30/10/2011

Uma coreografia de curta duração

Em resposta a um comentário do gentleman Faquirá, Jesus afirmou que o Benfica seria capaz de fazer uma coreografia ofensiva muito apelativa. Também não tenho dúvidas que o Benfica tem tudo o que é necessário para garantir uma "nota artística" elevada mas confesso que já tenho algumas saudades de o presenciar (recordo o jogo com o Guimarães e o PSV da época passada e talvez o jogo com o Twente desta época). No entanto, tenho que reconhecer que o mais importante, com maior ou menor dificuldade, tem vindo a ser alcançado: continua sem conhecer o sabor da derrota, pode garantir o apuramento para os oitavos de final da Champions já no próximo jogo (ao 4º jogo!) e está, juntamente com o Porto, na liderança do campeonato sendo que já visitou o Dragão.


Quanto ao jogo, como já tinha alertado em comentários anteriores, sempre que o Benfica jogasse contra equipas mais acessíveis no Estádio da Luz seria sempre de esperar uma aposta de Jesus em jogar com dois avançados (será que é assim tão escandaloso colocar Rúben Amorim a jogar no meio campo ou mesmo David Simão nestes jogos em que é necessário gerir o esforço de Witsel ou Aimar e assim continuar a jogar com apenas um avançado?!). Assim, face a um menor fulgor de Saviola, Rodrigo voltou a entrar no onze inicial e foi mesmo o sub-21 espanhol a assumir o primeiro passo na prometida coreografia de ataque e que logo se percebeu que também era fulminante. O mais justo é mesmo dizer que o Olhanense começou a jogar já em desvantagem no marcador pois a primeira vez que tocou na bola já as bancadas da Luz tinham festejado. Face a um Olhanense atordoado, o Benfica manteve a dinâmica de ataque e, antes do quarto de hora, já Rodrigo tinha bisado. Nesta altura ainda pensei que Rodrigo poderia chegar a um hat-trick e o Benfica a uma goleada, mas logo percebi que a equipa estava com tanta vontade de chegar a novo golo como o Duarte Lima de voltar ao Brasil. O jogo tornou-se terrivelmente entediante e apesar de ser justificável esta descida de rotação pelo próximo jogo contra o Basileia, acredito que não era necessário descer assim tanto. Desta forma, não gera qualquer tipo de surpresa que apenas se tenha registado novo vislumbre de coreografia no Estádio da Luz quando, já no intervalo, passou nos altifalantes o sucesso do momento: o "Ai se eu te pego" de Michel Teló que Neymar e C. Ronaldo ajudaram a celebrizar.

Para minimizar a tranquilidade dos adeptos e evitar uma segunda parte sem preocupações, a defesa do Benfica fez questão de, logo no início da segunda parte, ficar a dormir e permitir que o Olhanense reduzisse a desvantagem por Wilson Eduardo. Se a isto juntarmos a saída de Aimar, que apesar de não estar a fazer um grande jogo (dificilmente o consegue quando joga somente com mais um colega no meio-campo) ainda ia mexendo do jogo e emprestando alguma classe ao futebol encarnado, então se percebe que o nível de interesse não voltou a subir durante a segunda parte. Mesmo assim ainda deu para anular um golo limpo a Cardozo (não vi na televisão mas foram estas as indicações que os meus vizinhos de cativo ouviram na rádio). Esta incapacidade em jogar um bom futebol e alargar a vantagem estava mesmo a prometer um bom susto que acabou por acontecer numa perda de bola infantil de Maxi quando os 3 minutos de descontos já se esgotavam (só um corte fenomenal de Luisão é que evitou que Djalmir fizesse o empate). Já que tínhamos despertado com esta jogada, nada melhor do que aproveitar para ver uma ocasião de golo para o Benfica. No entanto, deixou de o ser porque era Saviola que estava isolado e ainda faltavam correr mais de 30 metros para chegar à baliza...

Num jogo que termina 2-1 e em que um jogador marca os dois golos, é difícil não lhe atribuir o título de homem do jogo. No entanto, tirando uma ou outra arrancada, nada mais vi digno de registo pelo que prefiro atribuir esse título ao jogador que, independentemente do resultado, adversário ou próximo jogo, joga sempre de forma séria e extremamente competente: Luisão (até porque o corte no último ataque do Olhanense é como se valesse um golo). Não contando também com Artur, Garay e Aimar, os restantes jogadores estiveram muito abaixo do que é esperado, destacando-se Gaitán: face a toda a qualidade e potencial que este argentino tem e que leva inclusivamente Sir Ferguson a considerar abrir o cofre de Old Trafford para o contratar, é incrível como joga sem qualquer objectividade, de forma displicente e a querer adornar todos os lances para olheiro ver. Espero que, com a possibilidade de garantir o apuramento no jogo contra o Basileia, a equipa volte a assumir a entrega, alma e garra que nunca deveria perder.

24/10/2011

Carrillo e os amigos


Bom, uma goleada das antigas, 6-1 ao (normalmente complicado em Alvalade) Gil Vicente, boa exibição, nona vitória consecutiva, equipa confiante, adeptos contentes, tudo (ou quase tudo) a correr bem.

