30/09/2011

Bom resultado, grande ambiente

Noite europeia feliz em Alvalade. Feliz nos dois sentidos: o da satisfação pelo resultado obtido e o da sorte na obtenção desse resultado.

Diga-se que não pude acompanhar o início do jogo porque, ao contrário do que vinha sendo habitual nos últimos dois anos, o acompanhamento de noites europeias em Alvalade hoje obriga a uma saída do escritório com a devida antecedência. Bastaram 4 vitórias e uma boa exibição para a curva ser belíssima e a equipa ser fantástica. É assim o Sporting, já se sabia. Mas com efeito ontem demorei a chegar a Alvalade o tempo que sempre demorei a chegar a Alvalade nos últimos 10 ou 11 anos, com excepção dos dois últimos, pelo que só pude acompanhar o jogo a partir dos 15 minutos.

Quando entrei no estádio, o Sporting jogava bem, trocava a bola em velocidade e à terceira jogada faz golo. Um grande golo de Wolfsvinkel, o tal que todos diziam que não valia nada e que agora todos dizem que diziam que era bom. Uma vez que a minha mulher me diz que um dos meus principais defeitos é estar sempre a dizer "eu bem dizia", deixem-me aproveitar esta oportunidade para dizer que, nos posts antecedentes ao presente: "eu bem dizia que este gajo (i) tinha escola de ponta-de-lança, (ii) devia jogar em vez de Postiga, (iii) devia jogar sozinho na frente". E com isto vão inúmeras utilizações do verbo "dizer" numa só frase, em diferentes tempos verbais, num estilo que, parecendo repetitivo, na realidade demonstra apenas algum narcisismo (e demonstra também que a minha mulher tem muita razão).

Mas que se desenganem os que pensam que eu, à imagem do nosso PR e do grande Rui Santos, nunca me engano e raramente tenho dúvidas. Engano-me muitas vezes e tenha muitas dúvidas. Ontem tivemos mais uma prova de que me enganei quando aqui disse que manter Polga era um erro mas manter Carriço era positivo porque podia crescer este ano. Na verdade, Polga até cometeu um erro posicional que deu golo (é a minha opinião, embora tenha sido desculpado pela comunicação social), mas fez no restante um jogo impecável. Já Carriço, entre outras coisas, fez um penalty no último minuto que só não foi assinalado porque os árbitros de baliza têm tanta utilidade num jogo de futebol quanto um padre numa casa de alterne.

E quanto a dúvidas, são ainda muitas: o verdadeiro Schaars é este de ontem que pressionou a saída da bola até ao minuto 90 ou o do jogo com o Nordsjaelland que engole insectos? Outra dúvida: com a contratação de Elias, será que devemos apostar num 4-3-3 com Rinaudo-Elias-Matias (que será bastante útil na larga maioria dos jogos em casa) ou insistir neste modelo Rinaudo-Schaars-Elias mais seguro defensivamente e certamente mais equilibrado e simétrico, mas sem o tal jogador posicionado uns metros mais à frente que rasga a defesa contrária e apoia mais directamente o ponta-de-lança? Sendo que, na Europa, outro teria que jogar no lugar de Elias neste último sistema (para mim, estando fisicamente apto, joga Izmailov), já que Matias fica muito recuado relativamente à posição em que pode render (nem quero imaginar o que seria Matias no lugar de Aimar no Benfica de JJ...).

Mas voltando ao jogo, a Lazio empatou de bola parada, num lance que, no estádio, deu ideia de estar ao alcance de Patrício mas, na realidade, visto na TV, era quase impossível para o GR. O livre é muito bem marcado e na realidade foi Polga que se posicionou mal no lance. Mas, OK, sofrer de bola parada quando os outros têm mérito, é uma coisa; sofrer golos com o ombro e golos no último minuto em que ninguém salta à bola, é uma coisa bem diferente. Prossigamos, pois.

O Sporting reagiu magnificamente ao golo. Tanto nas bancadas (ontem aproveitámos pela primeira vez desde há 3 ou 4 anos o facto de termos o estádio em Portugal que, acusticamente, pior ambiente cria aos adversários), como no campo. Criou uma oportunidade por Wolfsvinkel e continuou a pressionar. Acabou por marcar num remate feliz de Insua (feliz porque, de primeira e àquela distância, duvido que alguém tenha intenção de colocar a bola seja onde for e também porque já tinha passado o minuto de descontos dado pelo árbitro) e foi para o intervalo a vencer merecidamente.

Inicia-se a segunda parte e Domingos põe Evaldo a aquecer (Insua foi amarelado ao festejar o golo, num gesto com alguma infantilidade...), mas não podia adivinhar que aos 5 minutos Insua seria expulso. Lance em que o lateral pode até alegar que não tinha intenção de atingir o adversário, mas que aos olhos do árbitro se compreende que dê, no mínimo, amarelo (sei que devo estar isolado na doutrina, mas é o que verdadeiramente penso). A partir daí, acabou o jogo taco-a-taco com alguma predominância do Sporting que tínhamos visto na primeira parte, e passou-se para um jogo de sentido único em que a Lazio, de forma algo atabalhoada, lá foi encontrando formas de chegar à área e criar oportunidades.

