23/12/2011

Nota mental: contratar SAMI

1. Em Alvalade, jogo entretido, como diria Quinito. Na primeira parte, bom Marítimo (com Sami em grande nível), razoável Sporting (ainda assim criámos mais oportunidades, entre elas duas bolas na barra), na segunda parte o jogo mudou completamente e o Sporting até podia ter goleado.

2. Nota mental: contratar Sami! O Benfica já assegurou Djaniny...

3. O lance na área com André Martins não é penalty (nem parece) e o amarelo é justo; o penalty sobre Wolfsvinkel não é penalty (mas parece...) e por isso o vermelho é injusto e seria desonesto não reconhecer que deu completamente a volta ao jogo (não o penalty, porque foi falhado, mas a expulsão); o penalty sobre Carrillo é penalty (e de tanto parecer tornou-se evidente) e Wolfsvinkel teve coragem para lá ir outra vez, o que é de macho.

4. Nota mental: contratar Sami! O Porto já assegurou Éder...

5. Carrillo, de facto, não merece ser titular. Quem merece ser titular é o Pereirinha que nem nos seus sonhos eróticos se atira com tanta fé às gajas como o Carrillo se fez àquela bola; quem merece é o Bojinov que certamente não salta à mulher boazona (certamente postarei a foto no dia em que o búlgaro vier a fazer algo de jeito...) com a mesma conviccção com que o miúdo peruano se antecipou ao pobre lateral do Márítmo que nem se apercebeu que ele ali vinha. Quem merece são os outros ursos que lá andam só porque são "experientes", "maduros" e sei lá que mais. Pois. Mas se calhar nenhum tem os tomates deste puto fantástico, para tentar, e tentar, e tentar, apesar de assobiado pelos adeptos e insultado pelos colegas. Continua miúdo. No dia em que estiveres lá no alto, eles vão dizer que foi um mau negócio ter-te vendido tão barato. Já conhecemos a lenga-lenga, é sempre a mesma e vem sempre dos mesmos. Sim, porque quem o vai dizer vão ser os que hoje dizem que "o Carrillo ainda não dá".

6. Nota mental: contratar Sami! O ano passado quando tentámos o Djalma, já ele tinha assinado pelo Porto...

7. Nunca gostei de Pedro Martins (dos jogadores mais fraquinhos que vi passar em Alvalade), mas como treinador dou a mão à palmatória: a equipa do Márítmo está muito bem treinada e joga bom futebol. Não concordo com Domingos, quando diz que só jogam no erro. São, pelo contrário, um exemplo a seguir na forma exemplar como progridem graças à permanente disponibilidade de 1/2 jogadores para o passe. É este o segredo do futebol moderno. Criar sucessivas linhas e opções de passe e antecipar várias soluções para que o jogador que recebe tenha sempre várias opções de colocação do passe. Mas não fui eu que descobri isto: foi um Senhor chamado Josep Guardiola, que conseguiu por a sua equipa a fazer o que disse acima, com duas particularidades fabulosas:
- não há 1 ou 2 linhas de passe, há sempre 3 ou 4;
- a progressão é de tal ordem que os jogadores vão passando a bola até entrar com ela, em passe, pela baliza dentro...

8. Nota mental: contratar SAMI.

21/12/2011

Pondo a escrita em dia...

(não necessariamente pela ordem dos acontecimentos...)

1. Lazio-Sporting

Não vi o jogo, nem sequer o resumo, por motivos profissionais (no primeiro caso) e por falta de interesse face à pouca relevância do jogo e ao resultado averbado (no segundo caso). Fui ver qual a equipa que tinha jogado e pareceu-me bem a rodagem. Pena foi que tivesse valido de pouco, uma vez que em Coimbra as coisas não correram assim tão bem.

2. Académica-Sporting

Creio que desta vez ficou provado de forma clara que, sendo jogador de primeira parte, de segunda parte, do intervalo ou do prolongamento, Carrillo tem que ser titular nesta equipa. Voltando Izmailov, Jeffren e mesmo Matias, podemos discutir o tema. Com Pereirinha como única opção para o lugar, parece-me evidente que Carrillo é o titular. Por uma vez na vida, estou de acordo com Rui Oliveira e Costa (ouvi-o ontem, às 2h da madrugada): entrar em campo com Pereirinha na ala e Carriço a trinco, sem um médio mais criativo, é excessivamente cauteloso. Percebo que se jogue assim contra o Porto, em Janeiro. Ou mesmo contra o Marítimo, uma vez que é um jogo a eliminar e o Marítimo eliminou o Benfica, criou dificuldades ao Porto e até já ganhou em Alvalade este ano. Em Coimbra, contra uma Académica que poucos furos acima está dos que lutam para não descer, confesso que não percebo.

Ainda assim, estivesse Wolfsvinkel num dia normal (já não digo inspirado) e teríamos ganho por 3-1 tranquilamente. Lamentável que Elias tenha sido expulso por dois disparates perfeitamente evitáveis (um do próprio, outro de João Pereira). Gostei de Schaars, Carrillo, Insua e, surpreendentemente, Evaldo. Jogos fracos de Carriço, Capel e do já citado Wolfsvinkel.

Do lado da Académica, gostei de ver Éder, o autor do golo, e pouco mais. Sinceramente, continuo a achar que Adrien Silva não tem pedalada para jogar no Sporting. Até fez um penalty completamente desnecessário perto do fim do jogo, que o árbitro não assinalou e podia (devia!) ter assinalado. Mas claramente não serve como desculpa para uma equipa que jogou tão pouco e falhou tanto. Não devia entrar para a galeria (made by Rui Oliveira e Costa, Eduardo Barroso e outros) dos pontos tirados por arbitragem.

3. Sorteios Champions e Liga Europa

Sorteio agridoce para Sporting, complicado para Braga, azarado para Porto e dentro do expectável para Benfica.

No caso do Sporting, o Legia é acessível, obrigação de ir em frente, mas depois levamos com City ou Porto. Preferia o Porto, claro. Mas se o Porto eliminar o City significa que está forte, pelo que é a chamada "pescadinha de rabo na boca".

O Braga tem o Besiktas. Sinceramente, acho que tem condições para passar. O Besiktas tem alguns bons jogadores, mas não é uma equipa. E é treinado por Carvalhal que, sendo um bom rapaz, não é, todos o sabemos, um grande treinador de futebol. Antecipo duelo equilibrado.

O Porto teve azar. O City e o Naite (como diria Jorge Jesus) eram os adversários mais difíceis e o Porto calhou com um deles. De facto, até nisto o Porto está menos forte: joga menos, é menos consistente e tem menos sorte nos sorteios. Pinto da Costa tinha duas opções: ir à bruxa ou falar de arbitragem para lembrar quem manda no futebol português. Uma vez que Delane Vieira há muito que não enterra galinhas no relvado do Dragão, optou pela 2ª via. Vamos ver o Sporting-Porto...

Quanto ao Benfica, sinceramente, e sem prejuízo de todo o mérito por ter ficado em 1º no seu grupo, tinha um sorteio de Champions inusualmente acessível. Tirando o Milan e o Lyon (que ainda assim não é o Lyon de outros tempos), pergunto quem poderia ali ser favorito contra o Benfica? Calhou o Zenit, mas o Benfica seria sempre favorito, salvo contra o Milan em que seria este o favorito e contra o Lyon em que andaria nos 50%/50%. Os outros (CSKA, Napoli, Marselha, etc.) são difíceis mas acessíveis para este Benfica.

4. Eleições na FPF

Não queria que pensassem que as eleições na FPF me passaram ao lado. Não passaram! Mas na verdade não me podia estar mais a borrifar para o tema...

5. Reforços de Janeiro

O Porto e o Benfica estão, outra vez, a apanhar os potenciais bons reforços a nível interno. O Porto sacou Éder para o final do contrato, o Benfica está prestes a sacar Djaniny. Carlos Freitas, que acompanha regularmente o futebola3, certamente estava de férias quando escrevi, a 7 de Novembro, que tínhamos que assegurar este Djaniny rapidamente... Parece-me que estamos um bocado a dormir no mercado interno, sinceramente.

Dos reforços que se falam para o Sporting, Bruno Alves seria perfeito (mas não acredito), o tal Salamon do Brescia não conheço mas como ando a pedir um tractor para o meio-campo desde Julho, acho muito bem, também acho bem o GR italiano de 18 anos (melhor escola de GR do mundo, hoje só a brasileira estará ao nível da italiana, mas se for para manter emprestado, de preferência em Itália) e pediria aos responsáveis do Sporting, que já deixaram fugir Djaniny, para não deixarem fugir Sami, do Marítimo.

E sendo esta a última palavra, venha precisamente o Marítimo para retomar a senda de vitórias!

17/12/2011

E o Natal trouxe uma boa exibição

Depois das saudades das boas exibições que, há já vários jogos, vinha assumindo nestes comentários, eis que o (menino) Jesus me fez a vontade e aproveitou esta altura propícia a presentes para deixar no sapatinho de todos os benfiquistas uma boa exibição embrulhada por uma goleada das antigas. Surpreendeu-me, e confesso que me desagradou, a opção de colocar Saviola no onze titular enquanto que o lançamento de Nolito entrou em linha com os meus recentes alertas para as fracas exibições de Bruno César. Olhando agora para o que se passou neste jogo, não posso deixar de reconhecer que, por um lado, a estratégia de jogar com dois avançados resultou em pleno e que Saviola esteve realmente em bom plano. No entanto, estas opções são um pouco mais complexas de analisar do que à partida possa parecer e não é possível reduzir a táctica de Jesus a uma mera definição de 4-4-2, 4-3-3 ou qualquer outra combinação que se queira inventar.


Em primeiro lugar, Aimar jogou na posição onde rende mais e onde é mais útil à equipa. A jogar no miolo, espalha classe e magia, faz a equipa jogar e provoca desequilíbrios, pelo que é com grande satisfação que recebo os rumores de que terá renovado por mais um ano. Depois o posicionamento de Witsel à direita, flectindo para o centro nas jogadas de ataque, deu espaço e corredor para um Maxi que esteve bastante envolvido nestes processos ofensivos. Quando não era Maxi a aproveitar estes espaços, lá estava Saviola a ocupar estes terrenos, alternando com um posicionamento entre Cardozo e Aimar para fazer as ligações no último terço do terreno. Se a isto juntarmos um Nolito com vontade para mostrar serviço, sempre pronto para driblar os adversários e com bom critério de passe, assim como um Javi Garcia omnipresente, logo percebemos porque é que o futebol do Benfica esteve finalmente a carburar e a arrancar sucessivos aplausos de satisfação das bancadas.


