho implicado com o rapaz, mas a verdade é que continuo sem ver qualidades de selecção brasileira. Hoje nem esteve mal, mas falhou as 3 melhores oportunidades do Sporting na 2ª parte. Se na primeira há mérito de Artur e na última era complicado colocar o remate de primeira, na segunda, com a baliza escancarada e o GR no chão, exige-se mais sangue frio a um titular da selecção do Brasil.

23/11/2011

Saber sofrer também dá direito a apuramento

Meus caros, hoje estou com mais vontade de dar espaço à emoção do que à razão! O empate em Old Trafford, o apuramento para a próxima fase e, ainda mais relevante, a possibilidade de ficar em primeiro lugar, são razões mais do que suficientes para justificar que os sentimentos falem mais alto (que o diga o sócio n.º 238125 que, enquanto saboreava um belo biberão, não deixou de apanhar um valente susto quando Aimar fez o segundo). No entanto, de uma forma mais racional, não posso deixar de assinalar o importantíssimo encaixe financeiro que o apuramento permite e a importante injecção de  moral que oferece para o jogo contra o Sporting: face a toda a excitação que reina para os lados de Alvalade, só mesmo o desfecho desta noite para deixar a moral e a confiança em níveis similares para os lados da Luz.


Quanto ao jogo, não poderia estar mais de acordo com Jorge Jesus quanto ao onze inicial. A aposta em Rodrigo mostra um salutar distanciamento em relação ao estatuto dos jogadores no plantel e, desta forma, passa uma importante mensagem: joga quem estiver melhor independentemente da idade, salário e historial. Pode ser que assim terminem as birras de quem pensa que tem o lugar assegurado e que não precisa de se esforçar para agradar a treinador, colegas ou adeptos. Só discordo em relação ao posicionamento de Aimar que continuo a achar que está a jogar demasiado perto do avançado e demasiado afastado de Witsel e Javi, pelo que acaba por andar desaparecido durante largos minutos e não facilita a posse de bola e o controlo do jogo por parte do Benfica. 


De resto, o jogo não podia ter começado melhor. Logo nos minutos iniciais, a vantagem para o Benfica com um golo às três tabelas, fruto de um cruzamento de Gaitán que Phil Jones acabou por enviar para a própria baliza. Nestes primeiros 20 minutos, o Benfica, mesmo sem fazer um jogo de grande qualidade, parecia bastante tranquilo e com capacidade para manter o perigo afastado da baliza de Artur. Por outro lado, nesta fase, Gaitán parecia com vontade de obrigar o escocês que masca pastilhas a grande velocidade a deixar um cheque de 30 milhões em Lisboa. No entanto, cedo passou esta impressão, já que só faltava ao argentino colocar a bola em cima do nariz, bater palmas e pedir sardinhas, pois futebol propriamente dito, deixou de sair dos seus pés. É uma pena que Jorge Jesus não consiga extrair o enorme potencial que este jogador tem e permita que ande deslumbrado com as notícias e com um ou outro pormenor que assinala nos jogos. Para além das sucessivas perdas de bola, todos sabemos que já marcou grandes golos com remates em arco ao ângulo, mas já chega de tentativas! Depois dos 20 minutos, o Manchester tornou-se mais perigoso e o árbitro ajudou a inclinar o campo. Assim, não foi grande surpresa quando, após uma falta que não existiu, Berbatov empatou o jogo em posição de fora-de-jogo.


Ao intervalo e com um empate no marcador, esperei que Jorge Jesus colocasse Amorim (ou mesmo Nolito) no lugar de um nervoso Bruno César e que recuasse Aimar no terreno. Nada disto aconteceu e a pressão dos ingleses intensificou-se. Era expectável o golo dos homens da casa e só São Artur (começo a achar que, em vez de Witsel, esta é que foi a melhor contratação da época) foi adiando este golo (feito que já tinha conseguido na primeira parte). Após a saída de Luisão ("rasgado" numa grande simulação de Berbatov), o Manchester chegou à vantagem. E foi aí que a sorte do Benfica voltou: numa reacção imediata e na primeira jogada de perigo até então, um remate de Bruno César sobrou para Aimar que só teve que encostar. A partir daqui, foi sofrer, sofrer e sofrer mais um bocadinho até ao final do jogo (excepção para um remate perigoso de Rodrigo aos 89 min), até porque o campo continuou inclinado por força de pequenas faltas que não eram assinaladas a favor do Benfica. O United criou oportunidades suficientes para chegar ao golo mas, felizmente, tal não aconteceu. Boa substituição de Jesus ao trocar Gaitán por Matic e a normal ao trocar Aimar por Amorim. 




Artur e Witsel foram os homens do jogo para o Benfica. O primeiro pelas duas excelentes intervenções quando Fábio e Young apareceram isolados e por toda a tranquilidade nos restantes lances, enquanto Witsel foi o jogador que não acusou a pressão do jogo, que soltou a bola sempre no momento certo, que a guardou com grande qualidade sempre que necessário e que ainda deu um forte contributo a defender.


Agora, com um próximo treino que será bem mais fácil pela alegria do apuramento, só espero que recuperem os músculos e a concentração para o próximo jogo pois é imprescindível baixar a juba do leão e esperar que a crise de resultados continue para a equipa que precisa de escolta até ao aeroporto.


PS: no post anterior referi o problema que poderia advir do facto de Jesus não dar minutos a outra dupla de centrais, já que a dupla titular (Garay-Luisão) poderia não estar sempre em condições de jogar. Não queria ter razão logo no jogo seguinte, mas com Luisão em sério risco de não jogar o derby, poderá ser necessário recorrer a Miguel Vitor ou Jardel para jogar com o argentino sem que existam rotinas ou ritmo competitivo nestes jogadores (não haver Liedson ameniza um pouco esta questão).  

22/11/2011

Bom jogo em Alvalade

De facto, ao vivo é outra coisa. Tenho andado por aí a dizer que o Braga este ano não tem arcaboiço para andar lá em cima, mas tenho que mudar a mira depois de os ver jogar em Alvalade. O Braga sai de Alvalade com uma derrota por 2-0, mas após algum azar (os dois golos de rajada, sendo o segundo meio afrangalhado...) e um grande jogo de bola.

Equipa bem construída, ainda que com limitações óbvias na defesa, que se notaram. Este Braga, com o regresso de um central como Moisés, por exemplo, seria um caso muito sério este ano. Ewerton esteve trapalhão e Paulo Vinícius apenas regular. Mas Elderson é bom jogador e Salino, a meu ver, fez um excelente jogo para lateral adaptado.

Meio-campo com o tal tractor que gostaria de ver em Alvalade (não necessariamente este, Djamal, mas um tractor que sozinho ocupasse aquele espaço todo), acrescido de um primeiro construtor de jogo mais recuado (Viana) e um 8 e 1/2 (Mossoró) mais livre. No ataque, Barbosa, Alan e Lima (excelentes estes dois últimos no Domingo).

Fiquei muito bem impressionado com a entrada do Braga, com a capacidade de construção de jogo a meio-campo (Viana muito bem) e com a facilidade com que criavam perigo e construíam lances pelas alas, nomeadamente nas costas dos nossos laterais. Muito bem treinada a equipa, até agora a melhor que defrontámos. Ah! e reconheça-se que teve azar quando Jorge Sousa não marcou aquele penalty sobre Alan, ainda na primeira parte, que viria com o bónus da expulsão de Polga, permitindo ao Braga voltar ao jogo.

Quanto ao Sporting, teve que jogar bem para bater este Braga (e jogou, a espaços) e teve a pontinha de sorte sempre exigida nos jogos mais complicados, desta vez sub-dividida em dois momentos afortunados: marcar primeiro no primeiro lance de verdadeiro perigo, após dois lances complicados criados na outra área por Lima e Alan; marcar o segundo de rajada após intervenção desastrada do GR do Braga, Berni.