Domingos não quis sacrificar Matias depois da boa exibição contra o Vaslui, mas não quis perder o essencial Elias, pelo que usou o triângulo habitual (Rinaudo-Schaars-Elias), puxando Matias para a direita (ou meia-direita) do ataque. Matias nunca foi nem será extremo, mas fez um jogo interessante, muito embora Domingos insista em deixar outros (Insua, Elias...) marcar livres ao jeito do chileno. Quando finalmente deixaram Matias marcar (depois de Insua e Elias terem oferecido duas bolas aos adeptos), grande defesa do redes do Gil. Elucidativo. Espero que tenha ficado claro quem é o homem dos livres.

O Sporting entrou bem, confiante, pressionante e fez o golo logo nos primeiros 10 minutos, num canto batido para o centro da área, numa tentativa de repetir o golo de Schaars em Vila do Conde. Desta feita, a bola rematada pelo holandês não foi directa à baliza, tendo ressaltado num defesa e sobrado para Polga, que fez um bom cruzamento para um golo fácil de Carriço. De notar que esta dupla, que (pelos vistos) tão bem se entende no ataque, é a mesma que, na defesa, faz cada jogo parecer o primeiro em que actua junta. Talvez Domingos possa considerar a hipótese de avançar os artistas no terreno, ainda que não tenham estado mal na 2ª feira (frente a um adversário inofensivo, valha a verdade).

O Sporting geriu a primeira parte calmamente, o Gil também não se atrevia a arriscar, pelo que o único lance a impedir o sono dos espectadores foi uma boa jogada pelo lado direito do ataque que terminou com uma bela tentativa de chapelada de João Pereira, que permitiu a Adriano, redes do Gil, fazer a melhor defesa da noite. O 1-0 ao intervalo era justo porque o Sporting não fez para merecer mais do que 1 e o Gil nada fez para merecer o que quer que fosse.

Ainda dentro dos primeiros cinco minutos da 2ª parte, o Sporting aumentou através de um penalty que Wolfsvinkel conquistou e converteu. Digo conquistou porque se trata de um daqueles lances que, sendo falta, sendo dentro da área e sendo, pelo dito, penalty, dificilmente é marcado pelos árbitros portugueses (no meio-campo não escapa uma destas , mas na área...).

5 minutos depois, grande jogada pela direita (Matias, Elias, João Pereira), bom cruzamento e 3-0, por Capel de cabeça.




Depois... bom, depois entrou para dentro de campo, para o lugar de Matias Fernandez, um menino chamado Carrillo, que resolveu partir a loiça toda. Faz a jogada do quarto (o redes defende, Capel marca na recarga), a jogada e a assistência do 5º, de Bojinov (com direito a frango de Adriano) e o passe de morte para a assistência do 6º, marcado mais uma vez por Bojinov (que tinha entrado para o lugar de Capel, faltava dizer). Este puto peruano tem um talento incrível e se o Sporting o aproveitar bem vai mesmo muito longe. Na 2ª feira, parecia ele o craque da equipa, não parecia o reforço mais novo dos contratados esta época, não parecia um menino que veio do Perú com 18 ou 19 anos. Parecia que estava a jogar com os amigos e que eles não corriam porque iam trabalhar no dia seguinte e não se queriam cansar muito. Mas não era isso, na verdade. Na verdade, não conseguiam apanhá-lo porque junta ao domínio de bola e capacidade de drible um arranque fantástico e uma velocidade acima da média. Fez uma ótima exibição em apenas meia hora de jogo e discretamente começa a afirmar-se como um dos craques. O post "eu bem dizia" está cada vez mais próximo!

Pelo meio, entre o 4º e o 5º, o Gil marcou, pelo veterano Roberto, num clássico neo-realista reposto com frequência em Alvalade, bem conhecido por todos os amantes da bola, e que se chama "O espaço Polguiano", onde é explicada a vantagem emocional que advém para o jogo quando qualquer adversário, do Gil ao Glasgow Rangers, tem sempre, pelo menos, três metros atrás das costas para poder cabecear sem saltar (que isso de saltar e ainda colocar a bola dá trabalho).

E para além do golo sofrido, houve outras coisas menos positivas a reter. Rinaudo fez um jogo trapalhão e levou mais um amarelo desnecessário (não aprende mesmo, ou muito me engano ou antes de irmos à Luz leva o quinto e fica de fora...). Elias não jogou nada de especial (foi a primeira vez que o vi ao vivo e não fiquei fascinado, sinceramente). Wolfsvinkel joga bem e segura bem a bola, mas não tem criado oportunidades (ou seja, os adversários já não dão as abébias que davam quando toda a gente o apelidava de barrete, vai ter que trabalhar bem mais para criar e ganhar espaços). Bojinov continua a parecer pesadão (marcou 2 porque o Gil já não aguentava mais).



Mas, globalmente, o nível foi bom. Eu diria 15/16, numa escala 0-20. Ainda não deslumbra, o adversário era acessível, mas com treinador e equipa do ano passado 1-0 já seria motivo de festa. Este ano as coisas mudaram para melhor, principalmente desde que Domingos corrigiu a táctica, pôs a equipa a jogar para a frente e tirou da equipa certos personagens de que nem vale a pena falar, alguns deles até porque, entretanto, já saíram do clube.