Nos primeiros 20 minutos o Benfica construiu várias jogadas de bom futebol com os extremos ou laterais a ganharem bastante espaço e tempo para cruzarem para a área, pelo que apenas se esperava que um desses cruzamentos encontrasse um homem de vermelho e assim se festejasse o primeiro golo. O Rio Ave não deixou de ensaiar os seus contra-ataques sendo que, após um remate perigoso de Yazalde e um cabeceamento de João Tomás, foi mesmo a equipa de Vila do Conde a adiantar-se no marcador com um golo de Atsu. O Benfica não se enervou e continuou com o seu futebol que lhe permitiu chegar ao intervalo a vencer por 3-1. Se chegou ao primeiro golo através de um penalty de Cardozo a castigar uma mão, o segundo golo então é totalmente inventado pela irreverência de Nolito: partindo em posição duvidosa (os pés em linha com o último defesa mas com parte do corpo já mais adiantado), arrancou dribles sucessivos e enganou o guarda-redes com alguma sorte à mistura, mas em que a forma desamparada com que cai nas redes da baliza (do lado de fora e da parte de trás!) é o que ilustra melhor a loucura saudável que este jogador assume. Depois do cinzentismo de Bruno César e da displicência de Gaitán, como sabe bem ver um jogador que não se cansa de partir para cima dos defesas e que coloca garra ou ganas em tudo o que faz! A acabar a primeira parte, mais uma vez Nolito a colocar em Aimar que faz uma assistência que vale o preço do bilhete e Saviola finalizou da melhor forma. Em cerca de 10 minutos o Benfica fez 3 golos e foi tranquilo para os balneários.


Se a primeira parte acabou bem, a segunda parte não começou pior com o golo (finalmente!) de Garay. E pronto, logo se percebeu que o jogo estava feito e só faltava saber até que ponto o Benfica conseguiria alargar a vantagem. Naturalmente que a velocidade de jogo diminuiu, embora o Benfica não tenha deixado de criar lances de perigo, sobretudo através de Nolito que não sabe o que são planos de austeridade ou de poupança e que esteve sempre em alta rotação. Foi desta forma que viu de novo a sorte a sorrir, mas que também fez por merecer, num remate para o 5º golo a partir de um canto. Com as substituições o ritmo caiu ainda mais mas Rodrigo ainda poderia ter marcado por duas vezes.




O Benfica encerra 2011 com uma boa exibição que espero que contribua para aumentar as assistências que tenho observado no Estádio da Luz (é claro que é necessário juntar o efeito crise a esta realidade) e assim ajudar a formar a já conhecida onda vermelha que embale esta equipa. Nolito foi o jogador mais espectacular, até pelos dois golos marcados, e Aimar fez também um grande jogo contabilizando duas assistências. No entanto, prefiro destacar um jogador que não dá tanto nas vistas mas que fez um jogo quase perfeito, ganhando quase todas as bolas divididas, recuperando inúmeras bolas, ocupando os espaços necessários, dobrando os colegas e iniciando muitas das jogadas de ataques: Javi Garcia mostrou porque é que o United anda de olho nele e a razão pela qual o Benfica deve apressar a sua renovação! Do lado do Rio Ave é justo fazer referência a Atsu, Yazalde e Kelvin que deram muito trabalho à defesa do Benfica.

12/12/2011

Benfica quase que ficava com a fava

Numa jornada em que vi o Nacional a esbanjar golos fáceis em Alvalade e o Beira-Mar a falhar um golo de baliza aberta (na última jogada do desafio!) contra o Porto, quando Cardozo falhou também com uma baliza deserta cheguei a pensar que, depois da sorte de Sporting e Porto, acabaria por ser o Benfica a ver a sorte sorrir, não a si, mas ao adversário. Felizmente tudo correu pelo melhor e o Benfica também acabou por vencer pela margem mínima e assim tudo se manteve inalterado na luta pela título.



Depois da eliminação na Taça, os jogadores do Benfica e Jorge Jesus encararam o jogo da forma que lhes competia: com muita concentração e interiorizando o nível de dificuldade do adversário. Sem Gaitán, a escolha recaiu em Rodrigo que permitia que o Benfica tivesse um jogador com capacidade para partir para cima do adversário directo em velocidade e que ainda dava flexibilidade táctica para, em função do andamento do jogo, passar de um 4-3-3 para um 4-4-2.

Na primeira parte, o Benfica esteve bastante melhor que o Marítimo e deveria ter saído para o intervalo já em vantagem. Embora a primeira grande oportunidade de golo tenha sido do Marítimo, num remate de Olberdam, o Benfica teve um Aimar isolado e um Cardozo a falhar de forma escandalosa, contando ainda com mais dois remates perigosos de Rodrigo e Garay. Interessante perceber a mudança táctica que Jesus operou ainda durante a primeira parte. A defesa insular arriscou numa defesa bem subida no terreno que dificultava as trocas de bola do Benfica no meio-campo uma vez que dificilmente Cardozo ganharia as costas da defesa por força da sua débil mobilidade e velocidade. Assim, ao alterar para dois avançados, deu espaço aos homens do meio-campo e, desta forma, controlou a bola e criou as melhores oportunidades de golo. Incrível o número de faltas do Marítimo e a agressividade que colocava em cada jogada, pelo que o número de cartões amarelos só pecou pelo reduzido número de vezes em que foi levantado.

A segunda parte teve o início praticamente com a expulsão de Olberdam e que mudou totalmente o jogo. O Marítimo apenas se preocupou em fechar a sua baliza e esteve bastante bem neste capítulo, já que o Benfica não dava grande velocidade ao jogo e criava poucos desequilíbrios. O jogo pedia maior largura e discernimento pelo que a entrada de Nolito com a sua irreverência e critério de passe se tornava urgente. De resto, não havia mais soluções no banco para o que o Benfica necessitava: nem um avançado rápido que substituísse um desgastado Rodrigo ou um extremo direito que substituísse um Bruno César que teima em fazer exibições muito apagadas. Assim lá fomos nós para a aposta na "inteligência" de Saviola como Jesus gosta de apregoar. Nolito conseguiu aparecer no jogo e acabou por sair dos seus pés o passe para o golo de Cardozo aos 85 minutos quando já desesperava a ver o final do jogo a aproximar-se. As poucas jogadas de perigo que o Benfica teve na segunda parte indiciavam que o empate era cada vez mais provável, pelo que a forma como o Benfica venceu este jogo reflecte uma equipa que não está em grande forma física, com os processos ofensivos pouco oleados e que vem de uma série de jogos com exibições pouco mais do que suficientes e cinzentas. 

De resto, aplaudo e agradeço a palhaçada do Pedro Martins nas suas críticas a Jorge Sousa uma vez que já estamos no período natalício e ainda não tive oportunidade de ir ao circo. A expulsão é mais que justa (1º amarelo num carrinho nas costas de Aimar e o 2º noutro carrinho completamente fora de tempo) e o golo é limpo. Sim, de facto, na jogada anterior há um toque de Aimar em Peçanha em que poderia ter sido assinalada falta, mas que não tem impacto no desenrolar da jogada. No entanto, se formos considerar arbitragens com influência no resultado através de lances mal avaliados que antecedam as jogadas de golo, então todas as discussões em relação às arbitragens se tornam absurdas. Os elogios de Jesus à exibição do Benfica são exagerados mas fazem parte da cartilha de todos os treinadores. Concordo que, esta época, será um dos campos mais difíceis para os grandes pelo que o Benfica conseguiu passar mais um teste complicado.

10/12/2011

Foi você que pediu pontos dados por Patrício?


Aos mais desatentos, queria lembrar que enquanto o país parava para ver o Real-Barcelona (irritantemente ganho pelo Barça novamente, o Real poderá ser campeão mas só se Guardiola não conseguir convencer os seus jogadores que mesmo a melhor equipa de todos os tempos tem que dar o litro com os Getafes e Rayos Vallecanos da vida), o Sporting Clube de Portugal defrontava o Nacional da Madeira em Alvalade.

Foi um bom jogo na primeira parte, não tão bom na segunda parte. Diga-se que o Sporting foi para o intervalo a vencer 1-0 (golo de Onyewu, que chegou de cabeça onde o redes do Nacional não conseguiu chegar com as mãos), mas merecia mais, pelo menos 2-0. O Sporting desperdiçou diversas oportunidades de golo e, mais do que isso, diversos lances ofensivos de superioridade numérica, mesmo dentro da grande área. Aliás, isto sucedeu novamente (e principalmente) na segunda parte, e é um ponto para Domingos rever, porque chegou a ser assustadora a falta de discernimento e objectividade (de todos, sem excepção) em lances que, em condições normais, seriam oportunidades claras de golo (ou, de preferência, mesmo golos!).

E aqui entro na escolha do título. É que a melhor oportunidade da segunda parte foi do Nacional e teve que ser o mal-amado (não por mim...) Rui Patrício a salvar dois pontos, porque o lance era daqueles que, em condições normais, dava golo. O remate foi quase à figura, mas foi daqueles cabeceamentos de cima para baixo, bem complicados de defender e Patrício teve o mérito não só de defender o lance, como também de não o defender para a frente. E já numa fase adiantada do jogo, em que os jogadores do Sporting denotavam um desgaste físico que permitia ao Nacional mandar na partida (verdade seja dita que não foram mais do que 10/15 minutos). É verdade que o nosso redes teve um lance meio esquisito na primeira parte em que a sorte nos protegeu (bola na barra num cruzamento de Mihelic), mas para quem dizia que Patrício não dava pontos, eles aí estão. São dois. No fim da temporada veremos quantos foram no total.