Mas, independentemente da sorte, e acima de tudo, há que dizer que o Sporting tem jogado com muita alma e mesmo jogadores como Matias (considerado preguiçoso quando chamado a defender) e Elias (que ainda não me convenceu do ponto de vista técnico) esfarrapam-se do primeiro ao último minuto, numa atitude cujo mérito deve em grande medida ser atribuído ao treinador. Domingos tem feito um trabalho, neste ponto, que tem ficado muito acima das minhas expectativas.

No demais, o Sporting teve o mérito de adormecer o jogo a meio-campo, designadamente na 2ª parte, não deixando de lançar um ou outro contra-ataque perigoso (recordo-me de um lance que João Pereira concluíu em trivela e de uma folha seca espectacular do menino-de-rua Carrillo, direitinha à quina entra o poste e a barra). Mérito, uma vez mais, para Domingos, que, em vantagem, tem conseguido fazer a equipa controlar o jogo sem a recuar em demasia.

Naturalmente que o jogo de Sábado é diferente, porque "mexe" com muitas coisas para além do futebol. Mas tudo é possível. Eu arriscaria entrar para supreeender o Benfica logo de início, com a melhor equipa possível e o mais ofensivo que conseguíssemos. Assim:
- Patrício
- João Pereira
- Polga
- Onyewu
- Insua
- Elias
- Schaars
- Matias
- Capel
- Carrillo
- Wolfsvinkel

É evidente que se perdermos o Domingos vai ser acusado de ter arriscado demais. Mas sem Rinaudo, prefiro o Elias e o Schaars (que não têm construído muito mas são fortes, não dão bolas por perdidas e dão pau quando é preciso) ao André Santos, que tem bons pés mas é muito mole para trinco. E assim poria Matias no meio, na sua posição, "respondendo" na mesma moeda à utilização de Aimar. Nós não temos quem páre Aimar? Talvez. Pergunto quem terá o Benfica para parar um Matias em boa forma. Talvez Javi, talvez Matic, talvez ambos, não sei, mas pelo menos deixaria Jesus a pensar no tema...

Essencial é jogar para ganhar. Se não der, empatemos. Se não der para empatar, empatemos à mesma! A perder, que percamos porque o Benfica foi melhor e não porque arriscámos pouco ou não fizemos o suficiente. É o que penso.

E venha o Benfica para continuar a (nossa) senda de vitórias!

PS: Possível confronto na Taça se Sporting eliminar Belenenses (muito provável) e Benfica eliminar Marítimo, no Funchal (difícil, mas mais provável que Benfica passe). Não queria mesmo nada defrontar outra vez o Benfica sem ter recuperados Rinaudo, Izmailov e Jeffren, pelo menos estes. Enfim, é só mais uma boa razão para torcer pelo Marítimo!

19/11/2011

Rodrigo até debaixo d'água

Pouco há a dizer relativamente ao jogo da Taça entre Benfica e Naval. A forte chuva que teimou em não abandonar o campo da Figueira da Foz impossibilitou que se jogasse futebol e, como não acompanho o futebol aquático, não tenho grandes comentários a fazer. Como seria de esperar, Jorge Jesus preferiu poupar jogadores que estiveram ao serviço das selecções e outros habituais titulares, colocando no onze inicial os jogadores menos utilizados como Rodrigo Mora que tinha assinalado bons pormenores no particular contra o Galatasaray. Por outro lado, mesmo neste jogo contra uma equipa de divisão secundária, continuou a não abdicar da dupla Luisão - Garay, facto que me começa a preocupar. Espero que a dupla de centrais do Benfica (para mim, a mais forte do campeonato) continue sem lesões e castigos mas seria preferível dar minutos a outros centrais, neste tipo de jogos, de modo a precaver a ausência de algum destes dois jogadores.


Num jogo com o relvado completamente ensopado e em que a bola mal circulava, obviamente que o recurso ao pontapé em frente era uma inevitabilidade e em que as principais situações de perigo chegavam através das bolas paradas do Benfica (que poderia ter aproveitado dois ou três livres para chegar à vantagem). Para além destes lances, contou ainda com uma boa oportunidade por Nolito logo no início do jogo. O espanhol na frente e Garay na defesa e sobretudo a fechar as costas de Capdevila foram os jogadores que melhor se adaptaram às condições da piscina.


Na segunda parte, o Benfica manteve a superioridade mas permitiu alguns cantos a favor da Naval e, mais preocupante, contra-ataques muito perigosos que o estado do relvado ajudou (e muito) a neutralizar. Parecia que, após um canto a favor, os jogadores do Benfica voltavam ao seu meio-campo a nadar contra a corrente pois a Naval surgia com 4 e 5 jogadores contra apenas dois. O Benfica não deixou de ter boas oportunidades por Bruno César e especialmente Javi Garcia mas foi Bolívia que me enganou e que parecia ter conseguido efectivamente rematar para golo (com alguma sorte, passou ligeiramente ao lado). Por outro lado, Rúben Amorim, assim que teve a possibilidade de jogar na posição em que rende mais, a médio centro, foi o jogador em maior evidência e esteve até perto do golo. Como prémio pelo bom jogo que estava a fazer, Jesus logo tratou de o colocar a defesa direito quando avançou com as duas últimas substituições. Do mal o menos, fez entrar o jogador que neste momento está, não com o pé quente, mas talvez em brasa, e assim, Rodrigo precisou de apenas de um minuto para marcar o golo da vitória e garantir a passagem aos oitavos de final. É necessário não entrar em euforias relativamente a Rodrigo pois não se pode dizer que deixa os centrais adversários de rastos, que faz arrancadas impressionantes ou que contribui para jogadas de futebol espectacular, mas tendo em consideração a sua idade, o seu faro para o golo e as estatísticas impressionantes dos seus últimos jogos, não é demais dar destaque a este jogador e enquadrá-lo no mais famoso cântico dos No Name para os jogos com bastante chuva. 

16/11/2011

Elogio da Roulotte




Sim, acertaram: apesar de já terem passado 3 dias sobre o Portugal-Bósnia, a moça da foto é a Miss Bósnia & Herzegovina 2011, de seu nome Snezana Kuzmanovic. O fundo da foto é montagem, bem sei, mas a moça é mesmo assim, basta fazer a pesquisa de imagens do Google e confirmar.

Esta moça teve uma noite complicada na 3ª feira. Começou por assistir a um Tomahawk de CR7, seguido de um míssil ainda mais potente de Nani, e de um festival de golos na 2ª parte, CR7, Postiga x 2 e até Miguel Veloso.

Eu, pelo meu lado, tive uma noite impecável. Depois de finalizar uma transacção que durava há vários anos, juntei-me com um grupo de malta do escritório (e também alguns ex-escritório que vão mantendo o contacto) e apanhei o metro para o Alto dos Moínhos. Daí saímos para uma roulotte (a primeira, do lado esquerdo, para quem sobe da estação de metro) para as habituais bifanas e, pensava eu, minis (afinal eram imperiais em copos de plástico, mas tudo bem).

Recordo que não estava no meu território. Quando cheguei, aliás, estranhei aquele ambiente demasiado avermelhado. As bandeiras e cachecois de Portugal não ajudam, uma vez que têm, como sabem, bastante vermelho (alguns dizem que é magenta, como aliás deveria ser o nosso equipamento, mas isso são contas de outro rosário). Mas depois a pessoa abstrai-se e, na realidade, estamos na bola. E bola é bola em todo o lado.

E se bola é bola em todo o lado, uma roulotte da bola é uma roulotte da bola em todo o lado. Carrinha, gerador, um molho de bifanas com um odor suficiente para manter qualquer inspector da ASAE a uma distância mínima de 1 km sob pena de desmaio, zero de método no pedido das bifanas, constante utilização do vocábulo "chefe", alguns coiratos a sair ainda com pelunga e tinta azul e, claro, muita cerveja a rodar.

E assim nos entretivemos até ao momento de entrar no estádio. Já não ia a este estádio desde 2005. Reconheça-se que o estádio é bonito mas a situação financeira do Benfica não permitiu acabar a pintura, o que é pena. Conheço um senhor que fez as obras lá em casa que poderia dar uma mãozinha. E se precisarem de azulejos conheço uns gajos que estão para se desfazer deles e que podem certamente dar uma contribuição. Têm um leão desenhado mas isso não é problema porque, até hoje, ninguém deu bem por isso. Mas adiante.

