30/08/2011

Falando de futebol...

Não posso deixar de tentar fazer uma análise objectiva, necessariamente a posteriori, do que foram os últimos 2/3 meses do Sporting.

Limito-me à análise da construção da equipa de futebol e respectivo sistema de jogo; não vou abordar temas que interessam pouco ou nada como golos mal anulados e penalties por marcar. Também não vou abordar lesões porque, embora me enfureça ver no estaleiro jogadores acabados de chegar (Jeffren, Rodriguez, Aguiar, Bojinov), desconheço a história completa e pormenorizada de cada um dos jogadores em causa.

Foram cometidos diversos erros, alguns deles tão óbvios que eu e muitos outros, que nada percebemos disto e não gerimos ou treinamos equipas de futebol, facilmente os identificámos, mesmo em fases em que a equipa impressionava comentadores e analistas. É claro que todos os erros são corrigíveis e que ainda vamos muito a tempo de corrigir, pelo menos, alguns deles. Poderemos já não ir a tempo de ganhar o campeonato, mas isso seria sempre tarefa muito complicada, mesmo que tivéssemos apanhado o comboio a tempo e horas, face à superioridade dos adversários a todos os níveis.

Eis os três principais erros que identifico:

1. Parecia já óbvio há mais de um mês que a equipa não foi construída de trás para a frente, como "mandam as regras". Faltavam opções para central e defesa esquerdo e faltavam centímetros no meio-campo, não para as bolas paradas, tema que Domingos desmistificou bem após o jogo de Domingo, mas para a batalha do meio campo. Resultado: face à lesão de Rodriguez e inadaptação e falta de ritmo de Onyewu, lá acabou por entrar em acção a dupla Polga-Carriço, mais André Santos na cabeça da área, com os resultados que estão à vista de todos (e que foram sendo disfarçados contra equipas que pouco ou nada atacavam). Corrigiu-se o tiro no defesa esquerdo e fala-se de Ramis para o centro da defesa. Seria muito bem vindo! Mas nunca percebi, e continuo sem perceber, como foi possível não começar por aqui a reestruturação da equipa.

2. Percebeu-se, desde cedo, que faltava um avançado que garantisse golos. Percebia-se a aposta em Bojinov e Wolfsvinkel, mas desde que fosse para jogar. Para jogar Postiga, já não consigo perceber... Acresce, quanto a Bojinov, que parece fruta bichada (mas não sei se Duque e Freitas conseguiriam identificar o problema - quanto a Domingos, nesta situação não pode ser minimamente responsabilizado). Vamos ver se conseguimos "deitar fora" a parte estragada e aproveitar o resto, ou se vamos ter mais uma maçã podre (desta vez em diferente sentido) no plantel. Tendo em conta as características de Wolfsvinkel, insisto que tenho um bom feeling quanto ao rapaz. Cheira-me que temos ali avançado para marcar golos, contanto que os restantes construam jogadas e criem oportunidades (o que acho difícil que não venha a acontecer se o Sporting jogar com a equipa que em baixo irei modestamente sugerir);

3. Domingos insistiu num 4-1-3-2 no início da temporada que desde o início se via que não era adequado para o Sporting. Mas a equipa ficou de tal forma rotinada no sistema, que parece que só se sente bem nesse modelo. É insuficiente por diversos motivos, mas é o modelo em que a equipa se sente mais confortável para construir jogo. E isso, a meu ver, é da responsabilidade do treinador, que "impingiu" durante a pré-época um modelo de jogo adequado aos jogadores que tinha disponíveis e não vocacionou a equipa para jogar no sistema que seria óbvio quando estivessem disponíveis os melhores jogadores. Passa pela cabeça de alguém que o Sporting jogue em 4-1-3-2 com extremos como Capel e Jeffren e avançados como Wolfsvinkel e Bojinov? E quem jogaria mais adiantado no meio-campo, Schaars? Seria deixar o meio-campo entregue a Rinaudo e a defesa entregue a si própria. Razão pela qual, se estivermos atentos, verificamos que Domingos, sempre que arrisca no 2º avançado, tira Djaló e puxa Izmailov para uma das alas, sabendo que Djaló não defende puto e que o russo compensa defensivamente. Mas como não há Izmailov na outra ala, a equipa fica coxa, assimétrica e desequilibrada. Por isso, há que trabalhar um modelo que comporte OS MELHORES JOGADORES DO PLANTEL! Eu sinceramente pensava que isto era óbvio e estava a ser preparado, pelos vistos enganei-me. Poderão dizer que Domingos não tinha ninguém para fazer papel de 10, mas essa desculpa não é mais do que uma grande tanga porque se Domingos não tivesse, por exemplo, lateral esquerdo (em virtude de lesões ou presenças na Copa America), certamente que não deixaria de adaptar alguém ou levar de Lisboa 2 juniores para fazer o lugar...

Isto dito, acho que a rota está a ser corrigida, como se comprova pelas contratações de Insua, Elias e (espero!) Ramis. Espero que ainda vamos a tempo. E acho que vamos, porque, caramba!, acho que até o Paulo Sérgio conseguiria construir um futebol ofensivo e de qualidade se jogasse assim:
- Rinaudo a 6 (preferia, por exemplo, ter acertado com o Benfica a contratação de Yebda, que não é tão mau como o pintam, mas reconheço que o anti-lampionismo doentio vigente entre a maioria dos adeptos do Sporting tornaria quase impossível a contratação);
- Elias a 8 (ou Izmailov, ou mesmo Schaars, acredito que o raptor do homem nos vai devolver o original depois de nos ter impingido durante um mês este sósia palerma que come insectos e não joga nada);
- Matias a 10;
- Jeffren à direita;
- Capel à esquerda;
- Wolfsvinkel a ponta-de-lança.
Se uma equipa destas não jogar futebol, o Domingos que me perdoe mas até eu, que normalmente sou tolerante com os treinadores (refiro-me a treinadores e não a tipos porreiros como o Carvalhal ou abéculas como o Paulo Sérgio), vou começar a ouvir na minha cabeça o som do chicote a estalar...

O nevoeiro foi amigo

Confesso que, depois de confirmar que Jorge Jesus ia de facto levar o jogo muito a sério e que manteria a equipa (excepção a Garay por lesão) e táctica para a difícil deslocação à Madeira, não esperava um início de jogo tão fraco do Benfica. Seja pelas dificuldades em visualizar as movimentações do adversário no meio do nevoeiro ou atordoado pela músicas imbecis da claque madeirense, a verdade é que o tradicional fantasma dos maus resultados  neste campo "Colômbia style" a mais de 600m de altitude, já se estava a instalar.


Fonte: "A Bola" (www.abola.pt)
O Nacional pressionou bastante o Benfica, não deixava jogar e partia rapidamente para o ataque onde Mateus aparecia repetidamente com espaço e bastante perigo. Foi a primeira vez que vi o Emerson com muitas dificuldades defensivas (isto apesar de Mateus não ser o seu adversário directo mas um jogador que aproveitava o espaço entre Jardel e o ex-Lille). Nesta fase do jogo lá teve que aparecer, uma vez mais, Artur para dar tranquilidade e segurança quando a equipa mais precisava. A verdade é que os minutos de desconto que o denso nevoeiro permitia através das interrupções forçadas do jogo, iam servindo para Jorge Jesus dar alguns dos seus habituais berros para acertar as marcações, com a diferença de que não foi necessário esperar pelo intervalo para ter todos os jogadores a menos de 5 metros. No entanto, só após a segunda interrupção é que o Benfica conseguiu segurar o jogo e evitar o desenvolvimento de jogadas de perigo por parte do Nacional. Entre estas duas interrupções e quando ainda mal tinha conseguido chegar à baliza adversária com perigo, uma jogada de Witsel, Gaitán e Cardozo funcionou na perfeição, com o paraguaio a responder com um excelente cabeceamento (nada mau para quem não prima pelos dotes de cabeceador!) a um cruzamento de Gaitán.