Contado o essencial do jogo, queria destacar alguns pontos:
- Onyewu: depois de um jogo algo tremido na Luz, ficaram algumas dúvidas quanto ao gigante. Hoje fez um bom jogo, impecável pelo ar e pelo chão (um ou dois maus domínios de bola não mancham a exibição), foi dos melhores em campo e ainda teve direito ao golo decisivo. Ainda assim, esta dupla, a meu ver, não dispensa um central em Janeiro.
- Insua: teve dois ou três lapsos no final do jogo (conviria que descansasse no jogo de Roma), mas trata-se neste momento do melhor defesa esquerdo a jogar em Portugal. Não tenho ilusões, Álvaro Pereira, em forma, parece melhor jogador. Mas neste momento Insua está melhor. Ganha a maioria dos lances defensivos, ataca bem e com critério, remata muito bem e é a par de Capel o jogador que melhor cruza no plantel. Grande reforço.
- Carriço: percebo que Domingos não tenha grandes alternativas, mas de facto Carriço não pode ser uma solução a longo prazo. Tem-se posicionado bastante bem, pressiona alto e recupera muitas bolas, mas depois coloca-as para trás ou para o lado em 90% dos lances. Não faz muitas faltas. Não ganha muitas bolas pelo ar. Não aparece às segundas bolas perto da área para o remate de ressaca. Quando pressionado perde muitas bolas. Em suma, vai levar muito tempo até que possa ser uma solução credível. Precisamos de um trinco em Janeiro, até porque não sabemos quanto tempo Rinaudo vai levar até ser o Rinaudo que era até Novembro. Ainda assim, do que vi este ano, Carriço tem estado melhor a trinco do que a central.
- André Martins: bom jogo, a confirmar que pode ser opção, mas ainda demasiado humilde e envergonhado. Puto, às vezes podes rematar tu, podes fazer tu o passe de morte, podes fazer um finta ou outra (vê o Arias, entrou e rematou logo duas vezes). Aproveita esta época porque ninguém assobia!
- Elias: embora continue sem ver o grande Elias que vai à selecção do Brasil, hoje vi duas ou três jogadas de categoria e dois ou três passes bem medidos. Se eu fosse seleccionador do Brasil, não chegaria, pelo que acredito que há ali mais para dar. Mas por ora já está um pouco melhor do que tinha visto até aqui.
- Carrillo: jogo intermitente a dar razão àqueles que, contra o que digo, defendem que Carrillo é jogador de segunda parte. Eu acho que um jogador só deixa de ser um jogador de segunda parte se jogar de início. E acho que devem entrar de início os melhores... o jogo resolve-se a partir do primeiro minuto, não faz sentido (salvo em jogos especiais) guardar soluções para o caso de o jogo não correr bem. Carrillo, face às soluções que temos, é titular de caras. Tem que crescer, é um puto, joga futebol de rua. Mas o futebol de rua é essencial no futebol. Deixem o miúdo errar, sem assobiadelas parvas, e vão ver que não me enganei.
- Wolfsvinkel: fui dos primeiros a defendê-lo e a dizer que tinha que ser titular sozinho no ataque, mas não posso deixar de lhe apontar dois defeitos - precisa de melhorar muito o jogo de cabeça (aquele lance da primeira parte...) e quando perde um lance tem aquela reacção típica dos putos de por a mão na cabeça e gritar "aaaaaaaaah", quando o que devia fazer era insistir no lance. É claro que digo isto porque antes tinha Liedson, excelente cabeceador e lutador incansável. Mas como Wolfsvinkel é um jovem, e eu sei que Domingos lê religiosamente o futebola3, fica aqui a nota.
- Nacional: gostei de três jogadores - o lateral direito Claudemir, o médio Mihelic (enquanto teve pilhas) e o inevitável Mateus, que me parece que poderia ser um bom banco num grande. Devo estar isolado na doutrina, mas acho mesmo que este jogador tem qualidade para mais do que o Nacional da Madeira.

Já vai longo, pelo que termino como habitualmente: e venha a Lazio para continuar a senda de vitórias!

PS: Incrível o que vi do Real-Barça, já com 1-3. O Real parecia uma equipa vulgar, a bombardear bolas e a protestar pequenas faltas e lançamentos laterais. Sendo sincero, fez-me lembrar o Sporting das últimas épocas. Quando o 11 do Barça está motivado, não dá hipóteses.
PS2: Apesar de ter votado nele, pela pedrada no charco que constituiria face aos últimos anos de cinzentismo em Alvalade, não posso deixar de me rir quando me lembro que se falava de Alexis Sanchez (titular no Barcelona desta noite) como possível reforço do Sporting com Paulo Futre.
PS3: A menina da foto, como é evidente, é a Miss Madeira 2011. A foto é dedicada a um dos nossos fieis leitores madeirenses, no caso concreto um ferrenho Sportinguista e (não tão ferrenho) Nacionalista.

09/12/2011

1º lugar do Grupo C da Champions League: BENFICA





A conquista do primeiro lugar do Grupo C da Champions League teve tanto de brilhante como este último jogo teve de aborrecido e daí, a foto que acompanha este comentário (ilustra o sentimento que se vivia nas bancadas mas foi simulada ao intervalo). Foi absolutamente desolador assistir à partida de futebol que Benfica e Otelul realizaram esta quarta-feira no Estádio da Luz. Por mais que tentasse não esquecer que, pelo facto do Benfica se ter colocado em vantagem logo nos minutos iniciais, já tinha o resultado que pretendia e assim deveria assumir um jogo mais cínico e calculista como esta competição muitas vezes exige, a verdade é que o meu desespero para ver uma empolgante jogada de ataque só encontrava paralelismo no desejo do Euro em que se encontre uma solução para a sua sobrevivência. Espero bem que este futebol de baixa rotação seja devidamente recompensado por um plantel que, ao contrário das duas últimas épocas, chegue à fase decisiva do campeonato em Fevereiro/Março no pico da forma e com frescura física, uma vez que o risco de se perder pontos importantes poderá ser demasiado elevado quando se gere diferenças de apenas um golo da forma que o Benfica tem feito.


O Benfica dominou o jogo mas, mais uma vez, registou escassas oportunidades de golo e nem sequer deu para perceber se o guarda-redes dos romenos tinha qualidade ou não. Cardozo marcou o golo da vitória aos 7 minutos e durante toda a primeira parte o Benfica assumu a posse de bola enquanto 10 jogadores do Otelul tentavam tapar os caminhos da baliza, apesar de já estarem em desvantagem e de nada terem a perder. Mas a velocidade de jogo do Benfica era de tal forma lenta que impossibilitava a ocorrência de qualquer desequilíbrio ofensivo e, por outro lado, ainda permitiu que os romenos quase fizessem o empate. Não fosse a já habitual eficácia de Artur e o Benfica poderia ter sido obrigado a procurar novo golo para garantir o primeiro lugar no grupo. Witsel e Aimar iam dando alguns toques de classe mas pouco mais havia.


Na segunda parte pouco ou nada se alterou mas ainda deu para três situações de golo por Cardozo, Javi e Rodrigo. Com esta gestão do jogo e do esforço que os jogadores de Jorge Jesus fazem, só o receio de um golo do Otelul por algum acaso ou por um momento de grande inspiração como aconteceu na Madeira é que fazia com que os níveis de atenção dos adeptos se mantivessem em patamares elevados. No final, vitória do Benfica que segue assim para a fase seguinte da prova na companhia de um surpreendente Basileia, mas com a vantagem adicional de ficar no pote dos gigantes europeus.


Das equipas que podem sair ao Benfica na próxima fase, só as equipas italianas são realmente de evitar, tanto por qualquer uma delas ter jogadores de grande classe (Zlatan, Pato, Seedorf, Hamsik, Cavani, Lavezzi são apenas exemplos) como pelo historial que o Benfica apresenta contra equipas deste país. Em relação às restantes, apresentam todas um nível de dificuldade bastante semelhante mas para as quais o Benfica tem equipa mais do que suficiente para legitimamente aspirar a passar aos quartos de final.

03/12/2011

Altura de focar no que realmente interessa





Não é pelo simples facto do Benfica já não se encontrar a disputar a Taça de Portugal que, de repente, esta competição deixou de ter qualquer tipo de interesse. É claro que preferia ver o Luisão a levantar a taça de todas as competições e festejar todas estas conquistas, e, seguindo esta linha de pensamento, podia sempre repetir aquelas chavões que os jogadores, treinadores e dirigentes adoram utilizar e que os adeptos anseiam ouvir do tipo: "O Benfica entra em todas as competições para ganhar" ou "Só estamos preocupados em vencer o próximo jogo". Na minha opinião o Benfica tinha dois grandes objectivos para esta época: passar a fase de grupos da Champions e ganhar o Campeonago Nacional. O primeiro já está assegurado (falta apenas saber se conseguimos ou não o primeiro lugar para tentar evitar um dos tubarões europeus) e, relativamente ao segundo, estamos bem posicionados. Agora, relativamente à Taça de Portugal, Jorge Jesus teria sempre que optar por fazer descansar alguns jogadores, e quando se iniciarem os jogos da Taça da Liga, terá que colocar todos os jovens jogadores a jogar e simplesmente esperar que as coisas corram bem. As outras duas competições são demasiado importantes para se optar por outro tipo de estratégia...


No jogo com o Marítimo, o treinador do Benfica não deixou, e bem, de colocar Aimar, Javi e Maxi no banco, mas falhou ao insistir jogar com apenas dez jogadores. Tendo a noção que posso estar a ganhar alguma aversão em relação a Saviola, tenho muitas dificuldades em perceber qual a vantagem de jogar com el conejo: se o número de cuecas que consegue fazer não dão pontos ou passagens de eliminatórias, qual o objectivo de o colocar em campo, seja ao lado do outro avançado ou mais recuado no terreno? Contra um Marítimo que, como a maior parte dos clubes de segunda linha, apresenta um meio-campo preenchido e com jogadores de grande agressividade, não faria mais sentido jogar com apenas um avançado e colocar Amorim ou David Simão no meio? Entre outros factores, a boa exibição de Amorim contra a Naval ou a boa época que David Simão fez na Mata Real já justificava uma aposta deste tipo.


Se a questão do meio-campo está nas mãos de Jesus, contando com vários jogadores de qualidade e diferentes tipos de soluções, já nos corredores a situação é mais problemática (a questão do 3º central já foi suficientemente abordada no post anterior): 
- não há alternativa de qualidade a Maxi Pereira;
- para defesa esquerdo, simplesmente não há qualidade;
- com a lesão prolongada de Enzo Pérez, só Gaitán tem capacidade para pegar na bola, acelerar o jogo e ultrapassar os adversários directos em velocidade (e mesmo assim, nem sempre está para aí virado).


Nesta eliminatória da Taça, nem se pode dizer que o Benfica tenha feito um mau jogo, mas também esteve bastante longe de fazer um bom jogo. Sem laterais a participar nas manobras ofensivas e com um meio campo bastante lento, para além do já referido facto de jogar com um jogador a menos, o Benfica voltou a criar pouquíssimas ocasiões de golo, conseguindo chegar à vantagem com uma grande penalidade oferecida por Paulo Baptista. Assim, o Benfica foi para o intervalo a vencer, sem ter feito muito para o justificar mas sem permitir que o Marítimo criasse qualquer tipo de perigo. 


Já na segunda parte, o Marítimo conseguiu chegar-se à baliza de Eduardo e ia criando uma ou outra ocasião de maior perigo. Até ao lance em que Roberto fez o remate da sua vida e fez um golo fabuloso (precisará de, no mínimo, mais 100 tentativas para voltar a marcar um golo destes). Passados dez minutos, numa saída infeliz de Eduardo (o avançado do Marítimo estava ainda muito pressionado pelos defesas do Benfica), a equipa insular chegou à vantagem com um chapéu de Sami.  A partir daqui, apareceu Aimar no jogo (que tinha entrado momentos antes do golo) e o Benfica aumentou a velocidade e esteve bastante perto do empate. No entanto, faltou-lhe alguma da sorte que viu sorrir nas últimas duas partidas.