Destaco três lances em que os deuses estiveram com o Sporting: (i) um lance em que Cissé aparece isolado e acerta mal na bola, (ii) um outro em que, consecutivamente e no mesmo lance, Patrício faz uma boa defesa, Konko na recarga acerta na trave e de seguida um outro jogador atira por cima da barra, tudo isto entre a pequena área e a marca de penalty; (iii) por fim o lance em que a cinco minutos do fim, Rocchi completamente sozinho falha a baliza por milímetros após cruzamento de Cissé. Isto para não falar do penalty por marcar a que já aludi.

Merecemos a sorte? Sim, merecemo-la. Da mesma forma que, o ano passado, merecemos o "azar" de sofrer um golo dos nabos do Glasgow Rangers no último minuto.

E os que mais mereceram a sorte foram Onyewu (ganhou todos os lances de cabeça na sua zona e soube fazer faltas no meio-campo e não na meia-lua), Rinaudo (grande exibição), Schaars (grande pedalada até aos 90 minutos), Capel (soube sempre segurar a bola e tentar trazâ-la para a frente, mesmo quando tínhamos apenas 10) e Wolfsvinkel (além do golo e da capacidade de segurar a bola, ganhou inúmeras faltas preciosas na parte final do jogo).

Falta falar do jogador de que mais gostei na pré-época, Carrillo. O curioso neste modelo de construção de plantel, com a contratação de 15 ou 16 novos jogadores, é que todos vamos tirando as nossas conclusões e mudando de ideias com o passar do tempo quanto à equipa-base. Carrillo ontem jogou pouco ou nada. Eu, pela minha parte, insisto que Carrillo vai ser craque e vai muito longe. Cá estaremos daqui a uns anos para a minha mulher me dar na cabeça, porque escreverei aqui um post com o narcísico título "eu bem dizia". Fica prometido.

28/09/2011

No caminho certo para o apuramento

O Benfica defrontava, em estádio emprestado (factor positivo que já se tinha registado na Turquia), possivelmente uma das 4 equipas mais fracas desta fase de grupos. Assim, tendo em consideração o arranque do Basileia e o empate caseiro frente ao Manchester, o Benfica tinha a clara obrigação de vencer o jogo. Aimar ficou no banco e lá voltou a habitual aposta de Jorge Jesus para os jogos contra adversários teoricamente mais fracos: a dupla Saviola-Cardozo. Do mal, o menos, um meio-campo com Javi e Witsel sempre dá maior abrangência de jogo, maior capacidade física e maior solidez. No entanto, colocar o belga em terrenos tão recuados devia dar direito a multa pois acaba por ficar demasiado preso às compensações defensivas e muito longe dos jogadores da frente. Continuo a preferir o esquema com apenas um ponta-de lança e com mais um jogador no meio-campo. Com Aimar a descansar, Gaitán podia ter iniciado a partida a 10 com Nolito de início, ou então optar pela entrada de Matic ou Rúben Amorim com a subida no terreno de Witsel (apesar de também pensar que seria uma solução interessante, o facto de Jorge Jesus nunca ter apostado em Bruno César para o miolo leva-me a não colocar mais esta hipótese).




Na primeira parte o Benfica não recusou o papel de favorito e tomou conta do jogo. O domínio era claro e traduzido em posse de bola e vários cantos, com o perigo a rondar a baliza do Otelul mas estando longe de um ataque sufocante à baliza romena com situações sucessivas de golo. Face a uma muralha defensiva do Otelul, em muitas das jogadas de ataque os alas Gaitán e Bruno César flectiam para o meio de modo a dar espaço para as subidas dos laterais. No entanto, Emerson não tem o mesmo ADN de Fábio Coentrão para o jogo ofensivo e Maxi Pereira teima em começar a carburar. Já a falta de velocidade na frente dificultava a criação de desiquilíbrios. Registe-se duas boas oportunidades por Witsel e Bruno César e uma meia oportunidade (Gaitán preferiu fazer um passe em vez de rematar à baliza), sendo que, já perto do intervalo, Gaitán fez questão de mostrar que tem tudo para jogar a 10 e fez um grande passe para mais um golo de Bruno César. 


Na segunda parte o Benfica teve a capacidade para circular a bola e gerir o jogo, mas não conseguiu fazer o golo da tranquilidade. Apenas registei uma boa oportunidade de golo num cabeceamento de Cardozo, sendo que esta falta de objectividade e a vantagem mínima levou a algum nervosismo na fase final do jogo. Como sinal mais positivo destaco a entrada de Rodrigo que, nos 15 minutos que teve a oportunidade de jogar, deu boas indicações e parece-me que tem todas as condições para se afirmar nesta equipa (desde que lhe sejam dadas as oportunidades necessárias): velocidade, técnica, poder físico e olhos na baliza. Juntando um Nelson Oliveira ao nível do que fez contra o Brasil, os jovens avançados prometem. Nolito mostrou, mais uma vez, que a sua grande qualidade é realmente decidir quase sempre bem, sendo que é tão provável o espanhol falhar na definição das jogadas como assistir-se a uma conversa inteligente na nova temporada da Casa dos Segredos.


Destaco neste jogo a exibição de um jogador que está em grande forma e que passa muitas vezes despercebido. Javi Garcia fez um grande jogo, esteve perfeito tacticamente e esteve sempre bem na definição inicial das jogadas do Benfica e sobretudo a bloquear os contra-ataques romenos.