Na segunda parte e já sem nevoeiro, o Benfica apresentou-se muito mais consistente e a evitar que as jogadas de perigo do Nacional chegassem à sua área. Já na vertente ofensiva, não denotou a capacidade de repetir o bom futebol apresentado contra o Twente mas teve o mérito de dominar o jogo e garantir maior posse de bola. De registar as várias faltas que os jogadores do Nacional cometeram para evitar os contra-ataques rápidos da equipa do Benfica e que levou à amostragem de alguns amarelos e à expulsão de João Aurélio. O menino que gosta de fazer penaltys contra o Porto ainda "pediu" várias vezes para ser expulso, mas na vez que pediu com maior insistência, Artur Soares Dias não viu a violenta cotovelada que Felipe Lopes infligiu no belga do Benfica.  Após a expulsão o jogo ficou mais fácil mas o Benfica não teve a capacidade para matar o jogo a tempo de ainda evitar alguns sustos. Já é bem conhecida a facilidade que o Nacional vem registando em marcar através de lances de bola parada e acabou por ter algumas oportunidades para testar esta reputação (destaque para um cabeceamento bem perigoso que passou por cima da barra). É necessário dar mérito aos jogadores do Nacional que, mesmo com 10, lutaram  e correram bastante para ainda tentarem chegar ao golo. Tivessem este mesmo espírito, motivação e talvez os mesmos incentivos e não teriam feito dois jogos tão fraquinhos contra o Birmingham. Quando já não interessava (última jogada da partida), Bruno César tem uma arrancada de 70m, perfeita para contradizer quem o acusava de ser gordo e lento, e fez o segundo golo.


É difícil apontar o melhor em campo, sendo que, entre Artur, Aimar e Gaitán que registaram as exibições mais positivas, talvez escolha o último por ter estado bastante em jogo e por muitas das jogadas de perigo terem saído dos seus pés, incluindo o golo (entretanto espero que o Aimar não corte o cabelo para evitar qualquer efeito Sansão). No outro extremo coloco o Jardel que jogou sobre brasas (é óbvio que se sente mais à vontade como central de marcação) e Nolito que foi engolido pelo nevoeiro e, literalmente, nunca se viu.


Vitória num campo muito difícil para o Benfica (que na época anterior contribui significativamente para afastar o Benfica muito prematuramente da luta pelo título), 3 pontos na bagagem, mais confiança para a equipa e primeiro lugar à condição para colocar alguma pressão no Leiria - Porto.

29/08/2011

Post longo e romântico, desculpem lá...

Nas habituais discussões de pré-temporada, dizia a um amigo que se o Benfica despedisse Jesus, eu preferiria ter Jesus como treinador, em vez de Domingos. Ele respondia-me que Domingos tinha feito um trabalho fantástico no Braga e que era o melhor a treinar em Portugal, eu dizia que o Sporting precisava, no início desta época, ainda que não ganhasse alguns jogos, de apresentar um futebol ofensivo que trouxesse os adeptos ao estádio e que os levasse de volta para casa com uma boa jogatana no bucho. E com Jesus isso seria (quase) garantido.

Aliás, durante os dois anos de Domingos em Braga, sempre disse a esse meu amigo que o Braga apresentava um futebol competitivo mas de expectativa e que os únicos jogos em que via o Braga jogar futebol de qualidade eram os jogos contra os grandes (nacionais e europeus), os únicos, afinal, onde o futebol de expectativa pode funcionar. Ao todo, estamos a falar de 10/12 jogos por época, sendo que o Sporting, esta época, irá jogar, no mínimo, cerca de 45 jogos.

Isto tudo para dizer que me parece que Domingos queria implementar no Sporting um modelo de futebol de expectativa, que funcionou nos seus primeiros tempos de Porto como jogador (até Bobby Robson) e funcionou sempre nos clubes que treinou, mas claramente não funciona no Sporting, que tem que jogar todos os jogos para ganhar e tem a obrigação de ganhar pelo menos 22/23 num campeonato. Domingos talvez achasse que podia funcionar, em virtude de o Sporting nos últimos dois anos ter assumiso um estatuto futebolístico semelhante ao do Braga. Mas Domingos esqueceu-se que a separar o Braga do Sporting há toda uma história, uma dimensão, uma força social e uma carga psicológica (a chamada pressão) que não são minimamente comparáveis. Em Alvalade, não chega ganhar. Depois do 1-0 ao Nordsjaelland, Patrício demorou uma reposição e foi assobiado. Em Braga seria aplaudido. E este (aparentemente) insignificante pormenor muda tudo na concepção de jogo de uma equipa.

Tenho para mim que, mais do que nos planteis, assumidamente inferiores aos dos principais adversários, o problema do Sporting tem estado nos treinadores, demasiado cautelosos, pouco arrojados e acima de tudo pouco preocupados em estabelecer um modelo de jogo claramente ofensivo. O que, a meu ver, se comprova com o facto de ser nos jogos com os pequenos, nomeadamente em casa, que o Sporting tem perdido os campeonatos, sendo que relativamente a esses parece-me claro que o Sporting tinha e tem planteis muito superiores, pelo que o problema estava na atitude e na forma de abordar os jogos. A melhor forma de defender contra os clubes pequenos em casa não é a defesa alta, nem a pressão a todo o campo, nem a marcação apertada: é o resultado do jogo anterior! Depois de 8-1 ao Setúbal em 09/10, qual foi o adversário do Benfica que se atreveu a sair do seu meio-campo com mais do que 2 jogadores em contra-ataque e a fazer subir 7 e 8 jogadores nos cantos?

Domingos tem que corrigir rapidamente a rota e fazer agora o que devia ter feito na pré-temporada: preparar um modelo de jogo ofensivo e dinãmico, capaz de resolver 80% dos jogos com vitórias claras e, de preferência, expressivas. E, claro, utilizando os "reforços", que nunca se irão adaptar se continuarem a ver os jogos da bancada. Resta saber se tem unhas para tocar essa guitarra...

Como só agora se vai fazer o que devia ter sido feito nos últimos 2 meses, creio que, embora possa parecer cedo, é natural pensar que o Sporting poderá estar a dizer adeus ao título - mesmo que comece a arrepiar caminho, quando estiver no rumo certo pode ser tarde.

Então, porque continuamos a ter esperanças?

Bom, em primeiro lugar, e desde logo, porque nos dois últimos campeonatos conquistados pelo Sporting, o cenário era semelhante: em 99/2000, à 5ª jornada, o Sporting tinha 2 vitórias e 3 empates, ou seja, 9 pontos; em 2001/2002, à 5ª jornada, o Sporting tinha 7 pontos, resultantes de 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas (uma delas no último minuto, em casa, com o Alverca - há más coincidências que são bem-vindas!). Em ambos os casos, o Sporting jogava pouco ou nada (se bem que, em 2001/2002, o Porto era treinado por Octávio, o Benfica tinha uma equipa fraquíssima e o Sporting tinha Jardel). Ganhando os próximos dois jogos, fazemos 8 pontos. E a partir daí é esquecer a classificação, esquecer a distância para os primeiros, continuar a ganhar jogos e fazer contas no fim.