Agora, há que ganhar na Feira para manter o ritmo e chegar à Luz com possibilidade de, ganhando, igualar o Benfica na classificação. É evidente que é quase impossível. É evidente que um empate já seria um bom resultado. É evidente que a defesa de 2ª feira não aguenta o ataque do Benfica. E que a defesa do Benfica não é fácil de ultrapassar (eu arriscaria Carrillo vs Emerson, mesmo considerando a inexperiência e falta de pedalada defensiva do peruano). Mas derby é derby. Já ganhámos ao Benfica, na Luz, com equipas terríveis e Liedson sozinho na frente. E já perdemos, em Alvalade, com equipas miseráveis do Benfica (recordar as equipas de Thomas e Pembridge e também a de Sabry, por exemplo). Tudo pode acontecer.

E venha o Feirense para continuar a série de vitórias!

23/10/2011

Serviços mínimos em Aveiro

Como seria de esperar e desejável depois de mais uma jornada europeia, Jorge Jesus voltou a fazer descansar alguns jogadores (Javi, Aimar e Gaitán) e ainda teve que colocar Rúben Amorim no lugar do lesionado Maxi, pelo que o onze inicial ficava algo distante daquele que, teoricamente e não considerando o estado físico dos jogadores, seria o mais forte. Uma vez que o Benfica não tem qualquer jogo a meio da próxima semana, que só joga no próximo sábado, sendo que é no Estádio da Luz e com o Olhanense, e que este jogo com o Beira-Mar não se perspectivava fácil pela boa capacidade defensiva que os homens de Rui Bento têm apresentado, a rotatividade do plantel, embora necessária, não deveria ter sido tão abrangente. Seria preferível apostar numa primeira parte mais forte e em que a restante gestão do plantel seria efectuada durante a segunda parte através das substituições possíveis.


Quanto ao jogo, na primeira parte o Benfica controlou o jogo, jogando principalmente no meio-campo adversário,  mas não criou ocasiões claras de golo e ainda sofreu alguns sustos com os ataques do Beira-Mar. Não fosse o erro do pequeno Rui Rego, que Cardozo logo aproveitou, e o nulo seria o resultado ao intervalo. Por um lado, a defesa aveirense colocava grande parte dos seus jogadores ao redor da sua grande área e, o facto dos laterais encarnados não explorarem os corredores,  impossibilitava a criação de desequilíbrios e o desenvolvimento de jogadas de grande perigo. Nesta fase do jogo, Luisão destacava-se com a habitual segurança na defesa, Matic dava sequência à evolução que tem registado jogo após jogo e Witsel, que assume cada vez mais a bola e já aposta nas jogadas individuais, espalhava classe no Municipal de Aveiro.


Na segunda parte, nada de realmente importante se passou, pelo que o jogo acabou mesmo com a vantagem mínima encarnada. O Benfica não fez por merecer o segundo golo mesmo contando com a excelente entrada de Aimar no jogo, já que a produção ofensiva foi realmente fraca e alguns jogadores como Witsel, Bruno César e Emerson acusaram bastante o desgaste físico provocado pelo jogo da Champions. Ainda deu para apanhar um grande susto num lance em que o Beira-Mar podia ter chegado ao empate mas que São Artur e Garay conseguiram impedir. Para além de Aimar, também Cardozo esteve bem nestes segundos 45 minutos, demonstrando que a concorrência é sempre boa para aumentar a entrega dos jogadores. Ruben Amorim, a jogar na posição que lhe é menos grata, não deu motivos para, de acordo com o que disse na selecção, se considerar um erro Jesus não lhe dar mais minutos. No entanto, considero que é um jogador bastante útil mas que precisa de oportunidades como alternativa a Witsel e não a defesa direito, mas já foi bom Jorge Jesus não ter caído na tentação de o castigar pelas declarações infelizes (podia ter utilizado Miguel Vítor a defesa direito).


Este Benfica está a ter a capacidade de somar vitórias mesmo que, em alguns jogos, jogue pouco mais do que o aceitável. A confiança dos resultados que tem acumulado e a capacidade reconhecida a alguns dos seus jogadores para resolverem jogos, são factores que ajudam a que isto aconteça mas, no jogo contra o Beira-Mar, até bastou aproveitar um erro do adversário.

21/10/2011

Post 2 em 1 (ou "De como dois jogos chatos com vitórias fáceis e contra equipas reduzidas a 10 não merecem mais do que apenas um post")


Sim, o título é grande e vai ocupar grande parte do post (juntamente com a foto da Miss Roménia). Mas assim resumem-se os dois últimos jogos de uma penada. Com o título e os dois seguintes parágrafos:

- Contra o Famalicão rodámos menos do que eu esperava (e gostaria), mais por necessidade do que por opção. O Famalicão não era adversário à altura mas, ainda assim, devido a alguma ineficácia chegámos ao intervalo a 0. Ao intervalo, precisamente, aconteceu algo que nunca tinha visto em tantos anos a ver futebol: os dois centrais substituídos por lesão. Com Rodriguez e Evaldo no centro as coisas poderiam ter corrido mal, mas felizmente não correram. Porque era o Famalicão, porque Marcelo esteve seguro, porque Wolfsvinkel estava lá para fazer o que lhe compete (os dois golos que resolveram o jogo...) e também porque o árbitro exagerou um pouco na expulsão de um jogador do adversário, o que certamente facilitou a tarefa. Um jogo sem grande história, mas com uma nota extremamente positiva: os sportinguistas foram em massa a Famalicão, o que mostra que os adeptos começam mesmo a acreditar nesta equipa.