Com a iminência de uma vitória do Basileia em Old Trafford, cheguei a pensar que o Benfica teria mesmo que arriscar o primeiro lugar do grupo. O empate não retira esta possibilidade, mas é claro para todos que o escocês tem colocado segundas linhas nestes jogos iniciais e é provável que aposte no onze titular apenas quando necessitar de agarrar o primeiro lugar. Por outro lado, o Benfica e sobretudo Jorge Jesus têm que se mentalizar que estão na competição mais forte de clubes e que o pragmatismo e cautelas nas abordagens aos jogos costumam valer apuramentos. Apostando na vitória em casa frente aos suíços e sabendo que o empate fora é um óptimo resultado, o Benfica praticamente asseguraria a passagem à próxima fase e um excelente encaixe financeiro.

25/09/2011

Ascensão e queda no Dragão...

Encontravam-se no Estádio do Dragão as duas melhores equipas deste campeonato, em igualdade pontual, mas em momentos completamente distintos: um Benfica moralizado de uma série de jogos positivos e acabado de recuperar a liderança no campeonato; do outro lado, o campeão nacional, que apesar de jogar em casa frente aos seus adeptos vinha de uma pobre exibição e ainda com alguma dificuldade em fazer 90 minutos sem cometer demasiados erros dos jogadores ou do seu treinador. Esperava-se um jogo muito táctico e foi isso que pudemos assistir durante largos momentos do jogo de sexta feira.
Na minha opinião entraram em campo os melhores jogadores disponiveis para a partida. O Benfica com um onze mais ofensivo do que seria de esperar, com Nolito em deterimento de Bruno César ou mesmo Amorim e do lado portista estava a onze esperado, o experiente (e em crescendo de forma) Fernando e Varela (este ainda num fraco momento da época) no lugar de James.

Uma primeira parte onde o Benfica pouco apareceu e que parecia estar a respeitar demais a força do um meio campo portista. Era nessa área onde apareciam as duplas que encaixavam perfeitamente (Moutinho vs Witsel & Fernando vs Aimar) e onde as as "lutas" travadas  foram quase sempre favoráveis aos portistas. Ainda nos minutos iniciais, Hulk parecia arrancar para uma grande exibição com 3 fortes remates antes da meia hora. Um desses remates deu mesmo direito a uma dificil defesa de Artur. A entrada forte azul e branca "adormeceu" o meio campo encarnado impedindo as transições defesa-ataque que caracterizam a equipa de Lisboa. Cardozo, Nolito e Gaitán estiveram muito pouco em jogo durante a primeira parte e a isso se deve a uma pressão eficaz do meio campo e ataque portista.
O golo acabou por aparecer aos 37 minutos, num lance pleno de oportunidade de Kleber, numa altura onde o Benfica já tinha conseguido equilibrar a luta a meio campo, mas o resultado ao intervalo até poderia estar mais dilatado não fosse o falhanço enorme de Fucile e a defesa de instinto de Artur.

Na segunda parte foi um jogo completamente distinto, mais emocionante mas não necessáriamente melhor jogado. Os encarnados rápidamente chegaram ao empate numa jogada onde uma perda de bola de Hulk - o Incrivel fintou-se mais vezes a si mesmo neste jogo do que a qualquer adversário -
abriu um espaço no meio campo defensivo portista e a rapida desmarcação (que surpresa!) de Cardozo deu ao Benfica o (até então) pouco merecido empate.
Empate que durou 3 minutos e que dava a entender que o golo de Otamendi iria trazer a  tranquilidade que esta equipa tanto precisa e por outro lado desmoralizar as hostes encarnadas.

Mas não... foi exactamente o contrário que se passou nos segundos 40 minutos restantes. Em vez de controlar melhor a posse de bola e procurar desgastar ainda mais o adversário, a equipa de Vitor Pereira preferiu entregar o dominio de jogo. Foi por esta altura que se viu mais em campo Gaitán, Aimar e Cardozo. O paraguaio poderia ter mesmo chegado ao empate num lance que Helton saiu aos seus pés para evitar o 2-2.
Era o momento indicado para mexer na equipa, o trio da frente estava muito desgastado e era altura de quebrar o melhor momento benfiquista.
E foi neste momento que, na minha opinião, o treinador estragou tudo. Tirar Kleber para meter  C. Rodriguez e principalmente substituir Guarin - o melhor em campo dos portistas naquele momento -  foram actos de má gestão.

A equipa passou a jogar pior,mais lentamente e cada vez mais atrás. O golo do empate é fruto desse reposicionamento e fraca atitude. Um bom remate de Gaitán a aproveitar uma jogada de Saviola e Cardozo e está feito o empate. Toda a defesa portista tem responsabilidades nesta jogada mas tem de se dar crédito à boa visão de jogo de Saviola e á rapida desmarcação e remate de Gaitán.

Até ao fim pouco mais futebol... empate acaba por ser justo mas penaliza mais os dragões que no total acabaram por ter mais ocasiões de golo, maior domínio no jogo mas também demonstraram mais uma vez que o rapidamente perderm a estabilidade e o controlo do jogo.

Individualmente: destacar pela positiva a "fiabilidade" do jogo de João Moutinho; a pressão alta e eficaz de Guarin no meio campo; o regresso do Polvo e o oportunismo e belo cabeceamento de Kleber no golo (não se viu muito mais apesar de estar bastante activo lá na frente).
Pela negativa, Hulk prometeu nos primeiros minutos mas caiu muito ao longo da partida, estando mesmo ligado ao primeiro golo do adversário; Fucile e Alvaro pareciam mais preocupados em tentar expulsar algum jogador encarnado do que atacar e - principalmente - fazer um cruzamento de jeito; e Varela, que neste momento parece estar completamente fora de forma. Vitor Pereira acaba por sair deste encontro derrotado por si mesmo fruto das suas opções. Que tenha servido no seu processo de aprendizagem e que não se esconda atrás das arbitragens pois isso não é o nosso estilo ou o que se espera do treinador portista.