Em segundo lugar, porque Domingos hoje se fartou, claramente, de alguns artistas. Creio que jogadores como Carriço, Evaldo, Schaars, Djaló e Postiga vão perder o lugar, mais dia menos dia, para os "inadaptados" Onyewu, Turan (ou mesmo Insua), Rinaudo (ou ...?), Carrillo e Wolfsvinkel (ou mesmo Rubio).

Em terceiro lugar, porque o Sporting é um clube único no mundo, que rapidamente se põe de pé pegando no mínimo detalhe para o fazer (e incrivelmente não se afunda na pequenez depois de jejuns de 18 e 10 anos). Ou seja, basta que o Sporting ganhe 3 ou 4 jogos consecutivos e faça bons resultados com Lazio, Benfica e Porto e o estádio volta a animar-se, a curva já é belíssima e a equipa é outra vez fantástica.

Em quarto e último lugar, porque este fenómeno irracional que é o futebol se alimenta de uma coisa inexplicável e indefinível, incomparável com qualquer outra, que é a paixão. E nisso o Sporting é um clube abençoado: com muitos milhões de adeptos descontentes, tem muitos milhares de apaixonados que insistem em desperdiçar horas da sua vida para ir a Alvalade ver maus espectáculos de futebol acompanhados de resultados medíocres.

E venha o próximo (nem sei qual é) para acabar com a crise! (e espero que esta frase não venha a marcar os meus próximos posts).

PS: Quanto ao jogo, porque é esse o objectivo deste blog:
- entrada mais uma vez amorfa, lenta e sem qualquer fio de jogo;
- golo mal anulado a Evaldo, Domingos muito bem no fim dizendo que foram demasiados erros para se falar de árbitros;
- bom golo de Izmailov;
- inacreditável a lesão de Jeffren e a instabilidade da equipa neste aspecto, neste momento conto 5 lesões polémicas e/ou mal explicadas: Rodriguez, Luis Aguiar, Matias, Jeffren e Bojinov;
- afinal, o Cardozo vai continuar a festejar os cantos contra o Sporting, cada bola parada do Marítimo era um terror, Patrício safou 3, à 4ª facilitou e foi mal batido (embora seja o menos culpado de todos), nas restantes vi o Polga em 3 ou 4, mas não sei onde andava o Carriço;
- péssimas exibições de Schaars (novamente... a grande desilusão da época, até agora), João Pereira e Daniel Carriço (fora da equipa, já!);
- Domingos hoje esteve desastroso no banco: se há circunstância em que Postiga pode ser útil, é naquele forcing final com 2 avançados, porque é um jogador móvel e que participa na construção do jogo. Fazer uma dupla Bojinov-Wolfsvinkel não lembra ao ceguinho: um não se mexe porque está todo partido, o outro não se mexe porque, como venho dizendo desde o primeiro dia, é jogador para estar na área. Quando Postiga pode ser útil, tira-o; mas mantém-no em campo como único ponta-de-lança quando toda a gente vê que não é homem para estar sozinho na área; - bem Domingos no fim a desmistificar o tema "centímetros"... o Barcelona joga com Mascherano a central, mais Xavi, Iniesta, Messi, Villa, Dani Alves, etc e não come um golo a cada canto. O problema do Sporting está no posicionamento e na atitude. Faltam centímetros, é certo, mas isso compensa-se com outras coisas. E parece-me que só o próprio Domingos pode corrigir isso...
- por fim, recordo que disse aqui, logo no primeiro post, que contratar dois centrais propensos a lesões seria, uma vez mais, depositar as nossas esperanças na inevitável dupla Polga-Carriço, com os resultados que todos conhecemos e que curiosamente continuam a ser os mesmos. Já aqui disse, também, que detesto ter razão quando critico o Sporting, mas, foda-se, isto entra pelos olhos dentro! Principal falha da pré-época que, cheira-me, vai continuar sem correcção até Janeiro. Até lá, volta amaricano, estás perdoado!!!

26/08/2011

Missão cumprida, nota suficiente menos...

Tinha dito que o Sporting sofria de uma doença chamada apatia, e a equipa resolveu dar-me razão, pelo menos até ao intervalo. Ainda assim, face a tão frágil e inseguro oponente (eram muito fraquinhos...), e mesmo a jogar apenas a duas velocidades (lenta e muito lenta), ainda deu para Postiga falhar pelo menos dois golos feitos e Carriço desperdiçar incrivelmente um lance sem GR na baliza. E mais 3 ou 4 lances de golo, pese embora a sofrível exibição...

Na segunda parte, o Sporting fez algo que ainda só tinha feito, a espaços, no jogo com o Olhanense: com uma pressão alta agressiva e sempre em velocidade. De forma algo atabalhoada, sem grande critério e desperdiçando infantilmente diversas jogadas e alguns golos cantados, mas que jogou em velocidade, isso jogou. E, claro, com Postiga a falhar mais dois golos.

Parece que a equipa ainda não assimilou o sistema com que Domingos inicia os jogos, que ainda vai parecendo o mais indicado face às soluções do plantel. A falta de um 10 (ou médio ofensivo de referência, para quem o prefira) obriga a equipa a posicionar-se mais atrás no meio campo e mesmo com a solução André Santos-Schaars-Izmailov, parece sempre que falta ali qualquer coisa. Percebe-se a obsessão de jogar pelos flancos para não afunilar o jogo, mas faltando (mais) criatividade no meio torna-se difícil. Ainda assim, benefício da dúvida a Domingos, porque Matias e Aguiar simplesmente não estão disponíveis e montou o triângulo do meio-campo como podia e como qualquer outro o montaria (podia ter jogado Rinaudo em vez de André Santos, mas depois do jogo de Aveiro até esta opção se percebe).

Numa frase, creio que as exibições seriam assim definidas:

Patrício - parece-me injusto para com os adeptos que este tipo vá constantemente a Alvalade só para ver o jogo e não pague bilhete;
João Pereira - insisto que está mole a defender e deixa sempre o oponente receber a bola, hoje ofensivamente esteve bem;
Carriço - cada vez mais me convenço que é ele que prejudica as exibições de Polga e não o inverso;
Polga - esteve bastante bem mais uma vez, vamos ver se mantém a bitola quando tiver pela frente avançados que efectivamente tenham por objectivo marcar golos (ou simplesmente avançados...);
Evaldo - defendeu bem, fez um bom cruzamento (Moet Chandon, por favor) e marcou um golo (venha também uma de Veuve Clicquot), na sequência de um canto (pelo sim pelo não, venha também a mulher do Bojinov, no estado em que está o rapaz certamente que não dá conta do recado);
André Santos - se Rinaudo jogar como jogou em Aveiro, o miúdo tira-lhe o lugar, esteve impecável;
Schaars - alguém participe junto da PJ que desapareceu de Alvalade um reforço fantástico, internacional holandês, que fez uma grande joga com a Juventus, e no lugar dele colocaram um marreco engole-moscas que não acerta um passe e não remata à baliza (recomendo a leitura de "A Segunda Dama", de Irving Wallace);
Izmailov - deu sempre o litro, boas combinações na 2ª parte, algo irregular na 1ª parte, mas ainda assim um dos melhores;
Djaló - até nem jogou assim tão mal, criou dois ou três lances de perigo, mas neste momento não tem ambiente em Alvalade para jogar sossegado (todos fazem disparates, todos rematam para as núvens, todos perdem lances, mas só ele é assobiado);
Capel - o único neste jogo que demonstrou que é mesmo reforço, tendo sido o melhor em campo, ainda que no final do jogo se tenha agarrado demasiado à bola, denotando cansaço e falta de lucidez, designadamente num contra ataque de 4 para 1 desperdiçado infantilmente;
Postiga - 4 ou 5 oportunidades desperdiçadas, como vem sendo hábito, e mais 90 minutos no bucho com Wolfsvinkel e Rubio a ver do banco, encaixaria de forma perfeita naquela selecção portuguesa dos anos 90 que era campeã mundial de futebol sem golos;
Bojinov - mexeu com o jogo, baralhou a defesa dos dinamarqueses, fez uma assistência para golo e falhou um golo feito, nada mau para um gajo que se mexe com menos velocidade do que o fiscal-de-linha do Beira Mar-Sporting;
Rinaudo - entrou trapalhão, levou um amarelo e pouco mais fez, mas considerando que substitutíu Schaars, saímos a ganhar;
Carrillo - digo desde o primeiro dia que devia ser titular, hoje só teve 10 minutos e praticamente nenhuma bola jogável, mas o toque de bola não engana.