- Contra o Vaslui, e ainda que tenha jogado a terrível defesa que nos atormentava as tardes e noites da época passada, uma cabeçada idiota de Wesley, no seguimento de um lance que, no estádio, não pareceu penalty, reduziu (justamente) o adversário a 10. Adversário que, diga-se, usou e abusou da falta, o que contra nós até vai compensando porque continuamos sem aproveitar os livres - apenas um causou perigo (grande defesa do redes do Vaslui), curiosamente marcado directo à baliza por um rapaz chileno que tenta, a custo, entrar na galeria dos notáveis marcadores de bolas paradas da história do Sporting, onde entram nomes como André Cruz, mais aquele central brasileiro que jogou em Alvalade de 99/2000 a 2001/2002, mais o... ah, André Cruz, e ainda o André Cruz. E, claro, aquele pequenote que mandava balões para a área e agora fá-lo com igual mestria no FCPorto. E como esquecer o grande Abel? Mas adiante... mais um jogo sem grande história, mais uma vitória tranquila por 2-0 (mais um golo de Evaldo na Liga Europa e bom golo de Matias após grande arrancada de Capel e um grande túnel de Carrillo a um pobre romeno). No fim do jogo, saíu ainda o bónus do apuramento imediato para a fase seguinte da Liga Europa graças ao empate entre Zurich e Lazio.

Quanto às prestações, colectivamente não estivemos mal em nenhum dos jogos (nada de extraordinário, digamos uma nota 12/13), sector por sector diria o seguinte:
- Baliza: Marcelo esteve seguro com o Famalicão (gosto da pinta do nosso suplente, já tinha dito antes que me pareceu uma escolha acertada, e mantenho), Patrício foi um espectador contra o Vaslui;
- Laterais: surpreendente jogo de Evaldo hoje (bastante bem quando comparado com o jogo de Famalicão), continuo a dizer que João Pereira tem limitações defensivas preocupantes; gostava de ter visto Arias contra o Famalicão, acredito que tal não tenha sucedido apenas em virtude das lesões que obrigaram a queimar substituições com os centrais;
- Centrais: preocupante a onda de lesões, mas só surpreende quem andava a dormir ou não lê os meus sapientes posts... Com o historial de Onyewu e Rodriguez, vamos muitas vezes jogar com a dupla de hoje (Polga-Carriço), o que compromete quaisquer aspirações para esta época (a menos que esta rapaziada aguente o barco até Janeiro e nessa altura se contrate outro central). O Vaslui não incomodou mas não é um adversário com potencial para isso. Conviria talvez dar minutos a Tiago Ilori, porque estou a adivinhar que, mais dia menos dia, vai ter que saltar lá para dentro. E se tal suceder num jogo a sério, convém que o puto esteja preparado para isso e tenha alguma rotação (pena não estar convocado contra o Famalicão, teria sido o jogo ideal);
- Meio-campo: nada de especial a referir, a não ser que talvez fosse bom dar minutos e jogos consecutivos a um chileno que por lá anda e, segundo parece, até joga algum futebol... Os adeptos consideram-no "intermitente" porque não entendem que não é o tipo de jogador que entra e pega de estaca, precisa de 4, 5, 6 jogos seguidos para render. Na primeira época chegou, começou titubeante, e quando estava a arrancar para mostrar o que verdadeiramente vale (recordar o golão em Vila do Conde), Carvalhal chegou, mudou a táctica e tirou-o da equipa. Na época passada raramente jogou com Paulo Sérgio (esse génio iluminado que preferia a tripla Santos-Mendes-Maniche...), mas Couceiro pô-lo a titular nos últimos 6/7 jogos e acabou a época em boa forma, sendo indiscutivelmente o melhor jogador da equipa. Hoje jogou o terceiro jogo seguido a titular (com jogos do Chile pelo meio para ajudar) e viu-se um cheirinho do que pode fazer... porventura, não haverá nenhum outro jogador no plantel capaz de fazer o que fez Matias no primeiro golo contra o Vaslui. Bem, se calhar até há vários que conseguem na playstation mas ali, no campo, não há seguramente mais nenhum;
- Extremos: Capel bem nos dois jogos, à direita na primeira parte em Famalicão, à esquerda na segunda parte desse jogo e também contra o Vaslui até ser substituído (ele e Matias foram os melhores em campo contra os fraquinhos romenos); na primeira parte contra o Famalicão jogou Insua à esquerda (bom jogo, o jogador do plantel que melhor sabe cruzar); contra o Vaslui, à direita, jogou primeiro Pereirinha, depois Carrillo (com surpreendente vantagem de rendimento para o primeiro, mesmo considerando o delicioso pormenor do peruano no golo de Matias Fernandez);
- Avançado: Wolfsvinkel não falhou contra o Famalicão, com o Vaslui esteve apagado, quanto a Bojinov continuo sem conseguir perceber se "é jogador"... Ou melhor, tem pormenores de jogador, mas precisa mesmo de estar em forma para permitir tirar conclusões definitivas. Isto dito, enquanto não está em forma, preferia que dessem minutos a Rubio.

Na próxima segunda-feira, assumindo que estão todos disponíveis, jogaria assim:
Patrício, João Pereira, Onyewu, Polga, Insua, Rinaudo, Elias, Matias, Carrillo, Capel, Wolfsvinkel. Na segunda parte entraria Jeffren para ganhar minutos e ritmo de jogo e Schaars para assegurar posse de bola no meio-campo quando estivermos em vantagem (como acredito que estaremos).

E venha o Gil Vicente para continuar a série vitoriosa.