Lugares na primeira fila do terceiro anel, naquilo que em Alvalade se chamaria Superior Sul (não sei como se chama na Luz). Visão perfeita para os dois primeiros golos (o segundo, dos melhores que já vi ao vivo) e para o penalty imbecil de Coentrão (naturalmente habituado a que estes lances não sejam marcados neste estádio...). Pena foi a musiquinha de feira em altos gritos toda a primeira parte, mas ao intervalo lá calaram os micros.

Segunda parte. CR7, que "só" tem levado a selecção ao colo no último ano, com a esporádica colaboração de Nani, faz um jogo brutal, parte aquilo tudo, abre espaços para tudo quanto é bicho careta marcar golos. E marca um também, por sinal o mais importante do jogo, o momentâneo 3-1 quando ainda estava 11-11. Estádio em festa, apuramento garantido, tudo a correr bem, vamos mas é regressar à roulotte.

E aí sim, aí temos o verdadeiro futebol: com imperiais na mão se discute a verdadeira bola. Faço uma defesa de Paulo Bento, contradizendo o meu próprio post "The name is Bento... Paulo Bento". Porque foi Bosingwa a esticar a corda; porque a boca de Bosingwa ("já não estás nos juniores do Sporting") é desrespeitosa; porque a simulação de uma lesão, num particular da selecção, é gravíssima.

Ao mesmo tempo, Paulo Bento, que acompanha este blog há vários meses e seguramente tinha lido o meu post, quis dar-me razão, ciente que está do grande defeito deste vosso escriba já aqui reconhecido: a insuperável vontade de dizer "eu bem dizia" quando algo corre como eu antecipava que correria.

"Agora que já estamos no Euro" pensou ele "posso, acima de tudo, posso dizer o que me apetece com dranquilidade, e assim, ah, e assim, dou razão ao Koba do futebol a 3 que, acima de tudo, escreve aquele post para no dia imediatamente seguinte, ah, no dia seguinte, ah, sair a notícia do que o Bosingwa fez na Suíça. Foi azar. Fábio, futebol pé, andebol, mão".

Ora, eis em definitivo o que penso disto tudo:
- se é verdade que Bosingwa simulou uma lesão aquando do jogo da Argentina, acho que Paulo Bento até acabou por nem gerir o tema tão mal quanto inicialmente se pensava;
- ao contrário do caso Ricardo Carvalho, onde independentemente da gravidade das atitudes do jogador, foi Paulo Bento a extremar posições de tal forma que o jogador não mais regressará à selecção, no caso de Bosingwa foi o jogador a exagerar na reacção e a precipitar-se nas declarações;
- neste sentido, reconheço que o post "The name is Bento... Paulo Bento", pese embora o tom debochador, possa parecer um pouco excessivo;
- mas digo "parecer", e não "ser" porque, após o jogo, Bento resolveu dar razão aos meus argumentos nesse post, ao dizer que "Bosingwa e Carvalho podem ir ao Euro como espectadores". Arrogância lamentável.

Mais uma frase infeliz de um homem que, mesmo tendo razão no "caso Bosingwa", não consegue deixar de usar "força excessiva" na argumentação. Mas, pior do que isso: veio contradizer argumentação que eu lancei para a discussão numa roulotte. Seria o mesmo que contradizer um dichote de um taxista! Descredibilizar o meu post, eu poderia aceitar; descredibilizar as minhas larachas numa discussão de roulotte, com isso, meu caro Paulo, não posso conviver.

É que a roulotte é o grande auditório democrático da bola. Em qualquer estádio do país (ou à volta dele, para ser preciso). Por isso é que, como diria Manuel Machado, um vintém é um vintém, um cretino é um cretino, e uma roulotte da bola é uma roulotte da bola. Há coisas que não mudam mesmo que as pintemos de amarelo, verde, vermelho, azul...

13/11/2011

Braga por um canudo mas de caçadeira


Não está aqui em causa o mérito do Braga nos resultados que, nos últimos confrontos, tem conseguido frente ao Benfica (embora seja mais correcto falar em demérito do Benfica). O que me leva a fazer este post e o respectivo título está mais relacionado com tudo o resto.

Recordo-me de, quando ainda era puto e não havia Sport Tv, num jogo de casa cheia no antigo estádio do Braga, de ouvir o locutor da rádio a dizer que, no início da partida, eram cerca de metade os adeptos do Glorioso mas que, após o primeiro golo deste, a grande maioria dos adeptos já torcia pelo Benfica. Isto acontecia porque, segundo o que era normal ouvir nas conversas de futebol, eram muitos os adeptos desta cidade que defendiam o encarnado, não só de Braga, mas também o de Lisboa. No entanto, no cenário actual, por força das conquistas sucessivas do clube das Antas ou potenciado pela disputa até à última jornada do campeonato há duas épocas, leva-me a acreditar que este mito futebolístico já deixou de ser plausível.

Não é que sinta falta destes antigos adeptos que se enquadravam perfeitamente na mais conhecida música de Marco Paulo, até porque acho que faz falta ao campeonato nacional existirem clubes de segunda linha com adeptos fiéis e monógamos como os de Guimarães, mas a raiva e ódio que as gentes de Braga sentem em relação ao Benfica, desde os adeptos aos jogadores, é que já me faz mais alguma confusão. O caso do túnel da pedreira por uma lado (que teve como ponto de ignição as habituais provocações por parte dos jogadores do Braga) e a disputa pelo campeonato até à última jornada por outro (apenas possível pelas arbitragens que beneficiaram os arsenalistas de uma forma vergonhosa), podem ajudar a explicar estes sentimentos mas, mesmo assim, não percebo a razão desta aversão ao Benfica. Mas, mais uma vez, é para o lado que durmo melhor…    
 
No entanto, as sucessivas faltas de respeito que a estrutura bracarense, desde o presidente aos jogadores através de declarações públicas, passando pelo speaker do Estádio Axa com músicas e cânticos de provocação a Jorge Jesus e seus jogadores, deveriam levar a um relacionamento mais distante por parte do Benfica em relação ao Braga. Não digo que deverá enveredar por um corte de relações porque não se sabe quando surgirá o próximo Tiago ou Ricardo Rocha (este último, apesar de não ser um central de grande nível, se desse metade da sua garra ao Sidnei não andávamos tão preocupados com um terceiro central de qualidade), mas ter o Luís Filipe Vieira a ver o jogo ao lado de António Salvador faz-me muita confusão… Prefiro pensar que esta proximidade nada tem a ver com negócios extra futebol, mas é por questões deste tipo que considero que o presidente do Benfica deve ser remunerado: ser rico não deve ser um requisito para estar na presidência mas "apenas" ter amor ao clube e ser competente. Ainda para mais quando já começa a correr o boato de que Salvador tem a ambição de vir a ocupar o mesmo cargo mas noutro de clube de maior dimensão que começa em "Por" e acaba em "to". Já os jogadores do Braga com as agressões, simulações e promessas de vingança seriam mais uma razão para o distanciamento do Benfica mas, neste caso, a resposta mais apropriada deveria ser dada dentro das quatro linhas, com vitórias e boas exibições.

Por fim, as declarações de Alan relativamente aos insultos de Javi Garcia. É óbvio que surtiram efeito e assim, nos dias seguintes à 10ª jornada, pouco ou nada se falou de Vitor Pereira e da crise de resultados e exibicional do Porto. Se o Benfica tivesse registado a competência exigida e vencido o jogo, já estava a imaginar Alan a dizer que Javi tinha ameaçado violar a mulher, raptar o resto da família, insultar a sua raça, castrar o cão e, ainda mais grave, cortar aquele pseudo cabelo com máquina zero. Agora, quanto ao conteúdo das queixas, acho rídicula esta nova tendência de escândalo relativamente a insultos racistas dentro das quatro linhas. Com a experiência que acumulei em muitos jogos dos distritais, afirmo que, se Javi realmente disse o que Alan veio publicamente revelar, é muito pouco para aquilo que é normal dizer e ouvir dentro de campo. Eu próprio já terei dito insultos do mesmo tipo e não sou minimamente racista e tenho grandes amigos de raça negra. É apenas uma questão de tentar desestabilizar os adversários com provocações e só os teóricos podem pensar em castigos por tertúlias entre jogadores. Em última análise, que credibilidade têm as declarações de quem afirma que 70% dos adeptos do Benfica são de raça negra?! 