De resto, as "fitas" e arrufos habituais de um clássico e um bom trabalho do árbitro. Durante a semana questionou-se muito a escolha deste Portuense para o jogo, mas a verdade é que Jorge Sousa fez uma boa exibição, não se deixando enganar pelas "manhas" dos jogadores de ambas as equipas, nem se deixar levar pela associação ao clube portista. Uma exibição para Duarte Gomes analisar com carinho...

PS: Depois de ouvir os comentários na zona mista do Dragão tenho de deixar um comentário às declarações dos jogadores do FCP: "Não sejam meninas e parem de se queixar do árbitro. Já parecem o Jorge Jesus!!!"

Até S. Petersburgo!

24/09/2011

Empate com sabor a vitória

Eu bem sei que é mais bonito dizer que só a vitória interessa e que o Benfica só joga para ganhar e mais umas poucas de frases feitas que sistematicamente ouvimos nas conferências de imprensa que antecedem os jogos e que, como adeptos, parece que temos a obrigação de repetir. No entanto, uma análise menos emocional e mais honesta leva-me a dizer, sem qualquer tipo de problema, que este empate soube de facto a vitória:
- em primeiro lugar porque a história mais recente dos jogos para o campeonato no Dragão diz que, o mais provável, é o Benfica regressar a Lisboa com uma derrota;
- por outro lado, o Benfica continua a não ter estofo para jogar no Dragão. A equipa entra nervosa, joga sobre brasas, é demasiado precipitada, a bola queima nos pés e apresenta uma mentalidade de equipa pequena (acerca-se da grande área adversária e tenta logo um cruzamento ou um remate para ver se dá alguma coisa, sem a mínima convicção), sendo que apenas se solta e começa a jogar futebol quando já tem pouco a perder por estar em desvantagem (digo "pouco a perder" porque ainda tenho bem fresco que um resultado similar ao da época passada mostra que há ainda algo mais a perder). Já se tinha notado esta evidência mesmo quando o Benfica estava na iminência de ganhar o campeonato, há duas épocas, na visita ao Dragão . Enquanto o Benfica não se habituar a ganhar campeonatos, tal situação não se irá alterar (não podemos esquecer que já há quase 30 anos que o Benfica não vence dois campeonatos consecutivos, o que ilustra bem esta falta de hábito).
- por fim, o Benfica esteve duas vezes em desvantagem e por duas vezes conseguiu igualar a partida, sendo que o resultado final já foi conseguido nos últimos 10 minutos.


Na primeira parte, o Porto dominou completamente o jogo e chegou ao intervalo, com toda a justiça, a vencer por um golo. Tivesse conseguido alargar a vantagem nesta fase do jogo (Artur faz uma defesa fantástica a evitar golo de Fucile) e dificilmente o Benfica teria conseguido chegar ao final com um empate. Jorge Jesus até entrou com a táctica mais acertada (embora Witsel tenha jogado demasiado recuado) de modo a ter as armas mais eficazes para responder ao forte meio-campo do Porto, mas o desequilíbrio a favor dos azuis acabou por surgir através das alas: não só Hulk e Álvaro Pereira estiveram em plano de destaque como Maxi, Gaitán, Emerson e Nolito estiveram demasiado apagados. Irritava-me sobretudo a falta de agressividade dos jogadores encarnados que perdiam sistematicamente as bolas divididas.


Na segunda parte, o Benfica entrou melhor e mais subido no terreno, e logo empatou a partida por Cardozo. No entanto, foi anulado em poucos minutos com novo golo da equipa de Vitor Pereira. A partir daqui, o Porto parece que pretendeu tirar o pé do acelerador (e não deve ter sido pela proximidade do jogo na Champions) e o Benfica que procurava o empate, assumiu o controlo do jogo. Witsel e Gaitán destacaram-se nesta fase e os passes de Nolito procuravam quem colocasse a bola no fundo da baliza. A entrada de Bruno César justificava-se mas a de Saviola, mesmo sabendo que o passe para o golo do empate foi de sua autoria, não se compreende uma vez que não tem a capacidade física que um jogo deste nível exige. Depois de mais uma boa oportunidade de Cardozo na cara de Hélton, foi já aos 82 minutos que Gaitán, com um bom remate, selou o resultado final. 


Palavras de agradecimento:
- a Vitor Pereira por repetir a magnífica substituição do jogo anterior ao retirar Kléber sem fazer entrar novo ponta-de-lança, assim como pela substituição de Guarin;
- ao observador da UEFA pelo efeito que teve na arbitragem de Jorge Sousa;
- ao Clube de Teatro do Dragão que mostrou que o clube de teatro rival de Barcelona tem aqui um bom rival e que não vive apenas à custa de Moutinho;
- ao Hulk por ter jogado de forma tão perfeita às escondidas durante a segunda parte.


Em conclusão, Luisão pela regularidade nas duas partes foi o melhor elemento do Benfica enquanto Maxi teve um jogo para esquecer. Benfica arranca um bom empate, mantém-se no topo da tabela e estão criadas as condições para a formação de uma onda vermelha (dependente de um bom resultado já no jogo da Champions) e para uma nuvem de dúvidas em cima de Vitor Pereira. 