Em média, de 1 a 20, não mais do que 11, mas a missão está cumprida, valha isso...

E venha o Marítimo para acabar com a crise!

25/08/2011

Jesus, ainda há dúvidas?!


A melhor exibição da temporada até ao momento e a passagem assegurada à fase de grupos da Champions, este é o saldo de mais uma grande noite europeia no Estádio da Luz. Ao vencer o Twente por 3-1, o Benfica cumpriu assim o segundo objectivo mais importante da época e, espero eu, terá eliminado qualquer dúvida que ainda subsistisse debaixo das madeixas mais famosas do país (agora com o Fábio Coentrão fora já não tenho dúvidas que estão em 1º lugar!).


Concordando a 100% com o onze e táctica escolhidos, difícil era correr mal. O Benfica dominou totalmente o jogo, apenas afrouxando a partir dos 70 min quando, com as substituições e a vitória praticamente segura, permitiu uma tímida reacção dos holandeses, talvez para possibilitar que Bryan Ruiz assinalasse a excelente contratação que seria para o Benfica ou qual poderá ser o substituto de Falcão (incrível a forma pouca profissional como os jogadores do Twente assumem de forma tão clara a vontade em mudar para os grandes de Lisboa: foi assim com Douglas e o Sporting e no final da partida com Ruiz e o Benfica).




Na primeira parte, as jogadas de bom futebol do Benfica sucederam-se a grande ritmo, com inúmeros remates à baliza adversária,  e com uma ausência quase completa de perigo junto da baliza de Artur. Os adeptos deliciavam-se com o bom futebol (e como estavam a precisar depois da pálida exibição do jogo com o Feirense) mas desesperavam com a concretização, especialmente em duas flagrantes oportunidades de golo de Aimar e Gaitán. Aimar, Nolito e Witsel foram os jogadores que se destacaram neste período da partida.


A segunda parte não podia começar de melhor forma com o golo de Witsel, sendo que aos 66 min o Benfica já tinha sentenciado a eliminatória com um golo de Luisão e mais um de Witsel. O Benfica aproveitou para dar espectáculo, entusiasmar os adeptos e atingir a tão conhecida nota artística de Jorge Jesus. Pelo meio, mais uma série de golos falhados pelo Benfica, uma defesa quase impossível de Artur e o golo que o Benfica habituou-se a brindar a qualquer adversário que encontre pela frente (na realidade não foi um golo oferecido mas um bom golo da estrela da Costa Rica). Artur, Emerson, Aimar e Witsel exibiram-se a nível elevado na 2ª parte, enquanto que Gaitán teima em não arrancar para as boas exibições, apesar de toda a qualidade do seu futebol.


De facto, este 4-3-3 permite extrair o melhor que o plantel do Benfica tem para oferecer, existindo ainda várias alternativas de qualidade do meio campo para frente (infelizmente na defesa não se pode dizer o mesmo...). Se já tinha assumido que Witsel era a melhor contratação desta época, depois do jogo desta noite fiquei com ainda menos dúvidas. Se o simples facto do belga ser um grande jogador (futebol simples e objectivo, optando quase sempre pelas melhores decisões e participando tão eficazmente na construção de jogo como no processo defensivo) já seria razão suficiente, ainda consegue potenciar o que há de melhor nos jogadores que o rodeiam, sendo que o impacto é ainda mais significativo por jogar na posição 8 com muitos jogadores à sua volta. Javi, Nolito e Aimar bem podem agradecer a influência do belga. Quanto a Aimar, devo mesmo assumir alguma incoerência quanto ao que escrevo hoje em comparação com o que escrevi em comentários anteriores quando indiquei que Aimar já não produzia futebol, apesar de qualquer intervenção no jogo ser um exemplo da genialidade que tem nos pés. A verdade é que capacidade em produzir futebol é algo que realmente não falta ao mago argentino e isso foi possível constatar neste e nos últimos jogos em que participou. No entanto mantenho que para jogar em 4-4-2 não vale a pena colocar Aimar em campo pois não é jogador para vir atrás iniciar as jogadas de ataque ou desempenhar um papel importante nas movimentações defensivas quando apenas há Javi no meio-campo para defender. A melhor forma que tenho para ilustrar o posicionamento e influência de Aimar neste 4-3-3 passa por recordar a liberdade que era permitida a Rui Costa nos tempos de Florença, em que o treinador fazia a táctica com apenas 9 jogadores de campo e sem Rui Costa, sendo que este deveria pisar os terrenos que considerasse mais apropriados em função do adversário e fase do jogo. O mesmo deveria ser permitido a Aimar.


Assim,  o melhor em campo foi mesmo Witsel, por força de também ter conseguido dois golos, mas com Pablito a seguir de muito perto. Resta esperar agora alguma sorte no sorteio, não esquecendo que a que teve na época passada não foi minimamente aproveitada.    

23/08/2011

Um Porto de muitas caras…


Após alguns dias de afastamento aqui fica uma reflexão sobre a última jornada portista e impacto no desafio que se aproxima…

Cara de Sono

O inicio de jogo de sexta-feira fica marcado por uma perda de bola incrível de Sapunaru (que displicência) e um penalty claríssimo de Otamendi. Cartão vermelho… Tão claro quanto à falta de personalidade e até de coragem dos árbitros portugueses. Se a falta não fosse no minuto 1 mas sim no 51 certamente o central argentino ia dar banho as tatuagens mais cedo. E se fosse expulso talvez fosse o castigo que a equipa merecia por ter estado a dormir naquele que era o primeiro minuto de jogo. Este Sapu tem mesmo cada vez menos espaço. É esforçado… mas não chega.

Gil Vicente a vencer sem saber como…

Cara de Pau

Esta cara é mesmo para o árbitro… Não há dúvidas o João Vilela se encosta ao Hulk quando a bola se encaminhava para ele, mas também não há duvidas que o Hulk aproveita o contacto e deixa-se cair. Penalty mal assinalado e Hulk não perdoa!

Este tipo de lances são comuns na área e apesar de serem marcados se forem a meio campo não são usualmente marcados dentro das áreas. Aqui começam as discussões sobre os critérios. Prevejo muitos lances semelhantes por essas áreas fora… e os que não forem assinalados vão trazer polémica. “Lembram-se do Porto- Gil Vicente?” bla, bla, bla. Vivam as conversas de café!