Por isto tudo, se já não gostava de ver o Braga ganhar nas provas nacionais, actualmente até já tenho dificuldades em gostar de o ver ganhar nas competições europeias...

08/11/2011

The name is Bento... Paulo Bento

Trata-se do mais recente agente secreto do futebol português. Chama-se Bento... Paulo Bento, e tem a discreta missão de continuar o fantástico trabalho começado por Queiroz... Carlos Queiroz e que tinha por finalidade não nos apurarmos para os próximos euros e mundiais apesar de termos o (segundo) melhor jogador do mundo.

Refiro-me, claro está, a Ronaldo... Cristiano Ronaldo. Trata-se do capitão da selecção e de um jogador profissional como poucos mas que quando era convocado por Queiroz ia para os estágios com a mesma vontade e entusiasmo com que eu vou ver tecidos para cortinados a Campo de Ourique. No Mundial mandou o Queiroz passear e Madaíl... Gilberto Madaíl apercebeu-se que estava na hora de varrer o homem (o Queiroz, não o Ronaldo, até porque o Salgado... Ricardo Salgado precisa da fussa do madeirense credibilizada na publicidade e nunca deixaria que tal coisa acontecesse). Por sorte, Queiroz é tão mal formado que parece que manda para o cacete gajos que têm por profissão recolher o mijo dos outros às 7 da manhã (o que, parecendo que não, deve ser chato) e Dias... Laurentino Dias aproveitou-se disso para arrumar com o ex-adjunto de Ferguson... Alex Ferguson.

Contratou-se Paulo Bento que, só para disfarçar, lá foi convocando quem fazia sentido convocar e montando as equipas com os jogadores no seu lugar. Ganhou-se à Dinamarca com naturalidade, ganhou-se na Islândia, goleou-se a campeã do mundo (com direito a festival de bola, golos de Martins... Carlos Martins e Postiga... Hélder Postiga, enfim, foi o deboche total) e foi-se por ali fora.

Depois... bem, depois o agente secreto Bento, como qualquer bom agente secreto, esperou o momento certo para começar a implementar a sua estratégia secreta. Aproveitou-se de uma birra infantil de Carvalho... Ricardo Carvalho e toca de começar a dar cabo disto! "Vou fazer desta merda um caso tal, que havemos de jogar com o Rolando" (este não dá para fazer a divisão do nome à Bond... James Bond). "Eles vão ver, até vai ser titular e tudo! E como alternativa, convoco um tal de Sereno que no Porto parece que nem 90 minutos calçou."

E... os dados estavam lançados, a missão tinha começado. Continuou agora, com Bosingwa... José Bosingwa, o melhor lateral direito português que eu vi jogar (e já vejo bola há bastante tempo) e que foi excluído porque Pereira... João Pereira e um tal de Sílvio (que parece que joga naquele clube espanhol cheio de pasta que normalmente fica em 10º lugar) dão mais garantias "mentais e emocionais" (esta nem o Queiroz...). Já o Bosingwa, para quem não sabe, "só" é titular indiscutível de um dos 5 melhor clubes de Inglaterra.

Depois, lesiona-se o Sílvio e Bento... Paulo Bento pensa "com esta é que me lixaram... pronto, vou arriscar como o Queiroz fez com o Edinho, ainda que arrisque ser descoberto, deixa cá ver a base de dados, ora... www.google.pt, jogador português Chipre, não, também é demais, vão perceber que é deboche, Turquia são treinados pelo Carvalhal, toda a gente vai perceber que quero dar cabo disto, será que há algum na Grécia? Ora cá está, Vieirinha, és mesmo tu que vens para o lugar do Sílvio".

Bento sabe que Vieirinha é um bom jogador mas sabe também que nem o mais bronco dos adeptos o considera substituto de Sílvio - bom, talvez o Costa... Rui Oliveira e Costa o considerasse se não pudessem jogar o Cheers, o Chapel ou algum dos sul-africanos do Sporting. Em não podendo, é claro que fica só um defesa direito cuja probabilidade de expulsão na Bósnia ronda os 90% depois do lance de Domingo que chegará à caixa postal do árbitro do encontro mais tarde ou mais cedo. E o Vieirinha, provavelmente, vai a Sarajevo passear às custas do depauperado erário público.

A missão de Bento está, ainda, a meio caminho - neste momento, falta arranjar um conflito com Coentrão... Fábio Coentrão para passarmos da defesa de luxo à defesa de lixo. Depois passa ao meio-campo e extremos. Quanto a avançados, até lhe agradeço que arranje problemas com os que lá andam (com excepção do Gomes... Nuno Gomes que é um gajo porreiro).

Mas, em suma, e mais a sério, venham lá as eleições na FPF porque o Bento anda em roda livre e temo que o meu post pós-Euro tenha o título "E tudo o Bento estragou" (e vamos ver se não o escrevo daqui a 8 dias...). Ou se põe este gajo na linha rapidamente ou ele dá cabo disto tudo. Olhem que, à imagem do grande Octávio Machado, eu sei bem do que estou a falar...

Adendas ao post anterior

1. Penalty convertido por Wolfsvinkel

Ontem escrevi que o lance do penalty convertido por Wolfsvinkel não me pareceu penalty. Pareceu-me, no estádio, que o remate de Elias teria ressaltado no pé ou na perna do jogador do Leiria antes de bater no braço.

Mas à noite vi o lance na TV e, de facto, após o remate de Elias a bola embate directamente no braço do jogador do Leiria. A meu ver, é penalty. Uma coisa é uma bola que ressalta e embate no braço (independentemente da posição do braço), outra bem diferente é uma bola rematada que vai ao braço do jogador, estando esse braço bem afastado do corpo numa posição que é tudo menos natural. Nem vale a pena discutir intencionalidade: a forma de abordar o lance, com os braços abertos daquela forma, é, no mínimo, negligente. E é punível com falta.

Aliás, o árbitro estava mesmo ali (o que não tinha reparado no estádio) e certamente teve a visão do lance que (agora) descrevo.

2. Atitude de João Pereira

Ao reler o meu post de ontem, queria frisar um ponto adicional: ainda que considere ridículas as queixas de Cajuda no fim do jogo, é verdade que João Pereira deveria ter sido expulso. E digo mais: não gosto, mas não gosto mesmo, de ter jogadores no meu clube que pratiquem este tipo de agressões, ainda para mais quando não está em causa qualquer picardia com jogadores "do género".

Os jogadores de futebol não são anjinhos e por isso confesso que gostei quando Acosta (que sempre foi um jogador correctíssimo) aplicou um correctivo a Paulinho Santos (um provocador e agressor profissional) na final da Taça 99/2000. Do mesmo modo que não me chocaria ver Cardozo levar uma daquelas cotoveladas que ele tanto gosta de aplicar aos adversários. Sei que é uma opinião polémica mas, como dizia Scolari, "Jesuis Cristo deu a outra fáci, o Figo não é Jesuis Cristo".

Agora, gratuitamente, e daquela forma, não gosto mesmo...

07/11/2011

De nova prova dos 9 (do campeonato português) e da falta de talento de Matias


O último jogo na Roménia provou que o Sporting tem um plantel ainda curto, com opções muito limitadas nalguns sectores, e provou ainda que alguns jogadores do plantel que não têm qualidade para assumir a titularidade quando seja necessário; já o jogo de ontem, em casa, com o Leiria, provou à saciedade que o campeonato português é muito fraco.

Estou, por isso mesmo, de acordo com os comentários de Cajuda no fim do jogo, dizendo que o futebol do Leiria não envergonha o país futebolístico: de facto, a mediocridade do Leiria está ao nível da mediocridade do futebol português. Com um pouco mais de qualidade, coragem e ratice, o Leiria ontem levava os três pontos de Alvalade. Cajuda pode dizer o que quiser, mas ontem um José Mota, só para dar um exemplo, dificilmente saía de Alvalade derrotado.