Assim, Benfica está fora da Taça de Portugal mas, voltando ao início deste post, também não me chateou por aí além. Caso o Benfica, no final desta época, ganhasse esta Taça mas perdesse o Campeonato, certamente que não me veriam no Marquês a festejar. Já o contrário... Fica, desta forma, aberto o caminho para o Sporting vencer esta competição. Com este cenário, não me importava mesmo nada de aceitar já os seguintes vencedores para as competições nacionais:
- Liga: Benfica
- Taça de Portugal: Sporting
- Taça da Liga: Porto
(no entanto, se for possível o Benfica ganhar a Liga e nem o Sporting ou o Porto ganharem qualquer competição, aceito com ainda maior entusiasmo)

02/12/2011

Alguns temas do momento e um momento sem tema

Quanto aos temas do momento:
- Braga com estrelinha de finalista, apurado depois de penalty contra defendido por Quim e golo às três tabelas, mas a verdade é que passa um grupo que era mais complicado do que parecia, depois de, inclusivamente, ter perdido em casa contra um adversário directo e ter desperdiçado dois pontos contra os fraquinhos eslovenos do Maribor (que, nesta ronda, contra o Brugges, foram de 3-0 para 3-4, em casa!);
- Sporting assegura primeiro lugar do grupo com vitória tranquila em Alvalade, destacando-se o bom golo à ponta-de-lança de Wolfsvinkel, o surpreendente à-vontade de André Martins (e a grande qualidade de passe) e a boa atitude de Bojinov, premiada com um bonito golo de cabeça;
- Portugal em 5º no ranking da UEFA, muito graças à campanha do ano passado (3 semi-finalistas na Liga Europa e mesmo o Sporting fez bastantes pontos, tendo por exemplo batido por 2 vezes um representante do adversário directo no ranking), mas entendo que, essencialmente, temos muito a agradecer ao Braga. Em regra, uma das 3 equipas grandes faz uma boa campanha (mais vezes o Porto, o Benfica nos últimos anos, o Sporting mais esporadicamente, mas recordo final em 04/05 e 1/4 final em 07/08); a grande pecha estava no facto de as outras equipas prejudicarem o coeficiente, uma vez que iam de vela à 1ª. Ter 4 equipas a pontuar "a sério" (ou seja, pelo menos a passar fase de grupos) coloca-nos ao nível da França. Se voltarmos a ter apenas 3 (espero sinceramente que não), voltamos a disputar o 7º e 8º lugares com Holanda, Rússia, Turquia, etc.
- grupo muito complicado no Euro 2012, Alemanha e Holanda favoritos. Sendo calculista, temos que, pelo menos, empatar (com) a Alemanha, obrigando-a a ganhar na 2ª ronda à Holanda, enquanto nessa mesma ronda batemos a Dinamarca (faço já uma aposta, a Dinamarca não faz mais do que 1/2 pontos no Euro e naturalmente vai de vela na fase de grupos, preparem-se para o post "Eu bem dizia") para na ronda final avaliarmos, dependendo apenas de nós, como encaramos o jogo com a Holanda, selecção com o tipo de jogo a que melhor nos adaptamos considerando os restantes adversários. Vamos ter um desafio à altura de CR7, espero que ele corresponda e mostre que é mesmo o melhor do mundo. Só na selecção pode destacar-se de Messi.

E dos temas do momento para um momento sem tema: vinha no carro a ouvir a TSF, reacções ao sorteio do Euro 2012. Convidados em estúdio, o comentador João Rosado e São Inácio (o homem que fez o milagre de 99/2000). As habituais banalidades dos comentadores e do próprio locutor, Mário Fernando, mas tudo bem: no carro, ao fim da tarde, depois de uma semana de trabalho, qualquer programa de bola é para ouvir, seja sobre o que for. De repente, Mário Fernando anuncia que Portugal, apesar de jogar os 3 jogos na Ucrânia, se vai instalar na Polónia e, com a pompa e circunstância que o protocolo exige, diz: "E temos agora ao telefone o Embaixador de Portugal na Polónia [juro que é verdade...], Sr. não sei quantos". O diálogo foi mais ou menos assim:
- "Sr. Embaixador, Portugal vai jogar na Ucrânia mas o quartel-general fica na Polónia, o que acha disto?"
- "Pois, sabe, eu não sou a pessoa adequada para falar disso" [Mário, diz-me que não ligaste para o Embaixador de Portugal na Polónia por isto]
- "Ahhh, sim, claro, bem sei, mas faz mais sentido não é? Há muitos portugueses na Polónia, mais do que na Ucrânia, certo? Quantos portugueses há na Polónia?"
- "Registados no Consulado são cerca de 400" [de facto são muitos, a Polónia já não via uma invasão de estrangeiros tão séria desde a Blitzkrieg...]
- "Ahhh, pois... ahhh... e vai preparar alguma coisa considerando que Portugal fica aí na Polónia?"
- "Pois, não sei, em princípio sim, depois logo se vê" [compreende-se que o Embaixador não se comprometa já, os 400 portugueses que vivem na Polónia todos os dias vão à Embaixada colocar questões tão importantes quanto estas do Mário, e já percebemos que o Embaixador pára tudo o que está a fazer para responder às questões colocadas por qualquer português, por mais parvas que sejam]
- "Ahhh... e como é que a Polónia está a encarar o Euro?" [Mário, suponho que mais ou menos como nós, mas sem 4 estádios que não servem para nada]

Neste momento desliguei o carro, mas não deixo de sentir alguma pena por não ter ouvido até ao fim esta fascinante entrevista...

PS: começou o Marítimo-Benfica. Olhando aos primeiros 20 minutos, antecipo já que o Benfica vai passar um mau bocado...

PS2: [dez minutos depois] o Paulo Baptista leu o meu PS e quis demonstrar que eu não percebo nada disto.

27/11/2011

Vitória tão difícil quanto importante

Já todos ouvimos dizer que os campeonatos não se ganham nos jogos entre os grandes. Matematicamente, é uma verdade inquestionável. No entanto, no futebol, se tudo se resumisse a estatísticas e números, as casas de apostas não tinham neste desporto uma das principais fontes de receitas e os resultados seriam sempre bastante previsíveis. Mas a verdade é que o futebol envolve muitos outros factores tão ou mais importantes do que a qualidade dos jogadores ou a definição do esquema táctico: confiança, moral, motivação, garra, superação, entre outros, são elementos fundamentais no desfecho de um jogo, pelo que acredito que uma vitória nestes jogos contribui significativamente para maximizar estes factores e, desta forma, embalar a equipa para atingir os seus objectivos. Depois desta semana que tão bons resultados trouxe, caso estivéssemos a ver um Football Manager do Benfica no final desta noite, certamente que quase todos os jogadores estariam com a morale em Superb (Cardozo ficaria fora deste lote...), o que não deixa de se traduzir numa verdadeira vantagem competitiva que deve ser aproveitada.






No derby mais importante do campeonato português, o Benfica levou a melhor e consegue, para além de aumentar para 4 pontos a vantagem sobre o Sporting (se ainda existiam dúvidas se o Sporting era ou não candidato, hoje ficou claro que poderá ser um campeonato disputado a três), colocar ainda mais alguma pressão no Porto-Braga. Foi uma partida que a nível técnico não foi muito interessante nem espectacular, muito por culpa de ter sido um grande jogo a nível táctico. Os dois técnicos preocuparam-se bastante em anular os pontos fortes dos adversários pelo que não foi possível assistir a um jogo aberto com grandes jogadas por parte das duas equipas. Foi facilmente perceptível a preocupação de Domingos em colocar os homens da frente a pressionar os defesas para bloquear a criação de jogadas e os ataques em bloco, levando o Benfica a optar muitas vezes pelo futebol directo para Cardozo. Durante a primeira parte o trio Javi-Witsel-Aimar conseguiu estar em melhor plano que o meio-campo do Sporting embora sem conseguir traduzir esta vantagem em ocasiões de golo. Na verdade, o Benfica apenas conseguiu deixar Patrício em verdadeiros apuros através de bolas paradas (remate fabuloso de Gaitán ao poste e o golo de Javi Garcia num canto) enquanto o Sporting por três ocasiões poderia ter chegado ao golo (remate de cabeça de Wolswinkel, remate de Schaars e jogada de Carrillo).


Na segunda parte o Sporting entrou forte e com vontade de chegar ao empate, conseguindo aproximar-se da baliza de Artur, não só através de bolas paradas como em lances de bola corrida. Elias por duas vezes teve tudo para fazer o empate mas uma super defesa de Artur e a mira desafinada evitaram o pior (nesta última o guarda-redes do Benfica ia borrando a pintura com uma distracção incrível). Cardozo por outro lado, até trabalhou bem a bola após uma falha de Onyqualquercoisa mas foi uma grande oportunidade que não concretizou e em que Patrício esteve em bom plano. Com a expulsão do paraguaio logo aos 63 minutos, acabou-se o futebol do Benfica que se limitou a defender de todas as formas possíveis e esperar que o jogo terminasse (excepção feita ao lance de Rodrigo que, já no final e na cara de Patrício, não conseguiu marcar o segundo). A opção de Domingos em colocar vários homens na área do Benfica acabou por facilitar a marcação e a ocupação dos espaços por um Benfica reduzido a 10 e que tinha realizado um jogo de grande desgaste físico na terça-feira contra o Manchester, pelo que a principal preocupação passava por garantir que nenhum dos cruzamentos chegasse aos avançados do Sporting. No final, mais um jogo de grande sofrimento para o Benfica mas que permitiu chegar novamente ao final com um sentimento de grande satisfação.


Quanto aos destaques individuais, Aimar espalhou classe e deixou Carriço com saudades de jogar a central, Maxi voltou aos níveis que já habituou os adeptos do terceiro anel e Artur voltou a ser determinante. Cardozo, para além de dar ainda mais razões para a titularidade de Rodrigo nos próximos jogos, deveria pagar uma jantarada aos seus colegas pelo esforço extra que foram obrigados a dispensar e uma rodada aos adeptos do Benfica pelos nervosismo que potenciou. Acho que foi um exagero do árbitro e uma tremenda falta de bom senso num jogo destes, mas não se pode facilitar.


As grandes equipas não podem tirar o pé do acelerador quando estão em causa jogos importantíssimos para a conquista de títulos pelo que, já contra o Marítimo, o Benfica deverá procurar manter esta sequência de bons resultados e continuar como o único clube que participa nas competições europeias que não regista qualquer derrota em todas as competições. 

26/11/2011

Um derby mal perdido

Começaria por dizer que, em cada 10 derbies, 1 é daqueles jogos loucos com bastantes golos, 2 ou 3 são dominados pelo equipa que está mais forte, que normalmente os vence (todos os da última época, por exemplo), mas a maioria dos jogos são equilibrados, jogados taco a taco, como o desta noite. Normalmente, estes acabam empatados ou decidem-se no detalhe, nomeadamente na bola parada. Foi o que aconteceu hoje.

O jogo decidiu-se precisamente por um detalhe: o golo do Benfica, marcado num dos diversos cantos de que o Benfica beneficiou, lances onde aliás todos sabemos que o Benfica é muito forte. Quanto ao jogo jogado, creio que "não nos caem os parentes na lama" pela exibição.