19/09/2011

Perder pontos com uma táctica de 4-6-0...

E aí estão os primeiros pontos perdidos pelos Dragões para animar o clássico!!! Confesso que não tinha um domingo assim há muito tempo. Estar 90 minutos a ver uma equipa sem motivação, comando ou vontade de ganhar é; como diz alguém; uma cena que a mim não me assiste.

Começando pelo inicio... o 11 inicial. Primeiro erro.
A entrada de inicio do estreante Mangalá e a "renovação" do meio campo com Belluschi e Guarin pareciam apostas sem risco, teoricamente acertadas, mas na verdade a equipa estava claramente desequilibrada. A insistência em jogar com C. Rodriguez  e James ao mesmo tempo parece ser um autentico fiasco. Com os dois em campo ficamos sempre sem um dos flancos (normalmente o direito), pois James "foge" demasiadas vezes para o centro do terreno e como não se pode pedir a Sapunaru para fazer o corredor todo, acabamos por ficar desprovidos de ofensiva do lado do romeno. Resultado deste erro: durante a primeira parte foi uma alegria ver os contra ataques do Feirense que, para além de chegarem em maioria, eram sempre mais rápidos do que os defesas... enfim.. quando tudo sai mal, sai mesmo mal...


O segundo erro (ainda mais grave): as substituições e a táctica para a segunda parte.
Substituir o Kleber pelo Varela para jogar aberto nas alas , sem ponta-de-lança, e com James a 10? Uma opção que só Vitor Pereira percebeu. Faltou peso e cms na área ofensiva, o que é de certa forma incompreensível quando se tem uma Bigorna no banco. A falta de ponta de lança  vai começar a ser cada vez mais um fardo pesado para o treinador, que irá ver o seu espaço de manobra reduzir drasticamente se os resultados não aparecerem.
As entradas de Defour e mais tarde de Djalma (para fazer o corredor direito todo!!!) ajudaram no desacerto total, com jogadores a sobreporem-se em campo numa táctica que mais parecia de andebol...  todos à volta da área num claro 6-0. Má leitura de jogo pelo treinador que não conseguia ver a equipa entrar na área adversária nem tão pouco podia bombear bolas para a frente. Sugestão: Convocar o Obradovic para ensinar ao Vitor Pereira o papel de um pivot para a confusão na área.
As duas bolas nos ferros e outros tantos lances de perigo (Rodriguez aos 55 min e Varela aos 59 min) são insuficientes; e os calafrios causados por avançados isolados em frente a baliza claramente dispensáveis (valeu Guarin a evitar um golo certo aos 59 minutos).

A expulsão de James é outro exemplo do desacerto total e de falta de maturidade. Bem expulso!

Em resumo. A ausência de Hulk não explica tudo e bastaria não se inventar com a táctica que a vitória certamente não nos fugiria. Seria uma vitória importante e bem saborosa entre dois jogos chave (Champions e Benfica). Não só deixamos os encarnados aproximarem-se como lhes demos dois tónicos de motivação: o primeiro poucos minutos depois, no jogo com a Académica, que transformou um jogo difícil num "must win"; e o segundo com a propaganda pró benfiquista que os jornais desportivos vão colocar à disposição de todos nos próximos dias.

No inicio de época perspectivava que este FCP só se iria motivar nos chamados jogos grandes, fruto das facilidades da última época e de um calendario favorável a todos os níveis. Infelizmente este resultado vem confirmar essa teoria. Com a cabeça no jogo de Sexta Feira os jogadores foram-se acomodando à partida, claramente a espera de um golo que não apareceu.

Nem a reviravolta tranquila do meio da semana europeia serviu de estimulo contra um adversário que, apesar de mais fraco, foi durante muitos minutos melhor do que os azuis e brancos.

Esta falta de atitude normalmente custa muitos pontos ao logo da época... espero sinceramente que sejam apenas estes dois e a equipa não se deixe desmoralizar.

Enfim... duas horas desperdiçadas...

PS: este segundo equipamento é quase tão infeliz quanto o 2º equipamento de 97/98 (http://equipamentosfcporto.blogspot.com/2010/07/temporadas-199798-e-199899.html). ou o de 09/10.


Recuperar a desvantagem sem correr muito

Os jogos que se seguem às jornadas europeias são sempre de recear. Para além das questões físicas e tempo de recuperação, os níveis de concentração e de motivação acabam também por normalmente ser afectados. Se a isto juntarmos a opção pela solução Cardozo-Saviola (não vou voltar a repetir o que já disse em comentários anteriores em relação ao impacto desta solução mas também já tinha alertado que Jorge Jesus, infelizmente, iria utilizá-la em jogos teoricamente mais fracos no Estádio da Luz), os receios ainda se tornaram mais fortes. Se não concordo com esta opção, em relação à gestão do plantel já concordo inteiramente: Javi, Aimar e Gaitán ficaram a descansar e penso que poderia ainda ter aproveitado a oportunidade para lançar Capdevila e assim começar a debelar um problema que o Benfica tem em mãos. Para elevar os níveis de motivação e quando a equipa do Benfica se preparava para iniciar o jogo, das bancadas veio inesperadamente o tradicional e mais contagiante grito de incentivo: a palavra Benfica repetida rápida e energicamente. A razão não era para menos, o Porto não tinha ido além do nulo contra o Feirense e assim o Benfica tinha a possibilidade de recuperar os pontos de vantagem concedidos na primeira jornada e chegar ao jogo do Dragão em igualdade pontual.