Senão, vejamos: o Sporting alinhou com uma defesa composta por João Pereira, Carriço, Ilori (estreia absoluta, que se adivinhava necessária... de facto, só não acerto no Euro Milhões) e Evaldo, tendo Schaars como apoio defensivo no meio-campo. Sejamos honestos: esta estrutura defensiva não resistiria a nenhum dos nossos adversários na Liga Europa. Vou mais longe: duvido que esta defesa resistisse a qualquer uma das equipas presentes na fase de grupos da Liga Europa (mesmo considerando que por lá andam diversas equipas de Israel, do Chipre, da Suécia e até uma equipa irlandesa).

Não quero com isto dizer que cada um dos 5 jogadores mencionados seja um mau jogador. João Pereira e Evaldo, por exemplo, são jogadores que, quando inseridos numa defesa de qualidade e bem trabalhada podem ter rendimento positivo (no caso do primeiro) ou pelo menos aceitável (no caso do segundo). O que quero dizer é que a falta de rotina dos 5 tinha tudo para exponenciar as debilidades individuais de cada um deles (que estão sempre presentes mas vão sendo disfarçadas pelo trabalho de conjunto e pela rotina que se adquire com o passar dos jogos). Ainda a título de mero exemplo, João Pereira precisa de um central que compense as subidas e algumas desconcentrações defensivas; ontem tinha do lado direito o junior Ilori, pelo que raramente se aventurou a grandes subidas e viu-se em diversas situações complicadas quando o Leiria atacava por ali.

Isto dito, acho que o Sporting fez 3 pontos "à candidato". Tinha tudo para não ganhar o jogo, mas ganhou-o. Com algum mérito e muito demérito do adversário, que até tem 2 ou 3 jogadores interessantes (gostei do lateral direito Ivo Pinto e do avançado Djaniny) mas fartou-se de fazer disparates (por exemplo, guardou no banco até aos 66 minutos um miúdo chamado Luís Leal que me pareceu também bastante interessante e de que falarei mais adiante).

O jogo começou bem, o Sporting entrou forte, fez um golo "à Matias" e ainda criou mais dois lances de perigo, por Evaldo e novamente Matias. Matias que, diga-se, continua a ser alvo de críticas de alguns adeptos, que afirmam peremptoriamente que não joga nada. OK, eu não percebo nada de futebol. Nem o Marcelo Bielsa. Nem o Claudio Borghi. Nem as putas das estatísticas que me dizem que Matias Fernandez, se somarmos golos e assistências para golo (daquelas que é só mesmo empurrar, não daquelas em que o avançado ainda tem que fintar um defesa e por a bola no ângulo) é talvez o jogar com maior rendimento no Sporting em 2011 (ou pelo menos desde que entrou Couceiro e começou efectivamente a jogar).

Depois, o Leiria empatou. E para tanto bastou que fizesse um passe a desmarcar Djaniny por entre os dois centrais. Carriço desta vez não tem culpa, mas Ilori falhou uma intercepção relativamente fácil e o miúdo do Leiria finalizou com frieza (Freitas, parece-me rapaz para assegurar já um acordo de preferência, como este ano ando a acertar em todas, aproveita a dica, não estou a cobrar comissões).

Depois Elias falhou um golo praticamente feito (feito pela defesa do Leiria, que também não envergonha o país, certo Cajuda?) e Matias, noutra jogada do chileno que os adeptos devem considerar fraquinha, recebe no peito, de costas para a baliza, no meio de 3 ou 4 jogadores do Leiria, consegue virar-se e em queda fazer um remate perigoso. Uma merda, portanto. Bem, mas mesmo bem, jogou o Elias, dirão os adeptos. "Que jogo espectacular", dirão eles, "que maravilha de alívios para a bancada", "que passes para o lado deliciosos" (a fazer lembrar o grande Mendes), "que desmarcações maravilhosas para os adversários", muito bem! Só não terão gostado do facto de ter oferecido um golo na segunda parte ao Matias, mas já lá vamos...

Antes do intervalo, só o Leiria voltou a criar perigo, mas em dois remates de fora da área que saíram ao lado.

Ao intervalo Domingos tirou Pereirinha (uma nulidade) e fez entrar Carrillo (jogo fraquinho desta vez). Mas a "sorte"esteve connosco. Na primeira jogada de verdadeiro perigo, Elias beneficia de um ressalto após remate de Carriço, faz o cruzamento atrasado, e um tal de Matias, que "não joga a ponto de um corno", fez o segundo golo. Um daqueles que para o chileno são fáceis mas, em Alvalade, só se festejam quando a bola abana as redes, habituados que estamos a ver os Postigas da vida atirar à figura e os Djalós por cima da barra.

Depois foi gerir o jogo até aos 66 minutos. Nessa altura entrou em campo o tal do Luís Leal, que deu cabo do Evaldo em dois ou três lances, um dos quais não dá golo por mero acaso. Sim, foi Djaniny a falhar, mas com um azar dos diabos no ressalto da bola. Daí até ao fim, um rol de disparates de João Pereira, Elias, André Santos, Evaldo, Carrillo e até de Rui Patrício puseram os adeptos a tremer. E a coisa só se salvou porque o miúdo Arias, que entrou para o lugar de Matias a 10 minutos do fim, inventou uma jogada pela direita, cruzou para Elias fazer um remate bem merdoso que, por sorte, ressaltou para o braço de um leiriense. O árbitro assinalou penalty (a meu ver o lance é casual, ao contrário do de Emerson, do Benfica, que juridicamente seria qualificado como dolo eventual, mas nem quero entrar por aí) e Wolfsvinkel acabou com o jogo.

No fim, Cajuda queixou-se da arbitragem porque viu uma falta no lance do 2º golo do Sporting (o sol dos Emirados fez mal à pinha do homem, coitado...) e embora tenha razão num lance em que exige o vermelho a João Pereira, esquece-se de exigir o vermelho a Edson num lance sobre Wolfsvinkel na primeira parte em que o árbitro nem falta marcou... Quanto ao penalty, aceito que seja assinalado, tal como aceitaria se fosse na outra área. Para mim não é penalty mas, caramba!, estávamos no minuto 90+1 e o Sporting estava a ganhar. E toda a crítica refere que o penalty existe...

Esquece-se também Cajuda que o seu jogador Luís Leal devia ser multado por, pelo menos, dois motivos: fartou-se de ultrapassar Evaldo pela direita e, considerando a velocidade a que ia, suspeito que ia de mota, mas sem usar capacete...

PS: Duas notas finais:
1. Para Rinaudo que faz muita falta.
2. Para a direcção: se esta merda não servir para fechar a trampa do fosso, não sei o que servirá... além dos adeptos que caíram e a quem felizmente nada de grave aconteceu, temos um jogador que, naturalmente, está abalado com o que aconteceu. É só um pormenor no meio do que poderia ter sido uma tragédia, mas é mais um argumento para fecharem a merda do fosso.

Truques, só mesmo na cabeça de Jesus

À semelhança do post anterior começo este tendo por base as declarações públicas de Jorge Jesus. Não é que mereça assim tanta atenção, mas gostava sinceramente de tentar perceber qual a lógica das suas opções. No entanto, acho que vou desistir deste objectivo... No jogo anterior tinha assinalado a infeliz imitação de Quique Flores (que a Orsi o mantenha bem longe do Estádio da Luz) com o posicionamento de Aimar bem junto do avançado. Jesus deveria ter visto que esta solução claramente não tinha resultado pelo que não voltaria a repetir a mesma solução, certo? Errado, teimosia é uma das suas imagens de marca pelo que lá tivemos que registar um Aimar completamente desaparecido durante a primeira parte (até parece que o mago argentino se notabilizou pelos golos marcados ao invés da definição das jogadas, gestão da velocidade do jogo ou assistências). Depois, como estávamos na presença de um colosso do futebol europeu ou de um forte candidato ao título com um lado esquerdo perigosíssimo, optou por colocar Rúben Amorim a médio direito (bela mensagem passou aos jogadores quando optou por esta solução). Continuo a dizer que o ex-Belenenses é bom jogador mas tem que jogar na posição 8 (ainda teve duas ou três boas jogadas quando flectiu para o meio). Por fim, Cardozo no lugar de Rodrigo: como o miúdo vinha de jogos sucessivos a marcar, com os níveis de confiança em máximos e o paraguaio nem sequer tinha feito birras no último jogo com direito a raspanete do capitão de equipa, na cabeça de Jesus esta alteração não poderia ser mais natural. Se os truques iniciais já não perspectivavam nada de bom, ao longo do jogo ainda conseguiu fazer pior...