Neste ponto, o exibicional, tenho que me penitenciar: tinha dito aqui que o Sporting não tinha pernas para o Benfica, mas teve-as. Teve pernas e teve personalidade, o que é mais importante. Entrou melhor do que o Benfica, não deixando o Benfica trocar a bola no meio-campo, e impedindo que Aimar pegasse no jogo. Jesus, que admiro como treinador, mentiu descaradamente no fim do jogo, quando afirmou que o Sporting não deixou o Benfica jogar em progressão, mas que o Benfica fica como peixe na água no futebol directo. Não é verdade, o Benfica em futebol directo não é a mesma coisa; sem os laterais a apoiar o ataque não é a mesma coisa; sem os raids de Bruno César e Gaitán não é a mesma coisa. Por isso é que o Benfica na primeira parte apenas criou dois lances de golo, ambos em cantos.

Mas a verdade é que marcou, bem perto do intervalo, num lance em que Onyewu culpa Schaars, Polga culpa Patrício e Patrício culpa Onyewu, e eu culpo as limitações defensivas que ainda temos, não só em termos de altura, mas acima de tudo de posicionamento dos jogadores. Não é aceitável continuar a perder jogos em lances básicos de bola parada, em que o jogador que está na área do cabeceador nem saltar consegue, sendo verdadeiramente atropelado pelo oponente, que tem mais 10 cms de altura. É algo que Domingos tem que trabalhar, mas eu insisto que precisamos de outras opções para estes jogos, adaptar Carriço é claramente insuficiente.

No lado do Sporting, recordo-me de dois lances bem perigosos, um de Schaars, com o pé direito, e outro de Carrillo, a terminar a primeira parte (o menino-de-rua, diga-se, entrou para o lugar de Matias à meia hora, por lesão deste... tenho pena, porque era o único que poderia fazer a diferença nas bolas paradas, decisivas neste tipo de jogos, como se viu).

Na segunda parte, Cardozo permitiu grande defesa a Patrício, Elias outra de igual nível a Artur. Depois da expulsão de Cardozo, o Sporting tinha tudo para empatar o jogo, ainda criou oportunidades para o fazer, mas mais por demérito do adversário do que por mérito próprio. Artur, designadamente, esteve muito desastrado esta noite se não contarmos com o lance da defesa ao lance de Elias - recordo-me de um lance de amador ao pretender deixar sair uma bola que Wolfsvinkel ainda apanhou e de duas saídas "à Ricardo" já no fim do jogo. Pode ser que, afinal, o homem ainda dê um franguito ou outro que dê para equilibrar as contas!

Quanto à nossa performance na segunda parte, queria ainda dizer o seguinte: se já aqui reconheci noutros posts que Domingos está a superar as expectativas, e realcei acima a personalidade da exibição, designadamente da entrada em jogo, não posso deixar de lamentar que o treinador não tenha conseguido incutir a necessidade de trocar a bola com paciência (tendo 1 a mais haveríamos de encontrar uma brecha) e tenha passado para dentro de campo uma mensagem errada, com a entrada de Bojinov. Bem sei que as opções são poucas, mas esta substituição foi inútil, porque Bojinov nada fez e porque a mensagem que passa é a do futebol directo. Eu, em casa, interpretei-a assim, calculo que dentro do campo não tenha sido muito diferente.

Repare-se que o Benfica joga com uma defesa com dois elementos permeáveis (Jardel e Emerson) e o primeiro, esse sim, jogou como peixe na água, constantemente a aliviar as bolas pelo ar bombeadas por Onyewu e Polga. Já o segundo, foi o único a passar um mau bocado, porque tinha pela frente o menino-de-rua Carrillo. Jesus, rato velho, mandou baixar Gaitán, deixou de atacar por ali, mas pôs dois em cima de Carrillo que, depois disso, não mais criou dificuldades ao lateral esquerdo do Benfica. Mas, ainda assim, ele e Capel foram os únicos que jogaram toda a segunda parte sem recorrer à charutada.

Ou seja e em suma: acho que o Sporting jogou "de igual para igual" e não fosse continuar a ter uma equipa de minorcas (e miúdos, diga-se de passagem), dificilmente saía derrotado da Luz. Mas perder na Luz, desta forma, não muda nada para o futuro. Por isso, esquecer este jogo e vamos em frente.

E venha o próximo (nem sei quem é) para retomar a senda de vitórias!

PS: Uma nota final para Elias. Sei que tenho implicado com o rapaz, mas a verdade é que continuo sem ver qualidades de selecção brasileira. Hoje nem esteve mal, mas falhou as 3 melhores oportunidades do Sporting na 2ª parte. Se na primeira há mérito de Artur e na última era complicado colocar o remate de primeira, na segunda, com a baliza escancarada e o GR no chão, exige-se mais sangue frio a um titular da selecção do Brasil.

23/11/2011

Saber sofrer também dá direito a apuramento

Meus caros, hoje estou com mais vontade de dar espaço à emoção do que à razão! O empate em Old Trafford, o apuramento para a próxima fase e, ainda mais relevante, a possibilidade de ficar em primeiro lugar, são razões mais do que suficientes para justificar que os sentimentos falem mais alto (que o diga o sócio n.º 238125 que, enquanto saboreava um belo biberão, não deixou de apanhar um valente susto quando Aimar fez o segundo). No entanto, de uma forma mais racional, não posso deixar de assinalar o importantíssimo encaixe financeiro que o apuramento permite e a importante injecção de  moral que oferece para o jogo contra o Sporting: face a toda a excitação que reina para os lados de Alvalade, só mesmo o desfecho desta noite para deixar a moral e a confiança em níveis similares para os lados da Luz.


Quanto ao jogo, não poderia estar mais de acordo com Jorge Jesus quanto ao onze inicial. A aposta em Rodrigo mostra um salutar distanciamento em relação ao estatuto dos jogadores no plantel e, desta forma, passa uma importante mensagem: joga quem estiver melhor independentemente da idade, salário e historial. Pode ser que assim terminem as birras de quem pensa que tem o lugar assegurado e que não precisa de se esforçar para agradar a treinador, colegas ou adeptos. Só discordo em relação ao posicionamento de Aimar que continuo a achar que está a jogar demasiado perto do avançado e demasiado afastado de Witsel e Javi, pelo que acaba por andar desaparecido durante largos minutos e não facilita a posse de bola e o controlo do jogo por parte do Benfica. 


De resto, o jogo não podia ter começado melhor. Logo nos minutos iniciais, a vantagem para o Benfica com um golo às três tabelas, fruto de um cruzamento de Gaitán que Phil Jones acabou por enviar para a própria baliza. Nestes primeiros 20 minutos, o Benfica, mesmo sem fazer um jogo de grande qualidade, parecia bastante tranquilo e com capacidade para manter o perigo afastado da baliza de Artur. Por outro lado, nesta fase, Gaitán parecia com vontade de obrigar o escocês que masca pastilhas a grande velocidade a deixar um cheque de 30 milhões em Lisboa. No entanto, cedo passou esta impressão, já que só faltava ao argentino colocar a bola em cima do nariz, bater palmas e pedir sardinhas, pois futebol propriamente dito, deixou de sair dos seus pés. É uma pena que Jorge Jesus não consiga extrair o enorme potencial que este jogador tem e permita que ande deslumbrado com as notícias e com um ou outro pormenor que assinala nos jogos. Para além das sucessivas perdas de bola, todos sabemos que já marcou grandes golos com remates em arco ao ângulo, mas já chega de tentativas! Depois dos 20 minutos, o Manchester tornou-se mais perigoso e o árbitro ajudou a inclinar o campo. Assim, não foi grande surpresa quando, após uma falta que não existiu, Berbatov empatou o jogo em posição de fora-de-jogo.


Ao intervalo e com um empate no marcador, esperei que Jorge Jesus colocasse Amorim (ou mesmo Nolito) no lugar de um nervoso Bruno César e que recuasse Aimar no terreno. Nada disto aconteceu e a pressão dos ingleses intensificou-se. Era expectável o golo dos homens da casa e só São Artur (começo a achar que, em vez de Witsel, esta é que foi a melhor contratação da época) foi adiando este golo (feito que já tinha conseguido na primeira parte). Após a saída de Luisão ("rasgado" numa grande simulação de Berbatov), o Manchester chegou à vantagem. E foi aí que a sorte do Benfica voltou: numa reacção imediata e na primeira jogada de perigo até então, um remate de Bruno César sobrou para Aimar que só teve que encostar. A partir daqui, foi sofrer, sofrer e sofrer mais um bocadinho até ao final do jogo (excepção para um remate perigoso de Rodrigo aos 89 min), até porque o campo continuou inclinado por força de pequenas faltas que não eram assinaladas a favor do Benfica. O United criou oportunidades suficientes para chegar ao golo mas, felizmente, tal não aconteceu. Boa substituição de Jesus ao trocar Gaitán por Matic e a normal ao trocar Aimar por Amorim. 




Artur e Witsel foram os homens do jogo para o Benfica. O primeiro pelas duas excelentes intervenções quando Fábio e Young apareceram isolados e por toda a tranquilidade nos restantes lances, enquanto Witsel foi o jogador que não acusou a pressão do jogo, que soltou a bola sempre no momento certo, que a guardou com grande qualidade sempre que necessário e que ainda deu um forte contributo a defender.


Agora, com um próximo treino que será bem mais fácil pela alegria do apuramento, só espero que recuperem os músculos e a concentração para o próximo jogo pois é imprescindível baixar a juba do leão e esperar que a crise de resultados continue para a equipa que precisa de escolta até ao aeroporto.


PS: no post anterior referi o problema que poderia advir do facto de Jesus não dar minutos a outra dupla de centrais, já que a dupla titular (Garay-Luisão) poderia não estar sempre em condições de jogar. Não queria ter razão logo no jogo seguinte, mas com Luisão em sério risco de não jogar o derby, poderá ser necessário recorrer a Miguel Vitor ou Jardel para jogar com o argentino sem que existam rotinas ou ritmo competitivo nestes jogadores (não haver Liedson ameniza um pouco esta questão).  

22/11/2011

Bom jogo em Alvalade

De facto, ao vivo é outra coisa. Tenho andado por aí a dizer que o Braga este ano não tem arcaboiço para andar lá em cima, mas tenho que mudar a mira depois de os ver jogar em Alvalade. O Braga sai de Alvalade com uma derrota por 2-0, mas após algum azar (os dois golos de rajada, sendo o segundo meio afrangalhado...) e um grande jogo de bola.

Equipa bem construída, ainda que com limitações óbvias na defesa, que se notaram. Este Braga, com o regresso de um central como Moisés, por exemplo, seria um caso muito sério este ano. Ewerton esteve trapalhão e Paulo Vinícius apenas regular. Mas Elderson é bom jogador e Salino, a meu ver, fez um excelente jogo para lateral adaptado.