PS: Gorbyn, ainda não é desta que tenho fotos dos jogos (saí do escritório a correr e não tinha o equipamento adequado para uma foto minimamente decente). Deixo-te a Miss Roménia 2011, em homenagem ao adversário do Sporting. Por respeito a ti e todos os leitores do blog, não fiz o upload da foto de uma moça que se auto-intitulava Miss Famalicão. Acho que todos compreenderão a opção se fizerem a pesquisa de imagens no Google e simplesmente escreverem "Miss Famalicão".

19/10/2011

Conta aberta para os oitavos

O Benfica foi à Suiça jogar com o seu adversário mais directo no apuramento para os oitavos de final e que tinha surpreendido a Europa com um empate em Old Trafford (enquanto o Manchester não voltar a escorregar e depender apenas de si próprio para chegar ao primeiro lugar, continua a ser o mais forte candidato a vencer o grupo). Embora acreditasse que, na Champions, o Benfica está para o Basileia como a Bárbara Guimarães está para a Júlia Pinheiro no Peso Pesado, esperava que Jorge Jesus tivesse aprendido com os erros da época passada e optasse por uma postura mais calculista onde um empate em casa do adversário directo seria sempre um bom resultado. Felizmente, tal aconteceu e voltou a optar pela táctica mais competitiva do Benfica, o 4-3-3 com Aimar a apoiar o ponta-de-lança. A surpresa ficou reservada para a posição 9 onde surgiu Rodrigo no lugar de Cardozo de modo a explorar a velocidade do sub-21 espanhol e as transições rápidas de Bruno César e sobretudo de Gaitán.


O Basileia entrou com grande fulgor e muito coração e chegou a causar alguns problemas na fase inicial do jogo, especialmente com o irrequieto Shaqiri. Com ataques quase sempre pelo lado esquerdo da defesa do Benfica, Emerson estava em dificuldades e com pouca ajuda para fechar o corredor. A partir dos 10/15 min o Benfica acabou por estabilizar o seu jogo e começou a trocar bastante bem a bola, com muita paciência e a chegar com alguma facilidade à baliza adversária. Foi assim que, numa excelente jogada entre Gaitán, Aimar e Rodrigo, Bruno César colocou o Benfica em vantagem. Quando esperava que, a partir deste golo, o Benfica passaria a aproveitar a necessidade dos suíços chegarem ao golo para aplicar rápidos contra-ataques e chegar ao golo da tranquilidade, o Basileia foi pressionando e colocando Artur várias vezes à prova (incrível a tranquilidade que este guarda-redes dá à equipa). Nada de ocasiões de golo ou de situações de grande perigo, mas o suficiente para aumentar o meu nervosismo a ver o jogo.


Na segunda parte, esta tendência não se alterou e o Benfica continuou a não ter a capacidade para contra-atacar com perigo e velocidade. Parece-me que a paragem das selecções e da Taça (em que jogou uma segunda linha) retirou algum ritmo competitivo à equipa. Para além disto, Aimar nunca conseguiu acertar com o último passe ou ser o distribuidor de jogo que a equipa necessitava. Assim, pedia-se mudanças no meio-campo para procurar congelar o jogo e aumentar a posse de bola, sendo que foi necessária uma grande defesa de Artur a remate de Streller para Jorge Jesus finalmente mexer na equipa. Saiu Aimar para entrar Nolito e, por momentos, pensei que finalmente ia ver Bruno César a jogar a 10 (sendo que, após o golo, tinha desaparecido completamente do jogo) mas foi o espanhol que assumiu o papel de apoiar o avançado (preferia claramente dar liberdade a Witsel e fazer entrar Matic). Pouco depois, entrou o Tacuara que apenas precisou de 5 minutos para marcar o segundo golo através de um livre directo. A partir daqui o Basileia perdeu a objectividade e o jogo ficou mais fácil pelo que Emerson decidiu complicar e levar o segundo amarelo numa jogada completamente infantil. Somando a lesão de Maxi e a limitação física de Gaitán, o Benfica ainda teve que suar e sofrer na fase final da partida mas o mais importante foi conseguido: um passe enorme em direcção aos oitavos de final.


Artur foi o homem do jogo pela serenidade que empresta à defesa e por segurar a vantagem nos momentos mais importantes. Para além da competência e de todo o mérito que o ex-Braga assume, também tem a sorte do seu lado pois sempre que faz umas horas na churrasqueira do Roberto (assinale-se que foram poucos os exemplos) o Benfica acaba por ganhar com alguma vantagem e assim estes biscates passam despercebidos (a mesma sorte não teve o espanhol). Esta noite foi fundamental para assegurar os 3 pontos.


Com Maxi lesionado, Emerson castigado e Capdevila fora da lista de inscritos na Champions, o Benfica, para o jogo com o Basileia na Luz, poderá ficar desfalcado nas posições onde as opções são mais fracas e assim encontrar mais algumas dificuldades neste jogo. No entanto, basta um empate no próximo jogo para o Benfica praticamente garantir o apuramento sendo que, em caso de vitória, o jogo em Inglaterra acabará por ser decisivo para definir o primeiro lugar e, neste caso, o empate serviria ao Benfica.