Quanto ao jogo, uma primeira parte competitiva mas muito mal jogada. O Benfica não conseguia fazer 3 passes seguidos no meio-campo do Braga e só Gaitán, com um misto de talento e de sorte nos ressaltos, é que ia dando algum colorido às movimentações cinzentas do ataque encarnado. Numa dessas jogadas, Cardozo respondeu ao cruzamento com um cabeceamento que falhou o alvo por poucos centímetros. Pelo meio, os estranhos apagões que quebraram o ritmo da partida e após os quais o Braga apareceu sempre melhor. Melhor, mas apenas pela maior vontade e garra que demonstrava já que de bom futebol também não havia qualquer sinal. Para fechar a primeira parte, o penalty para o Braga: tenho dúvidas da intenção de jogar a bola com a mão (até porque Emerson iniciou a sua movimentação com as mãos atrás das costas) mas confesso que também não me choca.




Com a necessidade de recuperar a desvantagem e com o melhor jogador indisposto, as opções foram ridículas e revelaram mais alguns truques de Jesus: colocar Aimar junto de Javi Garcia, Witsel na direita, Rúben Amorim na esquerda e Rodrigo a jogar com Cardozo. Face a um Braga que se revelava mais forte no meio-campo, Jesus deveria logo ter optado pela entrada de Nolito e Bruno César para dar maior dinâmica nas linhas e, ao mesmo tempo recuar Aimar para junto de Witsel, dando assim também maior liberdade ao belga (a entrada de Rodrigo ficaria guardada para mais tarde). Não sei se as razões são físicas ou tácticas mas estou com saudades do belga do início da época, pelo que Jesus até poderia ter optado por colocar Amorim no meio e, desta forma, sair Witsel. É óbvio que as alterações de Jesus não deram o mínimo resultado e, aos 70 minutos, o Benfica ainda não tinha feito um remate digno desse nome, durante a segunda parte, à baliza de Quim! Mesmo assim, só por esta altura o técnico encarnado ponderava mexer na equipa sem ser obrigado. Num lance de grande sorte, sem nada que o fizesse prever e contando com a preciosa ajuda de Douglão, o Benfica conseguiu o empate pelo inevitável Rodrigo (nos jornais desta semana já deve ser o Milan que está a seguir o sub-21 espanhol). Mantendo o jogo patético que vinha assinalando, o Benfica ainda poderia ter chegado à vitória nos minutos finais quando Rodrigo, após uma recepção de bola de grande classe, falhou o remate cruzado.


No final, empate justo a uma bola num jogo que confirmou o decréscimo exibicional do Benfica. Mesmo sabendo que as declarações no final da partida são mais dirigidas para o plantel do que para analisar com imparcialidade o que se passou na partida, as de Jesus roçam a loucura: "se houvesse um vencedor, seria o Benfica; perdemos uma boa oportunidade de sair daqui com uma vitória". Enfim... Assim, o Benfica acabou por falhar o assalto à liderança isolada do campeonato e de aumentar a pressão para os lados das Antas, sabendo que teriam até ao final do mês de Novembro (dia 26) para digerir o facto de já não poderem dizer que olham para cima e não vêem ninguém e que depois receberiam um difícil Braga. Já o Benfica receberá um Sporting com a moral e a confiança em alta e a apenas a um ponto, pelo que a próxima jornada será interessante para começar a perceber o que será mais forte: um treinador que tem acertado nas opções mas com uma equipa mais limitada ou dois treinadores que têm falhado nas opções mas com equipas mais competitivas.   

06/11/2011

É muito zero...


Apesar de ter estado afastado do blog nos últimos jogos posso resumi-los num só post (e quase numa só frase): “Não sei o que dizer… Não estou habituado a tão pouco!”
Mas vamos lá a este penoso Olhanense – FC Porto.
O início do jogo fica marcado por uma decisão acertada do árbitro ao marcar grande penalidade ao empurrão de Maurício (que deveria ter sido expulso) sobre Kleber. Seria mesmo o início perfeito para dar um pontapé na crise? Não! Um penalty falhado para ajudar ao enterro… é que a partir de aí só se viu uma equipa portista muito lenta, sem ambição e com muito medo de errar. A táctica até pode ser a mesma do ano passado, os jogadores são quase todos os mesmos mas a equipa é completamente diferente. Para além de uma falta de inspiração ou até uma pior forma de um ou de outro jogador (Hulk é o exemplo máximo) o que caracteriza esta esta equipa é mesmo a falta de “aquela força”, “aquele querer”, ”aquela confiança” que caracteriza os vencedores. Pode ser fruto de um momento passageiro mas temo que seja mais do que isso, tornando o que falta do campeonato um período muito penoso…
O jogo até podia ter sido ganho e não está em causa o valor individual das duas equipas. O domínio territorial e de bola (cerca de 70% de posse) não são sinónimos de domínio avassalador. O árbitro até poderia ter marcado um penalty no lance em que Mexer toca a bola com a mão aos 18 minutos ou quando derruba Hulk aos 74, mas esta exibição está longe dos “serviços mínimos” que se exigem a uma equipa que luta pelo campeonato e tinha nesta jornada a obrigação de ganhar.
Mas nada funcionou (ou funciona nos últimos jogos). A defesa é o sector que mais tem a bola, não pelos ataques constantes dos adversários, mas sim pela falta de soluções a transportar o jogo para a frente. Os médios são constantemente obrigados a solicitar os centrais para abrir espaços e para fazer chegar a bola a frente a solução passa por passes longos para Hulk ou para ninguém, tal é a taxa de sucesso desses passes.
O meio campo parece que foge da bola e nem Moutinho escapa a tanta desinspiração. Não correm, não abrem linhas de passe ou mesmo escolhem a melhor opção de passe, tal é o receio de falhar.
No ataque, James andou perdido o jogo todo, nunca se agarrou à esquerda e raramente tocou na bola. Hulk perdeu demasiadas bolas e rematou muito e sempre mal. Kleber andou sempre no bolso de Mauricio e Walter fez pouco mais.

Enfim… o empate é o menos quando se olha para exibições tão pouco inspiradas…
Mais uma (longa) paragem no campeonato que esperamos que seja benéfica para melhorar os índices de confiança dos jogadores portistas e que servirá também para Vítor Pereira encontrar a melhor forma de liderar um balneário que parece perdido. Será a sua última oportunidade. Os apuramentos na Taça de Portugal e na Champions juntando ao não descolar do Benfica garantirão o lugar até ao fim da época, um cenário diferente irá requerer a Pinto da Costa uma mudança de técnico, algo pouco habitual para os lados do Dragão.

Resta-nos esperar que o Braga faça uma “gracinha” e que Pinto da Costa faça outra (no balneário claro!!)  J

Existe ainda um cenário alternativo para o que nos resta da época: amigos portistas não desanimem que o PC tem tudo tratado … O Porto vai ganhar o jogo em Shaktar e empatar em casa com o Zenit apurando-se assim para a Liga Europa. Em Janeiro volta André Vilas Boas (entretanto eliminado da Champions e afastado do titulo inglês) para liderar a equipa para a vitória na Liga Europa e receber os cerca de 6 Milhões de Euros pela vitória desta competição, juntando-se a Inter, Liverpool e Juventus como recordistas em vitórias (3 taças). Pinto da Costa está focadíssimo em ficar (ainda mais) na história do futebol e este ano não poderá ficar em branco. Vai ser o melhor ano de receitas de sempre nas competições europeias!!! (temos é de juntar os 15M€ pelo AVB).