Na primeira parte o Benfica não fez um grande jogo mas jogou o suficiente para aparecer várias vezes com perigo junto à baliza da Peiser. Assim, foi sem grandes surpresas que, ainda na primeira meia hora de jogo, Bruno César materializou o domínio com muita técnica e frieza. A vantagem podia ter sido dilatada numa grande perdida de Saviola, mas foi a Académica que acabou por empatar o jogo num remate de fora de área em que Artur podia ter feito melhor. No entanto, logo nos minutos seguintes, Nolito driblou os jogadores da Académica de modo ainda mais espectacular do que Alberto João Jardim driblou as contas nacionais e rematou para golo.

Na segunda parte, com uma Académica que apostou numa linha defensiva mais subida no terreno, o Benfica não entrou tão bem no jogo e a inquietação foi tomando conta dos adeptos. O espaço que a Briosa deixava nas costas da defesa pedia jogadores rápidos na frente, mas esta não era uma das características dos jogadores que estavam em jogo (mesmo assim o chuta-chuta era quem mais disfarçava). Com a entrada de Aimar e Gaitán, o Benfica melhorou e conseguiu dilatar a vantagem com um golo de cabeça de Aimar (beneficiou de uma saída em falso de Peiser) e mais um de Nolito num contra-ataque rápido com assistência de Aimar, confirmando os dotes de goleador deste início de época. A demora em dilatar a vantagem levou a uma entrada tardia de Rodrigo (Jorge Jesus deveria estar a ponderar a entrada de Javi para a fase final do jogo caso a margem mínima continuasse a subsistir) e assim ainda não foi possível observar as qualidades deste jogador. No entanto, confesso ter ficado um pouco zonzo com a mobilidade e velocidade deste jogador pois não estou habituado a este tipo de movimentações na frente de ataque do Benfica...

Bruno César, Nolito e Aimar destacaram-se pela positiva neste jogo, enquanto que Saviola e Matic se evidenciaram com desempenhos menos conseguidos. 

Sexta-feira temos mais futebol, com muito mais emoção, em que espero que Jorge Jesus, ao contrário da época passada, não invente e assim volte ao esquema habitual com Javi-Witsel-Aimar no meio, Gaitán-Nolito ou Bruno César nas alas e Cardozo na frente.

15/09/2011

A começar com o pé direito

E quando todos já conhecem os grandes golos que o pé esquerdo consegue fazer, foi com o outro pé que Óscar Cardozo marcou mais um grande golo no primeiro jogo do Benfica na fase de grupos da Champions. É claro que, até marcar este belo golo, foram vários os passes errados e as más recepções de bola mas é este o efeito que o paraguaio tem em todos nós benfiquistas: tão depressa nos leva ao desespero e a questionar como é possível errar tanto, como depois é o principal responsável por nos levar a gritar golo de forma tão eufórica e audível. Como resposta, um senhor do futebol decidiu explicar porque é que, aos 37 anos, ainda não está pronto para abandonar os relvados e a alta competição, através de um lance rápido que culminou com um disparo certeiro na baliza de Artur.




Estádio da Luz cheio e vestido de gala para receber uma das equipas que mais sucesso tem alcançado nas últimas edições da Champions League. No entanto, as ausências que antecipadamente já eram conhecidas (sobretudo Vidic e Ferdinand), a somar com os habituais titulares que ficaram no banco, permitia aumentar as hipóteses do Benfica arrancar com uma vitória.


O Benfica esteve muito bem em toda a primeira parte, a pressionar bastante, a cortar as linhas de passe e a não deixar o Manchester United jogar no seu meio-campo. De tal forma, que o guarda-redes Lindegaard deve ter sido o jogador da equipa inglesa que mais tempo teve a bola em seu poder. Por outro lado, o Benfica conseguiu jogadas interessantes, rematar por várias vezes à baliza e foi sempre a equipa mais perto do golo. Jorge Jesus não inventou na táctica e utilizou o esquema com que o Benfica tem obtido melhores resultados esta época, o 4-3-3, mas surpreendeu ao colocar Rúben Amorim no lado direito do meio-campo. Coubesse a mim a escolha do 11 e esta seria a única posição que não coincidiria com a de Jorge Jesus (apostaria em Bruno César por considerar que Nolito é mais interessante a entrar na partida vindo do banco), mas a verdade é que não deixei de concordar com a lógica: tendo em consideração os extremos rápidos que o Man U. tinha à disposição e tendo o Benfica um extremo que já pouco defende (Gaitán), optou por dar maior consistência defensiva com um jogador que fecha melhor. Embora não se possa dizer que foi uma aposta ganha, a verdade é que não chegou  perigo à baliza de Artur pelo lado direito da defesa mas apenas pelo lado contrário onde Emerson apanhou várias vezes com dois jogadores adversários (foi mesmo deste lado que Javi, ao fazer a dobra para fechar Valencia, deu tempo e espaço ao galês para empatar a partida). Luisão e Gaitán (grande passe para o golo do Takuara) foram os melhores neste período, onde o bom futebol do Benfica, as ocasiões de golo e o golaço de Cardozo foram anulados pelo facto das grandes equipas apenas necessitarem de um lance para alterar o marcador.