Meio-campo com o tal tractor que gostaria de ver em Alvalade (não necessariamente este, Djamal, mas um tractor que sozinho ocupasse aquele espaço todo), acrescido de um primeiro construtor de jogo mais recuado (Viana) e um 8 e 1/2 (Mossoró) mais livre. No ataque, Barbosa, Alan e Lima (excelentes estes dois últimos no Domingo).

Fiquei muito bem impressionado com a entrada do Braga, com a capacidade de construção de jogo a meio-campo (Viana muito bem) e com a facilidade com que criavam perigo e construíam lances pelas alas, nomeadamente nas costas dos nossos laterais. Muito bem treinada a equipa, até agora a melhor que defrontámos. Ah! e reconheça-se que teve azar quando Jorge Sousa não marcou aquele penalty sobre Alan, ainda na primeira parte, que viria com o bónus da expulsão de Polga, permitindo ao Braga voltar ao jogo.

Quanto ao Sporting, teve que jogar bem para bater este Braga (e jogou, a espaços) e teve a pontinha de sorte sempre exigida nos jogos mais complicados, desta vez sub-dividida em dois momentos afortunados: marcar primeiro no primeiro lance de verdadeiro perigo, após dois lances complicados criados na outra área por Lima e Alan; marcar o segundo de rajada após intervenção desastrada do GR do Braga, Berni.

Mas, independentemente da sorte, e acima de tudo, há que dizer que o Sporting tem jogado com muita alma e mesmo jogadores como Matias (considerado preguiçoso quando chamado a defender) e Elias (que ainda não me convenceu do ponto de vista técnico) esfarrapam-se do primeiro ao último minuto, numa atitude cujo mérito deve em grande medida ser atribuído ao treinador. Domingos tem feito um trabalho, neste ponto, que tem ficado muito acima das minhas expectativas.

No demais, o Sporting teve o mérito de adormecer o jogo a meio-campo, designadamente na 2ª parte, não deixando de lançar um ou outro contra-ataque perigoso (recordo-me de um lance que João Pereira concluíu em trivela e de uma folha seca espectacular do menino-de-rua Carrillo, direitinha à quina entra o poste e a barra). Mérito, uma vez mais, para Domingos, que, em vantagem, tem conseguido fazer a equipa controlar o jogo sem a recuar em demasia.

Naturalmente que o jogo de Sábado é diferente, porque "mexe" com muitas coisas para além do futebol. Mas tudo é possível. Eu arriscaria entrar para supreeender o Benfica logo de início, com a melhor equipa possível e o mais ofensivo que conseguíssemos. Assim:
- Patrício
- João Pereira
- Polga
- Onyewu
- Insua
- Elias
- Schaars
- Matias
- Capel
- Carrillo
- Wolfsvinkel

É evidente que se perdermos o Domingos vai ser acusado de ter arriscado demais. Mas sem Rinaudo, prefiro o Elias e o Schaars (que não têm construído muito mas são fortes, não dão bolas por perdidas e dão pau quando é preciso) ao André Santos, que tem bons pés mas é muito mole para trinco. E assim poria Matias no meio, na sua posição, "respondendo" na mesma moeda à utilização de Aimar. Nós não temos quem páre Aimar? Talvez. Pergunto quem terá o Benfica para parar um Matias em boa forma. Talvez Javi, talvez Matic, talvez ambos, não sei, mas pelo menos deixaria Jesus a pensar no tema...

Essencial é jogar para ganhar. Se não der, empatemos. Se não der para empatar, empatemos à mesma! A perder, que percamos porque o Benfica foi melhor e não porque arriscámos pouco ou não fizemos o suficiente. É o que penso.

E venha o Benfica para continuar a (nossa) senda de vitórias!

PS: Possível confronto na Taça se Sporting eliminar Belenenses (muito provável) e Benfica eliminar Marítimo, no Funchal (difícil, mas mais provável que Benfica passe). Não queria mesmo nada defrontar outra vez o Benfica sem ter recuperados Rinaudo, Izmailov e Jeffren, pelo menos estes. Enfim, é só mais uma boa razão para torcer pelo Marítimo!

19/11/2011

Rodrigo até debaixo d'água

Pouco há a dizer relativamente ao jogo da Taça entre Benfica e Naval. A forte chuva que teimou em não abandonar o campo da Figueira da Foz impossibilitou que se jogasse futebol e, como não acompanho o futebol aquático, não tenho grandes comentários a fazer. Como seria de esperar, Jorge Jesus preferiu poupar jogadores que estiveram ao serviço das selecções e outros habituais titulares, colocando no onze inicial os jogadores menos utilizados como Rodrigo Mora que tinha assinalado bons pormenores no particular contra o Galatasaray. Por outro lado, mesmo neste jogo contra uma equipa de divisão secundária, continuou a não abdicar da dupla Luisão - Garay, facto que me começa a preocupar. Espero que a dupla de centrais do Benfica (para mim, a mais forte do campeonato) continue sem lesões e castigos mas seria preferível dar minutos a outros centrais, neste tipo de jogos, de modo a precaver a ausência de algum destes dois jogadores.


Num jogo com o relvado completamente ensopado e em que a bola mal circulava, obviamente que o recurso ao pontapé em frente era uma inevitabilidade e em que as principais situações de perigo chegavam através das bolas paradas do Benfica (que poderia ter aproveitado dois ou três livres para chegar à vantagem). Para além destes lances, contou ainda com uma boa oportunidade por Nolito logo no início do jogo. O espanhol na frente e Garay na defesa e sobretudo a fechar as costas de Capdevila foram os jogadores que melhor se adaptaram às condições da piscina.


Na segunda parte, o Benfica manteve a superioridade mas permitiu alguns cantos a favor da Naval e, mais preocupante, contra-ataques muito perigosos que o estado do relvado ajudou (e muito) a neutralizar. Parecia que, após um canto a favor, os jogadores do Benfica voltavam ao seu meio-campo a nadar contra a corrente pois a Naval surgia com 4 e 5 jogadores contra apenas dois. O Benfica não deixou de ter boas oportunidades por Bruno César e especialmente Javi Garcia mas foi Bolívia que me enganou e que parecia ter conseguido efectivamente rematar para golo (com alguma sorte, passou ligeiramente ao lado). Por outro lado, Rúben Amorim, assim que teve a possibilidade de jogar na posição em que rende mais, a médio centro, foi o jogador em maior evidência e esteve até perto do golo. Como prémio pelo bom jogo que estava a fazer, Jesus logo tratou de o colocar a defesa direito quando avançou com as duas últimas substituições. Do mal o menos, fez entrar o jogador que neste momento está, não com o pé quente, mas talvez em brasa, e assim, Rodrigo precisou de apenas de um minuto para marcar o golo da vitória e garantir a passagem aos oitavos de final. É necessário não entrar em euforias relativamente a Rodrigo pois não se pode dizer que deixa os centrais adversários de rastos, que faz arrancadas impressionantes ou que contribui para jogadas de futebol espectacular, mas tendo em consideração a sua idade, o seu faro para o golo e as estatísticas impressionantes dos seus últimos jogos, não é demais dar destaque a este jogador e enquadrá-lo no mais famoso cântico dos No Name para os jogos com bastante chuva. 

16/11/2011

Elogio da Roulotte




Sim, acertaram: apesar de já terem passado 3 dias sobre o Portugal-Bósnia, a moça da foto é a Miss Bósnia & Herzegovina 2011, de seu nome Snezana Kuzmanovic. O fundo da foto é montagem, bem sei, mas a moça é mesmo assim, basta fazer a pesquisa de imagens do Google e confirmar.

Esta moça teve uma noite complicada na 3ª feira. Começou por assistir a um Tomahawk de CR7, seguido de um míssil ainda mais potente de Nani, e de um festival de golos na 2ª parte, CR7, Postiga x 2 e até Miguel Veloso.

Eu, pelo meu lado, tive uma noite impecável. Depois de finalizar uma transacção que durava há vários anos, juntei-me com um grupo de malta do escritório (e também alguns ex-escritório que vão mantendo o contacto) e apanhei o metro para o Alto dos Moínhos. Daí saímos para uma roulotte (a primeira, do lado esquerdo, para quem sobe da estação de metro) para as habituais bifanas e, pensava eu, minis (afinal eram imperiais em copos de plástico, mas tudo bem).

Recordo que não estava no meu território. Quando cheguei, aliás, estranhei aquele ambiente demasiado avermelhado. As bandeiras e cachecois de Portugal não ajudam, uma vez que têm, como sabem, bastante vermelho (alguns dizem que é magenta, como aliás deveria ser o nosso equipamento, mas isso são contas de outro rosário). Mas depois a pessoa abstrai-se e, na realidade, estamos na bola. E bola é bola em todo o lado.

E se bola é bola em todo o lado, uma roulotte da bola é uma roulotte da bola em todo o lado. Carrinha, gerador, um molho de bifanas com um odor suficiente para manter qualquer inspector da ASAE a uma distância mínima de 1 km sob pena de desmaio, zero de método no pedido das bifanas, constante utilização do vocábulo "chefe", alguns coiratos a sair ainda com pelunga e tinta azul e, claro, muita cerveja a rodar.

E assim nos entretivemos até ao momento de entrar no estádio. Já não ia a este estádio desde 2005. Reconheça-se que o estádio é bonito mas a situação financeira do Benfica não permitiu acabar a pintura, o que é pena. Conheço um senhor que fez as obras lá em casa que poderia dar uma mãozinha. E se precisarem de azulejos conheço uns gajos que estão para se desfazer deles e que podem certamente dar uma contribuição. Têm um leão desenhado mas isso não é problema porque, até hoje, ninguém deu bem por isso. Mas adiante.

Lugares na primeira fila do terceiro anel, naquilo que em Alvalade se chamaria Superior Sul (não sei como se chama na Luz). Visão perfeita para os dois primeiros golos (o segundo, dos melhores que já vi ao vivo) e para o penalty imbecil de Coentrão (naturalmente habituado a que estes lances não sejam marcados neste estádio...). Pena foi a musiquinha de feira em altos gritos toda a primeira parte, mas ao intervalo lá calaram os micros.

Segunda parte. CR7, que "só" tem levado a selecção ao colo no último ano, com a esporádica colaboração de Nani, faz um jogo brutal, parte aquilo tudo, abre espaços para tudo quanto é bicho careta marcar golos. E marca um também, por sinal o mais importante do jogo, o momentâneo 3-1 quando ainda estava 11-11. Estádio em festa, apuramento garantido, tudo a correr bem, vamos mas é regressar à roulotte.

E aí sim, aí temos o verdadeiro futebol: com imperiais na mão se discute a verdadeira bola. Faço uma defesa de Paulo Bento, contradizendo o meu próprio post "The name is Bento... Paulo Bento". Porque foi Bosingwa a esticar a corda; porque a boca de Bosingwa ("já não estás nos juniores do Sporting") é desrespeitosa; porque a simulação de uma lesão, num particular da selecção, é gravíssima.