03/11/2011

A prova dos 9

Não se preocupem, não vos vou aborrecer com um texto tão chato quanto este Vaslui-Sporting, que interrompe a série de vitórias consecutivas.

Vou dizer apenas isto: rodar por rodar, não percebo que joguem Rinaudo, Matias e Wolfsvinkel. Os outros, tudo bem, ou porque precisam de minutos ou porque não há opções. Mas Arias continua sem se estrear, por exemplo, e Pereirnha fez um jogo muito fraco.

Aliás, este jogo vem provar uma coisa, o Sporting ainda não tem um plantel com opções suficientes. Em Janeiro precisamos de um central (claramente), continuo a achar que faz falta o trinco-tractor e pelos vistos precisamos de um extremo, considerando que Jeffren vem bichado e que Izmailov é bichado (não confundir com abichanado, mais uma vez afirmo que os jogadores do Sporting são machos de barba rija!).

Jogo apático e tristonho, exibição fraquinha, demonstração de que o plantel tem bons jogadores mas outros de fraca qualidade. É, ainda, insuficiente para competir com Porto e Benfica.

Mas não vale a pena entrar em depressão: era, talvez, o jogo menos importante da época até agora (apuramento garantido, jogo fora, adversário desinteressante). É preciso ganhar uma mentalidade para ganhar sempre, mas isso leva o seu tempo. No Porto demorou anos a implementar a nível europeu... Por isso, bola para a frente e toca de ganhar ao Zurich em casa e conseguir um bom jogo em Roma, frente à Lazio.

E venha o Leiria para retomar (e não continuar, como erradamente disse no anterior post) a senda de vitórias!

Festa do apuramento adiada



É óbvio que, depois de uma vitória na Suiça, todos os benfiquistas esperavam nova vitória frente ao Basileia e o apuramento para os oitavos de final da Champions já esta quarta-feira. E ainda ficámos mais confiantes quando o Benfica, como tinha feito contra o Olhanense,  voltou a ter uma entrada demolidora e de novo com Rodrigo a destacar-se. O jovem avançado fez questão de assinalar que o finalizador do momento está no Estádio da Luz e não na Casa dos Segredos  e, com um remate de belo efeito, marcou o seu terceiro golo da semana e deu a vantagem ao Benfica neste jogo. A pressão ofensiva manteve-se até sensivelmente aos 20 minutos da partida quando Garay, em excelente posição para fazer o segundo, falhou o remate de cabeça. A partir daqui, o Benfica voltou a uma postura já habitual nos últimos jogos em que tentou acalmar o jogo, controlar o adversário e preocupar-se mais com o trabalho defensivo do que propriamente com a criação de jogadas para dilatar a vantagem. No entanto, mais uma vez, mostrou que ainda não tem capacidade para assumir este estilo de jogo que tão eficazmente foi praticado na época passada pela equipa de Villas-Boas. O Basileia passou a jogar mais no meio-campo encarnado e, com o espaço que era dado aos extremos e sobretudo a Shaquiri, sucediam-se os cruzamentos para a grande área de Artur que só as  limitações técnicas dos jogadores do Basileia evitaram que não fosse dada a melhor conclusão (era notória a forma como os laterais iniciavam o processo defensivo demasiado junto dos centrais, dando tempo e espaço para os adversários receberem a bola sem oposição e, deste modo, facilmente dar continuidade às jogadas). Assim, o Benfica foi para os balneários ainda em vantagem.


Na segunda parte, o jogo não mudou muito com um Benfica demasiado lento e com os suiços a desenvolverem as jogadas de maior perigo. Desta forma, não foi grande surpresa quando o Basileia empatou numa jogada em que o lado direito da defesa e Matic falharam nas marcações. Mesmo assim, a reacção foi imediata e, numa grande jogada de Witsel, Rodrigo teve o segundo golo nos pés mas não conseguiu contornar o guarda-redes. A partir daqui o Basileia preferiu segurar o empate e apostar numa vitória em casa frente ao Manchester ao invés de tentar a vantagem no confronto directo com o Benfica (isto claro, pensando que o Otelul não baralha as contas). As trocas de bolas na defesa para queimar tempo sucediam-se e o Benfica estava também muito preso nas movimentações e especialmente com demasiado receio de comprometer o apuramento com uma derrota para procurar já o apuramento com um segundo golo. E foi assim que se chegou ao final da partida com um empate que motivou algum descontentamento nas bancadas.


Algumas considerações:
- Apesar do Benfica ter jogado apenas com Rodrigo como avançado, estranhamente o sistema táctico aproximava-se mais de um 4-4-2 do que do esperado 4-3-3. Aimar jogou demasiado perto de Rodrigo (a fazer lembrar as tristes escolhas de Quique Flores) pelo que a sua classe e inteligência não estavam disponíveis na fase de construção das jogadas. Assim, para além do astro argentino ter estado bastante apagado, também Witsel esteve demasiado discreto, dando a impressão que estava mal fisicamente e sem capacidade de explosão;
 - O facto do Benfica ter extremos que denotam grandes dificuldades quando têm que ajudar a fechar o corredor, deixa os laterais demasiado expostos aos ataques adversários e é uma das razões para o Benfica não conseguir congelar o jogo sempre que pretende;
- Luís Martins foi lançado para a titularidade num jogo da Champions (imagino o que aquelas pernas deviam tremer aquando do hino...) que, ainda para mais, teria como adversário directo o melhor jogador dois suiços: Shaquiri. Se era esta a ideia de Jesus, não deveria ter dado alguns minutos ao jovem lateral esquerdo no jogo contra o Olhanense?! Na minha opinião, o treinador deveria ter optado por jogadores com mais experiência, com Maxi no lado esquerdo e Amorim na direita e assim evitaria que Raúl José tivesse que queimar uma substituição que bem falta fez para dar capacidade ofensiva à equipa. Apesar do forte apoio e incentivos que o jogador recebeu das bancadas (carinho que é tradicional para todos os jovens que vêm da formação) incluindo no momento da substituição, esta aposta não foi feliz e não foi benéfica para o internacional sub-20;
- Deu-me a impressão que Cardozo entrou com pouca vontade e a fazer birrinha por ter iniciado o jogo no banco. Com o ordenado que o paraguaio regista, a minha capacidade para tolerar birras estão limitadas às, felizmente poucas, que o meu filho faz. Apesar de todas as acções de marketing do presidente, treinador e colegas de equipa para que o paraguaio caia nas boas graças do terceiro anel, a verdade é que, depois de alguns jogos em que se mostrou mais esforçado, volta a enveredar por atitudes que contribuem para uma relação de amor-ódio com os adeptos;
- Não são apenas os árbitros portugueses que têm desempenhos fracos. A equipa de arbitragem chefiada pelo árbitro espanhol acumulou erros durante a partida, sendo que um penalty e um canto em cima de um dos espantalhos colocados junto das grandes áreas foram os lances que melhor reflectem a arbitragem deste jogo;


Agora, para conseguir o primeiro lugar, são várias as possibilidades mas um empate já poderá ser insuficiente (considerando uma vitória depois contra os romenos), mas para o segundo lugar continua tudo bastante acessível: basta vencer o Otelul em casa no último jogo da fase de grupos. Deste modo, não há motivos para entrar em depressão pelo que importa manter a moral em alta, uma vez que o mês de Novembro apresenta jogos muito importantes para o resto da época. 

01/11/2011

A virtude do choro e a maldição de Jeffren



Sim, a primeira parte do título faz lembrar um romance foleiro do Sparks (desculpem lá o pleonasmo) e a segunda parte um título de uma história de suspense juvenil. Mas o jogo de Domingo, entre o Feirense e o Sporting, fica marcado por duas histórias para contar aos netos, quando perguntarem o que aconteceu em Aveiro no dia 30 de Outubro de 2011. E, perguntam vocês, porque é que os netos vão perguntar aos avós pelo dia 30 de Outubro de 2011? Ainda não sei porquê, mas lá pelo final do post pode ser que me lembre.