15/10/2011

César conquista Portimão

Finalmente a oportunidade de ver os jovens em acção! Rodrigo já começara a ganhar o seu espaço na equipa e a acumular minutos nas várias competições, mas tanto Nelson Oliveira como David Simão teimavam em aparecer. O médio tem sido das promessas com menos espaço neste plantel e tenho a sensação que se não fosse a necessidade de ter jogadores formados no clube para a lista da Champions, estaria a rodar num clube de menor dimensão e a crescer como jogador (e esta seria seguramente a melhor opção). Já Nelson Oliveira foi prejudicado pelas lesões e acabará por disputar o lugar de suplente utilizado com Rodrigo, sendo que o sub-21 espanhol leva actualmente alguma vantagem. Rodrigo Mora e Miguel Vítor foram os restantes jovens a beneficiar de uma oportunidade, embora pareçam ser as últimas opções para os respectivos lugares.

Com um Portimonense bastante frágil e a defender com todos os seus jogadores, a primeira parte até foi interessante com algumas jogadas bem conseguidas, bons pormenores de David Simão e Matic e um Bruno César muito em jogo. As jogadas de perigo não abundaram mas o Benfica ainda teve duas excelentes oportunidades por N. Oliveira e Capdevila. Esta incapacidade de assustar a baliza do Portimonense resultava, em grande parte, das dificuldades que os laterais apresentaram em provocar desequilíbrios ofensivos sempre que a movimentação dos alas os convidava a subir no terreno. Se Miguel Vítor não tem obrigação de produzir mais por ser apenas um central a jogar adaptado, já o espanhol mostrou que não há qualquer razão para questionar a titularidade de Emerson (só o livre ao poste é que mostrou algo de assinalar). No final da primeira parte, tudo a zero mas parecia não existir muitas razões para preocupação.

No entanto, Jesus não quis arriscar um "Aconteceu Taça em Portimão" nos diários desportivos de sábado, pelo que optou logo pela entrada de Saviola no início da segunda parte. O pequeno argentino mexeu com o ataque e soube aproveitar melhor os espaços entre o meio campo e defesa dos algarvios. Luisão quase que inaugurou o marcador num perigoso cabeceamento mas foi já depois da entrada do segundo trunfo, o belga Witsel (mesmo jogando a passo a sua qualidade é indiscutível), que o Benfica chegou ao golo num livre de Bruno César. O brasileiro não ficou por aqui e ainda  conseguiu fazer uma grande assistência para o primeiro golo de Rodrigo em jogos oficiais. O lance do golo leva-me a comentar dois temas:
1. Bruno César, para além desta assistência, registou ainda vários passes de grande qualidade, reforçando a ideia de que poderá realmente ser uma boa alternativa para os jogos em que Aimar não possa jogar (jogando Jorge Jesus com apenas um avançado);
2. A movimentação de Rodrigo no segundo golo revelou uma novidade no ataque do Benfica: velocidade. É excelente perceber que há avançados que, ao contrário de Cardozo e Saviola, não precisam de estar a conduzir para se movimentarem com grande velocidade.

No final, passagem à fase seguinte da prova sem grandes dificuldades, mais confiança para os jogadores menos utilizados e poupança dos habituais titulares em vésperas de um importante jogo para a Champions. 

PS1: Eduardo foi titular mas face às intervenções que teve, é como se tivesse continuado sem jogar.

PS2: Koba, ainda tentei seguir o teu exemplo mas não encontrei a Miss Portimão, pelo que tive que ilustrar com uma foto do chuta-chuta!

11/10/2011

Dinamarca 2 - 1 Portugal


Não posso deixar de comentar o jogo da selecção. Porque gosto da Selecção e também porque o jogo de hoje fez lembrar o Sporting das últimas épocas, com a marcante diferença de que seria impossível alguém do plantel da época passada marcar um livre directo para reduzir a diferença...

Há que dizer que considero inaceitável perder na Dinamarca, ainda mais desta maneira. A Dinamarca tem uma equipa pouco acima do razoável, não mais do que isso. Antecipo já que nem passa a fase de grupos no Euro, seja qual for o grupo (isto tem como propósito poder fazer um post que inclua o já famoso "eu bem dizia").

A actual selecção da Dinamarca nada tem a ver com as das décadas de 80 e 90 com Qvist, Rasmussen e depois o mítico Schmeichel, com Morten Olsen, Nielsen, Heitnze, Lerby, Molby, Jesper Olsen, os irmãos Laudrup, Poulsen e um dos melhores pontas-de-lança que vi jogar, Praeben Elkjaer-Larsen. Entre outros, pontificam craques como um tal de Krohn-Dehli (autor do primeiro golo que, com este nome, tem a grande vantagem de poder jogar futebol na Dinamarca e, um dia mais tarde, candidatar-se a primeiro-ministo da Índia) que actua no poderoso Brondby, equipa que conseguiu um feito histórico: ganhar 2-0 ao Sporting de Paulo Sérgio em Alvalade e ser eliminada em casa após uma derrota por 3-0 com golos de (atenção!!!) Evaldo, Nuno André Coelho e Yannick Djaló (sei que estão a duvidar mas no uefa.com certamente confirmarão estes dados).

Acresce que esta Dinamarca foi eliminada do último mundial depois de levar 3 bolachas da selecção... japonesa. Por aqui se vê a classe da rapaziada.

Não digo que golear a Dinamarca em Copenhaga seja obrigatório. Mas, caramba, precisar de um empate contra estes gajos e sair dali com 3 remates (foram tantos?) enquadrados com a baliza é francamente ridículo. E em termos de opções, na verdade, pouco se pode apontar a Paulo Bento - tirando a inexplicável exclusão de Bosingwa, pouco mais há a dizer quanto às escolhas.