Ao mesmo tempo, Paulo Bento, que acompanha este blog há vários meses e seguramente tinha lido o meu post, quis dar-me razão, ciente que está do grande defeito deste vosso escriba já aqui reconhecido: a insuperável vontade de dizer "eu bem dizia" quando algo corre como eu antecipava que correria.

"Agora que já estamos no Euro" pensou ele "posso, acima de tudo, posso dizer o que me apetece com dranquilidade, e assim, ah, e assim, dou razão ao Koba do futebol a 3 que, acima de tudo, escreve aquele post para no dia imediatamente seguinte, ah, no dia seguinte, ah, sair a notícia do que o Bosingwa fez na Suíça. Foi azar. Fábio, futebol pé, andebol, mão".

Ora, eis em definitivo o que penso disto tudo:
- se é verdade que Bosingwa simulou uma lesão aquando do jogo da Argentina, acho que Paulo Bento até acabou por nem gerir o tema tão mal quanto inicialmente se pensava;
- ao contrário do caso Ricardo Carvalho, onde independentemente da gravidade das atitudes do jogador, foi Paulo Bento a extremar posições de tal forma que o jogador não mais regressará à selecção, no caso de Bosingwa foi o jogador a exagerar na reacção e a precipitar-se nas declarações;
- neste sentido, reconheço que o post "The name is Bento... Paulo Bento", pese embora o tom debochador, possa parecer um pouco excessivo;
- mas digo "parecer", e não "ser" porque, após o jogo, Bento resolveu dar razão aos meus argumentos nesse post, ao dizer que "Bosingwa e Carvalho podem ir ao Euro como espectadores". Arrogância lamentável.

Mais uma frase infeliz de um homem que, mesmo tendo razão no "caso Bosingwa", não consegue deixar de usar "força excessiva" na argumentação. Mas, pior do que isso: veio contradizer argumentação que eu lancei para a discussão numa roulotte. Seria o mesmo que contradizer um dichote de um taxista! Descredibilizar o meu post, eu poderia aceitar; descredibilizar as minhas larachas numa discussão de roulotte, com isso, meu caro Paulo, não posso conviver.

É que a roulotte é o grande auditório democrático da bola. Em qualquer estádio do país (ou à volta dele, para ser preciso). Por isso é que, como diria Manuel Machado, um vintém é um vintém, um cretino é um cretino, e uma roulotte da bola é uma roulotte da bola. Há coisas que não mudam mesmo que as pintemos de amarelo, verde, vermelho, azul...

13/11/2011

Braga por um canudo mas de caçadeira


Não está aqui em causa o mérito do Braga nos resultados que, nos últimos confrontos, tem conseguido frente ao Benfica (embora seja mais correcto falar em demérito do Benfica). O que me leva a fazer este post e o respectivo título está mais relacionado com tudo o resto.

Recordo-me de, quando ainda era puto e não havia Sport Tv, num jogo de casa cheia no antigo estádio do Braga, de ouvir o locutor da rádio a dizer que, no início da partida, eram cerca de metade os adeptos do Glorioso mas que, após o primeiro golo deste, a grande maioria dos adeptos já torcia pelo Benfica. Isto acontecia porque, segundo o que era normal ouvir nas conversas de futebol, eram muitos os adeptos desta cidade que defendiam o encarnado, não só de Braga, mas também o de Lisboa. No entanto, no cenário actual, por força das conquistas sucessivas do clube das Antas ou potenciado pela disputa até à última jornada do campeonato há duas épocas, leva-me a acreditar que este mito futebolístico já deixou de ser plausível.

Não é que sinta falta destes antigos adeptos que se enquadravam perfeitamente na mais conhecida música de Marco Paulo, até porque acho que faz falta ao campeonato nacional existirem clubes de segunda linha com adeptos fiéis e monógamos como os de Guimarães, mas a raiva e ódio que as gentes de Braga sentem em relação ao Benfica, desde os adeptos aos jogadores, é que já me faz mais alguma confusão. O caso do túnel da pedreira por uma lado (que teve como ponto de ignição as habituais provocações por parte dos jogadores do Braga) e a disputa pelo campeonato até à última jornada por outro (apenas possível pelas arbitragens que beneficiaram os arsenalistas de uma forma vergonhosa), podem ajudar a explicar estes sentimentos mas, mesmo assim, não percebo a razão desta aversão ao Benfica. Mas, mais uma vez, é para o lado que durmo melhor…    
 
No entanto, as sucessivas faltas de respeito que a estrutura bracarense, desde o presidente aos jogadores através de declarações públicas, passando pelo speaker do Estádio Axa com músicas e cânticos de provocação a Jorge Jesus e seus jogadores, deveriam levar a um relacionamento mais distante por parte do Benfica em relação ao Braga. Não digo que deverá enveredar por um corte de relações porque não se sabe quando surgirá o próximo Tiago ou Ricardo Rocha (este último, apesar de não ser um central de grande nível, se desse metade da sua garra ao Sidnei não andávamos tão preocupados com um terceiro central de qualidade), mas ter o Luís Filipe Vieira a ver o jogo ao lado de António Salvador faz-me muita confusão… Prefiro pensar que esta proximidade nada tem a ver com negócios extra futebol, mas é por questões deste tipo que considero que o presidente do Benfica deve ser remunerado: ser rico não deve ser um requisito para estar na presidência mas "apenas" ter amor ao clube e ser competente. Ainda para mais quando já começa a correr o boato de que Salvador tem a ambição de vir a ocupar o mesmo cargo mas noutro de clube de maior dimensão que começa em "Por" e acaba em "to". Já os jogadores do Braga com as agressões, simulações e promessas de vingança seriam mais uma razão para o distanciamento do Benfica mas, neste caso, a resposta mais apropriada deveria ser dada dentro das quatro linhas, com vitórias e boas exibições.

Por fim, as declarações de Alan relativamente aos insultos de Javi Garcia. É óbvio que surtiram efeito e assim, nos dias seguintes à 10ª jornada, pouco ou nada se falou de Vitor Pereira e da crise de resultados e exibicional do Porto. Se o Benfica tivesse registado a competência exigida e vencido o jogo, já estava a imaginar Alan a dizer que Javi tinha ameaçado violar a mulher, raptar o resto da família, insultar a sua raça, castrar o cão e, ainda mais grave, cortar aquele pseudo cabelo com máquina zero. Agora, quanto ao conteúdo das queixas, acho rídicula esta nova tendência de escândalo relativamente a insultos racistas dentro das quatro linhas. Com a experiência que acumulei em muitos jogos dos distritais, afirmo que, se Javi realmente disse o que Alan veio publicamente revelar, é muito pouco para aquilo que é normal dizer e ouvir dentro de campo. Eu próprio já terei dito insultos do mesmo tipo e não sou minimamente racista e tenho grandes amigos de raça negra. É apenas uma questão de tentar desestabilizar os adversários com provocações e só os teóricos podem pensar em castigos por tertúlias entre jogadores. Em última análise, que credibilidade têm as declarações de quem afirma que 70% dos adeptos do Benfica são de raça negra?! 


Por isto tudo, se já não gostava de ver o Braga ganhar nas provas nacionais, actualmente até já tenho dificuldades em gostar de o ver ganhar nas competições europeias...

08/11/2011

The name is Bento... Paulo Bento

Trata-se do mais recente agente secreto do futebol português. Chama-se Bento... Paulo Bento, e tem a discreta missão de continuar o fantástico trabalho começado por Queiroz... Carlos Queiroz e que tinha por finalidade não nos apurarmos para os próximos euros e mundiais apesar de termos o (segundo) melhor jogador do mundo.

Refiro-me, claro está, a Ronaldo... Cristiano Ronaldo. Trata-se do capitão da selecção e de um jogador profissional como poucos mas que quando era convocado por Queiroz ia para os estágios com a mesma vontade e entusiasmo com que eu vou ver tecidos para cortinados a Campo de Ourique. No Mundial mandou o Queiroz passear e Madaíl... Gilberto Madaíl apercebeu-se que estava na hora de varrer o homem (o Queiroz, não o Ronaldo, até porque o Salgado... Ricardo Salgado precisa da fussa do madeirense credibilizada na publicidade e nunca deixaria que tal coisa acontecesse). Por sorte, Queiroz é tão mal formado que parece que manda para o cacete gajos que têm por profissão recolher o mijo dos outros às 7 da manhã (o que, parecendo que não, deve ser chato) e Dias... Laurentino Dias aproveitou-se disso para arrumar com o ex-adjunto de Ferguson... Alex Ferguson.

Contratou-se Paulo Bento que, só para disfarçar, lá foi convocando quem fazia sentido convocar e montando as equipas com os jogadores no seu lugar. Ganhou-se à Dinamarca com naturalidade, ganhou-se na Islândia, goleou-se a campeã do mundo (com direito a festival de bola, golos de Martins... Carlos Martins e Postiga... Hélder Postiga, enfim, foi o deboche total) e foi-se por ali fora.

Depois... bem, depois o agente secreto Bento, como qualquer bom agente secreto, esperou o momento certo para começar a implementar a sua estratégia secreta. Aproveitou-se de uma birra infantil de Carvalho... Ricardo Carvalho e toca de começar a dar cabo disto! "Vou fazer desta merda um caso tal, que havemos de jogar com o Rolando" (este não dá para fazer a divisão do nome à Bond... James Bond). "Eles vão ver, até vai ser titular e tudo! E como alternativa, convoco um tal de Sereno que no Porto parece que nem 90 minutos calçou."

E... os dados estavam lançados, a missão tinha começado. Continuou agora, com Bosingwa... José Bosingwa, o melhor lateral direito português que eu vi jogar (e já vejo bola há bastante tempo) e que foi excluído porque Pereira... João Pereira e um tal de Sílvio (que parece que joga naquele clube espanhol cheio de pasta que normalmente fica em 10º lugar) dão mais garantias "mentais e emocionais" (esta nem o Queiroz...). Já o Bosingwa, para quem não sabe, "só" é titular indiscutível de um dos 5 melhor clubes de Inglaterra.

Depois, lesiona-se o Sílvio e Bento... Paulo Bento pensa "com esta é que me lixaram... pronto, vou arriscar como o Queiroz fez com o Edinho, ainda que arrisque ser descoberto, deixa cá ver a base de dados, ora... www.google.pt, jogador português Chipre, não, também é demais, vão perceber que é deboche, Turquia são treinados pelo Carvalhal, toda a gente vai perceber que quero dar cabo disto, será que há algum na Grécia? Ora cá está, Vieirinha, és mesmo tu que vens para o lugar do Sílvio".