Na segunda parte o Man esteve melhor e com capacidade para trocar a bola mais perto da baliza do Benfica, onde se destacou uma grande oportunidade do jovem Giggs e os lançamentos fantásticos de Rooney. Jorge Jesus demorou a mexer na equipa mas com a entrada do endiabrado Nolito o Benfica foi mais rápido e objectivo nos ataques rápidos e, por duas vezes, o Benfica esteve muito perto do golo. Ainda pensei que tivesse a oportunidade para ver o Rodrigo a substituir o desgastado Cardozo (boa segunda parte a ganhar várias bolas e a dar trabalho aos defesas adversários) para que, nos últimos 10/5 minutos, conseguisse beneficiar das debilidades defensivas da equipa de Manchester mas Jorge Jesus preferiu apostar na capacidade do paraguaio em ganhar as bolas pelo ar até ao final da partida. Luisão foi o senhor em destaque na segunda parte e, por isso, também do jogo, sendo que foi possível ver muito mais Witsel com a entrada de Matic e consequente subida no terreno, Nolito merece claramente uma nota de destaque (apesar de não ser um jogador rápido em corrida, é bastante rápido sobre a bola e decide quase sempre bem) e o Super Maxi uma vénia pela garra e vontade que demonstra em campo.


O Benfica pode ter perdido uma boa oportunidade para vencer este Manchester United que jogou em regime de poupança (por força do próximo jogo contra a equipa de André Villas Boas) e, desta forma, arriscar o primeiro lugar deste grupo. No entanto, com os pés bem assentes na terra, um ponto contra o gigante inglês não é um mau resultado, dá confiança à equipa para os próximos jogos e basta que jogue de acordo com a qualidade que tem contra os outros dois adversários para que possa assegurar a passagem à próxima fase.

14/09/2011

FC Porto 3- V. Setúbal 0 - Um jogo à Campeão


Após dois jogos de claro sinal + ficava a dúvida se este Porto seria capaz de manter as boas exibições.
Era da opinião que a este Porto o que poderia faltar seria motivação pois de qualidade e abundancia de opções não nos poderíamos queixar. A dúvida sobre as capacidades do treinador neste sentido eram enormes e a falta do ponta de lança de referência vinha ajudar às incertezas.
Desta forma, este jogo com o Vitoria seria um teste importante. Um cenário pré-Champions, contra um adversário com muitos jogos na Liga (José Pedro, Neca, Bruno Amaro, Ricardo Silva) e com Hulk
Valeu a grande segunda parte que apesar de dominar o jogo não conseguir transformar esse domínio em golos. Diego e os postes (por 3 vezes) fizeram um excelente trabalho em contrariar as ofensivas portistas.
A entrada de Moutinho dava outro alento para a segunda parte, mas, quem saiu não foi Defour mas sim Souza. Numa clara jogada de antecipação do treinador a equipa saiu a ganhar. Não só porque foi o algarvio a inaugurar o marcador (aos 53 num remate muito oportuno) mas sim porque o FC Porto não precisava de um trinco para nada. O V. Setubal raramente chegava lá a frente e o Porto mandava no jogo.
Defour, Moutinho e James  continuavam bem na partida mas a entrada de Hulk deu o andamento que a equipa precisava. E é já com o Incrível em campo que os azuis e brancos garantem a vitória.  Aos 75 e na jogada mais vistosa do jogo, James marca um golo que acaba por ser de toda a equipa. Belluschi constrói a jogada, Hulk assiste de calcanhar e James tira a bola do alcance de Diego, uma excelente jogada e uma vantagem merecida.
Já com a vitoria garantida Belluschi marca um excelente golo de fora da área, a dar mais expressão a um resultado que poderia ser mais dilatado.
Jogo muito positivo, com atitude à campeão, pois nestes jogos muitas vezes perdem-se pontos que são fundamentais na busca do principal objectivo da época. SER CAMPEÃO

11/09/2011

Treino para os lances de bola parada

Tinha bastante receio que Jorge Jesus, sempre que não tivesse jogos decisivos, continuasse a teimar com a colocação no onze titular da dupla de estátuas mais irrequieta que conheço: Cardozo-Saviola. Até considero que o paraguaio continua a ser a melhor solução para a frente de ataque, mas tem que jogar sozinho, com uma abrangência reduzida (leia-se grande área e pouco mais), com um meio-campo povoado nas costas e extremos a jogar para ele ou a aproveitar os seus bloqueios aos centrais. Agora, jogar com estes dois e com extremos que não se chamem Ramires e Di Maria (que juntos valeram apenas 40 milhões), é meio caminho andado para a asneira. É certo que há Champions e um Super Manchester já na quarta-feira, mas acredito que havia melhores soluções para fazer descansar Aimar: Matic podia entrar e assim subir Witsel ou Gaitán podia ir para o meio e entrar Nolito.


Assim, lá tivemos que levar de novo com uma primeira parte horrível e com uma ausência total de cheiro a golo. O Benfica não conseguiu criar oportunidades de golos nem furar a muralha negra e apenas se aproximava com alguma emoção da grande área vimaranense em sucessivos cantos. Não fossem os dois penaltys desnecessários provocados pelos jogadores do Guimarães e um terceiro que apenas o árbitro e Cardozo viram e o Benfica teria chegado ao intervalo com um nulo no marcador. Incrível como qualquer jogador que jogue no meio campo nesta táctica desaparece completamente do jogo: já se conhecia o efeito em Javi e Aimar e hoje deu para sentir o mesmo em Witsel. Nem as excelentes qualidades do belga (que consegue até brilhar a grande nível no papel de Warrick Brown em CSI  Las Vegas) conseguem evitar que fique perdido entre os jogadores adversários. Uma dúvida: o contrato de Cardozo obriga a que tenha que ser ele a marcar os penaltys? Já nas últimas duas épocas se provou que não é exactamente aquilo que se espera de um especialista em grandes penalidades, pelo que me questiono o porquê de manter esta aposta? Cheira-me a mais uma das irritantes teimosias de Jesus...