Fica o apelo: por favor não marquem mais penaltys a favor do Porto… marquem livres a entrada da área. O resultado é o mesmo e ao menos não temos de passar o dia seguinte a ouvir benfiquistas a reclamar que andam a levar o Porto ao colo…

Apesar de ter igualado aos 8 minutos, o Porto fez pouco por merecer.

Cara de pau também para o Sapunaru. Mal escrevo na semana passada que o homem não marca pelo Porto e o gajo cala-me com um golo cheio de oportunismo. Não é mesmo de confiar este romeno. Desta forma… e para manter a tradição aqui do blog deixo a previsão: ” O Hulk nunca será capaz de marcar 2 golos ao Barcelona!” (Sexta-feira falamos!)

A ganhar e a merecer sem nunca deslumbrar… uma defesa muito lenta, que se agarra a bola para a depois despachar para os avançados. Não há ligação com o meio campo e joga-se futebol directo. Esta é a grande diferença para o futebol do Porto de AVB, não há passes curtos, com 1 ou 2 jogadores sempre prontos para receber a bola e trocar simples.

A juntar a isto faltava Raça, Querer e muitas “pernas”.

Cara que desafia soco…

Deste Hulk. Ainda muitos adeptos estavam nas cervejas já o brasileiro tinha mandado uma bomba “lá para dentro”. Muita força e muita intenção num remate que veio dar a tranquilidade que a equipa precisava. Vai com certeza dar muitas alegrias aos adeptos e provocar alguma “azia” aos adversários. É sem dúvida o jogador indispensável que Pinto da Costa anunciou.

Haveria melhor maneira de começar a 2ª parte?

Cara(cter) de Campeão

Foi esta segunda parte que salvou o jogo e quem sabe tenha salvo a moral dos jogadores. O facto de ter marcado cedo e ter chegado aos 3-1 fez desanimar o Gil. Os de Barcelos voltaram a demonstrar que jogam com atitude e prometem bons espectáculos mas nunca conseguiram dominar o jogo ou defender o resultado. O Porto trocava melhor a bola, com mais moral e mais entrosamento, tranquilizavam-se dentro e fora das quatro linhas. O “tribunal das Antas” já não existe mas o seu equivalente no Dragão pode ser ensurdecedor. Em algumas bolas perdidas ou até nas lentas transições defesa-ataque chegaram-se a ouvir alguns assobios…

Enfim. Um jogo que até deveria ser tranquilo fica manchado pelos erros do árbitro e da defesa portista. A vitória não está em causa mas fica sempre a marca de quem deveria ser esquecido: o árbitro.

Mais uma vitória bem preciosa em busca do campeonato.

PS1: Dia 26 ninguém espera que o Porto faça um jogão e trave um super Barcelona. Só espero que a atitude mude rapidamente senão também os adeptos terão uma nova cara… cara de culé*

Vamos FCP! Que se inicie a Operação “Comer os Culés!”

*(culé = adj. y com. Del Fútbol Club Barcelona o relativo a este club deportivo catalán.)

22/08/2011

Um problema de desorientação

Começando pelo menos interessante, o Benfica cumpriu o principal objectivo ao vencer o Feirense por 3-1. Numa primeira parte em que o Benfica, apesar de dominar claramente o jogo, apresentava um futebol pouco atractivo e com poucas oportunidades de golo, acabou por chegar à vantagem através do suspeito do costume (já começa a ser difícil classificar a impressionante série de jogos consecutivos a marcar de Nolito). Na segunda parte, como punição pela fraca exibição e à semelhança do que tinha acontecido na 2ª parte de Barcelos, acabou por sofrer o golo do empate. A partir daí, o Benfica teve que arregaçar as mangas, esquecer a gestão do esforço e partir em busca da vantagem. Assim, sem apresentar grandes argumentos, o Benfica marcou o 2º golo através de Cardozo a encostar a bola depois de uma grande jogada de Super Maxi. Após alguns sustos (a possível grande penalidade foi o maior susto!), dilatou a vantagem com o golo da noite, numa fantástica jogada individual de Bruno César. De assinalar que a equipa de arbitragem foi bastante coerente e solidária com as outras duas equipas e não fugiu a uma exibição de nível inferior.

Posto isto, vamos ao que realmente interessa. Como forma de premonição, aconteceu um episódio insólito com a águia que normalmente voa no Estádio da Luz para completar o símbolo em pleno relvado: desorientou-se e acabou por pousar numa das bancadas do estádio. Após o jogo, cada vez mais me convenço que esta águia não é o único elemento do clube a perder a objectividade e a inventar abordagens inovadoras que se desviam, e muito, dos objectivos desenhados para a sua função. Para comprovar esta teoria, alguns pontos sobre as opções de Jorge Jesus para este jogo assim como durante o próprio jogo:

Desorientação 1 - Sistema táctico
Jorge Jesus pensa que está certo e que efectivamente todo o resto do mundo é que está errado. É óbvio que este poderia ser mais um dos raros casos em que quem está certo está solitário a remar contra a maré, tipo Nouriel Roubini a antecipar a crise do crédito hipotecário enquanto milhões se deliciavam com os lucros sem sustentabilidade. No entanto, acredito que estamos na presença de um caso mais similar ao do condutor que vai em sentido contrário no auto-estrada e que pragueja pelo facto de todos os outros condutores conduzirem em contra-mão. Isto porque acumulou-se mais um jogo em que tivemos que levar com o 4-4-2 quando é óbvio que não temos jogadores para esta táctica. A equipa joga de forma aborrecida, previsível e com poucas situações de golo dando a ideia de que o treinador do Benfica acredita que uma fórmula de sucesso do passado (a dupla Cardozo/ Saviola) é garantia do mesmo sucesso na presente temporada mesmo com toda a rotação de jogadores que já aconteceu;

Desorientação 2 - Saviola
A produção em campo deste pequeno grande jogador tem sido quase sempre insuficiente e com pouco impacto no desempenho da equipa. Sendo assim, qual a justificação de o manter constantemente no onze inicial? Pode ser que, com a chegada dos sub-20, Rodrigo e Nélson Oliveira, as opções se alterem (no único lance em que poderia deixar a sua marca, o fiscal de linha erradamente não permitiu que tivesse a possibilidade de enfrentar o guarda-redes adversário completamente isolado;


Desorientação 3 – Médio direito
Com o empate na partida, a entrada de Witsel tornou-se inevitável. E assim, quando todos esperavam a saída de Saviola, Jesus inventou e colocou o belga no lado direito, no lugar de Gaitán (para este, Feirense era um clube que não dava grande estímulo…). É claro que Witsel não sabe jogar mal, mas o lugar dele é no miolo e apenas se não existir mais ninguém é que deverá fazer o lugar; Depois de fazer o 2-1, volta a mexer na equipa. Seria certamente nesta altura que reforçaria o meio-campo, certo? Nem por isso, tempo para mais uma inovação: Bruno César que tem jogado do lado esquerdo mas que é claramente uma alternativa válida para o lugar de Aimar (esta pode ser a desorientação 3.5), foi jogar para, advinham bem, médio direito (flectindo Witsel para o meio). Depois sai Nolito e, mais uma vez, novo médio direito com a entrada de Pérez (pelo menos este estava na posição certa), passando Bruno César para o outro lado. Tudo isto parece confuso?? Então imaginem o que vai na cabeça do senhor que manda no banco do Benfica.