Bento sabe que Vieirinha é um bom jogador mas sabe também que nem o mais bronco dos adeptos o considera substituto de Sílvio - bom, talvez o Costa... Rui Oliveira e Costa o considerasse se não pudessem jogar o Cheers, o Chapel ou algum dos sul-africanos do Sporting. Em não podendo, é claro que fica só um defesa direito cuja probabilidade de expulsão na Bósnia ronda os 90% depois do lance de Domingo que chegará à caixa postal do árbitro do encontro mais tarde ou mais cedo. E o Vieirinha, provavelmente, vai a Sarajevo passear às custas do depauperado erário público.

A missão de Bento está, ainda, a meio caminho - neste momento, falta arranjar um conflito com Coentrão... Fábio Coentrão para passarmos da defesa de luxo à defesa de lixo. Depois passa ao meio-campo e extremos. Quanto a avançados, até lhe agradeço que arranje problemas com os que lá andam (com excepção do Gomes... Nuno Gomes que é um gajo porreiro).

Mas, em suma, e mais a sério, venham lá as eleições na FPF porque o Bento anda em roda livre e temo que o meu post pós-Euro tenha o título "E tudo o Bento estragou" (e vamos ver se não o escrevo daqui a 8 dias...). Ou se põe este gajo na linha rapidamente ou ele dá cabo disto tudo. Olhem que, à imagem do grande Octávio Machado, eu sei bem do que estou a falar...

Adendas ao post anterior

1. Penalty convertido por Wolfsvinkel

Ontem escrevi que o lance do penalty convertido por Wolfsvinkel não me pareceu penalty. Pareceu-me, no estádio, que o remate de Elias teria ressaltado no pé ou na perna do jogador do Leiria antes de bater no braço.

Mas à noite vi o lance na TV e, de facto, após o remate de Elias a bola embate directamente no braço do jogador do Leiria. A meu ver, é penalty. Uma coisa é uma bola que ressalta e embate no braço (independentemente da posição do braço), outra bem diferente é uma bola rematada que vai ao braço do jogador, estando esse braço bem afastado do corpo numa posição que é tudo menos natural. Nem vale a pena discutir intencionalidade: a forma de abordar o lance, com os braços abertos daquela forma, é, no mínimo, negligente. E é punível com falta.

Aliás, o árbitro estava mesmo ali (o que não tinha reparado no estádio) e certamente teve a visão do lance que (agora) descrevo.

2. Atitude de João Pereira

Ao reler o meu post de ontem, queria frisar um ponto adicional: ainda que considere ridículas as queixas de Cajuda no fim do jogo, é verdade que João Pereira deveria ter sido expulso. E digo mais: não gosto, mas não gosto mesmo, de ter jogadores no meu clube que pratiquem este tipo de agressões, ainda para mais quando não está em causa qualquer picardia com jogadores "do género".

Os jogadores de futebol não são anjinhos e por isso confesso que gostei quando Acosta (que sempre foi um jogador correctíssimo) aplicou um correctivo a Paulinho Santos (um provocador e agressor profissional) na final da Taça 99/2000. Do mesmo modo que não me chocaria ver Cardozo levar uma daquelas cotoveladas que ele tanto gosta de aplicar aos adversários. Sei que é uma opinião polémica mas, como dizia Scolari, "Jesuis Cristo deu a outra fáci, o Figo não é Jesuis Cristo".

Agora, gratuitamente, e daquela forma, não gosto mesmo...

07/11/2011

De nova prova dos 9 (do campeonato português) e da falta de talento de Matias


O último jogo na Roménia provou que o Sporting tem um plantel ainda curto, com opções muito limitadas nalguns sectores, e provou ainda que alguns jogadores do plantel que não têm qualidade para assumir a titularidade quando seja necessário; já o jogo de ontem, em casa, com o Leiria, provou à saciedade que o campeonato português é muito fraco.

Estou, por isso mesmo, de acordo com os comentários de Cajuda no fim do jogo, dizendo que o futebol do Leiria não envergonha o país futebolístico: de facto, a mediocridade do Leiria está ao nível da mediocridade do futebol português. Com um pouco mais de qualidade, coragem e ratice, o Leiria ontem levava os três pontos de Alvalade. Cajuda pode dizer o que quiser, mas ontem um José Mota, só para dar um exemplo, dificilmente saía de Alvalade derrotado.

Senão, vejamos: o Sporting alinhou com uma defesa composta por João Pereira, Carriço, Ilori (estreia absoluta, que se adivinhava necessária... de facto, só não acerto no Euro Milhões) e Evaldo, tendo Schaars como apoio defensivo no meio-campo. Sejamos honestos: esta estrutura defensiva não resistiria a nenhum dos nossos adversários na Liga Europa. Vou mais longe: duvido que esta defesa resistisse a qualquer uma das equipas presentes na fase de grupos da Liga Europa (mesmo considerando que por lá andam diversas equipas de Israel, do Chipre, da Suécia e até uma equipa irlandesa).

Não quero com isto dizer que cada um dos 5 jogadores mencionados seja um mau jogador. João Pereira e Evaldo, por exemplo, são jogadores que, quando inseridos numa defesa de qualidade e bem trabalhada podem ter rendimento positivo (no caso do primeiro) ou pelo menos aceitável (no caso do segundo). O que quero dizer é que a falta de rotina dos 5 tinha tudo para exponenciar as debilidades individuais de cada um deles (que estão sempre presentes mas vão sendo disfarçadas pelo trabalho de conjunto e pela rotina que se adquire com o passar dos jogos). Ainda a título de mero exemplo, João Pereira precisa de um central que compense as subidas e algumas desconcentrações defensivas; ontem tinha do lado direito o junior Ilori, pelo que raramente se aventurou a grandes subidas e viu-se em diversas situações complicadas quando o Leiria atacava por ali.

Isto dito, acho que o Sporting fez 3 pontos "à candidato". Tinha tudo para não ganhar o jogo, mas ganhou-o. Com algum mérito e muito demérito do adversário, que até tem 2 ou 3 jogadores interessantes (gostei do lateral direito Ivo Pinto e do avançado Djaniny) mas fartou-se de fazer disparates (por exemplo, guardou no banco até aos 66 minutos um miúdo chamado Luís Leal que me pareceu também bastante interessante e de que falarei mais adiante).

O jogo começou bem, o Sporting entrou forte, fez um golo "à Matias" e ainda criou mais dois lances de perigo, por Evaldo e novamente Matias. Matias que, diga-se, continua a ser alvo de críticas de alguns adeptos, que afirmam peremptoriamente que não joga nada. OK, eu não percebo nada de futebol. Nem o Marcelo Bielsa. Nem o Claudio Borghi. Nem as putas das estatísticas que me dizem que Matias Fernandez, se somarmos golos e assistências para golo (daquelas que é só mesmo empurrar, não daquelas em que o avançado ainda tem que fintar um defesa e por a bola no ângulo) é talvez o jogar com maior rendimento no Sporting em 2011 (ou pelo menos desde que entrou Couceiro e começou efectivamente a jogar).

Depois, o Leiria empatou. E para tanto bastou que fizesse um passe a desmarcar Djaniny por entre os dois centrais. Carriço desta vez não tem culpa, mas Ilori falhou uma intercepção relativamente fácil e o miúdo do Leiria finalizou com frieza (Freitas, parece-me rapaz para assegurar já um acordo de preferência, como este ano ando a acertar em todas, aproveita a dica, não estou a cobrar comissões).

Depois Elias falhou um golo praticamente feito (feito pela defesa do Leiria, que também não envergonha o país, certo Cajuda?) e Matias, noutra jogada do chileno que os adeptos devem considerar fraquinha, recebe no peito, de costas para a baliza, no meio de 3 ou 4 jogadores do Leiria, consegue virar-se e em queda fazer um remate perigoso. Uma merda, portanto. Bem, mas mesmo bem, jogou o Elias, dirão os adeptos. "Que jogo espectacular", dirão eles, "que maravilha de alívios para a bancada", "que passes para o lado deliciosos" (a fazer lembrar o grande Mendes), "que desmarcações maravilhosas para os adversários", muito bem! Só não terão gostado do facto de ter oferecido um golo na segunda parte ao Matias, mas já lá vamos...

Antes do intervalo, só o Leiria voltou a criar perigo, mas em dois remates de fora da área que saíram ao lado.

Ao intervalo Domingos tirou Pereirinha (uma nulidade) e fez entrar Carrillo (jogo fraquinho desta vez). Mas a "sorte"esteve connosco. Na primeira jogada de verdadeiro perigo, Elias beneficia de um ressalto após remate de Carriço, faz o cruzamento atrasado, e um tal de Matias, que "não joga a ponto de um corno", fez o segundo golo. Um daqueles que para o chileno são fáceis mas, em Alvalade, só se festejam quando a bola abana as redes, habituados que estamos a ver os Postigas da vida atirar à figura e os Djalós por cima da barra.

Depois foi gerir o jogo até aos 66 minutos. Nessa altura entrou em campo o tal do Luís Leal, que deu cabo do Evaldo em dois ou três lances, um dos quais não dá golo por mero acaso. Sim, foi Djaniny a falhar, mas com um azar dos diabos no ressalto da bola. Daí até ao fim, um rol de disparates de João Pereira, Elias, André Santos, Evaldo, Carrillo e até de Rui Patrício puseram os adeptos a tremer. E a coisa só se salvou porque o miúdo Arias, que entrou para o lugar de Matias a 10 minutos do fim, inventou uma jogada pela direita, cruzou para Elias fazer um remate bem merdoso que, por sorte, ressaltou para o braço de um leiriense. O árbitro assinalou penalty (a meu ver o lance é casual, ao contrário do de Emerson, do Benfica, que juridicamente seria qualificado como dolo eventual, mas nem quero entrar por aí) e Wolfsvinkel acabou com o jogo.

No fim, Cajuda queixou-se da arbitragem porque viu uma falta no lance do 2º golo do Sporting (o sol dos Emirados fez mal à pinha do homem, coitado...) e embora tenha razão num lance em que exige o vermelho a João Pereira, esquece-se de exigir o vermelho a Edson num lance sobre Wolfsvinkel na primeira parte em que o árbitro nem falta marcou... Quanto ao penalty, aceito que seja assinalado, tal como aceitaria se fosse na outra área. Para mim não é penalty mas, caramba!, estávamos no minuto 90+1 e o Sporting estava a ganhar. E toda a crítica refere que o penalty existe...

Esquece-se também Cajuda que o seu jogador Luís Leal devia ser multado por, pelo menos, dois motivos: fartou-se de ultrapassar Evaldo pela direita e, considerando a velocidade a que ia, suspeito que ia de mota, mas sem usar capacete...

PS: Duas notas finais:
1. Para Rinaudo que faz muita falta.
2. Para a direcção: se esta merda não servir para fechar a trampa do fosso, não sei o que servirá... além dos adeptos que caíram e a quem felizmente nada de grave aconteceu, temos um jogador que, naturalmente, está abalado com o que aconteceu. É só um pormenor no meio do que poderia ter sido uma tragédia, mas é mais um argumento para fecharem a merda do fosso.