A primeira história é sobre as virtudes do choradinho. O Sporting venceu porque foi melhor mas, sejamos claros, tudo se tornou mais fácil quando, num espaço de 5-10 minutos, "beneficiou" de dois cartões amarelos ao central feirense Henrique e de um penalty que permitiu marcar o primeiro golo (sei que os adeptos de outros clubes não me vão entender, mas finalmente temos alguém em Alvalade que saiba marcar penalties). Para mim, o primeiro amarelo é claríssimo e seria amarelo em qualquer circunstância e em qualquer jogo. O segundo amarelo é duvidoso e, até pode ser considerado forçado. E o penalty, sendo uma falta clara, é daquelas que os árbitros portugueses no meio-campo marcam sempre, mas não costumam marcar dentro da área, salvo em determinadas circunstâncias.

Estes dois lances vêm, a meu ver, demonstrar que o futebol tem mais que se lhe diga do que apenas umas larachas num blog: acredito sinceramente que sem as críticas das primeiras jornadas não beneficiaríamos dos dois lances acima descritos (e até pode ter sido esse um dos motivos para a choradeira dos dirigentes que, na altura, critiquei). Atenção: não estou a dizer que o Sporting foi beneficiado agora ou tinha sido prejudicado antes, é-me irrelevante essa conversa. Estou a dizer que, por se ter queixado, está agora a "beneficiar" de arbitragens iguais às dos restantes candidatos ao título em que, reconheça-mo-lo todos, o candidato sai beneficiado em 80% dos lances duvidosos (100% no caso do Porto das décadas de 80 e 90). O lance de Schaars entra para a mesma galeria que os penalties de que o Porto beneficiou contra Vitória de Guimarães e Gil Vicente, por exemplo. Os tais lances que são sempre falta, menos quando ocorrem na área. A não ser que essa seja a área do adversário do Porto, ou do Benfica, ou (agora) do Sporting.



A outra história é a de Jeffren. Um jogador que regressou de longa paragem por lesão, já depois de ter regressado de outra paragem por lesão e se ter lesionado e que agora sai de campo, supostamente a chorar (mas não em frente às câmaras, macho que é macho só chora no balneário), para mais uma vez parar por lesão. Parece confuso, mas não é. Jeffren jogou a titular na primeira jornada do campeonato, com o Olhanense, e saíu por precaução ou lesão, não me recordo; depois jogou contra o Nordsjaelland, na Dinamarca, mas saíu lesionado. Depois entrou contra o Marítimo, na terceira jornada, e lesionou-se a marcar um livre (que até deu golo). Voltou no Domingo e ressentiu-se da lesão.

Recorde-se que, ao contrário de Nolito, do Benfica, Jeffren não jogava 70 a 90 minutos todos os fins-de-semana. Alguns sportinguistas diziam que "o nosso é melhor, era do plantel principal, o outro era do Barcelona B". Até pode ser verdade. Mas o "deles" está habituado a um ritmo de jogo de alta competição (não duvido que as ligas inferiores espanholas tenham equipas tão ou mais competitivas do que as da Liga Portuguesa do 5º para baixo), enquanto que o "nosso" deve ter feito tantos minutos de jogo na época passada quanto eu no Torneio All Stars. E isso obriga a alguma prudência quanto à utilização deste jogador.

Pode ser que a maldição que se abateu sobre Jeffren acabe com a maldição de Alvalade sobre o n.º 7 e permita a Bojinov jogar futebol ou, no mínimo, mexer-se com mais desenvoltura e velocidade do que a estátua do Eusébio. Até lá, recuperemos o jogador, física e psicologicamente, e permitamos que a estreia se faça num jogo em que estejamos a ganhar por 2 ou 3, com ritmo baixo e troca de bola em menor velocidade, e não num jogo que ainda é preciso resolver (sim, estou a responsabilizar parcialmente Domingos por este regresso apressado do jogador à competição). Para mim, por exemplo, Jeffren fica, desde já, fora das contas do jogo da Luz.

Mas chega de problemas de bastidores e vamos ao que interessa: deixando as arbitragens e as lesões de ser desculpa, vai valer apenas o futebol. E aí é bom que se perceba que o Sporting continua uns patamares abaixo dos adversários. O Sporting leva 6 vitórias consecutivas no campeonato, mas a Liga Portuguesa é fraquíssima. Sempre foi, e mais tem sido nos últimos 10/15 anos; sucede que isso foi sendo disfarçado pela incompetência dos grandes de Lisboa (ora de Benfica, ora de Sporting, ora de ambos) e por fenómenos esporádicos como o Boavista de Pinto de Sousa, perdão, João Loureiro ou o Braga de Domingos Paciência, perdão, António Salvador. Mas a incompetência era tanta que me recordo de ver o Benfica terminar em 6º, ou seja, mesmo atrás de outras equipas que não estes tais fenómenos esporádicos...

É evidente que o Sporting também ganhou em Zurich e à Lazio. Mas o que realmente quero dizer é que um Sporting normal ganharia os seis jogos do campeonato e os jogos contra Famalicão e Vaslui com maior ou menor tranquilidade e, jogando bem, os tais dois jogos complicados que também ganhou. E que o facto de ganhar os tais seis jogos significa, apenas, um regresso à normalidade e não um sintoma de grande qualidade de jogo. Há rotinas, há algum fio de jogo, há solidez defensiva, há Capel em grande forma, mas reconheçamos que houve muito pouco futebol. E reconheçamos também que, a jogar assim, dificilmente chega para o Porto (mesmo este de Vítor Pereira) e certamente não chega para o Benfica.

Com efeito, o que vi no Domingo não foi nada de especial:
- vi um Patrício seguro mas com uma defesa esquisita que não deu golo por acaso;
- vi o melhor João Pereira da época a defender;
- vi dois centrais que estiveram bem (especial alegria por ver Carriço a jogar bem, embora numa lógica de despachar para qualquer lado);
- vi um lateral esquerdo a fazer alguns disparates desnecessários;
- vi um Rinaudo que continua sem perceber os árbitros portugueses (leva amarelos por jogar a bola, quando há para aí uns artistas que até já conseguiram perceber como evitar cartões acertando mesmo na canela - hombre, basta tirar um pouco de impetuosidade aos lances e ninguém dá por ti, carajo!);
- vi um Schaars a produzir muito pouco (ainda que com um bom golo e um penalty ganho);
- ainda não vi o "Grande Elias" de que me falavam quando voltei de férias;
- vi um Matias preso à direita a tentar vir para o meio para produzir alguma coisa;
- vi um Capel rápido e incisivo, que sacou os cartões decisivos no jogo;
- vi um Wolfsvinkel a movimentar-se bem e a criar perigo em dois ou três lances.

Ah, e vi Carrillo. Muito individualismo, muito lance perdido, mas aquele remate displicente, a 3o metros da baliza, como quem não quer bem rematar para golo, mas apenas mostrar à família que vê na TV que ele, Carrillo, está no jogo, como quem quer mostrar aos amigos que sem ele o jogo não tem a mesma piada, como quem quer dizer que ou é como ele quer ou pega na bola, vai para casa e acaba-se o jogo, aquele remate, meus amigos, vale o bilhete do Feirense-Sporting.

Imagino o mestre Aurélio Pereira a ver o jogo, sentindo saudades dos tempos em que parava no caminho para casa para ver um jogo de rua entre miúdos de 12 e 13 anos e em que podia levar para Alvalade um ou dois deles, ainda que tivessem "falta de capacidade na transição defensiva", "limitado rigor táctico" e, o preferido de Freitas Lobo, "pouco aproveitamento do espaço entre linhas". Iam para Alvalade porque, veja-se bem, jogavam de cacete. O que, parecendo que não, conta bastante.

E entretanto lembrei-me: daqui a 50 anos os meus netos vão querer saber do dia 30 de Outubro de 2011 porque foi o dia em que André Carrillo Diaz afirmou, de forma definitiva, que o futebol de rua está de regresso a Alvalade. Aquele futebol que irrita os treinadores tacticistas e os Freitas Lobos, mas de que tanto gosto e tanto gosta o mestre Aurélio Pereira.

E venha o Leiria para continuar a senda de vitórias!