No final, 3 pontos para o Benfica sem confiança extra para o jogo da Champions, ao contrário do adversário que espetou 5 no Heerenveen. Aimar e Nolito em destaque e um Capdevila que apesar de aparecer na ficha de jogo como titular, fiquei na dúvida se não teriam feito o mesmo que na Champions e não o tivessem inscrito (foi realmente um jogo bastante apagado do campeão do mundo espanhol).

Como dedicatória muito, muito especial, este comentário é para o mais recente adepto e sócio do Sport Lisboa e Benfica, o Manel VV.

Empate a 0

Empate a 0 em Aveiro, num jogo que não pude acompanhar do 1º ao último minuto. Vi a 2ª parte a espaços e só agora consegui ver, na SportTv, a 1ª parte.

Apenas alguns (necessariamente poucos) comentários:

1. Do que vi, pareceu-me sempre que aquele jogo na Dinamarca, mais do que um pesadelo, foi um sintoma de uma doença que, assim o espero, não pode durar mais do que uma semana - essa doença chama-se apatia e afectou quase todos os jogadores do Sporting na Dinamarca (excepção feita a Rinaudo) e hoje em Aveiro (do que vi, excepcionaria apenas Capel) [nota pós-visionamento da 2ª parte na SportTv: 2ª parte bem melhor do que a primeira, incríveis desperdícios de Postiga e Capel];

2. Ao ver a 1ª parte não consigo, francamente, compreender as declarações de Domingos no final da partida, quando diz que, quando for preciso, tira de campo quem não se entrega ao jogo. É que eu não vi, da parte de Matias e Djaló, uma entrega ao jogo inferior à dos colegas de equipa na 1ª parte. Vi da parte de Matias que devia jogar a última meia-hora e não a primeira, porque ainda não está em condições de entrar de início e muito menos de fazer 90 minutos (e ser-lhé-á mais fácil entrar em campo quando os adversários já têm 60 minutos nas pernas). E vi, da parte de Djaló, a habitual trapalhice. Mas quem os coloca a jogar de início é o responsável pelo fraco rendimento de ambos e esse responsável é Domingos.

3. Espero estar enganado, mas creio que na realidade Domingos quis passar duas mensagens: (i) uma, ao plantel, retirando a estrela da companhia ainda durante a primeira parte, assim demonstrando a sua "autoridade" (invocando como razão para a substituição a "falta de entrega" quando na realidade estava em causa um estouro físico de um atleta que, mesmo em forma, não dura mais do que 60/70 minutos); (ii) a segunda, aos adeptos, destinada a ganhar o apoio destes quando retira Djaló. Isto porque a generalidade dos adeptos do Sporting dá o benefício da dúvida ao fraco rendimento inicial de Schaars, Capel, Volfswinkel ou mesmo Onyewu, mas está francamente cansada da ineficiência de Postiga [mais uma bola à figura na melhor oportunidade de que dispôs no jogo de hoje] e, principalmente, da extrema irregularidade de Djaló (não consegue ter um rendimento constante, ou joga mal, o que faz em 30 jogos por ano, ou joga bem e marca golos de bandeira, o que infelizmente só faz 3 ou 4 vezes por ano, normalmente quando o único objectivo da época é tentar não ficar atrás do Paços de Ferreira e do Nacional).

4. O Sporting, do que vi, defendeu sempre bastante bem. É certo que o Beira-Mar, valha a verdade, tem uma equipa ridícula e um ataque em que pontifica um chinês emprestado pelo Mafra. E creio mesmo que este não seria daqueles que traria os tais charters (sim, marcou 3 golos ao Sporting num jogo da Taça, mas se fosse mesmo bom, cheira-me que não estaria no Mafra). Mas, ainda assim, parece ter passado a fase em que o Cardozo, em jogos contra o Sporting, ficava mais confiante num canto do que num penalty.

5. Disse e mantenho que o Sporting não deve justificar os seus resultados com arbitragens, principalmente quando ainda tem um futebol francamente insuficiente quando comparado com o do Porto ou o do Benfica e falha golos de baliza aberta. Mas se os dirigentes do Sporting querem assim tanto falar de arbitragens, sugiro que não falem dos nossos jogos mas comentem, por exemplo, o lance de Otamendi, do Porto. É que aí já não há a desculpa de que devíamos ter jogado mais ou o argumento de que falhamos golos. Aí, do que se trata, é de beneficiar uma equipa que, apesar de melhor do que a nossa, já levou um empurrãozinho com consequências neste jogo (ficaria 88 minutos a jogar com 10) e no seguinte (não poderia contar com Otamendi).

19/08/2011

Pesadelo

Ontem cheguei a casa cedo, para ver o Sporting, mas infelizmente adormeci e tive um terrível pesadelo: o Sporting voltava a jogar com o Nordsjaelland da Dinamarca, mas desta vez, ao invés de ganhar 1-0 com uma exibição triste, empatava 0-0 com uma exibição miserável, a um nível inferior ao do pior Carvalhal (ou mesmo do melhor Paulo Sérgio).

Assim, infelizmente, não vi o jogo. Mas posso contar-vos o meu pesadelo, do qual acordei a estremecer e com suores frios, irritadíssimo face ao que passo a descrever:
- o Rui Patrício, em 90% dos lances em que intervinha, irritava-me com aquela cena de recolher um cruzamento e correr até ao fim da área com aquele ar de "foda-se vou já por a bola na frente, vai ser genial, mas afinal é melhor não porque se chuto a bola ainda acerto na estátua da sereia em Copenhaga";
- o João Pereira irritava-me por continuar a deixar qualquer bicho careta que estivesse perto dele receber qualquer bola, não jogando uma só vez em antecipação (lembrar o golo do Wilson Eduardo em Alvalade...);
- o Evaldo irritava-me porque apenas se preocupava em ajudar o Emerson do Benfica a encontrar fundamentos para apresentar queixa-crime por difamação contra todos aqueles que acusam este último de ser o gémeo futebolístico do primeiro;
- o Polga, depois de 2 minutos a trocar a bola com o Rodriguez, irritava-me por fazer entre 10 e 15 daqueles passes para a terra de ninguém;
- o Rodriguez irritava-me por tentar bater o record mundial de tempo com a bola parada nos pés de um mesmo jogador;
- o Rinaudo irritava-me por ser o único que corria e lutava e não mandava uns berros naqueles maganos para correrem um pouco mais;
- o Schaars irritava-me por fazer um exibição medonha;
- o André Santos irritava-me por ter ido conformado para o banco quando era o único no meio-campo que aparecia em zona de finalização na 2ª parte;
- o Djaló irritava-me por demonstrar a cada minuto que, efectivamente, tem a inteligência de uma bandeirola de canto;
- o Jeffren irritava-me por ainda não conseguir jogar 90 minutos;
- o Postiga não me irritava - só me irritava pensar que há gajos no Benfica que detestam o Cardozo.

Ainda houve mais 3 que, durante o meu pesadelo, entraram na 2ª parte: Izmailov ainda não mete o pé, Matias vem de lesão, Rubio não teve jogo (verdade seja dita que não fazia muito para o vir buscar).

Enfim, um pesadelo demoníaco. Tenho pena de não ter visto o jogo, deve ter sido certamente melhor, porque a jogar como jogámos no meu pesadelo, o Domingos não chega ao Natal...