Na segunda parte o Benfica já entrou melhor, com mais dinâmica e, sobretudo após a entrada de Pablito, com algum do bom futebol que se viu no jogo com o Twente. Pena que não se tenha concretizado pelo menos uma das várias oportunidades criadas neste período (lances de Maxi, Saviola, Garay e Gaitán foram os mais gritantes) e, desta forma, evitado três situações:
- que passasse os últimos dez minutos do jogo com suores frios por força das várias faltas que foram marcadas contra o Benfica e que permitiam que o perigo chegasse à baliza de Artur;
- que se criasse uma nuvem cinzenta em cima deste jogo pelo facto de um erro do árbitro a favor do Benfica ter influenciado o resultado da partida quando a diferença foi de apenas um golo (vou ver quanto tempo demora o senhor mais entendido em fruta do país ou o senhor que não tem tempo para ver jogos a enviar o recado quando faltam poucos jogos para o clássico);
- que tivesse que entrar o Matic quando estava muito mais interessado em ver o Rodrigo em acção no lugar de Cardozo.
Pelo meio o golo do Guimarães numa falha partilhada por Garay e Artur (este último ganhou o direito a falhar depois das grandes defesas que tem feito nos últimos jogos e porque, mesmo com este erro, o objectivo da vitória não ficou por cumprir).


Bom, o mais importante foi conseguido pelo que ficamos agora a aguardar pela visita dos ingleses que tão boas recordações deixaram da última vez [correcção: não foi da última vez mas sim da penúltima (obrigado Galaad)]. Um jogo em que o Manchester é claramente favorito mas que se espera que seja de grande espectáculo e que Rooney e companhia tenham esgotado as munições nas últimas goleadas! 

05/09/2011

Balanço das transferências

Muito sumariamente...

CONTRATAÇÕES POSITIVAS:

1- Boeck (parece-me boa ideia contratar um jogador já adaptado, que conhece a situação do clube e a sua posição no plantel, que está na idade certa e que teve uma prestação aceitável na I Liga);
2- Insua (pior do que Evaldo não é certamente e acho mesmo que será MUITO melhor);
3- Rodriguez (mesmo com as constantes lesões, é neste momento o melhor central da equipa, o que revela a falta de cuidado no reforço da defesa)
4- Rinaudo (continuo convencido que é grande jogador);
5- Elias (internacional brasileiro...);
6- Capel (ainda que se agarre demasiado à bola, pode mesmo fazer a diferença);
7- Jeffren (a melhor contratação, caso não venha "bichado" com lesões);
8- Carrillo (dos miúdos contratados, parece claramente o melhor e com a saída de Djaló terá certamente mais oportunidades - ainda bem, porque é daqueles que não engana).

INCÓGNITAS:
1- Arias (o miúdo até pode ser bom, mas não percebo que se contrate um internacional sub-20 da Colômbia para suplente do João Pereira, quando se empresta o Cedric à Académica...)
2- Onyewu (bom jogo com a Juventus, jogo desastroso com o Valencia - de qualquer forma, não o foi menos para Daniel Carriço que continuou a ser opção e, inclusivamente, substituíu Rodriguez quando este se lesionou... chamem-me maluco, mas eu voltava a apostar no gigante ao invés de insistir no Carriço);
3- Schaars (prometeu muito mas não tem jogado absolutamente nada);
4- Luís Aguiar (vamos ver se recupera bem da lesão, além de que está por provar se rende num grande clube)
5- Wolfsvinkel (insisto que tem pinta de PL, mas não tem rendido - de qualquer forma, conviria jogar 3 ou 4 jogos a titular sem assobiadelas)
6- Bojinov (não consigo perceber se é bom jogador tal a forma em que se encontra - péssima!)
7- Rubio (dos que ficaram no plantel, foi o único que conseguiu marcar golos a equipas decentes durante a pré-época, mas não tem sido opção ultimamente, apesar de estar convocado para a selecção do Chile e certamente se encontrar em melhor forma do que Bojinov - vem para aqui, ao contrário de Carrillo, simplesmente porque tenho um feeling quanto a este último, baseado em quase nada...).

TRANSFERÊNCIA POSITIVAS
Foram todas, só sublinho que não me pareceu que Torsiglieri tivesse estado pior no ano passado do que Polga ou Carriço. De resto, devo dizer que, nas dispensas e vendas, quase parecia que era eu próprio a comandar o Sporting. Nunca gostei de Grimi desde o 1º dia, sempre achei que Pedro Mendes era barrete, Maniche tornou-se evidente que não tinha pedalada, Valdes não era nada de especial, Vukcevic não merecia mais oportunidades (e ainda rendeu 2M€, menos mau), Djaló não tinha ambiente para jogar em Alvalade (e rendeu 4,5M€), Postiga acabava contrato daqui a um ano (e era de uma ineficácia que não dava mais para sustentar), Caneira só arranjou vaga no Videoton da Hungria, etc. Aqui estiveram bem.