Então, o que se passou? Basicamente, jogámos muito mal e várias exibições desastrosas de alguns jogadores condicionaram muita coisa. João Pereira, Rolando, Raul Meireles, João Moutinho e o inevitável Postiga tiveram um jogo para esquecer. Ou melhor, eles podem esquecer, o seleccionador convém que se lembre destas exibições por muito tempo...

É claro que a Europa do futebol não está chocada. A Dinamarca já foi campeã europeia, tem um CV bastante semelhante ao nosso em termos de presenças em fases finais e Portugal, diga-se o que disser, é uma selecção inconsistente com a qual até o seleccionador da Islândia se dá ao luxo de gozar. Ninguém na Europa nos dá favoritismo nestes jogos, a não ser os seleccionadores adversários nas conferências de imprensa porque sabem que, connosco, isso resulta (lembrar a Alemanha no Euro 2008, Low disse que éramos favoritos e foi o que se viu). Mas neste jogo tínhamos (mesmo) obrigação de ganhar de forma clara. Não ganhámos, vamos ao play-off, onde podemos apanhar a República Checa, a Irlanda, a Turquia ou a Croácia. Os outros são a Estónia, o Montenegro e a Bósnia. Seja como for, pode ser bem mais difícil do que para o Mundial 2010 (só a Estónia me deixaria absolutamente tranquilo).

E nem se justifique esta ida ao playoff com o empate em casa com o Chipre porque com mais dois pontos estaríamos provavelmente no mesmo lugar (talvez fôssemos o melhor segundo classificado, não fiz essas contas...). Vou mais longe: se não temos empatado com o Chipre, provavelmente ninguém teria inventado um processo para correr com o Queiroz e neste momento talvez estivéssemos a torcer por uma goleada da Noruega que nos permitisse segurar o 4º lugar na disputa directa com o Chipre. Por isso, para além do disparate na Noruega (que também teve a vantagem de ajudar a construir o processo Queiroz), era este o jogo que contava. E falhámos.

Vamos ver quem calha no sorteio...

PS: Gorbyn, como vês, já coloco fotos nos posts. À falta de imagens do jogo, pareceu-me bem, para animar a malta, por a Miss Dinamarca. Sempre é mais engraçada que o Krohn-Dehli...

PS2: Li agora que os possíveis adversários são Montenegro, Estónia, Irlanda ou Bósnia. Menos mau... Montenegro e Estónia estão ao alcance (preferia este último), Bósnia está melhor do que em 2009 mas ainda assim somos melhores, Irlanda é sempre complicada. Sinceramente, temos obrigação de eliminar qualquer um destes. Mas também tínhamos obrigação de ser 1º neste grupo e afinal...

03/10/2011

Mais um jogo difícil...

... mais uma vitória arrancada a ferros.

Tal como o companheiro de escrita Gorbyn, não tive a possibilidade de ver o jogo na totalidade ou sequer ouvir na radio. Devido a afazeres profissionais gerados por quem não entende que ao Domingo manda o Sporting, apenas vi os últimos 15 minutos. E depois o (fraquíssimo) resumo da TVI.

Posso apenas comentar o seguinte:
- grande golo de Capel (bem Schaars a pressionar e a largar a bola no momento certo);
- Rinaudo é expulso demasiado cedo no jogo, por uma entrada impetuosa (ainda que não violenta) num lance em que eu diria que era desnecessário usar tanta agressividade - ainda bem que aconteceu cedo na temporada e num jogo que ganhámos, desta forma Rinaudo fica a perceber que há certos jogos e certos árbitros que merecem alguma cautela (e de todo o modo adivinhava-se que Rinaudo fosse expulso mais cedo ou mais tarde, tem que moderar aquela impetuosidade nos lances que não a merecem);
- analisando o lance do ponto de vista de arbitragem, não posso deixar de dizer que, se fosse qualquer outro árbitro, aceitaria a decisão tranquilamente (até porque Rinaudo é francamente negligente neste tipo de entradas), tratando-se de Bruno Paixão confesso que fico desconfiado... Mas olhando para a arbitragem do resto do jogo, há que dar o benefício da dúvida;
- ou o Vitória está muito fraco, ou o Sporting conseguiu por mérito próprio algo que eu não via há bastantes anos: jogar os últimos quinze minutos em vantagem mínima e com menos um sem sofrer um único calafrio;
- diga-se o que se disser, Onyewu é neste momento essencial, naquele chuveirinho não deixa passar nada.

Não consigo dizer muito mais, porque não vi nada do que se passou antes do chuveirinho final do Vitória e da última substituição defensiva de Domingos. Mas parece que se está a ganhar algo muito importante: solidez. Mais do que a 4ª vitória consecutiva no campeonato (registo que deveria ser normal numa equipa como o Sporting), agrada-me o 2º jogo consecutivo sem sofrer golos. Lembrando a velha máximo do basketball da NBA: o ataque ganha jogos, a defesa ganha campeonatos. Ou seja, para sonhar com o título, é preciso estabilizar defensivamente. Sinceramente, eu em Janeiro acho que deveria ser contratado outro central. Até lá, espero que os disponíveis aguentem o barco.