PS: Acordei a tempo de ouvir Domingos dizer que 0-0 fora é um bom resultado. Não digo que, em circunstâncias normais, não seja um resultado aceitável. Bom não é certamente. Muito menos quando quem profere a afirmação acabou de empatar em casa 1-1 contra uma equipa que fez 1 remate enquadrado com a baliza. É bom lembrar a Domingos que estas coisas acontecem em futebol. E se acontecer contra estes coxos, estamos fora... Não acredito que aconteça, essencialmente porque ontem foi tão mau, tão mau, mas tão mau, que estou seguro que serão tomadas algumas medidas drásticas.

PS2: Das restantes equipas envolvidas antecipo o seguinte: o Benfica passa e os restantes vão todos de vela. O Braga, tal como antecipei, tem um adversário bem mais complicado do que o estatuto possa fazer parecer. O Nacional não aproveitou o factor casa. E o Vitória nunca teve grandes hipóteses.

PS3: Enquanto os seniores andam a fazer figuras tristes, os nossos juniores foram espetar 3-0 em Liverpool, com direito a golaço (o 3º), deixando uma imagem de prestígio que, infelizmente, vai sendo exclusiva das nossas escolas.

PS4: No meu primeiro post neste blog afirmei que, com a saída de Falcão, se abria o caminho para o Benfica ser campeão. Mantenho o que disse, assumindo, claro está, que Jorge Jesus vai ignorar os assobios das bancadas e colocar Cardozo a titular, mesmo que sozinho na frente. Se inventar, vamos ter um campeonato do género 2004/2005, o que muito me agradaria desde que o desfecho fosse diferente e o título caísse de pára-quedas em Alvalade. Se Jesus não inventar e no FCP saírem Álvaro Pereira e Moutinho, temo que fiquemos a disputar o 2º lugar com um FCP que, apesar do putativo encaixe de 100M, desembolsou cerca de 60M, ou seja, precisa de ir directo à Champions. Em suma, ou começamos a jogar futebol ou estendemos a passadeira deste campeonato aos nossos adversários.

17/08/2011

Ganhar? Ganhar para quê?!

Começo a não ter muita paciência para repetir a má leitura que sistematicamente Jorge Jesus faz dos jogos. Depois do péssimo empate registado em Barcelos, já mais a frio e a tentar retirar algo de positivo dos erros tácticos a que infelizmente assisti, pensei que o resultado até poderia ser bom para o resto da época. Passo a explicar: uma vitória nesta partida poderia ter levado o catedrático do futebol a pensar que a sua estratégia tinha resultado em pleno e que deveria continuar a apostar nos dois avançados, no mínimo, durante os próximos jogos; com o empate e com todos os críticos em uníssono a assinalar o erro de não ter jogado com apenas um avançado (nem que fosse apenas na segunda parte), assumi que teria aprendido a lição e assim o ajustamento táctico faria sentir-se já neste jogo. Após ver o onze inicial (não escolheria outro), tudo me levou a crer que tal tinha acontecido e que Jorge Jesus estava curado: o Benfica assumiria o 4-3-3 como sistema base para esta época.


Qual não é o meu espanto quando, após a saída de Aimar, quem entra não é Matic (para Witsel subir no terreno e ganhar centímetros contra os cruzamentos do Twente) ou Enzo Pérez (para recolocar Amorim no miolo). Não, o objectivo foi, e isto disse Jesus no flash interview, colocar Saviola para chegar ao 3-1 (?!). Será que ninguém lhe explicou que estamos nos playoffs de acesso à fase de grupos da Champions e que o 1-2 era um resultado muito, muito bom para jogar a 2ª mão no Estádio da Luz?? Será que ele acreditou mesmo que, com Saviola, teria uma dupla de avançados supersónicos para concretizar contra-ataques fulminantes?? Acho que vou ter mais sucesso em tentar perceber porque é que a Fitch manteve o rating dos EUA...  


Quanto ao jogo, o Benfica entrou praticamente a perder. É um grande golo mas, numa fase inicial da partida e a jogar na Holanda, o Benfica devia ter-se preocupado sobretudo em não dar espaço na sua zona defensiva. No entanto, a equipa mostrava grande personalidade nestes primeiros minutos pelo que não tive muitas dúvidas de que tinha tudo para conseguir um resultado positivo. No final da primeira parte, o Benfica já tinha dado a volta ao jogo com dois grandes golos, num fantástico remate de Cardozo e a finalizar a melhor jogada que vi neste início de época (e vão cinco jogos consecutivos a marcar para Nolito!). Todavia, o Benfica voltou a registar dificuldades defensivas, especialmente a fazer frente à segunda vaga de ataque do Twente. Pareceu-me que o facto de, insistentemente, encostar dois jogadores (Cardozo e Aimar) aos centrais adversários levavam a uma menor consistência defensiva com Javi algo perdido. Foi valendo, mais uma vez, o bom jogo de Artur.


Já na segunda parte, o Benfica pode dar-se por satisfeito por ter sofrido o golo do empate já numa fase adiantada do jogo (no entanto foi um golo mal validado por falta clara sobre Emerson). Não fosse São Artur e o Benfica poderia mesmo aterrar na Portela com uma derrota na bagagem. O Benfica também teve oportunidades de golo, sobretudo na fase final da partida, mas considero que o golo acabou por cair para quem causou mais perigo.


Com sinal mais (como dizem na rádio): Artur destacou-se como o melhor jogador em campo; Cardozo esteve em bom plano com grande golo e a movimentar-se bastante (tendo em consideração o que é habitual); Nolito marcou mais um golo e reapareceu bem no final do jogo;
Com sinal menos: o impacto da semana de férias em Maxi Pereira que esteve sem o fulgor a que já nos habituou; a incapacidade de Saviola em aproveitar os contra-ataques da segunda parte; a 2ª substituição de Jesus (Saviola por Aimar)
Nota final: bom resultado para o Benfica a deixar boas perspectivas para a 2ª mão.

16/08/2011

VSC 0 – FC Porto 1: Mais do mesmo…

Comecei por escrever este texto no final do jogo mas não me senti inspirado… ontem voltei a pegar no texto e nada… mas vou publicar na mesma (tem mesmo de ser…)

Pois a exibição do Porto foi assim – Sem inspiração.

Apareceram em campo com o figurino de sempre, com Guarin (sem grande entrosamento) no lugar de Ruben Micael, jogaram o mínimo dos mínimos, por momentos pareciam longe…

Souza voltou a jogar e Fernando ficou na bancada. Estará lesionado de tantas vezes ter feito a mala para ir embora? Pelo sim pelo não viu o jogo junto aos Super Dragões.

Leram o último post sobre o jogo do FCP? Podem ler outra vez. O jogo foi igual…

Espera-se sempre mais de uma equipa que tem poucos segredos. Precisa-se de um tónico de motivação. Nem os pontos perdidos pelos adversários nos dias anteriores mexeram com o espírito da equipa. Espero que com o final do período de transferências e o aproximar da Supertaça Europeia tragam a estabilidade necessária para que as boas exibições apareçam.

Um pequeno paragrafo para o árbitro. Amigo Oleg (espero que não se importe com a intimidade); você nunca foi brilhante (posso trata-lo por você?); mas neste jogo até nem esteve mal. O penalty é bem marcado pois o Sapunaru é impedido de chegar a uma bola que vem direita a ele. O Leonel Olimpio não esteve com atenção aos vídeos do Manuel Machado senão nem tocava num jogador que nunca marcou um golo pelo FCP.

O Guimarães esteve melhor do que no jogo da Supertaça mas continua sem ter grande equipa.

Na próxima jornada espera-se um jogo difícil contra um Gil Vicente que deixou uma boa imagem no jogo com o Benfica. Discutiu o jogo pelo jogo e por momentos até foi melhor do que os encarnados. Resta saber se os que vão jogar vão estar a pensar no Messi e companhia ou no Vieira e Laionels. São estes os nossos testes, os internos...

Caro Vítor, como sempre deixo-lhe uma mensagem: a jogar assim, com jogos ao Domingo ao final da tarde, arrisca-se a ter os adeptos a ir passear no paredão da Foz ou em churrascadas familiares. Sempre é mais entusiasmante do que o futebol azul e branco.

Aceito como resposta que já ganhamos 2 pontos relativamente à época passada e 2 pontos sobre os adversários… agora só faltam 29 vitórias. Força Vitor! Somos Porto!

PS: vamos mesmo perder o goleador… o Kleber é um jogador a trabalhar, ainda com uma margem de progressão enorme, mas não é o titular indiscutivel. E vamos mesmo de dar espaço e oportunidades ao rapaz, só não pode continuar a falhar 3 golos por jogo (não há coração que aguente). Por favor não cair na tentação de colocar o Hulk a ponta de lança, ou mudar a táctica. Para inventar já bastam os clubes de Lisboa.

15/08/2011

Sporting 1 - Olhanense 1

Começando pelo princípio: o 11 apresentado por Domingos, salvo um ou outro pormenor, era aquele que a maioria dos adeptos tinha previsto como sendo o melhor/mais eficiente nesta fase da época. Para além da óbvia defesa a 4, um meio campo a 3, com Schaars mais adiantado, e uma linha ofensiva de 3, com dois extremos bem subidos e um ponta-de-lança mais fixo.

O que falhou, então? Essencialmente, falharam pormenores (todos eles, felizmente, corrigíveis):

- João Pereira, que na selecção tem feito grandes jogatanas, é algo permissivo a defender, como se notou no lance do golo, em que deixou o adversário receber à vontade um passe de 20/25 metros (não é por aqui que perde a titularidade no Sporting, mas pelo que vi ontem do Chelsea, vai perdê-la na selecção para um Bosingwa que parece estar de volta aos bons velhos tempos). É verdade que nenhum dos centrais saíu ao remate, mas tenho para mim que o lance devia ter sido cortado à nascença;
- André Santos tinha que fazer o papel de Schaars e não o papel de... André Santos. Ficou muito preso à "linha" de 2 médios mais defensivos, quando se lhe pedia que fosse um box-to-box, papel que, afinal, acabou por ser desempenhado no 2º tempo por Rinaudo (grande jogador!), já perante um Olhanense que não saía do seu meio-campo;
- Schaars não é, efectivamente, um médio ofensivo, parece ser um 8 de qualidade mas não tem a mesma criatividade e rasgo que Matias (ou Aguiar), pelo que vai regressar à posição "ao lado" de Rinaudo quando um destes estiver disponível (as aspas justificam-se pelo facto de ao lado não querer dizer uma linha de 2 trincos, mas sim um a fazer o típico papel de 6 e outro a fazer o típico papel de 8). Enquanto não estão disponíveis Matias ou Aguiar, talvez Domingos possa experimentar Rinaudo-Schaars-Izmailov, fazendo a equipa subir um pouco mais;
- a desinspiração nas bolas paradas (com o tempo vão começar a sair bem, até porque Schaars é um bom executante, mas no Sábado saíram quase todas mal);
- Djaló esteve bastante mal, quer à direita quer à esquerda, e ouviu inclusivamente os primeiros assobios da época (Domingos ainda não está habituado ao difícil público de Alvalade - se estivesse, teria poupado Djaló à assobiadela quando saíu, tirando-o ao intervalo);
- Postiga continua a falhar golos incríveis (embora eu compreenda que, com 3 opções, sendo uma delas um jogador que rendeu muito pouco na pré-temporada e outra um miúdo de 18 anos acabado de chegar, Domingos escolha para titular um avançado que, além de ser titular na selecção nacional, nos últimos jogos por Portugal marcou, que me lembre, 4 golos).

Isto dito, queria afirmar que o Sporting não jogou mal (mas também não fez um grande jogo) e teve o mérito de nunca bombear bolas, tentando sempre fazer o seu jogo. E o Olhanense, como o próprio treinador reconheceu, teve bastantes sorte e um golo caído do céu. Mas faltam ainda algumas rotinas e a estabilização do modelo de jogo certo com os jogadores certos. Ou seja, vê-se que há coisas muito positivas e espaço para fazer uma boa equipa, mas temos que ter alguma paciência e dar tempo para que as rotinas comecem a fazer efeito.

Quanto a destaques pela positiva:
- a defesa esteve bem na maioria dos lances, Polga incluído. Creio que todos os Sportinguistas terão ficado a pensar o que eu pensei durante todo o fim-de-semana, implicâncias pessoais à parte: seria Polga a prejudicar o desenvolvimento de Carriço ou Carriço a prejudicar a estabilidade do rendimento de Polga? Nunca vamos saber enquanto não experimentarmos um e outro a jogar ao lado de um grande central (que não temos desde André Cruz, jogador ao lado de quem Beto, Quiroga, Babb e até Hugo tinham bom rendimento), mas a verdade é que, quando a grande virtude do Sporting era a consistência defensiva, a dupla de centrais era formada por Tonel e... Polga;
- Rinaudo é uma máquina, grande jogo, a fazer lembrar Duscher na 2ª parte;
- Jeffren tem tudo para ser uma das figuras do campeonato, parece que temos craque;
- Izmailov mexeu com o jogo, primeiro a interior direito, depois mais chegado à linha - mesmo com o joelho feito num oito é um jogador com uma classe e um toque de bola que estão muito acima da média;
- Domingos montou bem a equipa (apesar de uma ou duas discordâncias na escolha de A ou B e de André Santos ter ficando muito estático e recuado) e, melhor ainda, mexeu bem na equipa, que melhorou sempre com as suas alterações.

Não termino sem falar da arbitragem, que não foi de facto boa. Mas se o Sporting quer ser campeão, ou pelo menos lutar por isso, não pode sistematicamente entrar no jogo em que os seus anteriores dirigentes entravam (os quais, recorde-se, utilizavam este discurso para disfarçar a sua incompetência). Se o Sporting tem concretizado metade das oportunidades que criou (mesmo num jogo em que jogou apenas razoavelmente), o árbitro podia ter anulado dois golos em vez de um. E é bom não esquecer que o amarelo de Jeffren, ainda na primeira parte, podia perfeitamente ter sido vermelho, ninguém ficaria chocado com isso. Percebo que na primeira jornada se queira marcar uma posição, e até acho que Domingos acabou por minimizar o discurso ao desculpabilizar o árbitro, deixando o "odioso" para cima dos fiscais de linha, mas espero sinceramente que não vire moda. Até porque os adeptos não são parvos e, se os resultados não saírem e os árbitros por acaso acertarem, quem acaba por pagar a factura não é quem deixou de contratar um defesa esquerdo e um bom central para ir buscar por 5M€ um holandês que parece ser apenas uma aposta de futuro e por 3M€ um búlgaro que, sendo craque, falhou por todo o lado onde passou e ainda por cima está lesionado. Essa factura, como se vê pelo desgaste a que tem estado sujeito Jorge Jesus, quem a paga é o treinador.