PS: Quanto à luta pelos primeiros lugares: o Benfica é o que está melhor, porque tudo parece acontecer de uma forma natural, marca muitos, sofre poucos, tem diversas opções para cada lugar e inclusivamente diversos esquemas de jogo alternativos para variar consoante o adversário; o Porto safou-se bem de um momento difícil, mas claramente não está tão forte como o ano passado (e a Académica demonstrou que não tem estaleca para andar lá à frente, tal como creio que o Marítimo irá demonstrar mais tarde ou mais cedo); o Sporting está a crescer e tem opções no banco, mas ainda está uns furos abaixo dos adversários. O Braga, sinceramente, não creio que se aguente lá por cima, mas é claramente o favorito para ser 4º e, caso a época não corra bem ao Sporting, pode eventualmente discutir o 3º lugar. Mas face ao que vi até agora, acho que o Benfica em Março vai estar a gerir calmamente o 1º lugar, o Porto e o Sporting vão estar a disputar o 2º tentando pisar os calcanhares ao Benfica e o Braga vai estar a ocupar o 4º tentando chegar ao 3º.

02/10/2011

Continuação do bom momento

Pela primeira vez, na época em curso, não tive a oportunidade de ver o jogo no estádio ou em directo na televisão mas apenas acompanhar as principais incidências da partida recorrendo às muito úteis aplicações de futebol para telemóveis (as minhas desculpas públicas aos companheiros de mesa por passar boa parte do jantar a actualizar estas aplicações). Assim, talvez este comentário seja algo diferente dos anteriores uma vez que acabei por ver os 90 minutos com a serenidade de quem já sabe, ainda antes do apito inicial, que o Benfica tinha derrotado o Paços de Ferreira por expressivos 4 a 1. No entanto, ainda nesta fase, um tema não me saía da cabeça: com dois golos e uma assistência Saviola tinha sido o homem do jogo pelo que teria necessariamente que rever as críticas negativas que tenho vindo a fazer às suas exibições e à opção recorrente de Jorge Jesus iniciar os jogos teoricamente mais fáceis com a dupla Cardozo - Saviola. Não é que tenha a ambição de ter sempre razão pois isso em futebol simplesmente não existe, mas a curiosidade de perceber quais teriam sido as razões para tão grande transformação, era bastante elevada.




Durante a primeira parte, foi ainda mais evidente a forma como Jorge Jesus, no início das jogadas ofensivas, posiciona a equipa de forma a dar maior solidez ao meio campo e criar desequilíbrios: o trinco recua para a linha dos centrais, os alas flectem para o meio e os laterais sobem no terreno. Esta flexibilidade do esquema táctico tem ajudado o Benfica a chegar com mais perigo e maior facilidade à baliza adversária. Com Aimar a jogar bem mais recuado no terreno, Saviola jogou, não tanto como um segundo avançado mas mais como um "Aimar" quando Cardozo joga sozinho na frente. Com esta solução, Pablito acaba por ser muito mais discreto e não tem tanto influência no jogo mas Saviola rende bastante mais e terá passado por aqui boa parte da responsabilidade por tão clara subida de rendimento.


O Benfica entrou bem no jogo e, aos 10 minutos, já poderia estar a ganhar por duas bolas caso o fiscal de linha não avaliasse mal dois lances:
a) numa jogada com três remates, invalidou o golo de Cardozo por fora-de-jogo de Bruno César (o fiscal apenas levantou a bandeira aquando deste 2º remate) que não estava adiantado, sendo que Cardozo no remate final também estava em jogo. Não se percebeu se no primeiro remate estava adiantado porque a Sport tv não deu uma única repetição dessa parte da jogada, mesmo com o tempo permitido por uma lesão do guarda-redes nesse lance. No entanto não foi complicado para o comentador dizer "o fora-de-jogo só pode ter sido no 1º momento". Fico ansiosamente a aguardar que Paes do Amaral chegue com os milhões para o Benfica e com os comentadores e realizadores competentes e isentos para os adeptos.   
b) na segunda jogada, Bruno César recupera uma bola da esquerda e quando se prepara para ficar isolado e enfrentar Cassio é, de novo, incorrectamente assinalado fora-de-jogo.
Sem se ver afectado com estes lances, o Benfica continuou a atacar e a jogar bem e acabou por marcar dois golos pelo conejo, sendo que o segundo é uma grande finalização. Nesta primeira parte deu para perceber que Gaitán está realmente em franco crescimento de produção e a chegar à sua melhor forma.


Na segunda parte, o Benfica voltou a entrar muito bem mas uma grande penalidade, ainda no início da segunda parte, fez o Benfica tremer. Não fosse uma perdida incrível dos pacenses e o P. Ferreira teria mesmo chegado ao empate. Com o desgaste do jogo europeu mais a viagem, o Benfica poderia ter ficado em situação complicada, mas não demorou muito a ir para cima do adversário, a desperdiçar duas boas oportunidades e logo de seguida a dilatar a vantagem num grande cabeceamento de Luisão e numa boa jogada com Nolito a responder da melhor forma a uma assistência de Saviola. A partir daqui o Benfica tirou o pé do acelerador e, as substituições e rotação de jogadores no lado direito com Witsel-Aimar-Rodrigo (!?), retiraram objectividade.


Em resumo, o Benfica fez um bom jogo e acaba por complicar a escolha do homem mais pressionado do país neste momento: será o presidente da região com uma dívida superior a seis mil milhões ou o treinador sem tempo para ver jogos e colocar avançados em campo?